01/11/26

Viva bem

      “Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de entranhas de misericórdia, de benignidade, humildade, mansidão, longanimidade; suportando-vos uns aos outros, e perdoando-vos uns aos outros, se alguém tiver queixa contra outro; assim como Cristo vos perdoou, assim fazei vós também. 
     E, sobre tudo isto, revesti-vos de amor, que é o vínculo da perfeição. E a paz de Deus, para a qual também fostes chamados em um corpo, domine em vossos corações; e sede agradecidos.” 
Colossenses 3.12-15

      Pense o bem, sinta o bem, faça o bem. Experimente tua existência no espaço e no tempo, com as pessoas e contigo, de maneira benigna. Persevere nisso, vigie nisso, e se alguma emoção ou pensamento mau lhe vier, supere com o bem. Isso não é escapismo de covarde ou utopia de louco, isso é possível se dermos lugar ao Espírito Santo dentro de nós. No bem não há lugar para remorso, rancor, inveja, ira, medo ou incredulidade, o bem conecta-se a Deus, ouvi-o e o agrada. Não vale a pena represar o mal dentro de nós, é possível viver sem ele, se trabalharmos para isso. Viva o céu no mundo, não dê lugar ao inferno e a demônios dentro de você, isso cura corpo e mente, mas acima de tudo, aperfeiçoa nosso eterno espírito. 

31/10/26

Além das trevas

      "Torre forte é o nome do Senhor; para ela correrá o justo, e estará em alto retiro." Provérbios 18.10

      Há uma porta de luz, além da caverna escura. Há revelações de mistérios além da proteção exotérica das religiões. Há liberdade além das cadeias humanas. Há virtude além dos vícios. Há conhecimento lúcido além da fé sob o véu. Há vitória real e paz que permanece além da pesada matéria inferior e no elevado retiro do Altíssimo. Há mais para quem está preparado e se dá ao trabalho. 

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Parábola da Caverna

       “Porquanto tão encarecidamente me amou, também eu o livrarei; pô-lo-ei em retiro alto, porque conheceu o meu nome. Ele me invocará, e eu lhe responderei; estarei com ele na angústia; dela o retirarei, e o glorificarei. Farta-lo-ei com longura de dias, e lhe mostrarei a minha salvação.” Salmos 91.14-16

      Um homem vivia dentro de uma escura caverna, ele havia nascido lá, como seus parentes e conhecidos. Na caverna havia crescido, achado uma companheira, tido filhos, envelhecido. Enquanto vivia, via parentes mais velhos e outras pessoas morrerem, após vidas inteiras dentro do lugar. Um dia, contudo, já no último período de sua existência, uma curiosidade, que na verdade sempre tivera, ficou muito forte dentro dele. Começou a pensar, será que o mundo é só isso, uma caverna, não haverá nada além dela? Perguntou a pessoas que pensava serem mais sábias, essas responderam que seu questionamento era inútil, mas mais que isso, um pecado, que punha em dúvida toda a maneira tradicional de ser da sociedade da caverna.
      As crenças dos habitantes da caverna não satisfaziam mais o homem, não faziam dele alguém melhor. Por outro lado, sentia-se muito só, seu questionamento escandalizava as pessoas. Para poder viver com alguma paz, entendeu que era melhor guardar sua dúvida para si. Havia um corredor dentro da caverna que era proibido, as pessoas não sabiam bem o porquê, só sabiam que a tradição da sociedade da caverna dizia que tal corredor levava a um abismo de fogo. Isso, contudo, não o impediu de buscar uma resposta, de algum jeito ele sabia que a resposta para sua pergunta estava naquele corredor, assim resolveu que andaria por ele. Para isso teve que vencer o terrível medo que desde criança lhe colocaram sobre o corredor.
      No período de repouso dos habitantes, quando todos dormiam, ele começou a andar pelo corredor proibido. Cada dia percorria um pouco, mas sempre voltava antes das pessoas acordarem. Como cada vez ia mais longe, a volta tinha que ser mais rápida, para que as pessoas não soubessem de sua empreitada. Mas ele sentia algo estranho, quanto mais andava, mais forte e rejuvenescido sentia-se, dessa forma a volta mais célere não lhe cansava. Um dia, finalmente, ele percebeu que lá na frente do corredor havia uma luz, e quanto mais andava, mais claro o corredor ficava. Ele temeu o desconhecido, pensou, devo estar perto do abismo de fogo, serei queimado vivo, vou pagar por ter desobedecido a tradição religiosa do meu povo. 
      Sua curiosidade, entretanto, era mais forte que ele, e não era só uma questão de saber mais, por vaidade, nem algum tipo de revolta com a tradição da caverna, algo dentro e fora dele o chamava para saber mais, para ir até o fim do corredor proibido, para chegar à luz. Algo dentro e fora dele dizia qua no final não havia um abismo de fogo, mas uma vida melhor que a que havia na caverna. Então, num período de sono dos habitantes, ele enfim chegou ao final do corredor. Avistou uma porta aberta e do outro lado havia uma luz, mas ela não queimava, ao contrário, transmitia-lhe uma paz que nunca havia sentido, uma satisfação de felicidade, ainda que nada tivesse racionalizado ou verbalizado, a luz parecia ser a resposta que buscava.
      Na primeira vez que viu a luz já sentiu-se saciado e respondido, assim, passou algum tempo indo até lá, sentando-se no chão e simplesmente permanecendo calado, só contemplando a luz, para ele aquilo já era o bastante. Um dia, contudo, quando relaxou o suficiente, quando parou de tentar interpretar o que havia na luz de acordo com conhecimentos que tinha, com sua imaginação humana, quando enfim olhou com olhos espirituais, não físicos, ele viu. Havia seres com aparência humana na luz depois da porta, olhando para ele. Eram seres iluminados, com sorrisos serenos, como que só aguardando que ele tomasse uma iniciativa, que estivesse de fato preparado para saber se a vida era só aquela que havia dentro da pequena e escura caverna.
      Um dia ele tomou coragem e começou a conversar com os seres, mas mal ele formulava uma pergunta os seres já respondiam, como se adivinhassem suas palavras, como se lessem seus pensamentos. Com o tempo ele ia até à porta todas as noites, e adquiriu intimidade com os seres, reconhecia diferenças em suas vozes, eram homens, mulheres, idosos, mesmo crianças. Então, ele se sentiu preparado e disse, quero atravessar pela porta e ficar do outro lado para sempre. Os seres responderam, quando você morrer poderá passar por esta porta, todos que morrem passam por ela, contudo, como você pagou o preço do conhecimento, caminhou pelo corredor proibido, venceu preconceitos e tradições humanas, a passagem não vai surpreendê-lo, nem assusta-lo, será em paz. 
      Aquilo não foi o final, mas o início, agora ele sabia que a vida era bem mais que sobreviver naquela pequena e escura caverna. Mas ele também sabia que havia algo bom após a morte, não um abismo de fogo, mas um dia maravilhoso sob um Sol que ilumina, mas não queima, que revitaliza, que dá vida eterna. Não, ele não pôde contar sua experiência a todos, só para alguns, mas aprendeu quais as verdadeiras prioridades da vida e conseguiu pôr isso em prática. Agora não estava mais só, tinha a companhia dos seres da porta de luz, que o consolavam nas lutas da vida, que deram propósito mais alto à sua existência. Ele não podia falar aos semelhantes, mas quem quisesse poderia ver em suas ações alguém melhor, que via além da caverna.

