18/10/26

O mal do equívoco religioso

      “E dizia Jesus: Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem. E, repartindo as suas vestes, lançaram sortes.”  Lucas 23.34

      De todos os enganos do mundo, equívoco religioso pode ser o que mais mal faz. Por que algo que se prontifica a ligar o ser humano a Deus, a entregar sentido à existência, paz interior, harmonia entre as pessoas, pode causar tanto mal? Mulheres são impedidas de estudar por causa de religião. Pobres são mantidos na pobreza por causa de religião. Sexualidade não binária é condenada por causa de religião. Isso, de maneira geral, não necessariamente os exemplos que citei, não ocorre só no cristianismo católico e protestante, mas também no islamismo, no hinduísmo, e mesmo no espiritismo kardecista, dentre outras religiões. O pior é que as pessoas obedecem cegamente suas religiões e nem se dão conta do equívoco em que creem, e em se tratando de cristianismo, do quanto Jesus é negado. 
      Se homens maus não podem dominar pela política, pelo dinheiro, pela guerra, dominam pela religião. Quem humilha, controla, manipula e se aproveita dos outros por poder de religião equivocada. Não faz isso porque acredita que isso é bom, não, faz só para tirar algum proveito, enquanto usufrui uma vida sem restrições, bem diferente da vida dos dominados. Ninguém se engane com relação a isso. Contudo, muitos papas não exigiam santidade e resignação e eram exemplos disso, muitos pastores não pregam doutrinas extremas, e ainda assim praticam o que pregam. A verdade é que a humanidade precisa de muito menos religiões institucionalizadas, de códigos sagrados, de dogmas, e sim mais de Deus, de seu Espírito de amor. 
      Todavia, quem tem coragem de sair da proteção confortável de catedrais e templos, de denominações centenárias e doutrinas rígidas, da aprovação de sacerdotes e teólogos? Mas também quem tem coragem para parar de trocar fé e dízimo por prosperidade aqui e salvação lá? Religiões facilitam a vida, entregam soluções mastigadas e tradicionais, resistentes ao tempo, dão sensação de pertencimento a algo maior. Obedecer a religião é suficiente, não é preciso refletir profundamente, basta fazer o que a manada faz, ser ovelha em rebanho, não pastor de si. O cristianismo do mundo está sendo conduzido a um julgamento, se for humilde e admitir seu desvio achará a luz, senão seguirá entrevado, ensoberbado, até ser humilhado. 
      O cristianismo do mundo, de homens, não o genuíno do Cristo, dá a Jesus o valor necessário para lucrar materialmente com ele, vende as vestes do Cristo, os símbolos do evangelho, o misticismo cristão, mas ao Espírito puro de Jesus crucifica. O que exército romano e liderança religiosa judáica do primeiro século fez com o corpo físico do Cristo, se faz hoje com os eternos ensinos do Jesus espiritual. Infelizmente, para muitos, lá nas regiões espirituais mais elevadas, o Jesus espiritual segue dizendo o que o Cristo homem disse, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem. Até quando? É tempo de nos entristecermos profundamente com o que há em muitas igrejas cristãs, de clamarmos a Deus por paciente misericórdia. 

      Ps.: busque espiritualidade, não perca tempo com ateísmo e materialismo; depois da busca inicial, não se acomode com os princípios de espiritualidades entregues nos conhecimentos religiosos exotéricos; em oração e principalmente na prática que muda tua vida de fato, siga crescendo no conhecimento do Altíssimo; a aventura espiritual é maravilhosa e o que realmente importa na existência. 

17/10/26

O que nossa fé tem construído?

      “Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai.” Filipenses 4.8

      Há poder criativo na fé, uma das lições revolucionárias ensinadas pelo Cristo, mas isso pode ser bom ou ruim. Não são as ações, sacrifícios e protocolos religiosos num templo físico, que unem o homem a Deus, mas convicção emocional e criação mental exercidas dentro das mentes humanas. Aquilo que mais insistimos em crer, criamos, ainda que não se manifeste no plano físico, passa a existir no plano espiritual. Demônios, espíritos malignos, entidades inferiores, seja qual for o nome, são parasitas, sobrevivem sobre a fé humana. Eles adquirem intenções, forças e formas sobre as insistentes imagens mentais que os seres encarnados projetam no plano espiritual sobre eles através da fé. 
      A razão para isso é vaidade e carência de espíritos baixos, que se apresentam de acordo com aquilo que os seres humanos desejam para receberem desses adoração e medo. Não nos enganemos, não são só ocultistas, magos, satanistas e outros tipos de espiritualistas que empoderam o diabo. Cristãos, dentro de templos, querendo e fazendo o bem, também empoderam, entregam potência ao mal. Não era popular a imagem do diabo vermelho, com rabo, pés e chifres de bode, nos tempos do antigo testamento, essa imagem do deus Pan grego do mal é construção da idade média. O diabo mudou? Não, espíritos, anjos, Deus e seres malignos não mudam, mas aparecem aos humanos de acordo com a fé desses. 
      Enquanto Deus nos chama ao progresso, muitos cristãos insistem em conservar crendices, superstições e misticismos antigos e ultrapassados para o nível intelectual, social e moral do ser humano atual. Deus está bem vivo, como sempre esteve, está e estará, mas o falso “Deus” assim como o Diabo, esses estão morrendo, sobrevivem só na cabeça de ociosos espirituais que não querem buscar o Altíssimo através do Santo Espírito e pela porta Jesus, para conhecerem a realidade do plano espiritual. Cuidado, os que creem no diabo morto, poderão encontrá-lo vivo quando acordarem no plano espiritual após a morte, que os atormentará por muito tempo no inferno que eles mesmos criaram em suas mentes ou espíritos. 
      Cristão, não tenho nenhuma pretenção de escandalizá-lo, nem de mudar a fé que te trouxe até aqui em paz e vitória, mas um conselho sábio e equilibrado cabe. Ao invés de pensar muito no diabo, de divulgar a figura de um ser espiritual mal, absoluto e eterno, promova Deus. Abra as portas do céu, ao invés de escancarar as do inferno, viva o amor, perdoando, tendo paciência com os que não querem aproximar-se de Deus. Não se apresse em julgamento ruim, em condenações extremadas, mas persista em ser ferramenta da luz para auxiliar os que estão em trevas. Faça isso com humildade, não como quem sabe tudo, mas como quem pouco sabe e quer ajudar no que pode. Construa o bem. 

