Suponha que você esteja fazendo uma viagem de carro numa rodovia onde o limite de velocidade é 100 km. A distância percorrida também é de 100 km, portanto, obedecendo a lei, levaria mais ou menos uma hora para percorrer o percurso. Você, contudo, comete uma inflação, vai além da velocidade máxima permitida, assim chega ao destino em mais ou menos quarenta e cinco minutos. Como chegou antes, chegou no momento que alguém atravessa um semáforo no vermelho, assim, ainda que você estivesse no verde, colide com o infrator. Se tivesse demorado para chegar, se não tivesse ultrapassado o limite de velocidade e não tivesse sido também um infrator, chegaria quinze minutos depois, a tempo de não pegar o outro infrator do semáforo e de não sofrer o acidente.
Isso é apenas a suposição de uma possibilidade, o universo não é tão simples, seja como for, quando cometemos um erro geramos uma causa ruim que terá um efeito ruim, em algum momento, ainda que não de imediato. Deus criou o universo e leis para o regerem, leis divinas que o próprio Deus não desobedece, causa e efeito é uma delas. Mas existe outra lei, a movimento do amor, que atrai todos os seres humanos à luz mais alta de Deus. O universo se move pelo amor de Deus, sem esse amor tudo pararia e despencaria para as trevas morais, jogando as outras potências, físicas e intelectuais, no caos. Sem o amor divino, mesmo a intenção mais sincera e a inteligência mais plena, não trariam paz e equilíbrio ao universo.
A lei de causa e efeito é inexorável, principalmente nas penas materiais, mas ela independe de paz espiritual. Dessa forma, ainda que tenhamos que colher no mundo cobranças, colheitas ruins e disciplinas, que podem tornar nossas vidas mais difíceis que deveriam ser, podemos ter paz com Deus. Paz é força que nos permite trabalhar para sermos humildes, só aprendemos sobre humildade sofrendo efeitos ruins de causas ruins, assim, submetendo-nos à justiça do universo com resignação. O que entrega paz é o constante movimento do amor de Deus nos puxando para cima, esse puxão é o que mais perto temos da comunhão com Deus neste mundo, unção espiritual que nos liberta de olhar para baixo e ficarmos nas trevas.
O que temos de mais maravilhoso e exclusivo estando em movimento no amor de Deus, é que nos sentimos espiritualmente leves e realmente livres. No amor de Deus não há culpa nem condenação, assim não há julgamento ou inferno, só paz, nada, no universo físico ou espiritual, entrega-nos sentimento tão agradável. Essa sensação é na verdade um equilíbrio entre serenidade e expectativa, tranquilidade por se saber que se agrada a Deus e estímulo para continuar aventurando-se no Senhor, isso de maneira alguma nos amarra. Tantos neste mundo e mesmo buscando no outro mundo, procuram o prazer da aventura que só o conhecimento da luz mais alta de Deus dá. Quem prova esse amor nunca mais será escravo, de nada.
3. Livre Arbítrio - Luz e Trevas
Livre arbítrio é a lei divina que dá ao ser humano liberdade de escolha, a escolha mais importante é deixar-se ser atraído ou não pelo amor de Deus. Muitos cristãos, outros religiosos, mas mesmo ateus e tantos que levantam bandeiras ideológicas, deveriam aprender com Deus, não impor pontos de vista como verdades absolutas. Deus não se impõe, ainda que olhe tudo sob todos os pontos de vista, ele educadamente permite que as pessoas façam opção por aceitarem ou não sua vontade e sua atuação. Somos vencidos pelo tempo e pelo sofrimento, após vermos repetidas vezes que não podem nos mover sem ser para cima, para Deus. Num determinado momento descansamos no bem e na paz e somos atraídos pelo amor de Deus à luz mais elevada, à vida eterna.