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Reflexões sobre a parábola

      “Conheço um homem em Cristo que, há catorze anos, foi arrebatado até o terceiro céu. Se isso foi no corpo ou fora do corpo, não sei; Deus o sabe. E sei que esse homem — se no corpo ou sem o corpo, não sei; Deus o sabe — foi arrebatado ao paraíso e ouviu palavras indizíveis, que homem nenhum tem permissão para repetir.” II Coríntios 12.2-4

1. O homem

      O ser humano, tenha ele a sexualidade que expressar neste mundo, tenha nascido onde for, com cultura, nível intelectual, poder financeiro e raça que tiver, tenha religião ou não, quem é ele? É um ser que nasce e morre uma vez para fazer uma única escolha e pela fé aceitar ou não o Cristo como salvador? Essa é a definição que o cristianismo do mundo dá ao ser humano. Mas outras religiões dizem diferentemente, dizem que o ser humano é espírito em evolução gradativa, processo que dura muito tempo e que existe várias vezes neste mundo e em outros mundos. Seja como for, há uma fase na existência humana de trevas, e isso não significa estar sem religião, sem Cristo, escravo de apetites do corpo. Há propósito nas trevas, só se valoriza a luz após vivencia-las. 

2. A sociedade

      É escola, hospital, chão de fábrica, plateia de teatro? É espaço e tempo de trabalho, com certeza. Trabalho físico? Sim, evoluímos moralmente sobrevivendo fisicamente, não só explorando o planeta para retirar dele comida e abrigo, mas para mantê-lo vivo e útil para gerações futuras. Conservar o planeta não é materialismo, mas prova de amor com filhos e demais descendentes. Por outro lado, evolução intelectual, ainda que ateus e céticos não admitam, está atrelada à evolução moral. Mesmo que no momento existam grupos extremistas e estúpidos que demonizam uns aos outros, crentes chamam cientistas de diabo, cientistas tratam crentes como loucos ignorantes, a harmonia de todos é destino inexorável da humanidade.

3. A caverna

      Ela não é restrição, é proteção. A maioria das pessoas não está preparada porque não quer, não quer porque não está preparada, assim Deus não chama muitos porque não podem ouvir. Deus abençoa grande parte da humanidade dentro de religiões. Religiões são revelações diretas de Deus? Não, são interpretações sobre revelações de Deus a homens de tempos e lugares específicos. Jesus é especial, único, altíssimo, em seus ensinos, ou pelo menos naquilo que a tradição cristã deste mundo deixou que ficasse registrado deles, há revelações para levarem os seres humanos para fora da caverna. Esses ensinos já têm quase dois mil anos, ainda assim as pessoas parecem sentirem-se cada vez mais acomodadas na pequena e escura caverna. 

4. O corredor

      Deus sempre disponibiliza o caminho, Jesus é o caminho, mesmo que quem o trilhe não saiba ou não denomine-o assim. Jesus hoje é um ser espiritual altíssimo, o verbo do amor divino que nos leva reto e direto a Deus. Por esse caminho Deus se comunica com o ser humano pelo seu Santo Espírito, é esse quem chama, revela, consola, cura, de acordo com os limites de cada ser. Sabe-se que se atingiu o limite quando não se é mais saciado pelas respostas que a sociedade da caverna dá, quando a tradição da caverna não faz mais da pessoa um ser humano melhor. Sente-se de caminhar pelo corredor proibido para ser melhor, não por curiosidade vaidosa ou rebeldia. É muito importante entender muito bem isso. 

5. O caminho

      O caminho é um, conduz ao Altíssimo. Corredores são muitos, são pessoais. Quando começa-se a trilhar um corredor não se sabe o que será achado, se move por fé. A obediência de seguir pelo corredor fortalece, mas também atemoriza, confia-se que Deus chama, superando o medo do abismo de fogo que a tradição da caverna diz haver no fim do corredor. Durante os últimos dois milênios muitos têm sido chamados para seguir por corredores, mas com medo da tradição da caverna esses têm se ocultado, ainda que muitas vezes achados, perseguidos e assassinados. Obedecer a voz de Jesus ainda tem um preço alto, e não é aquele que muitos cristãos acham pagar, esses só seguem cativos pela nova Roma pagã fantasiada de cristianismo. Trilhar um corredor é a maior aventura que pode-se experimentar neste mundo, se esse é o caminho para a porta.

6. A porta

      Conversão, iniciação, iluminação, elevação, conexão, o que é a porta? Quem pode mensurar a felicidade do que foi cego a vida inteira e então vê a luz do Sol pela primeira vez? Parece mentira, parece sonho, parece efeito da droga mais forte, mas na verdade é a realidade, o escuro da caverna é que é ilusão. Quem enxerga, ainda que de longe, os raios da luz da porta, apaixona-se como nunca tinha se apaixonado na vida, é puxado para cima pelo Espírito do Altíssimo, rejuvenesce, descobre o sentido mais elevado da existência, na caverna e fora dela, na vida e no além-morte. Quando se vê a porta pela primeira vez se quer fazer morada perto dela, ficar lá sentado, só olhando, que consoladores são os raios de luz que passam pela porta. Mas Deus nada faz pela metade, se pronto, pode-se continuar. 