16/10/26

Sem exigências

      “O temor do Senhor encaminha para a vida; aquele que o tem ficará satisfeito, e não o visitará mal nenhum.” Provérbios 19.23

      Soberba é se achar no direito de fazer exigências. O céu que receberemos na eternidade está diretamente relacionado às exigências que não fizermos, portanto, à paz que teremos para ter somente o que Deus quiser nos dar. O humilde sempre crê receber mais que merece, assim o céu “melhor” ou mais alto terá o que sentiu que recebeu mais que merecia, não tudo que achava ter direito. Não são ateus e materialistas que mais farão exigências na eternidade, mas são justamente os cristãos, que por acharem que pela fé conquistaram tudo que sua religião lhes dizia que podiam conquistar, acordarão no plano espiritual com muitas exigências, convencidos que merecem o céu, e o céu do jeito que eles acham que o céu é. Mas quem faz exigências nunca está em paz, cobra porque sente-se cobrado. Sábio é fazer todo o bem que se pode e ainda assim sentir-se leve e sem expectativas. Que seja o que Deus quiser, ou não...

15/10/26

Irrepreensíveis em paz

      “Por isso, amados, aguardando estas coisas, procurai que dele sejais achados imaculados e irrepreensíveis em paz.” II Pedro 3:14 

      Às vezes achar a paz é só uma questão de pararmos de segurar a dor e a deixarmos ir, não sofrermos com injustiça recebida, com julgamento errado que fizeram de nós, com ataque covarde que nos lançaram e que não tivemos forças para vencer, mas abrirmos o coração permitindo que a dor se esvaia, como areia fina entre os dedos. A dor é isso, tem o poder que damos a ela, a força está na mão que se fecha, não na areia retida, se a mão abre, a areia cai. Mas essa simplicidade de cura prova o humilde, que assume seu erro, que não responsabiliza o outro por seu pecado, que sabe que toda seta maligna, de homem ou espírito, é menor que o perdão, o amor e a paz de Deus. Relaxe e confie no Senhor, você tem direito à paz. 

14/10/26

Trabalho dos maduros

       "E disse-me: A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo." II Coríntios 12:9

      Interessa mais ao nosso crescimento sermos expostos e desprotegidos para nos fortalecermos, que sermos guardados e protegidos. Algumas orações não são atendidas, mesmo que exerçamos a maior fé, pois as respostas a elas que desejamos, nos manteriam crianças. Adultos devem aprender a caminhar pelas próprias pernas e superarem obstáculos por si sós. Deus não faz trabalho que compete ao ser humano fazer para crescer. Isso mostra, não um Pai insensível, mas amoroso visando resultados a longo prazo e não imediatos. Filhos maduros perseverarão no trabalho de superação e não agirão como crianças mimadas e revoltadas que pensam terem sido abandonadas. Contudo, o prêmio final pelo trabalho por evolução, é dado aos que dão a glória por sua perseverança, não a si mesmos, mas a Deus. Esses, não só crescem horizontalmente, mas elevam-se verticalmente até o Altíssimo. 

Oportunidades de evolução

      “Por isso sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias por amor de Cristo. Porque quando estou fraco então sou forte.” II Coríntios 12.10

      Os que conseguem ficar de pé por muito tempo, não são os que nunca caíram, mas os que mais caíram. Tiveram queda por tantas vezes que adquiriram sabedoria para não caírem mais. Por que algumas coisas nos atingem em cheio, nos derrubando, ainda que estivéssemos bem e erguidos? Porque era preciso, se nos derrubaram é porque ainda não tínhamos recebido tal ataque, precisávamos recebê-lo para então aprender a superá-lo. Os que se protegem demais, que por orgulho, por não quererem ser vistos como derrotados, assim mantendo-se aparentemente sempre firmes, não aprenderão a estar de pé em Deus. Por isso alegremo-nos com a constatação da fraqueza, é oportunidade para nos erguermos mais fortes em Deus.