Luz e trevas é uma lei divina que implica em extremos, ou nos movemos para cima e estamos na luz, ainda que nos faltando muito para atingirmos o topo, ou estamos em trevas, ainda que com teorias ou fantasias de luz na cabeça. Não se pode estar 99% na luz, 1% de trevas é 100% de trevas, se não é branco é negro, cinza é negro (uso cores como graduação de claridade moral), isso ainda que cada um tenha sua referência de luz moral. Deus está em todo lugar, mas permite que os seres exerçam livre arbítrio e escolham entre subir à luz e se afastar dela. Para subir temos ajuda, para cair basta tentarmos parar, quem não se deixa ser atraído, cai, o local onde se cai são trevas. Só existe luz, trevas é ausência de luz, não de Deus, mas de sua atuação abençoadora, trevas não é potência em si mesma.
Essa posição, contudo, não é geográfica, ainda que seres físicos e espirituais possam ocupar espaço, é localização interior. Nos afastamos de Deus dentro de nós por escolha, isso impede que o Santo Espírito se relacione conosco e nos conecte à luz, dá lugar em nosso interior às trevas e liga-nos por simpatia a demônios que cirandam ao nosso redor. Por mais que Deus nos ame, seu Espírito não pode agir em meio corrompido, isso faria a luz impor-se às trevas, sem que o ser tenha por livre arbítrio desejado subir no amor à luz, autorizando Deus a agir. Parece missão impossível, mas viver neste mundo é tentar se mover no Espírito para cima, enquanto se é atraído pela matéria para baixo. Isso exige de nós trabalho constante.
Uma escolha certa não vale por toda a vida, livre arbítrio para o bem deve ser insistentemente exercido por inúmeras vezes até à morte, para que o céu seja construído dentro de nós. Seremos na eternidade o que fomos por mais tempo na Terra, inferno ou céu, trevas ou luz. Mas aqui vai um mistério, quem experimenta com profundidade mover-se no amor de Deus para a luz, não achará mais prazer ou sentido em cair, nas ilusões da matéria, nos poderes do mundo. Esse nasceu de novo no mundo, reviveu no Espírito, a morte do corpo não o entregará à queda no inferno, mas será elevação em paz ao céu. Isso tem um preço, insatisfação no mundo, quem não é daqui nunca é feliz aqui, ainda que tenha paciência e humildade para ser feliz lá.
4. Reunião por simpatia
“Quem é injusto, faça injustiça ainda; e quem está sujo, suje-se ainda; e quem é justo, faça justiça ainda; e quem é santo, seja santificado ainda. E, eis que cedo venho, e o meu galardão está comigo, para dar a cada um segundo a sua obra.” Apocalipse 22.11-12
Ninguém é só, eis um mistério. No mundo material cada um de nós sabe o preço pago por companhia, que nem precisa ser duradoura ou sincera, basta que nos dê momentos para nos compartilharmos. Pessoas buscam só satisfação sexual nas relações? Algumas até buscam, e essas são as mais egoístas e doentes, mas a maioria só quer alguém que a ouça e aprove-a, indiferente se o orgasmo sexual levou-a ou não às nuvens. Não nos iludamos, toda relação nasce por carência que quer ser resolvida de qualquer jeito e às pressas, quem pensa demais fica só. Talvez a maturidade não seja achar o amor verdadeiro e puro, mas transformar paixão sexual instintiva em amor, e aí entra em cena uma relevante característica humana, a adaptabilidade.
Não temos o que gostamos, aprendemos a gostar do que temos e seguimos para não sermos sós. Espiritualmente, se não somos atraídos por Deus, somos por quem faz escolhas ruins semelhantes, assim se apresenta a lei da reunião por simpatia, que existe mesmo de forma inconsciente. O ser que entra em tristeza, pensando em morte, achando-se o mais solitário dos seres, dá ouvidos a espíritos maus, que ficam ao seu redor alimentando sua tristeza e alimentando-se dela. Tristeza ama companhia. As reuniões de semelhantes com escolhas parecidas, vibrando na mesma frequência moral, chama-se infernos e céus. Muitos se reúnem em bares, outros em templos, mas não é o lugar externo que os define, é qualidade moral dentro deles.
