“Assim diz o Senhor a respeito dos profetas que fazem o meu povo andar errante e que clamam: "Paz", quando têm o que mastigar, mas apregoam guerra santa contra aqueles que não lhes dão nada para comer: "Por isso, vocês terão noites sem visões; vocês terão trevas sem adivinhações. O sol se porá sobre os profetas, e o dia se transformará em escuridão. Os videntes serão envergonhados, e os adivinhos serão humilhados. Todos eles colocarão a mão sobre a boca, porque não haverá resposta de Deus." Quanto a mim, estou cheio do poder do Espírito do Senhor, cheio de justiça e de força, para declarar a Jacó a sua transgressão e a Israel, o seu pecado.” Miqueias 3.5-8
Miqueias nos dá quatro lições sobre falsos e verdadeiros profetas. A primeira lição é que falso profeta, ainda que se diga de Deus e que proclame paz, e veja que Miqueias não se refere a profeta de outras nações ou de outras religiões, mas de Israel e debaixo da religião de Moisés, enfim, tal profeta não conduz o ser humano ao Deus verdadeiro, mas ao erro. Quem o segue, ainda que querendo seguir a Deus, acabará perdido, confuso, envergonhado. Importante dizer que se alguém é enganado é antes de tudo por si mesmo, depois é que procura quem diga coisas que seu coração enganado gosta de ouvir, coisas que dão apoio para que continue em seu engano. Se o falso profeta persiste é porque há quem goste de ouvi-lo e de “alimentá-lo”.
A segunda lição revela o coração do falso profeta, têm o que mastigar, mas apregoam guerra santa contra aqueles que não lhes dão nada para comer. Se o falso profeta permanece é porque é “alimentado”, tendo com seus enganos o retorno material e depois a exaltação de seu ego, e todo falso profeta, ainda que cite Deus e Bíblia, é idólatra. Mas ele opõe-se fortemente aos que não aceitam seu engano e que não o “alimentam”, desse modo leva os que o seguem a combaterem quem não o segue, dizendo que isso é vontade de Deus, que é guerra santa. Em menos ou mais instância, falsos profetas são “ungidos” por espíritos malignos, e os demônios mais perigosos são os que se dizem em nome da tradição judaico-cristã.
A paixão humana, a mesma que alimenta sexo, política, artistas, também alimenta falsa profecia, mas tudo que não é de Deus, que emula Deus, um dia acaba, ainda que tenha erguido instituições religiosas poderosas no mundo, que tenha eleito políticos, que tenha vendido muito e adquirido fama. Vocês terão noites sem visões, trevas sem adivinhações, o sol se porá sobre os profetas, o dia se transformará em escuridão, os videntes serão envergonhados, os adivinhos serão humilhados, todos eles colocarão a mão sobre a boca, porque não haverá resposta de Deus. O falso até se levanta, impõe-se, faz discursos, ganha apoiadores no mundo, mas não se mantém de pé. Sem resposta de Deus, quem resiste? Eis a terceira lição.
Quanto a mim, estou cheio do poder do Espírito do Senhor, cheio de justiça e de força, para declarar a Jacó a sua transgressão e a Israel, o seu pecado. Finalmente Miqueias entrega a quarta lição, sobre o profeta genuíno, sofrida e solitária é a vida desse, mas sua palavra resiste ao tempo, porque tem origem, meio e fim de Deus. Fácil é o falso profeta ser “alimentado”, difícil é o profeta verdadeiro ser sustentado, contudo, nunca falta alimento e paz ao que obedece a Deus, indiferente de receber ou não aprovação humana. O verdadeiro profeta não é “alimentado” por paixão humana, por vaidade, por ganância, mas pelo poder do Espírito do Senhor, ele pode declarar o pecado do povo de Deus, suas profecias se cumprirão, aqui e na eternidade.