13/10/26

Edificado e guardado

      "Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam; se o Senhor não guardar a cidade, em vão vigia a sentinela." Salmos 127:1

      Não basta pedir proteção de Deus sobre a construção, mas a construção deve ter sido executada no Senhor. Muita gente orando em igreja por casamento que nunca vai funcionar, ainda que tenha sido celebrado por religião. Admitir isso não é falta de fé, mas humildade. Muitas relações trazem sofrimento, da traição e do ciúmes, porque Deus não uniu. Infelizmente nesse caso só resta a vergonha da separação, que pode ter como efeito mais sério a criação deficiente de filhos, que nada têm a ver com escolha errada de pais. Tenhamos paciência e ensinemos os jovens a terem, para escolhermos e provarmos de fato casamentos construídos em Deus e guardados por ele. Em casamento feliz não há donos e posses, mas dois seres iguais que se respeitam. Em casamento maduro não há ciúmes. Contudo, sejamos sábios, saibamos discernir entre não aprovação divina e falta de maturidade nossa. 

Ciúmes é pecado

      “O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece. Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal” I Coríntios 13.4-5

      Ciúmes não é prova de amor, nem virtude, é pecado, falta de fé, doença que precisa de cura. Ciúmes tem levado carentes a serem presas de controladores, achando que isso é só proteção diferenciada. Ciúmes tem levado possessivos a se acharem donos com direito a uso de violência, caso o objeto de ciúmes não se submeta a eles. Mas ciúmes há mesmo em igrejas, com casais educados e consagrados. Ciúmes é como vício, não se pode dar-se ao luxo de fumar um cigarro, ou nenhum se fuma ou se permanece viciado. A libertação existe quando, ainda que o ser amado esteja longe, ou perto e usando computador ou celular, se está em paz. Exerça fé, deixemos Deus guardar o amado, e saibamos discernir amor de obsessão. 

12/10/26

Importa dentro, não fora

      “Mas também tens em Sardes algumas pessoas que não contaminaram suas vestes, e comigo andarão de branco; porquanto são dignas disso. O que vencer será vestido de vestes brancas, e de maneira nenhuma riscarei o seu nome do livro da vida; e confessarei o seu nome diante de meu Pai e diante dos seus anjos.” Apocalipse 3.4-5

      A revolução que Jesus trouxe não foi só para a religiosidade israelita, mas para a espiritualidade geral, de todas as religiões. Um dos ensinos revolucionários do Cristo foi: espiritualidade se vivencia no interior, no espírito, no coração, indiferente da aparência externa. O corpo físico, por sua vez só colhe os efeitos da causa espiritual, na verdade não influencia a origem que é interior. Nisso, não só judeus do primeiro século devem aprender com uma revelação profunda de Deus, mas também católicos, protestantes e mesmo outros religiosos. Deixo claro aqui minha desassociação com preconceitos, assim como minha plena confiança no amor de Deus por todos os religiosos, atendendo ele às buscas, independente de estética ritualística. 
      Se as pessoas precisam vestir-se totalmente de branco como sinal de consagração, para atrair coisas boas, num determinado dia da semana, tudo bem, se Deus está sendo buscado ele não se importa com isso, como muitos acham, nem para mais, nem para menos, ele atenta-se para o coração. A aparência externa de branco, em qualquer religião, pode ser útil para que coisas virtuosas, limpas, sejam interiormente invocadas, assim atraindo boa espiritualidade. Mas para espiritualmente maduros, ainda que corpo asseado e trajado com discrição seja o mínimo para demonstrar-se o que há no coração, importa dentro, não fora, não cores, rituais, misticismos e superstições. Deus é mais que roupas brancas e apetrechos simbólicos. 
      Quer vestir-se de branco e adequar-se para uma cerimônia religiosa? Ame o que te persegue, que não te respeita, que te despreza, ame teu inimigo. Perdoe quem te magoa, quem é injusto contigo, quem te lesa de alguma forma. Branqueie teus olhos espirituais parando de desejar todo corpo que aparece pela frente, parando de assistir injustiça e nada fazendo para impedi-la. Purifique teus ouvidos espirituais, não sentindo, falando e fazendo tudo que espíritos malignos te assopram, seja insensível com o mal, não surdo com o bem. Que sejam alvas tuas vestes interiores, é nessas que o Santo Espírito atém-se. Só espíritos inferiores se envaidecem com obediência humana à aparência física, Deus está muito acima disso. 
      “Eu odeio e desprezo as suas festas e com as suas reuniões solenes não tenho nenhum prazer. Mesmo que vocês me ofereçam holocaustos e ofertas de cereais, não me agradarei deles. Quanto às suas ofertas pacíficas de animais gordos, nem sequer olharei para elas. Afastem de mim o barulho dos seus cânticos, porque não ouvirei as melodias das suas liras. Em vez disso, corra o juízo como as águas, e a justiça, como um ribeiro perene.” (Amós 5.21-24). Esse texto é duro, e na Bíblia está direcionado à religião de Israel, não a outras, de outros povos, dos chamados deuses estranhos. Religiosos não cristãos não interpretem o texto como uma crítica a vocês, mas a todos, cristãos ou não, que exercem religiosidade não de Deus no coração, mas só externa.

11/10/26

O que nos tem atraído?