7. A face espiritual

      Qual é a face do divino para você? Aquela que tua religião exibe em quadros e estátuas? Aquela que tua religião define em teologia e dogmas? Aquela que tua religião mostra nos rostos de homens “alterados”? Não darei uma palavra final nesta revelação, deixarei você e tua fé à vontade para explicarem, eu sei que obedeci, achei e vi. Senti-me como na parábola, como alguém que tivesse passado a vida numa caverna pequena e escura e enfim tivesse achado uma porta de luz, pela qual Deus fala sem que eu precise usar véu. Iluminação não é uma experiência fácil, tem um preço alto, principalmente de solidão. Mas quem quiser ver que veja em minha vida os frutos bons, práticos e perenes dessa experiência inefável. 

José Osório de Souza, 29/06/2023

Sobre a parábola da caverna (2/2)

      “Conheço um homem em Cristo que, há catorze anos, foi arrebatado até o terceiro céu. Se isso foi no corpo ou fora do corpo, não sei; Deus o sabe. E sei que esse homem — se no corpo ou sem o corpo, não sei; Deus o sabe — foi arrebatado ao paraíso e ouviu palavras indizíveis, que homem nenhum tem permissão para repetir.” II Coríntios 12.2-4

1. O homem

      O ser humano, tenha ele a sexualidade que expressar neste mundo, tenha nascido onde for, com cultura, nível intelectual, poder financeiro e raça que tiver, tenha religião ou não, quem é ele? É um ser que nasce e morre uma vez para fazer uma única escolha e pela fé aceitar ou não o Cristo como salvador? Essa é a definição que o cristianismo do mundo dá ao ser humano. Mas outras religiões dizem diferentemente, dizem que o ser humano é espírito em evolução gradativa, processo que dura muito tempo e que existe várias vezes neste mundo e em outros mundos. Seja como for, há uma fase na existência humana de trevas, e isso não significa estar sem religião, sem Cristo, escravo de apetites do corpo. Há propósito nas trevas, só se valoriza a luz após vivencia-las. 

2. A sociedade

      É escola, hospital, chão de fábrica, plateia de teatro? É espaço e tempo de trabalho, com certeza. Trabalho físico? Sim, evoluímos moralmente sobrevivendo fisicamente, não só explorando o planeta para retirar dele comida e abrigo, mas para mantê-lo vivo e útil para gerações futuras. Conservar o planeta não é materialismo, mas prova de amor com filhos e demais descendentes. Por outro lado, evolução intelectual, ainda que ateus e céticos não admitam, está atrelada à evolução moral. Mesmo que no momento existam grupos extremistas e estúpidos que demonizam uns aos outros, crentes chamam cientistas de diabo, cientistas tratam crentes como loucos ignorantes, a harmonia de todos é destino inexorável da humanidade.

3. A caverna

      Ela não é restrição, é proteção. A maioria das pessoas não está preparada porque não quer, não quer porque não está preparada, assim Deus não chama muitos porque não podem ouvir. Deus abençoa grande parte da humanidade dentro de religiões. Religiões são revelações diretas de Deus? Não, são interpretações sobre revelações de Deus a homens de tempos e lugares específicos. Jesus é especial, único, altíssimo, em seus ensinos, ou pelo menos naquilo que a tradição cristã deste mundo deixou que ficasse registrado deles, há revelações para levarem os seres humanos para fora da caverna. Esses ensinos já têm quase dois mil anos, ainda assim as pessoas parecem sentirem-se cada vez mais acomodadas na pequena e escura caverna. 
      
4. O corredor

      Deus sempre disponibiliza o caminho, Jesus é o caminho, mesmo que quem o trilhe não saiba ou não denomine-o assim. Jesus hoje é um ser espiritual altíssimo, o verbo do amor divino que nos leva reto e direto a Deus. Por esse caminho Deus se comunica com o ser humano pelo seu Santo Espírito, é esse quem chama, revela, consola, cura, de acordo com os limites de cada ser. Sabe-se que se atingiu o limite quando não se é mais saciado pelas respostas que a sociedade da caverna dá, quando a tradição da caverna não faz mais da pessoa um ser humano melhor. Sente-se de caminhar pelo corredor proibido para ser melhor, não por curiosidade vaidosa ou rebeldia. É muito importante entender muito bem isso. 
      
5. O caminho

      O caminho é um, conduz ao Altíssimo. Corredores são muitos, são pessoais. Quando começa-se a trilhar um corredor não se sabe o que será achado, se move por fé. A obediência de seguir pelo corredor fortalece, mas também atemoriza, confia-se que Deus chama, superando o medo do abismo de fogo que a tradição da caverna diz haver no fim do corredor. Durante os últimos dois milênios muitos têm sido chamados para seguir por corredores, mas com medo da tradição da caverna esses têm se ocultado, ainda que muitas vezes achados, perseguidos e assassinados. Obedecer a voz de Jesus ainda tem um preço alto, e não é aquele que muitos cristãos acham pagar, esses só seguem cativos pela nova Roma pagã fantasiada de cristianismo. Trilhar um corredor é a maior aventura que pode-se experimentar neste mundo, se esse é o caminho para a porta.

6. A porta

      Conversão, iniciação, iluminação, elevação, conexão, o que é a porta? Quem pode mensurar a felicidade do que foi cego a vida inteira e então vê a luz do Sol pela primeira vez? Parece mentira, parece sonho, parece efeito da droga mais forte, mas na verdade é a realidade, o escuro da caverna é que é ilusão. Quem enxerga, ainda que de longe, os raios da luz da porta, apaixona-se como nunca tinha se apaixonado na vida, é puxado para cima pelo Espírito do Altíssimo, rejuvenesce, descobre o sentido mais elevado da existência, na caverna e fora dela, na vida e no além-morte. Quando se vê a porta pela primeira vez se quer fazer morada perto dela, ficar lá sentado, só olhando, que consoladores são os raios de luz que passam pela porta. Mas Deus nada faz pela metade, se pronto, pode-se continuar. 
      
