“O justo segue o seu caminho, e o puro de mãos se torna cada vez mais forte. Mas voltem, todos vocês, e venham cá; porque não acharei nenhum sábio entre vocês.” Jó 17.9-10
Em 1976, aos dezesseis anos, quando me decidi oficialmente pelo evangelho e fui batizado numa Igreja Batista, me foi ensinado que Jesus é o único salvador, o caminho, a verdade e a vida. Aprendi que se não estivesse ligado a Deus pela obediência da doutrina da convenção de minha igreja, não seria salvo, ainda que se admitisse que poderia haver salvação por outras igrejas protestantes ou evangélicas. Contudo, algo era gritado em alto e bom som, o entendimento de Bíblia e do cristianismo que a Igreja Batista tem, é o mais correto. Deus usou essa igreja, principalmente no início de minha caminhada com ele, muito para me ensinar sobre a Bíblia, até hoje carrego boas orientações que a relevância dos textos bíblicos entrega.
O mais perto da verdade que podemos chegar é o suficiente que podemos saber para nos aproximarmos mais de Deus. É claro que isso varia de pessoa para pessoa, e mais que nós ou que a religião sabem, Deus sabe e respeita isso. Quando aprendemos a respeitar nosso limite, respeitamos também os limites dos outros, quando honesta e humildemente reconhecemos que não sabemos toda a verdade, que não somos dignos de vê-la mais proximamente, teremos o mesmo respeito com os outros, não exigindo deles o que nem Deus exige. Aos trinta anos fiz várias mudanças em minha vida, mas foi só a partir de 2018 que Deus me permitiu ir além do caminho que tinha percorrido até então pelo cristianismo protestante e pentecostal.
Algo sério que pode impedir-nos de chegarmos mais perto da verdade de Deus, é nos acomodarmos numa religião, que já nos provou que não pode nos levar mais perto de Deus. No início a coisa até que vai bem, trazemos de nossas criações da família e do mundo tantos vícios, tantas trevas, que a luz, mesmo a de menor intensidade, é suficiente para nos encantar e guiar à presença de Deus. Mas com o tempo, ainda que sejamos esforçados em obedecer o que nos é ensinado, ainda que exerçamos uma fé forte e focada, vemos que não conseguimos viver o que aprendemos, e pior, que outros também não vivem, mas fazem de conta que vivem, ou que isso não é importante. O que se quer é ter apoio social de um grupo.
Não, o problema não está na igreja, nos homens, na doutrina, na fé, mas em estarmos a meio caminho da verdade achando que já estamos nela. A consequência é que já exaurimos nosso emocional, nosso racional, nossa paixão, nosso conhecimento bíblico, nossa fé, e não temos mais nada que nos dê forças para estarmos no centro da vontade de Deus. Nesse momento só a liberdade plena do Santo Espírito em nós para nos guiar, curar, consolar, responder e nos dar paz para que sejamos úteis dentro do plano de Deus para nossas vidas. Não saiamos de igreja falando mal de pastor, o que ele ensina tem propósito bom de Deus para muitos, mas pode não ser mais o que basta para nós, assim somos nós que temos que tomar a iniciativa.
Não precisamos necessariamente deixar igreja, mas temos com certeza de nos aproximar mais de Deus em oração. A proximidade nos chamará à santidade e ao amor, mas mais que isso, nos dará forças para sermos santos e amorosos, forças que não temos se estivermos insistindo em algo que não é mais para nós. De quando em quando sinto de dar essa exortação aqui, simplesmente porque é realidade em minha vida. A experiência do novo nascimento, que o evangelho protestante ensina, eu provei, mas creiam, foi mais de uma vez. Foram momentos que minha vida mudou de forma extrema e para melhor, onde alcancei libertações morais e curas emocionais que demoraram muito para acontecer, mas principalmente, quando cheguei mais perto da verdade de Deus.
Se espiritualidade não for uma aventura constante, que nos incentive a estarmos mais e mais perto da verdade de Deus para nós, então, não vale a pena. Será morte espiritual, não vida eterna, será cumprimento de protocolos religiosos só para termos aprovação de homens e aplacarmos remorsos, medos e ansiedades. Triste a vida de quem é motivado por medo, é vida de escravo, Deus nos chama à liberdade e à felicidade. Isso é possível se respondermos sim ao Espírito Santo quando ele nos chamar, e ele só nos chama quando estamos prontos. O mais maravilhoso é que quanto mais nos aproximamos da verdade, mais entendemos o quanto estamos longe dela, e não perto, como achamos no início da jornada, que bom que é assim.
José Osório de Souza, 25/05/2023