O mistério em não sermos nunca sós, é que nós, como seres individuais e sencientes, assim como a criação, as forças da natureza, planetas, satélites, estrelas etc, somos mais influenciados e dirigidos por potências espirituais que achamos. Deus administra o universo com incontáveis seres espirituais, de luz e de trevas, todos harmonizados com seu propósito, atrair tudo e todos à sua luz mais alta de virtudes morais. O livre arbítrio, contudo, é prioritário, prova do amor de Deus, que dá liberdade de escolha mesmo de algo que Deus sabe que não é o melhor para o ser, estar em trevas, não na luz. Cristãos, não vou além para não escandalizá-los, mas há muitas verdades em religiosidades não cristãs, ainda que Cristo seja único e alto.
Ateus podem argumentar: “aliar deuses a tudo é retroceder ao tempo em que não havia ciência e que seres humanos ignorantes e medrosos ofereciam sacrifícios para serem abençoados”. Deus sempre existiu, sempre amou o ser humano e sempre revelou ao ser humano muitas verdades eternas, espirituais e materiais, pela forma que o ser humano podia entender e ser beneficiado por esse entendimento. Não estou dizendo para desprezarmos ciência, ao contrário, nos aprofundemos mais e mais nela, mas tenhamos a mente aberta. Metáforas são eternas, interpretações ao pé da letra são temporais, quem pode dizer que muitos conhecimentos dos antigos, não são verdades até mais profundas que conhecimentos científicos atuais?
5. Fé
“E, quando chegou à casa, os cegos se aproximaram dele; e Jesus disse-lhes: Credes vós que eu possa fazer isto? Disseram-lhe eles: Sim, Senhor. Tocou então os olhos deles, dizendo: Seja-vos feito segundo a vossa fé. E os olhos se lhes abriram.” Mateus 9.38-40a
Sobre a lei de causa e efeito, duas coisas são importantes, a primeira é a misericórdia, manifestação do dinâmico amor de Deus. O universo, debaixo da causa e efeito, pode ser friamente justo, mas se o ser humano se humilha, se arrepende, toma posse de perdão e segue não errando, efeitos ruins podem ser anulados, pelo menos naquilo que não prejudica outras pessoas. Precisamos entender, e eis aí parte da complexidade do universo, que não estamos sozinhos no mundo, existe o que muitos chamam de efeito borboleta. Deus não pode anular um erro nosso e com isso prejudicar um inocente que nada tem a ver com nosso erro. Assim, ainda que espiritualmente em paz, podemos ter que suportar consequências materiais.
A segunda coisa sobre a lei de causa e efeito é que Deus não precisa usar eventos extraordinários para cumpri-la, a mecânica do universo se auto-mantém. Se entendermos isso veremos como Deus é maravilhoso, infelizmente isso é algo que ateus e materialistas entendem melhor que religiosos e cristãos, só falta aos céticos adicionar Deus à equação. Enquanto os crentes acreditam, mas de forma infantil, superficial, supersticiosa, céticos retiram todos esses equívocos da equação, mas não veem que foi uma mão invisível que administrou tudo, assim desprezam outra lei divina, a fé. Ateus, fé não é crer em Deus e desprezar ciência, é maravilhar-se com tudo que e ciência explica na área material, e ainda assim crer no criador invisível.
Crentes acham que Moisés pela fé abriu o mar, céticos vão dizer que um fenômeno climático de diminuição do nível das águas ocorreria no mar de um jeito ou de outro, não dependeu da fé de Moisés. Mas o “milagre” não foi o ocorrido, mas quando ocorreu, exatamente no momento que Israel precisava passar para fugir do faraó e de Moisés crer. Milagre tem a ver com sincronicidade. Moisés não conhecia a ciência para dizer a ele que o mar se abriria naquele momento, mas conhecia o Senhor, e esse lhe disse, atravessa pois o mar se abrirá. Hoje graças a Deus temos a ciência, e isso é bênção, não é maldição que afasta o crente de Deus ou que aproxima o descrente da incredulidade. Feliz o que crê, mais feliz ainda o que conhece a ciência e crê.
Conhecimento traz responsabilidades e pode ”complicar” religiosidades, mas passamos do ponto, como humanidade, de conhecimento ser escolha, agora é necessidade, obrigação, capacitação, na palma da mão no toque de uma tela de celular. Fé se torna ainda mais relevante num mundo onde conhecimento é completo, disponível e rápido. Por que acreditar se posso saber e fazer acontecer? Mas fé nunca será só opção, ainda que também possamos escolher crer ou não, ela é o único meio, como encarnados neste mundo, de conhecermos o plano espiritual e Deus. Toda evolução científica que a humanidade ainda terá, não dispensará a necessidade de fé para vivência de espiritualidade. Fé é viver em espírito ainda na matéria.
