“Sabe, pois, hoje que o Senhor teu Deus, que passa adiante de ti, é um fogo consumidor, que os destruirá, e os derrubará de diante de ti; e tu os lançarás fora, e cedo os desfarás, como o Senhor te tem falado. Quando, pois, o Senhor teu Deus os lançar fora de diante de ti, não fales no teu coração, dizendo: Por causa da minha justiça é que o Senhor me trouxe a esta terra para a possuir; porque pela impiedade destas nações é que o Senhor as lança fora de diante de ti.” Deuteronômio 9.3-4
O que incentiva mais, postar-se como agressor ou permanecer vitima? Em ambas as disposições, energias erradas, ruins, negativas, são utilizadas para se fazer algo. O agressor o é por insegurança que acha que precisa forçar as coisas, impor-se com violência, desrespeitar limites, para estabelecer um poder que ele considera a única coisa que lhe entrega valor, que faz com que ouçam sua voz. A vítima, ainda que inicialmente legítima, não só alguém que se acha vítima, se não resolver isso e não seguir assim, achará na violência alheia álibi para impor suas inseguranças, às vezes também com alguma violência. A verdade é que todos somos agressores e vítimas em alguma instância, precisando resolver algo do jeito certo.
Reais agressores e falsas vítimas se alimentam, e aqui não me refiro a relações afetivas tóxicas e abusivas, entre pais e filhos, filhos e pais, cônjuges, namorados, falo mais das lutas ideológicas que existem atualmente na sociedade, na área política e religiosa, onde a mídia desempenha papel importante elencando uns como agressores e outros como vítimas. Quanto mais a mídia toma uma posição, defendendo certo ponto de vista, mais a posição com ponto de vista oposto, sente-se vítima e empodera-se. Atacar um lado, de forma conveniente e usando meias verdades, não anula esse lado, mas coloca-o sob holofotes, faz com que os que estão nele sintam-se perseguidos, assim não mudam de ponto de vista e ficam mais fortes para defenderem seu posicionamento.
Não estou aqui me dizendo defensor de um lado nem do outro, aliás quem acompanha o blog já entendeu o que penso sobre várias ideologias, mas é sabido que a grande mídia mundial (“mídia OTAN”) é contra as bandeiras sobre sexualidade e família conservadora, baseadas na tradição judaica-crista, ainda que na área financeira prefira o liberalismo econômico, que não é bandeira da esquerda, que defende igualdade social obtida com o controle do estado sobre a economia. Contudo, quanto mais a mídia ataca, por exemplo, a evangélicos, e defenda afro-espíritas, mais os evangélicos sentem-se vítimas, perseguidos religiosos, sob ataque do mal, do diabo, que tenta dominar o mundo e estabelecer um domínio sem Deus.
O ponto desta vez não é defender um lado, nem estudar profundamente porque evangélicos pensam de certa maneira, o ponto é que nos colocarmos como agressor ou como vítima, ainda que muitos sempre se achem vítimas e considerem os “outros” os agressores, enfim, dividir assim os seres humanos não transforma a sociedade da melhor maneira. A melhor maneira acha pontos positivos nos dois lados, assim como negativos, de maneira que todos possam aprender com todos, todavia esse aprendizado só há se houver boa vontade nos dois lados. Não há nada de bom no agressor, mas pode haver muita coisa ruim na falsa vítima, aliás, agressor assumido tem mais chances de mudar que a falsa vítima, que por se achar assim, se acha no direito de não ter que mudar.
Eis porque é cômodo achar-se vítima: “estou no meu direito, fui agredida, sou inocente, a justiça está do meu lado, quem deve mudar é o outro”, dizem vítimas. Por isso tanta elucubração para achar um espaço onde pode-se confortavelmente descansar como vítima. Já o agressor tem muitos contra ele, só achará mais razões para seguir assim enquanto está escondido, enquanto ninguém sabe, só loucos e muito cruéis “descansam” no lugar de agressor à vista de todos. Mas cuidado quem se põe enganosamente como vítima! Nessa condição não há justiça de Deus a favor, um dia você desejará fazer justiça com as próprias mãos, aí, aquele que você chama de agressor, poderá se tornar vítima, e você, o agressor. Só a verdade protege.