      “Filho meu, se os pecadores procuram te atrair com agrados, não aceites.” Provérbios 1.10

      O que tem atraído-nos? O que tem achado em nós simpatia espiritual, para vibrar em nossa frequência? O mal tenta nos atrair com prazeres errados ou exagerados do corpo físico, com formas materiais, com sensualidades de olhares, andares e palavras. Contudo, ele também tenta atrair-nos com ódio, inveja, recalques e inseguranças, não só nossa em nós, mas dos outros e neles. Se é difícil resistir aos apetites da carne, pode ser ainda mais difícil, depois que vencemos prazeres inferiores, superar mentira, calúnia, crítica destrutiva, o mal que espíritos malignos nos lançam através de homens maus que se deixam ser ferramentas dele. Cuidado, há armadilha no prazer errado, no elogio mal intencionado, mas também na injustiça alheia. 
      Há um termo em espiritualismo chamado “encosto”, quando alguém nos lança um mal e não resistimos em amor, santidade e humildade, e ainda que não reajamos com palavras e ações a esse mal, damos “carona” a demônios, que acham em nossa brecha legalidade para seguir conosco, incomodando-nos psicologicamente. Isso pode acontecer porque é preciso, se o mal achou brecha é porque nós a deixamos existir, assim, “encosto” é oportunidade para lacrarmos brecha. Esse “fechamento” só fazemos com fé e vigilância, sabendo que Deus é maior que o demônio que nos incomoda, que a paz de sabermos que agradamos ao Senhor é maior que acusações de gente, que por não ser o que somos, tenta nos destruir. 

10/10/26

Isso é de Deus?

      “Tenho-vos dito isto, estando convosco. Mas aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito.” João 14.25-26 

      O cristianismo do mundo, baseado no judaísmo e no catolicismo, tem como dogma rigoroso e terminal a definição de certas coisas como de Deus e, consequentemente, outras como do diabo. Isso simplesmente fecha portas com cadeados invioláveis, há utilidade nisso? Até há, para crianças espirituais não preparadas para conhecimentos espirituais mais profundos, contudo, também pode enclausurar as pessoas eternamente na infância. O motivo é um só, muita coisa que o cristianismo do mundo diz ser de Deus não é, está mais para ser do diabo, por outro lado coisas que diz ser do diabo são de Deus. Como saber a verdade? Por bons frutos que permanecem no tempo como efeito da prática das coisas. Contudo, só descobre isso os que têm coragem para abrir cadeados humanos.
      O correto seria, em primeiro lugar, as pessoas entenderem que são as únicas responsáveis por suas vidas, pelos seus aperfeiçoamentos, pelo que creem e sabem. As pessoas precisam ter coragem de trabalhar espiritualmente de forma pessoal, não entregando a religiões e doutrinas a responsabilidade para pensar, entender e dizer o que é de Deus e o que não é. Mas será que as pessoas têm medo de Deus ou da religião? Muitas não vão além dos dogmas pois dizem que ir além é coisa do diabo, que isso as levaria ao inferno, tiraria delas o direito de serem protegidas por Deus. Com medo seguem obedecendo cegamente, a Deus ou à religião? Para muitas pessoas tanto faz, para elas a religião é Deus e Deus é a religião. Mas será que é? 
      Não é! Deus não desceu do céu e criou o catolicismo e o protestantismo, nem o judaísmo, esse foi decodificado por um homem, Moisés. Contudo, com certeza Deus desceu do céu, naquilo que lhe foi possível, quando encarnou-se no Cristo, Cristo é a religião mais próxima da religião de Deus. Entretanto, muitos vão dizer, “mas o catolicismo é isso, a religião do Cristo”, outros também dirão, “o protestantismo é uma volta ao cristianismo original”. Não, não são, tanto um como outro são releituras humanas, qualquer estudo raso de história mostrará a politicagem envolvida na criação de catolicismo e protestantismo, assim como as conveniências levadas em conta para estabelecerem o cânone bíblico e o que Jesus viveu e falou. 
      Se perguntarmos a muitos se já leram textos religiosos de religiões orientais e espíritas, dirão, “não, não são de Deus, são do diabo”. Que arrogância a nossa tantas vezes, eu vivi nessa arrogância por décadas, e ainda que tenha sido abençoado por Jesus nessa crença, estava limitando o amor e o poder de Deus em minha vida. Assim vivia religião beligerante, que via muitos como inimigos, preconceituosa, que condenava muitos ao inferno, presunçosa, que me entregava o céu por fé, sem muito trabalho de reforma interna. Arrogantes são superficiais, podem ser filhos de Deus, todos são, mas não são amigos íntimos do Senhor. Arrogantes são covardes e ociosos, ainda que trabalhadores seculares e religiosos esforçados, são vagabundos espirituais. 
      Amor é de Deus! Santidade é de Deus! Humildade é de Deus! Quem consegue viver e segurar amor, santidade e humildade? Quem obedece a Deus, não a demônios ou a espíritos enganadores. Muitos não são amorosos, santos e humildes justamente por obedecerem cegamente a uma religião, ao invés de abrirem a mente para um Deus maior e mais alto que aquele que uma religião ensina. Repito e nunca deixarei de frisar aqui: Jesus é único e suficiente. Mas quem disse que o cristianismo do mundo conduz a esse Jesus único e suficiente? Não conduz, leva a um “Cristo” de homens, limitado em sua ação. O Cristo verdadeiro nos é revelado pelo Espírito Santo, como o próprio Jesus homem disse que seria há quase dois mil anos. 
      Muitos querem sentar-se em templos e ouvirem um cristianismo fechado. Protestantes se orgulham de assistirem palestras de estudiosos que abrem no púlpito várias versões de Bíblia, que, como defendendo teses de doutorado, fazem detalhadas citações de comentaristas, exegetas, hermeneutas, recorrendo às linguagens originais do velho e novo testamento, para esmiuçarem textos e chegarem mais precisamente à verdade divina. Não desprezo o benefício disso tudo, também utilizo isso, mas só uma oração realmente espiritual, exercendo os dons, onde há uma conexão íntima com o Espírito de Deus, após haver temor, humildade, perdão, assunção de santidade plena e silêncio, recebe do autor esclarecimento sobre sua obra. Mais que autor da Bíblia, Deus é nosso Pai, só ele sabe o que é melhor para nós, mais ninguém.  