6. Matéria e Espírito
“Porque, qual dos homens sabe as coisas do homem, senão o espírito do homem, que nele está? Assim também ninguém sabe as coisas de Deus, senão o Espírito de Deus. Mas nós não recebemos o espírito do mundo, mas o Espírito que provém de Deus, para que pudéssemos conhecer o que nos é dado gratuitamente por Deus.” I Coríntios 2.11-12
Coube aos mistérios divinos permitir que o espírito humano só se aperfeiçoasse, ou conforme prega o cristianismo, escolhendo ser salvo por Cristo e nascendo de novo, vivendo na matéria neste mundo por um curto espaço de tempo, assim, eis aí outra lei divina, da matéria e espírito. Muitos exercem a fé mais pura e eficiente, mas poucos entendem de fato o que é a fé, como ela se manifesta em nossos corpos, o que produz neles e como chega até o plano espiritual e a Deus. No plano espiritual nossa experiência com Deus será puramente espiritual, ou poderá ser aos salvos ou iluminados, mas no plano físico, dependemos do corpo material para nos conectarmos ao plano espiritual. Aqui nossa experiência espiritual é híbrida.
Somos templos do Espírito, mas isso não é sermos só lugares que armazenam algo, o templo não é espaço vazio e passivo, ainda que deva estar limpo, é um engenho a ser ativado. Por mais consagrados que estejamos, um simples resfriado pode limitar uma conexão mais íntima com Deus. Primeiro é importante dizer que muitos cristãos não vão entender a relevância desta reflexão, não se não tiverem uma experiência profunda com os dons espirituais. Mas ainda que nossa vivência com Deus seja mais intelectual, ainda que não creiamos nos dons espirituais para hoje, ou não os vivamos em toda a plenitude, podemos sentir, que estando o corpo, o templo, em condições desfavoráveis, liberdade do Espírito nele é limitada.
Corpos são engenhos que funcionam com o óleo do Espírito. Religiosidades orientais instrumentalizam isso melhor que o cristianismo, nós cristãos somos apressados, queremos ligar o carro e sair dirigindo. Existe um casamento perfeito entre matéria e espírito, quando estamos em comunhão com a vontade mais alta de Deus para nossas vidas, além de estarmos moralmente limpos e bem intencionados, nossos corpos devem estar adequados. Por isso jejuns, mas mais que isso, regimes alimentares e exercícios que cuidam de saúde física, por isso hinduístas praticam Ioga. Não estou generalizando, corpo são pode não ter mente sã, e muitos que descuidam do corpo têm altas experiências espirituais, mas o ideal seria cuidar de ambos.
Por quê? Porque experiências espirituais não acontecem no nada, elas usam órgãos do corpo, o principal deles é a mente. A existência é mental. A mente é saída e entrada, mas são nossas emoções que digerem a comunicação e se beneficiam da experiência. A experiência é emocional. Muitos são sinceros buscadores de Deus, mas nisso forçam o corpo por não darem a ele o devido respeito. Contudo, há o outro lado, muitos, especialmente no momento atual da humanidade, se esforçam em academias e em regimes, tendo corpos bem cuidados, mas para quê, para terem experiências espirituais altas e puras? Não, para serem amantes melhores e adorados em redes sociais, enfim, para experiências carnais, não espirituais.
A matéria tem vencido o espírito, não pelo excesso, mas justamente pelo oposto, pelo controle e por isso exigindo direito de ser idolatrada. Mas a hibridez não refere-se só a como sentimos a experiência espiritual no corpo físico, ela está relacionada também ao nível intelectual que temos. É por esse motivo que experiências religiosas diferentes, nomes diferentes, cultos diferentes, podem levar a um único e mesmo Deus. Jesus é O caminho, A verdade e A vida, mas quem disse que todos no planeta Terra, de culturas, povos e tempos diferentes, chamam Jesus pelo nome que o cristianismo da tradição judaico-cristã chama? Quando nos colocamos pela fé para buscar a Deus, só Deus sabe da verdade de nossa busca.