7. A face espiritual

    Qual é a face do divino para você? Aquela que tua religião exibe em quadros e estátuas? Aquela que tua religião define em teologia e dogmas? Aquela que tua religião mostra nos rostos de homens “alterados”? Não darei uma palavra final nesta revelação, deixarei você e tua fé à vontade para explicarem, eu sei que obedeci, achei e vi. Senti-me como na parábola, como alguém que tivesse passado a vida numa caverna pequena e escura e enfim tivesse achado uma porta de luz, pela qual Deus fala sem que eu precise usar véu. Iluminação não é uma experiência fácil, tem um preço alto, principalmente de solidão. Mas quem quiser ver que veja em minha vida os frutos bons, práticos e perenes dessa experiência inefável. 

30/10/26

Parábola da caverna (1/2)

      “Porquanto tão encarecidamente me amou, também eu o livrarei; pô-lo-ei em retiro alto, porque conheceu o meu nome. Ele me invocará, e eu lhe responderei; estarei com ele na angústia; dela o retirarei, e o glorificarei. Farta-lo-ei com longura de dias, e lhe mostrarei a minha salvação.” Salmos 91.14-16

      Um homem vivia dentro de uma escura caverna, ele havia nascido lá, como seus parentes e conhecidos. Na caverna havia crescido, achado uma companheira, tido filhos, envelhecido. Enquanto vivia, via parentes mais velhos e outras pessoas morrerem, após vidas inteiras dentro do lugar. Um dia, contudo, já no último período de sua existência, uma curiosidade, que na verdade sempre tivera, ficou muito forte dentro dele. Começou a pensar, será que o mundo é só isso, uma caverna, não haverá nada além dela? Perguntou a pessoas que pensava serem mais sábias, essas responderam que seu questionamento era inútil, mas mais que isso, um pecado, que punha em dúvida toda a maneira tradicional de ser da sociedade da caverna.
      As crenças dos habitantes da caverna não satisfaziam mais o homem, não faziam dele alguém melhor. Por outro lado, sentia-se muito só, seu questionamento escandalizava as pessoas. Para poder viver com alguma paz, entendeu que era melhor guardar sua dúvida para si. Havia um corredor dentro da caverna que era proibido, as pessoas não sabiam bem o porquê, só sabiam que a tradição da sociedade da caverna dizia que tal corredor levava a um abismo de fogo. Isso, contudo, não o impediu de buscar uma resposta, de algum jeito ele sabia que a resposta para sua pergunta estava naquele corredor, assim resolveu que andaria por ele. Para isso teve que vencer o terrível medo que desde criança lhe colocaram sobre o corredor.
      No período de repouso dos habitantes, quando todos dormiam, ele começou a andar pelo corredor proibido. Cada dia percorria um pouco, mas sempre voltava antes das pessoas acordarem. Como cada vez ia mais longe, a volta tinha que ser mais rápida, para que as pessoas não soubessem de sua empreitada. Mas ele sentia algo estranho, quanto mais andava, mais forte e rejuvenescido sentia-se, dessa forma a volta mais célere não lhe cansava. Um dia, finalmente, ele percebeu que lá na frente do corredor havia uma luz, e quanto mais andava, mais claro o corredor ficava. Ele temeu o desconhecido, pensou, devo estar perto do abismo de fogo, serei queimado vivo, vou pagar por ter desobedecido a tradição religiosa do meu povo. 
      Sua curiosidade, entretanto, era mais forte que ele, e não era só uma questão de saber mais, por vaidade, nem algum tipo de revolta com a tradição da caverna, algo dentro e fora dele o chamava para saber mais, para ir até o fim do corredor proibido, para chegar à luz. Algo dentro e fora dele dizia qua no final não havia um abismo de fogo, mas uma vida melhor que a que havia na caverna. Então, num período de sono dos habitantes, ele enfim chegou ao final do corredor. Avistou uma porta aberta e do outro lado havia uma luz, mas ela não queimava, ao contrário, transmitia-lhe uma paz que nunca havia sentido, uma satisfação de felicidade, ainda que nada tivesse racionalizado ou verbalizado, a luz parecia ser a resposta que buscava.
      Na primeira vez que viu a luz já sentiu-se saciado e respondido, assim, passou algum tempo indo até lá, sentando-se no chão e simplesmente permanecendo calado, só contemplando a luz, para ele aquilo já era o bastante. Um dia, contudo, quando relaxou o suficiente, quando parou de tentar interpretar o que havia na luz de acordo com conhecimentos que tinha, com sua imaginação humana, quando enfim olhou com olhos espirituais, não físicos, ele viu. Havia seres com aparência humana na luz depois da porta, olhando para ele. Eram seres iluminados, com sorrisos serenos, como que só aguardando que ele tomasse uma iniciativa, que estivesse de fato preparado para saber se a vida era só aquela que havia dentro da pequena e escura caverna.
      Um dia ele tomou coragem e começou a conversar com os seres, mas mal ele formulava uma pergunta os seres já respondiam, como se adivinhassem suas palavras, como se lessem seus pensamentos. Com o tempo ele ia até à porta todas as noites, e adquiriu intimidade com os seres, reconhecia diferenças em suas vozes, eram homens, mulheres, idosos, mesmo crianças. Então, ele se sentiu preparado e disse, quero atravessar pela porta e ficar do outro lado para sempre. Os seres responderam, quando você morrer poderá passar por esta porta, todos que morrem passam por ela, contudo, como você pagou o preço do conhecimento, caminhou pelo corredor proibido, venceu preconceitos e tradições humanas, a passagem não vai surpreendê-lo, nem assusta-lo, será em paz. 
      Aquilo não foi o final, mas o início, agora ele sabia que a vida era bem mais que sobreviver naquela pequena e escura caverna. Mas ele também sabia que havia algo bom após a morte, não um abismo de fogo, mas um dia maravilhoso sob um Sol que ilumina, mas não queima, que revitaliza, que dá vida eterna. Não, ele não pôde contar sua experiência a todos, só para alguns, mas aprendeu quais as verdadeiras prioridades da vida e conseguiu pôr isso em prática. Agora não estava mais só, tinha a companhia dos seres da porta de luz, que o consolavam nas lutas da vida, que deram propósito mais alto à sua existência. Ele não podia falar aos semelhantes, mas quem quisesse poderia ver em suas ações alguém melhor, que via além da caverna.

José Osório de Souza, 29/06/2023

29/10/26

Museu ou laboratório?