José Osório de Souza, 5/07/2023

09/10/26

Parece virtude, mas não é

      “O que atenta prudentemente para o assunto achará o bem, e o que confia no Senhor será bem-aventurado. O sábio de coração será chamado prudente, e a doçura dos lábios aumentará o ensino.” Provérbios 16.20-21

      Ansiedade e pressa para fazer, não são virtudes, são pecados. Para nosso aperfeiçoamento espiritual não importa quantidade, mas qualidade. Quantidade nos envaidece diante de homens, mas pode levar a perda de nossas almas diante de Deus. Iniciativa impensada parece coragem voluntária, mas pode ser impulsividade irresponsável. Quem faz sem considerar antes pode fazer o desnecessário, mesmo injusto, quem considera sensatamente sabe o que fazer, quando, e que será o mais útil para muitos. Não reagir ao mal pode ser amor, mas algumas vezes pode ser insegurança e baixa auto-imagem. No amor não há vingança, mas podemos entregar certas pessoas a Deus para que paguem por seus erros. Não nos achemos os errados quando errados são os outros. Humildes discernirão isso e confiarão na justiça divina, não em suas justiças.

08/10/26

Poder e responsabilidade da união

      “Em verdade vos digo que tudo o que ligardes na terra será ligado no céu, e tudo o que desligardes na terra será desligado no céu. Também vos digo que, se dois de vós concordarem na terra acerca de qualquer coisa que pedirem, isso lhes será feito por meu Pai, que está nos céus Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles.” Mateus 18.18-20

      Se dois ou três buscarem a Deus, o acharão. Isso ensina sobre necessidade de concordância entre os seres humanos, que não é preciso muitos para se achar entendimento, harmonia, paz. Casamento é isso, sintonia de dois num mesmo propósito, e de fato essa é a aliança mais forte e importante que podemos fazer neste mundo, principalmente quando começa e amadurece em amor. Mas há um mistério no texto, a união de poucos tem aprovação divina se é feita no Santo Espírito, se isso ocorrer basta um pois já serão dois, um ser humano e Deus. Devemos, contudo, nos perguntar, será que temos qualidade de vida para ligar e desligar a Terra do céu? O princípio do amor nos ensina que ligar é melhor que desligar. 

      Hoje eu e minha amada esposa fazemos 30 anos de união, obrigado Altíssimo por essa que é a bênção mais importante de minha passagem por este mundo. Gratidão! 

07/10/26

Arrependamo-nos e sigamos

      “Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados, de sorte que venham os tempos de refrigério, da presença do Senhor.” Atos 3.19

      O que é nossa vida com Deus se não constante errar e arrepender-se? Não desanime, é a realidade de todos aqui, que querem preparar-se para a eternidade melhor de Deus lá, como respondeu Pedro a Jesus, “para quem iremos nós, tu tens as palavras da vida eterna?” (João 6.68). Há quedas que são nas tentações básicas que seguirão conosco até o fim, mas muitas vezes fraquejamos nessas porque não conseguimos ser aprovados em provações mais importantes, em que Deus nos coloca para sermos aperfeiçoados. O desafio é não deixar que derrota em provação torne-se queda em tentação. Sermos desaprovados em prova pode nos desanimar muito, levando-nos a buscar consolo nos apetites do corpo, nossas tentações mais comuns. Seja como for, nos arrependamos e sigamos em frente, humildes, o quanto antes, senão só acumularemos erro a erro. 

06/10/26

Não colha antes do tempo

      “Porque em esperança fomos salvos. Ora a esperança que se vê não é esperança; porque o que alguém vê como o esperará? Mas, se esperamos o que não vemos, com paciência o esperamos.” Romanos 8.24-25

      Bênção colhida antes do tempo dura pouco, como fruto colhido verde, tem gosto desagradável, não pode ser totalmente consumido e será descartado quase inteiro. Todo fruto agradável e duradouro custa tempo e trabalho, demora para ser colhido, mas quando usufruído é doce, alimenta, não só nosso corpo, mas nossa alma, e seus benefícios saudáveis carregamos para sempre. Contudo, quem tem paciência para trabalhar muito e esperar o suficiente? A maioria de nós, principalmente nos tempos atuais, tem pressa, não só para usufruir, mas também para exibir resultados aos pares. O sofrimento, as desilusões, as decepções, nos ensinam a ter paciência, assim, a receber bênção de Deus, não as falsas e vãs do mundo e do mal. 

