30/08/26

Não invada com palavra (2/3)

      “O homem bom tira boas coisas do bom tesouro do seu coração, e o homem mau do mau tesouro tira coisas más. Mas eu vos digo que de toda a palavra ociosa que os homens disserem hão de dar conta no dia do juízo. Porque por tuas palavras serás justificado, e por tuas palavras serás condenado. Mateus 12.35-37

      Como já avisei outras vezes, se você procura estudos bíblicos baseados numa interpretação protestante tradicional, se quer versículos bíblicos como base para doutrinas de forma explícita, nem sempre achará esse conteúdo aqui. Mesmo que muitas coisas existam na Bíblia, ainda que de forma mais implícita, a Bíblia foi escrita por homens antigos com religiosidades antigas. Algumas coisas que compartilho são frutos de oração e de experiências com os dons do Espírito Santo, esse, sim, tem coisas novas para nos ensinar, ainda que sejam só esclarecimentos aprofundados de ensinos antigos. Mas algo é óbvio, se Deus quisesse o mesmo para todos não haveria, para começo de conversa, tantas igrejas cristãs diferentes. 
      Voltemos ao tema desta reflexão: discrição pode ser uma disposição sábia e poderosa para proteção e eficiência espiritual, em outras palavras, há diferentes espaços espirituais, respeite-os. Para entendermos isso, temos que saber de um poderoso princípio espiritual, a palavra. Esse princípio está na Bíblia, em João 1, é tão importante que Jesus é chamado de verbo de Deus. Deus cria e transforma tudo pela palavra, uma palavra que ele diz não é só verbalização de pensamento, é um ato espiritual e material de geração. O texto bíblico inicial é uma exortação séria ao mau uso da palavra, essa tem poder e pode trazer consequências ruins, principalmente se estamos próximos a, ou em, espaços espirituais que não são os nossos. 
      Sejamos práticos: fale baixo, não tente se impor pelo tom alto de voz, ainda que tenha razão e esteja usando argumentos legítimos, assim não invadirá território que não é seu. Falar de qualquer jeito pode suscitar polêmica, provocar oponentes, causar inveja, gerar guerra que não é para você lutar, porque Deus não mandou, e portanto, ser em algum momento, derrotado. O jeito certo de falar é o humilde, santo e amoroso, nesse modo muitas vezes entenderemos que o melhor é nos calarmos. O ambiente em que temos mais liberdade é nosso lar, já nas ruas da cidade, o território espiritual é quase terra de ninguém, os limites são os de cada indivíduo. Mas no ambiente de serviço cada departamento pertence a um líder determinado. 
      Somos responsáveis e portanto temos algum direito pelo território pelo qual oramos, mas ainda que as pessoas não sejam cristãs, não orem e nem creiam em plano espiritual, elas têm direitos a territórios, anjos e demônios interagem com elas, sabendo elas ou não. A melhor guerra é a que não entramos, se entrarmos tenhamos certeza que recebemos ordem de Deus para isso. Ainda que tenhamos vida com Deus, de consagração e de oração, seremos derrotados entrando tolamente em conflito desnecessário, medindo forças com oponentes que estão em territórios e com direitos que Deus, o mesmo que seguimos, lhes deu. Infelizmente há muito crente pedindo posse de espaço que nunca será seu, assim está sempre derrotado, desgastando-se inutilmente.

“Espaços espirituais: respeitemos”
reflexão em três partes
José Osório de Souza, 13/06/2023

Nenhum comentário:

Postar um comentário