      “Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé. Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amarem a sua vinda.” II Timóteo 4.7-8

      Qual é o seu "bom combate"? Hoje completo  67 anos (em setembro fiz 50 anos de conversão oficial ao evangelho protestante). O que sentimos à medida que envelhecemos? Muitos fingem que estão bem, mas são museus, não laboratórios. Boas lembranças são úteis, devem ser troféus, não lápides, provas na memória que fizemos escolhas certas que deram bons e permanentes frutos. Mas a vida se vive, e sendo ainda redundante, a vida é viva, Deus nos permite novos desafios até o fim, para que usemos da melhor forma nosso tempo no mundo. Não podemos viver só de memórias, e muitas vezes vendo algo bom que na verdade nem foi tão bom assim no passado. Saudosistas viram museus de si mesmos, deveriam seguir conhecendo-se e mudando, como laboratórios. 
      A vida muda, Deus não pede do idoso o que pede do jovem, não se o idoso tiver sido temente a ele e humilde o suficiente para armazenar créditos para a velhice. Créditos são recursos materiais e financeiros, mas são muito mais recursos morais, acumulados assumindo pecados e responsabilidades, sendo perdoado, perdoando, e aperfeiçoando-se em santidade e amor. Velhice é tempo, acima de tudo, de purificação moral, não de perdição, ainda que os sentimentos estejam menos apaixonáveis, que o corpo esteja menos sensível aos apetites da matéria, o espírito deve estar mais iluminado, encantado, não pelo mundo, pelo céu. Hoje sou mais feliz que jamais fui, mais perto da melhor eternidade, vendo em esposa e filhos, honras de Deus. Obrigado ao Altíssimo e a quem realmente me amou até aqui. 
      Sobre o texto bíblico inicial, muito mas muito longe de mim comparar minha trajetória pessoal com a vida ministerial de Paulo ou de algum ser humano oficialmente e integralmente dedicado à "obra de Deus". Mas precisamos desmistificar a Bíblia em muitos pontos, quem disse que o melhor de um ser humano diante de Deus, é experimentado administrando igreja ou explicitamente pregando evangelho? O "bom combate" de cada um quem sabe é cada um e Deus. Na maior parte das vezes a vitória mais importante que conquistamos é sobre nós mesmos, superação apossada com muito tempo e muito trabalho. Tantos querendo salvar o mundo, o Brasil, levantando bandeiras religiosas e políticas, vivendo dentro de templos, mas perdendo a si e a família. Salvemo-nos, quem sabe nosso testemunho salve mais alguém...

28/10/26

Perseverente humildade

      “Mas, quando fores convidado, vai, e assenta-te no derradeiro lugar, para que, quando vier o que te convidou, te diga: Amigo, sobe mais para cima. Então terás honra diante dos que estiverem contigo à mesa. 
      Porquanto qualquer que a si mesmo se exaltar será humilhado, e aquele que a si mesmo se humilhar será exaltado.” 
Lucas 14.10-11

      Nossa vida com Deus é isso, caímos quando queremos ficar de pé sozinhos, então, conscientizamo-nos e nos erguemos em Deus. Mas em pouco tempo novamente nos exaltamos, de maneira diferente que nas quedas anteriores. O efeito disso é nova humilhação para que, humildes, nos levantemos em Deus. Sábio é aprendermos a lição e seguirmos humildes até o fim, todavia, encarnados no mundo, nos esquecemos com facilidade das virtudes, por isso a necessidade de persistência constante em pôr-se de pé. Assumir-se como fraco, não é, como alegam céticos e materialistas, ter baixa autoestima ou vitimizar-se, é deixar morrer o que está fadado à morte, a ilusão da matéria, para que viva o que tem destino eterno, a realidade do espírito.

27/10/26

Esforçados na angústia

      “Se te mostrares fraco no dia da angústia, é que a tua força é pequena. Se tu deixares de livrar os que estão sendo levados para a morte, e aos que estão sendo levados para a matança; 
      se disseres: Eis que não o sabemos; porventura não o considerará aquele que pondera os corações? Não o saberá aquele que atenta para a tua alma? Não dará ele ao homem conforme a sua obra?” 
Provérbios 24.10-12

      “Ser fraco na angústia é ter pouca força? Mas a angústia não faz exatamente isso, deixar-nos fracos?” Nos sentimos angustiados, se não for por pecado não perdoado, quando estamos preocupados, amedrontados, enfim, inseguros com algo. Como cristãos, aprendemos que andar em Deus é o que nos faz vitoriosos e dá paz, assim, angústia é efeito de sairmos, por algum motivo, dessa posição. Certos confrontos nos fazem trocar confiança em Deus por outras forças, nos levam a mudar a dimensão de Deus dentro de nós em relação ao tamanho de outras coisas fora de nós. Angústia nasce de troca de valores que nos faz crer em mentiras, não deixamos de ser fortes, só achamos isso, nos acovardamos, não só com relação a problemas nossos, como dos outros. Se somos fortes só quando tudo vai bem, que crescimento há nisso? O Espírito Santo nos desafia a nos esforçarmos, principalmente quando angustiados. Enfrentemos, não fujamos, ainda que doa muito, Deus livra humildes corajosos. Jesus não fugiu, quem age certo não teme.

26/10/26

Fortes sendo fracos

      “Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; porém, um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado.
      Cheguemos, pois, com confiança ao trono da graça, para que possamos alcançar misericórdia e achar graça, a fim de sermos ajudados em tempo oportuno.” 
Hebreus 4.15-16

      Saibamos quando sermos fortes e quando sermos fracos, e ser fraco não para pecar e se entregar a exessos do corpo, mas para vigiar e esperar quieta e silenciosamente em Deus por sua ação. Nem sempre estamos preparados para postarmo-nos ativamente contra oposição, ainda que ser forte seja pôr-se de pé, com olhos retos, não altivos, nem rebaixados, enfrentando o inimigo serenamente. 
      Mas quem disse que não há fortaleza na fraqueza adequada? É preciso ser corajoso na fé, lúcido, para assumir-se limitado e dependente de Deus. O espírito pode estar pronto, mas a carne não está sempre preparada, convém aos propósitos divinos que seja assim, que aprendamos a seguir no caminho mesmo com corpo restringido, mesmo fracos. 