7. Religião e Ciência
“Os quais pela fé venceram reinos, praticaram a justiça, alcançaram promessas, fecharam as bocas dos leões, apagaram a força do fogo, escaparam do fio da espada, da fraqueza tiraram forças, na batalha se esforçaram, puseram em fuga os exércitos dos estranhos.” Hebreus 11.33-34
Já pensei que a ciência poderia chegar num nível que explicaria as coisas espirituais (religiosidades como o espiritismo kardecista se consideram científicas). No momento, entretanto, inclino-me a pensar diferente. Viver neste mundo é necessidade de aprimoramento espiritual, se estivéssemos prontos não estaríamos aqui, isso vale para seres humanos de qualquer tempo da humanidade. O planeta Terra sempre será espaço de provação no qual fé é o único jeito de superar os limites da matéria e ter algum acesso ao plano espiritual. Há algo que sempre fará que a espiritualidade alta dependa de fé, e é justamente o objetivo maior da fé, as virtudes morais, essas só vivemos estando conectados a Deus, não com outros “espíritos”.
Para um fato ser científico deve poder ser feito repetidas vezes e chegar-se ao mesmo resultado seguindo-se um único método. Nisso se faz procedimentos médicos, se produz remédios, cura-se saúde física e mental das pessoas com tratamentos e medicações. Podemos prever quando algo que chamam milagre vai ocorrer? Sim, se alguém quer que chova e as condições climáticas são favoráveis, chove. No passado as pessoas recorriam a deuses, ofereciam a eles sacrifícios e ofertas para que chovesse e agricultura e pecuária fossem beneficiadas, assim, só tinham a fé para recorrer. Mas podemos produzir um método para aparecer, por exemplo, anjos e demônios? O ocultismo diz que sim, ainda que por meios perigosos.
A cabala judaica, o afroespiritismo e outras espiritualidades mágicas, possuem sistemas e protocolos para que “entidades” se manifestem, mas esses métodos não são materiais, dependem, além da fé, de algo muito importante: qualidade espiritual. Como o cristão recebe coisas que aos olhos de muitos são milagres, e que sejam como forem, são coisas que para o ser humano naquele espaço-tempo são impossíveis? Pela fé, mas não basta só crer, é preciso pedir a coisa certa e com a intenção certa, algo que vai glorificar a Deus antes de tudo, e com um coração santo, humilde e amoroso. Fé talvez até possa ser quantificada, avaliando reações químicas e elétricas do cérebro do crente, mas como medimos santidade, humildade e amor?
Na verdade podemos mensurar e de forma prática santidade, humildade e amor, é pelos frutos, mesmo assim podemos produzir frutos, mas por intenções não tão santas, humildes e amorosas. Só Deus sabe se há santidade, humildade e amor em nossos homens interiores. Como sabemos se Deus sabe? Pela fé. Deus não vai descer, materializar-se e dizer aos cientistas: essa pessoa me agrada e eu atendo as orações dela. Espiritualidade alta depende de Deus porque ela muda o espírito humano, diferente das espiritualidade baixa que tem um poder maligno sobre a matéria, por isso endemoniados caem ao chão descontrolados aos berros. Isso até pode ser fisicamente avaliado, mas paz com Deus é silenciosa, só quem tem e Deus sabem.
No século XIX havia uma tendência a cientificar espiritualidade, tentaram construir máquinas para registrar eventos sem explicação física, aos quais aliavam explicações espirituais. Mas tais engenhos dependem de homens com fé e com determinadas intenções morais para funcionarem, não se pode pedir que cientistas ateus, num laboratório, usem tais máquinas, utilizem os mesmos protocolos, e os resultados sejam obtidos. Talvez a ciência até identifique processos quânticos que ocorrem quando eventos espirituais se realizam, mas experiência espiritual não se relaciona com matéria irracional, mas com seres racionais, neste mundo e no outro. Tais seres se relacionam por afeto, “ciência” espiritual baseia-se em fé e amor.