05/10/26

Vencido pela própria arma

      “Dai, e ser-vos-á dado; boa medida, recalcada, sacudida e transbordando, vos deitarão no vosso regaço; porque com a mesma medida com que medirdes também vos medirão de novo.” Lucas 6.38

      Quem prevalece pelo ódio, pelo ódio será derrotado. Quem conquista pelo amor, no amor será enriquecido. Somos vencidos, pelo mal ou para o bem, pela arma que nós mesmos usamos contra os outros. Ódio, vingança, mágoa, como tudo que vem do mal, é mentira. Ainda que inicialmente pareçam fortalecer, motivar, dar sentido, se voltarão contra quem os usou na mesma proporção. Amor, perdão, misericórdia, como tudo que é bem, é verdade acima do que achamos ser. Se inicialmente podem ser trabalhosos de serem exercidos, fazendo que nos sintamos lesados, injustiçados, no final nos surpreendem com recompensas que nem achávamos necessitar, visto que o bem se faz sem segundas intenções.

04/10/26

Paz no silêncio - um desafio

      “Mas o Senhor está no seu santo templo; cale-se diante dele toda a terra.” Habacuque 2.20
      “Bom é ter esperança, e aguardar em silêncio a salvação do Senhor.” Lamentações 3.26
      “Todo o homem seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar.” Tiago 1.19b

      A maioria de nós, para não dizer todos, tem dificuldade para administrar silêncio. Se estamos sós, pensamentos, emoções, ansiedades, medos, sonhos e desilusões nos atormentam, ainda que não tenhamos ninguém para conversar. Isso até nos permite ter o primeiro momento numa oração a Deus, o do desabafo, de falar, mas pode nos impedir de ter o segundo e mais importante, o de ouvir Deus responder. Deus tem paciente amor, serenidade para nos atender e nos respeita como estamos, mas a dificuldade em administrarmos silêncio pode nos prejudicar muito quando convivemos com pessoas. As pessoas precisam de auxílio, tanto quanto nós, mas a ajuda mais importante não somos nós que podemos dar-lhes, não com argumentação. 
      Há duas pessoas que podem ajudar as pessoas, Deus e elas mesmas, os outros até podem auxiliar, mas mais ouvindo que falando. Contudo, quem resiste, primeiro de falar dos próprios problemas, lamentar e reclamar de tantos, quem consegue se controlar para não só falar de si mesmo sem ouvir o outro? Muitos de fato precisam ser ouvidos, mas se todos quiserem ser ouvidos, quem ouvirá? Deus equilibra sempre as coisas, não permite mais doentes que médicos. Contudo, há outro ponto de vista. O que somos de fato, enfermos ou enfermeiros? Como evangélicos achamos que todos precisam de nossa verdade, e que só podemos compartilhá-la falando de Bíblia. Queremos ajudar, mas falando, não ouvindo, nos achamos doutores nas questões existenciais. 
      A melhor avaliação das pessoas fazemos pelo que elas fazem, não pelo que elas dizem, muitos cristãos estão sempre prontos a falar, e nos dias atuais, a defenderem ideologias políticas que apoiem seu conservadorismo social e religioso. Palavras nada adiantam, Jesus falava pouco, a sabedoria mais alta de Deus é revelada com frases simples e curtas, não com longos discursos. Inferno será confronto de seres humanos com fraquezas não vencidas, com provas sem aprovação no mundo. Quantos serão confrontados com o silêncio, que terá que ser administrado do jeito certo, sem escapismos e distrações dos prazeres do corpo físico para fugir. Aprendamos a administrar silêncio em paz, esse pode ser nosso maior desafio. 

03/10/26

No céu como na Terra

      “O Senhor é Deus zeloso e vingador; o Senhor é vingador e cheio de furor; o Senhor toma vingança contra os seus adversários, e guarda a ira contra os seus inimigos.” Naum 1.2
      “Amados, amemo-nos uns aos outros; porque o amor é de Deus; e qualquer que ama é nascido de Deus e conhece a Deus. Aquele que não ama não conhece a Deus; porque Deus é amor.” I João 4.7-8