25/10/26

À direita, à esquerda, ao centro

      “Apesar de tudo, até muitos dos principais creram nele; mas não o confessavam por causa dos fariseus, para não serem expulsos da sinagoga. Porque amavam mais a glória dos homens do que a glória de Deus.” João 12.42-43

      As definições de direita, esquerda e centro, em política e religião, são humanas, deste mundo. A verdade de Deus, por sua vez, pode estar em todos os pontos entre a direita extrema e a esquerda extrema do homem. O homem busca zonas de conforto porque isso facilita sua vida, quando não quer pensar mais profundamente para escolher e prefere ter apoio de um grupo pelo menos, e não ser desaprovado por todos. Jesus foi claro, quem busca glória do homem não tem glória de Deus, é preciso coragem para avaliar, achar e viver a verdade, indiferente se homens a qualificam como de direita, de esquerda ou de centro. Isso significa a ninguém apoiar irrestritamente, só a Deus, ainda que sem apoio de qualquer grupo humano. Tenhamos coragem para escolhermos o certo, depois silenciemos e esperemos, sem oposição deselegante. 

24/10/26

O tempo de cada um

      “E tu, ó homem, que julgas os que fazem tais coisas, cuidas que, fazendo-as tu, escaparás ao juízo de Deus? Ou desprezas tu as riquezas da sua benignidade, e paciência e longanimidade, ignorando que a benignidade de Deus te leva ao arrependimento? 
      Mas, segundo a tua dureza e teu coração impenitente, entesouras ira para ti no dia da ira e da manifestação do juízo de Deus; o qual recompensará cada um segundo as suas obras; 
      a saber: a vida eterna aos que, com perseverança em fazer bem, procuram glória, honra e incorrupção; mas a indignação e a ira aos que são contenciosos, desobedientes à verdade e obedientes à iniquidade” 
Romanos 2.3-8

      Este assunto já foi falado aqui, mas precisa ser repetido. Entendemos as pessoas com olhos espirituais, quando damos a elas o direito de serem aperfeiçoadas no tempo, não no meu tempo ou no teu, mas no tempo delas. Repetindo: não é porque você fez escolhas certas aos vinte anos que todos precisam fazer, não é porque você entendeu a prioridade da existência aos sessenta anos que todos precisam entender. Cada um preciso de um tempo específico para mudar para melhor, e mesmo o melhor de um pode não ser o melhor de outro. Entender isso é conseguir amar pacientemente a todos, deixando portas sempre abertas, esperando o melhor, não condenando pelo pior, mas olhando os seres humanos como Deus olha. Dê tempo a quem ama, ainda que a alguns precisamos amar de longe. 

23/10/26

Pouco com temor

      “Melhor é o pouco com o temor do Senhor, do que um grande tesouro onde há inquietação. Melhor é a comida de hortaliça, onde há amor, do que o boi cevado, e com ele o ódio.” Provérbios 15.16-17

      Se, ainda que você esteja fazendo tudo que pode, o que consegue de melhor, fruto de trabalho e estudo, alguém te critica, desdenha de tua obra, zomba de você, esteja em paz. Talvez o que você faz não seja tudo que os outros querem, tudo que gostam. Mas se teu pouco for teu máximo no Senhor, feito com temor a Deus, em amor, isso dá a você o direito de ser agradável ao Altíssimo. Esse é todo retormo que precisamos. Não nos incomodemos com alguns, esses não se revoltam conosco por sermos incompententes, mas porque são doentes morais e emocionais que se acham mais sãos que os outros. O humilde é sempre generoso, misericordioso com os outros, verá as qualidades, não considerará os limites, aplaudirá trabalho alheio com sincera alegria. Por fim, o que se dá, se recebe. 

22/10/26

Humildade e fé para receber

      “Disse Jesus: Tudo o que pedirdes em oração, crendo, o recebereis.”
Mateus 21.22 
      “Pedis, e não recebeis, porque pedis mal, para o gastardes em vossos deleites.” 
Tiago 4.3

      Qual a diferença que há entre os versículos acima? O que nosso pedido precisa ter para ser atendido? Humildade, que confia na melhor vontade de Deus, ainda que não seja nossa vontade. Fé genuína também é necessária, para o pedido ser aceito. O que é fé? É convicção emocional e visualização mental, que gera dentro do ser antes de materializar-se na realidade material? Sim. Mas quando temos forças para exercer isso? Quando o que pedimos Deus quer nos dar, porque nesse caso o Espírito Santo ungirá nossa oração, assim teremos forças mentais e emocionais para exercer fé genuína. Fé verdadeira conecta-nos ao alto, agrada a Deus, fé simulada foca nos deleites físicos de baixo, agrada ao homem, essa não é atendida por Deus. 

21/10/26

Conhecimento é poder

      “Assim diz o Senhor: Não se glorie o sábio na sua sabedoria, nem se glorie o forte na sua força; não se glorie o rico nas suas riquezas, mas o que se gloriar, glorie-se nisto: em me entender e me conhecer, que eu sou o Senhor, que faço beneficência, juízo e justiça na terra; porque destas coisas me agrado, diz o Senhor.” Jeremias 9.23-24 

      “Saber é Poder” é máxima cunhada pelo filósofo inglês Francis Bacon (1561-1626). Nos dias atuais, com internet usando algoritmos para conhecer e manipular consumidores, com I.A. ditando soluções e substituindo o livre pensar, a frase é ainda mais pertinente, mas o versículo acima fala de outro conhecimento. Não desprezemos de maneira alguma a utilidade de conhecimentos científicos, para termos vidas melhores num planeta melhor, mas conhecimento de Deus entrega mais, entrega vida eterna. Religiões, todas elas, contêm partes desse conhecimento, mas o conhecimento mais profundo para cada um só obtém-se em empreitada pessoal. Temos que entender é que esse conhecimento não é mera informação, é vivo, alimenta e transforma, mais que o que dinheiro e ciência podem adquirir. 

20/10/26

Reagir ou não?

      “Porque Deus não nos deu espírito de covardia, mas de poder, de amor e de moderação.” II Timóteo 1.7

      Os que levam a vida cristã no modo antigo testamento podem se postar como soldados combativos em guerra, assim reagem ao mal para destruí-lo, dispondo-se fortes e ativos. Mas os que têm a vida do Cristo homem como exemplo, são cobrados pelo Espírito Santo ao modo cristão de amar inimigos e oferecer a outra face à agressão. Se exercidos com extremismo cego, há lados ruins em ambos os modos, um lado vendo opositores como inimigos, outro lado vitimizando-se diante desses. A vontade de Deus se sabe no temor e na humildade que o busca e obedece-o. Não sejamos estúpidos, nem covardes, sejamos fortes no espírito, estejamos de pé e retos, ainda que silenciosos, deixando brilhar a luz, essa afasta as trevas só por existir. 

19/10/26

Pedras como degraus

      “O caminho de Deus é perfeito; a palavra do Senhor é provada; é um escudo para todos os que nele confiam. Porque quem é Deus senão o Senhor? E quem é rochedo senão o nosso Deus? Deus é o que me cinge de força e aperfeiçoa o meu caminho.” Salmos 18.30-32

      Há um ditado mais ou menos assim: veja pedras como degraus, não como obstáculos. O princípio é que há obstáculos que não podem ser aniquilados, somos nós que devemos fazer uso positivo deles. Obstáculos são limites nossos e maldades dos outros, que nos surpreendem, que desconhecemos, e que, portanto, ainda não aprendemos a administrar. Obstáculos devem ser conhecidos, não destruídos, sentidos, assumidos, não desaparecerão, mas poderemos usá-los a nosso favor para não sermos impedidos na jornada. Isso ensina que a vitória não está no destino, mas nas superações que fazemos no caminho. O destino está a degraus de nós, mas no processo melhoramos o nosso interior atual, subindo um degrau por vez.

18/10/26

O mal do equívoco religioso

      “E dizia Jesus: Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem. E, repartindo as suas vestes, lançaram sortes.”  Lucas 23.34

      (Se possível, leia este texto até o fim, exaltamos o Jesus genuíno, só exortamos as religiões de homens). 

      De todos os enganos do mundo, equívoco religioso pode ser o que mais mal faz. Por que algo que se prontifica a ligar o ser humano a Deus, a entregar sentido à existência, paz interior, harmonia entre as pessoas, pode causar tanto mal? Mulheres são impedidas de estudar por causa de religião. Pobres são mantidos na pobreza por causa de religião. Sexualidade não binária é condenada por causa de religião. Isso, de maneira geral, não necessariamente os exemplos que citei, não ocorre só no cristianismo católico e protestante, mas também no islamismo, no hinduísmo, e mesmo no espiritismo kardecista, dentre outras religiões. O pior é que as pessoas obedecem cegamente suas religiões e nem se dão conta do equívoco em que creem, e em se tratando de cristianismo, do quanto Jesus é negado. 
      Se homens maus não podem dominar pela política, pelo dinheiro, pela guerra, dominam pela religião. Quem humilha, controla, manipula e se aproveita dos outros por poder de religião equivocada. Não faz isso porque acredita que isso é bom, não, faz só para tirar algum proveito, enquanto usufrui uma vida sem restrições, bem diferente da vida dos dominados. Ninguém se engane com relação a isso. Contudo, muitos papas não exigiam santidade e resignação e eram exemplos disso, muitos pastores não pregam doutrinas extremas, e ainda assim praticam o que pregam. A verdade é que a humanidade precisa de muito menos religiões institucionalizadas, de códigos sagrados, de dogmas, e sim mais de Deus, de seu Espírito de amor. 
      Todavia, quem tem coragem de sair da proteção confortável de catedrais e templos, de denominações centenárias e doutrinas rígidas, da aprovação de sacerdotes e teólogos? Mas também quem tem coragem para parar de trocar fé e dízimo por prosperidade aqui e salvação lá? Religiões facilitam a vida, entregam soluções mastigadas e tradicionais, resistentes ao tempo, dão sensação de pertencimento a algo maior. Obedecer a religião é suficiente, não é preciso refletir profundamente, basta fazer o que a manada faz, ser ovelha em rebanho, não pastor de si. O cristianismo do mundo está sendo conduzido a um julgamento, se for humilde e admitir seu desvio achará a luz, senão seguirá entrevado, ensoberbado, até ser humilhado. 
      O cristianismo do mundo, de homens, não o genuíno do Cristo, dá a Jesus o valor necessário para lucrar materialmente com ele, vende as vestes do Cristo, os símbolos do evangelho, o misticismo cristão, mas ao Espírito puro de Jesus crucifica. O que exército romano e liderança religiosa judáica do primeiro século fez com o corpo físico do Cristo, se faz hoje com os eternos ensinos do Jesus espiritual. Infelizmente, para muitos, lá nas regiões espirituais mais elevadas, o Jesus espiritual segue dizendo o que o Cristo homem disse, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem. Até quando? É tempo de nos entristecermos profundamente com o que há em muitas igrejas cristãs, de clamarmos a Deus por paciente misericórdia. 

      Ps.: busque espiritualidade, não perca tempo com ateísmo e materialismo; depois da busca inicial, não se acomode com os princípios de espiritualidades entregues nos conhecimentos religiosos exotéricos; em oração e principalmente na prática que muda tua vida de fato, siga crescendo no conhecimento do Altíssimo; a aventura espiritual é maravilhosa e o que realmente importa na existência. 

17/10/26

O que nossa fé tem construído?