      A visão do mundo espiritual sempre esteve atrelada à visão que o ser humano tinha do mundo físico. Em outras palavras, Deus se revela ao homem conforme o nível de entendimento que esse tem, conforme suas necessidades e prioridades. Deus não muda, é o ser humano que muda. Nos tempos do antigo testamento, israelitas tinham como inimigos os povos de outras nações que não tinham a mesma religião que eles, Israel tinha uma visão materialista e beligerante de religiosidade. Não se pensava eternidade, céu, inferno, diabo e demônios, como se entendeu após vida e morte do Cristo.
      Na idade média o ser humano submetia-se a reis e papas por temor, crendo que as hierarquias do mundo eram vontade de Deus e que não mudariam, isso é a base do que se chama conservadorismo. Por outro lado, baseados no evangelho, pensavam haver qualidade religiosa na pobreza, pelo menos para quem nascia assim. Mas a partir da renascença a humanidade mudou, a ciência estabeleceu novas referências, a política progressista trouxe igualdade para os seres humanos e o liberalismo econômico ensinou que todos podiam mudar de status quo pelo trabalho, mesmo não sendo nobres de nascença.
      Isso mudou o problema religioso, espiritualizou-o, entendeu-se que elementos invisíveis interferem nos visíveis, por isso óticas religiosas orientais, que já eram menos materialistas que as ocidentais, ganharam relevância. Ainda assim, na contramão da evolução, muitos insistem em vivenciar hoje, a religiosidade da idade média, e pior, a religiosidade israelita dos tempos bíblicos. Conservadorismo entrega zona de conforto, de parada, enquanto que o progressismo, por mandar seguir em frente, não definindo o destino já que esse é desconhecido, conduz a trabalho constante, não à estagnação.
      Responda com sinceridade: é a mesma, a noção de religiosidade contida nos dois textos bíblicos no início dessa reflexão? Um texto diz que Deus é vingador, o outro diz que Deus é amor. Deus muda? Não, muda o homem. O homem do antigo testamento entendia Deus de um jeito, o evangelho entendeu Deus de outro jeito. Deus tomou alguma atitude quando viu o ser humano entendê-lo equivocadamente? Não, mas procurou abençoar o homem nesse limite e apesar desse limite. Mas na verdade Deus tomou uma atitude, enviou Jesus, a melhor e mais alta expressão de sua identidade. Isso bastou? Infelizmente não para o homem.
      Se tivesse bastado, a igreja católica não teria nascido e sido mantida, tendo como filhos bastardos protestantismo, pentecostalismo e tantas outras seitas. Ainda assim Deus abençoa muitos, mesmo limitado por esses. Deus se limita no conhecimento mais apurado do mundo espiritual que pode entregar, não limita-se no amor. Se Deus esperasse que as pessoas fossem doutoras em espiritualidade para amá-las, estaríamos sozinhos no universo, caindo nas trevas. Mas o “Como o ar que respiro” insiste, há limites para viver-se na exceção, aproxima-se o momento de mudança de tempos. Estamos prontos? 

02/10/26

Bem maior que fica é de Deus

      “Não erreis, meus amados irmãos. Toda a boa dádiva e todo o dom perfeito vem do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança nem sombra de variação.” Tiago 1.16-17

      Bem maior que fica é de Deus! Parece simplista ou pouco para proteger do mal? Não é, se entendermos toda a afirmação. Tem que ser bem que beneficia não só quem faz, mas no possível os outros também. Tem que ser maior. Muitas coisas são boas e de Deus, mas não são bem maior, moral e espiritual, que Deus quer dar. Contudo, além disso tem que permanecer, resistir ao tempo. Muitas coisas parecem boas, e até podem ser para os outros, mas não são para nós se não permanecerem úteis por toda nossa vida, ultrapassando mesmo o limite da morte física. Todavia, um cuidado aqui, muitos cristãos dizem saber o que é melhor para toda a humanidade, principalmente na fé que conduz ao céu e recebe favor de Deus na Terra. 
      Só Deus sabe o que é melhor, ainda que fé no Cristo permita conexão singular, reta e alta com ele. Não se enganem muitos cristãos, e digo isso sem generalizar, há muita gente feliz, moralmente vitoriosa, caridosamente útil, sendo luz do Altíssimo e que não faz oficialmente parte de uma religião, denominação ou igreja católica, protestante, evangélica, pentecostal ou semelhante. Também há muito texto, em livros sagrados, filosóficos, mesmo ficcionais, que abençoam e iluminam profundamente as pessoas, mudando suas vidas, ainda que o cânone bíblico seja uma coleção especial de registros de experiências de homens com o Deus verdadeiro e com seu filho Jesus. Cristão, se tua crença te traz bem maior que permanece, fique fiel nela, mas a ninguém julgue.

      PS.: à pergunta que podemos fazer, "mas se é de Deus, por que causa tanto sofrimento?". Se é de Deus não faz sofrer, não de forma duradoura. Contudo, a melhor resposta de Deus dói se somos ociosos ou orgulhosos, teimosos em não obedecer ao Altíssimo. Quem se dá com humildade ao trabalho de fazer a coisa certa achará o bem maior e duradouro, além de uma evolução moral e espiritual ímpar. 

01/10/26

Livra-nos de armadilhas

      “Em ti, Senhor, me refugio; não seja eu jamais envergonhado; livra-me por tua justiça. Inclina-me os ouvidos, livra-me depressa; sê o meu castelo forte, cidadela fortíssima que me salve. 
      Porque tu és a minha rocha e a minha fortaleza; por causa do teu nome, tu me conduzirás e me guiarás. 
      Tira-me do laço que, às escondidas, me armaram, pois tu és a minha fortaleza. Nas tuas mãos entrego o meu espírito; tu me remiste, Senhor, Deus da verdade.”
  Salmos 31.1-5

      Um modelo de oração diária nos é ensinado no texto bíblico acima. Dependência da força de Deus sempre, mesmo quando nos sentimos satisfeitos, aprovados e felizes, há mais armadilha quando andamos certo, que quando andamos errado, e essa armadilha é a que nós mesmos armamos, através de nosso orgulho. Mas a oração também nos leva a pedir a Deus livramento de armadilhas, que armam para nós fora de nós, por seres maus, físicos e espirituais. Andemos com temor a Deus sempre, luz incomoda e gera inveja naqueles que não querem fazer por merecer o que lhes é seu por trabalho honesto, mas querem roubar o que é dos outros. Entreguemos nossa vida física nas mãos de Deus, mas antes de tudo confiemos ao Senhor nosso eterno espírito.