      “Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai.” Filipenses 4.8

      Há poder criativo na fé, uma das lições revolucionárias ensinadas pelo Cristo, mas isso pode ser bom ou ruim. Não são as ações, sacrifícios e protocolos religiosos num templo físico, que unem o homem a Deus, mas convicção emocional e criação mental exercidas dentro das mentes humanas. Aquilo que mais insistimos em crer, criamos, ainda que não se manifeste no plano físico, passa a existir no plano espiritual. Demônios, espíritos malignos, entidades inferiores, seja qual for o nome, são parasitas, sobrevivem sobre a fé humana. Eles adquirem intenções, forças e formas sobre as insistentes imagens mentais que os seres encarnados projetam no plano espiritual sobre eles através da fé. 
      A razão para isso é vaidade e carência de espíritos baixos, que se apresentam de acordo com aquilo que os seres humanos desejam para receberem desses adoração e medo. Não nos enganemos, não são só ocultistas, magos, satanistas e outros tipos de espiritualistas que empoderam o diabo. Cristãos, dentro de templos, querendo e fazendo o bem, também empoderam, entregam potência ao mal. Não era popular a imagem do diabo vermelho, com rabo, pés e chifres de bode, nos tempos do antigo testamento, essa imagem do deus Pan grego do mal é construção da idade média. O diabo mudou? Não, espíritos, anjos, Deus e seres malignos não mudam, mas aparecem aos humanos de acordo com a fé desses. 
      Enquanto Deus nos chama ao progresso, muitos cristãos insistem em conservar crendices, superstições e misticismos antigos e ultrapassados para o nível intelectual, social e moral do ser humano atual. Deus está bem vivo, como sempre esteve, está e estará, mas o falso “Deus” assim como o Diabo, esses estão morrendo, sobrevivem só na cabeça de ociosos espirituais que não querem buscar o Altíssimo através do Santo Espírito e pela porta Jesus, para conhecerem a realidade do plano espiritual. Cuidado, os que creem no diabo morto, poderão encontrá-lo vivo quando acordarem no plano espiritual após a morte, que os atormentará por muito tempo no inferno que eles mesmos criaram em suas mentes ou espíritos. 
      Cristão, não tenho nenhuma pretenção de escandalizá-lo, nem de mudar a fé que te trouxe até aqui em paz e vitória, mas um conselho sábio e equilibrado cabe. Ao invés de pensar muito no diabo, de divulgar a figura de um ser espiritual mal, absoluto e eterno, promova Deus. Abra as portas do céu, ao invés de escancarar as do inferno, viva o amor, perdoando, tendo paciência com os que não querem aproximar-se de Deus. Não se apresse em julgamento ruim, em condenações extremadas, mas persista em ser ferramenta da luz para auxiliar os que estão em trevas. Faça isso com humildade, não como quem sabe tudo, mas como quem pouco sabe e quer ajudar no que pode. Construa o bem. 

16/10/26

Sem exigências

      “O temor do Senhor encaminha para a vida; aquele que o tem ficará satisfeito, e não o visitará mal nenhum.” Provérbios 19.23

      Soberba é se achar no direito de fazer exigências. O céu que receberemos na eternidade está diretamente relacionado às exigências que não fizermos, portanto, à paz que teremos para ter somente o que Deus quiser nos dar. O humilde sempre crê receber mais que merece, assim o céu “melhor” ou mais alto terá o que sentiu que recebeu mais que merecia, não tudo que achava ter direito. Não são ateus e materialistas que mais farão exigências na eternidade, mas são justamente os cristãos, que por acharem que pela fé conquistaram tudo que sua religião lhes dizia que podiam conquistar, acordarão no plano espiritual com muitas exigências, convencidos que merecem o céu, e o céu do jeito que eles acham que o céu é. Mas quem faz exigências nunca está em paz, cobra porque sente-se cobrado. Sábio é fazer todo o bem que se pode e ainda assim sentir-se leve e sem expectativas. Que seja o que Deus quiser, ou não...

15/10/26

Irrepreensíveis em paz

      “Por isso, amados, aguardando estas coisas, procurai que dele sejais achados imaculados e irrepreensíveis em paz.” II Pedro 3:14 

      Às vezes achar a paz é só uma questão de pararmos de segurar a dor e a deixarmos ir, não sofrermos com injustiça recebida, com julgamento errado que fizeram de nós, com ataque covarde que nos lançaram e que não tivemos forças para vencer, mas abrirmos o coração permitindo que a dor se esvaia, como areia fina entre os dedos. A dor é isso, tem o poder que damos a ela, a força está na mão que se fecha, não na areia retida, se a mão abre, a areia cai. Mas essa simplicidade de cura prova o humilde, que assume seu erro, que não responsabiliza o outro por seu pecado, que sabe que toda seta maligna, de homem ou espírito, é menor que o perdão, o amor e a paz de Deus. Relaxe e confie no Senhor, você tem direito à paz. 

14/10/26

Trabalho dos maduros

       "E disse-me: A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo." II Coríntios 12:9

      Interessa mais ao nosso crescimento sermos expostos e desprotegidos para nos fortalecermos, que sermos guardados e protegidos. Algumas orações não são atendidas, mesmo que exerçamos a maior fé, pois as respostas a elas que desejamos, nos manteriam crianças. Adultos devem aprender a caminhar pelas próprias pernas e superarem obstáculos por si sós. Deus não faz trabalho que compete ao ser humano fazer para crescer. Isso mostra, não um Pai insensível, mas amoroso visando resultados a longo prazo e não imediatos. Filhos maduros perseverarão no trabalho de superação e não agirão como crianças mimadas e revoltadas que pensam terem sido abandonadas. Contudo, o prêmio final pelo trabalho por evolução, é dado aos que dão a glória por sua perseverança, não a si mesmos, mas a Deus. Esses, não só crescem horizontalmente, mas elevam-se verticalmente até o Altíssimo. 

Oportunidades de evolução

      “Por isso sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias por amor de Cristo. Porque quando estou fraco então sou forte.” II Coríntios 12.10

      Os que conseguem ficar de pé por muito tempo, não são os que nunca caíram, mas os que mais caíram. Tiveram queda por tantas vezes que adquiriram sabedoria para não caírem mais. Por que algumas coisas nos atingem em cheio, nos derrubando, ainda que estivéssemos bem e erguidos? Porque era preciso, se nos derrubaram é porque ainda não tínhamos recebido tal ataque, precisávamos recebê-lo para então aprender a superá-lo. Os que se protegem demais, que por orgulho, por não quererem ser vistos como derrotados, assim mantendo-se aparentemente sempre firmes, não aprenderão a estar de pé em Deus. Por isso alegremo-nos com a constatação da fraqueza, é oportunidade para nos erguermos mais fortes em Deus.

13/10/26

Edificado e guardado

      "Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam; se o Senhor não guardar a cidade, em vão vigia a sentinela." Salmos 127:1

      Não basta pedir proteção de Deus sobre a construção, mas a construção deve ter sido executada no Senhor. Muita gente orando em igreja por casamento que nunca vai funcionar, ainda que tenha sido celebrado por religião. Admitir isso não é falta de fé, mas humildade. Muitas relações trazem sofrimento, da traição e do ciúmes, porque Deus não uniu. Infelizmente nesse caso só resta a vergonha da separação, que pode ter como efeito mais sério a criação deficiente de filhos, que nada têm a ver com escolha errada de pais. Tenhamos paciência e ensinemos os jovens a terem, para escolhermos e provarmos de fato casamentos construídos em Deus e guardados por ele. Em casamento feliz não há donos e posses, mas dois seres iguais que se respeitam. Em casamento maduro não há ciúmes. Contudo, sejamos sábios, saibamos discernir entre não aprovação divina e falta de maturidade nossa.