30/09/26

Tempos de Deus

      “Eu, porém, olharei para o Senhor; esperarei no Deus da minha salvação; o meu Deus me ouvirá. Oh inimiga minha, não te alegres a meu respeito; ainda que eu tenha caído, levantar-me-ei; se morar nas trevas, o Senhor será a minha luz. 
      Sofrerei a ira do Senhor, porque pequei contra ele, até que julgue a minha causa, e execute o meu direito; ele me tirará para a luz, e eu verei a sua justiça. 
      E a minha inimiga verá isso, e cobri-la-á a vergonha, que me diz: Onde está o Senhor teu Deus? Os meus olhos a contemplarão; agora será ela pisada como a lama das ruas.” 
Miqueias 7.7-10

      Que felicidade provamos quando admitimos nosso pecado, todo ele, quando nos prontificamos a pedir perdão para quem machucamos, e pedimos, naquilo que nos é possível, quando passamos o tempo da disciplina, do cativeiro, das “Babilônias”, com humildade, sem nos sentirmos vítimas, sem jogarmos culpa nos outros, mas calados, aceitando que estamos colhendo o que plantamos. Sabemos que aprendemos a lição quando nos acostumamos (e essa talvez não seja a palavra melhor) do jeito certo com o cativeiro de Deus (de Deus, não de homens), quando servimos a “Nabucodonosor” (usando os termos Nabucodonosor e Babilônia como metáforas), não com revolta ou de qualquer jeito, mas sinceramente com nosso melhor. 
      Quando aprendemos e vivemos isso, Deus nos liberta do cativeiro, então, se já estávamos felizes na resignação, provamos uma felicidade que achávamos nem existir mais. Que surpresas boas e maravilhosas têm os que aceitam os tempos de Deus em paz, se o pouco já satisfazia, pouca coisa a mais parece um luxo que não se merece, que nem se precisa. O Espírito Santo do Cristo não gera vingança, mas o universo naturalmente responde aos que não acreditaram em nós, que não nos deram uma segunda oportunidade, que nos condenaram fechando os olhos para um paciente Deus de amor que não se esquece de nenhum de seus filhos. Ao que viveu os tempos de Deus cabe misericórdia, e dar a muitos o que deles não recebeu, tempo. 
      O texto bíblico inicial é muito especial para mim, sob muitos aspectos, parece que o profeta recebeu-o nos tempos atuais direcionado especificamente a mim. Esperarei no Deus da minha salvação, o meu Deus me ouvirá, deixem os outros pensarem e falarem, foquemos em Deus. Ainda que eu tenha caído, levantar-me-ei, sofrerei a ira do Senhor, porque pequei contra ele, tenhamos Deus como prioridade, agradando-o e sofrendo a pena com humildade, sejamos pacientes na disciplina. Inimiga minha não te alegres a meu respeito, você verá isso e cobri-la-á a vergonha, não queiramos vingança, não guardemos inimigos dentro de nós. Deus, através dos mecanismos do universo, mostrará quem somos e onde chegamos, no tempo melhor. 

29/09/26

Sem tempo para desamor

      “Mas Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores.” Romanos 5.8 

      Deus nos entrega vários ensinos no Cristo, o principal é o amor, de Deus por nós e de nós mesmos por inimigos. A lição do versículo acima é que alguém santo, justo e poderoso, entrega uma dádiva a alguém pecador, mesmo que esse não tenha admitido seu pecado, muito menos mudado de atitude. Isso é amor em sua forma mais pura, mas também mais poderosa. Quem permite perdão sem pedir algo em troca, entrega ao perdoado a possibilidade de recomeçar certo sem cobrança. Deverá trabalhar para não pecar mais, mas olhando para frente, não como pagamento do que ficou para trás. Isso também nos ensina que podemos amar e perdoar, mesmo quem se indispõe conosco e se mantém assim, não por ter mudado de atitude. 
      Uma lição importante o amor puro de Deus ensina: não podemos perder tempo com o erro cometido, seja o nosso contra Deus, seja o dos outros contra nós, seja o nosso contra os outros. A ordem é: admitamos o erro, não queiramos mais cometê-lo se o erro for nosso, e perdoemos o erro dos outros, ainda que esses não tenham pedido perdão a nós ou sequer admitido o erro. Não percamos tempo, nos levantemos leves, em paz, gratos pelo perdão de Deus e pacientes com o erro dos outros, e sigamos em frente sem olhar para trás. Se for preciso fazer isso setenta vezes sete (Mateus 18.21-22), que seja assim, importa nos pormos de pé, nos conectarmos a Deus, e usarmos nosso tempo aqui para sermos hoje melhores que fomos ontem. 
      Justamente por usarmos tanto tempo, mais para sentir culpa pelo erro, que de fato trabalhando para não errar, é que adoecemos tanto, física e psicologicamente. No remorso tentamos achar consolo na satisfação dos apetites do corpo, nos vícios, na bebida alcóolica, no sexo errado ou exagerado, mas também na obsessão de querer aprovação e aplauso de homens, não de Deus. Sim, nossos corpos e mentes são limitados, se cansam, entediam-se, inflam com ansiedades e medos, esvaziam-se em solidão sem fim, mas a fraqueza é para nos levar para mais perto de Deus, não para mais longe. Queridos, não falo como perfeito, mas como o mais imperfeito dos seres, essa luta é minha todo dia, não percamos tempo com desamor.