06/09/26

Armadilhas do extremismo (1/3)

      “Não apaguem o Espírito. Não desprezem as profecias. Examinem todas as coisas, retenham o que é bom. Abstenham-se de toda forma de mal.” I Tessalonicenses 5.19-22

      Seja na religião, seja na política, por ser zona de conforto, por dar a sensação de pertencimento a algo maior, onde não é preciso pensar, avaliar, escolher, se posicionar contra maiorias, extremismos criam armadilhas aos seus crentes. Uma posição polarizada responde e entrega solução a muitas coisas, mas não a tudo, as melhores soluções podem estar tanto num polo quanto no outro. Isso ocorre, porque ainda que extremistas se achem deuses, donos de verdades, são só homens arrogantes e ociosos. Deus acha graça deles, não com desdém ou cinismo, mas como pai olhando crianças brincarem, achando elas que seus brinquedos são ferramentas da realidade. Infelizmente, muitos se acham adultos sabidos sendo crianças. 
      Vendo esses debates que certos canais de televisão promovem atualmente, reunindo representantes de direita e de esquerda, às vezes um assunto é levantado, onde a solução mais lúcida posiciona-se num lado do espectro. Então, vemos os defensores do outro lado tecendo mirabolantes argumentações para defenderem seus posicionamentos sobre o assunto como o mais adequado. As pessoas simplesmente perdem a razoabilidade, defendem um ponto de vista, ainda que ele esteja errado, como se tivessem a obrigação de não mudarem de opinião, como se fossem deuses infalíveis. Na maior parte das vezes, nem é porque creem no que dizem, mas porque têm medo de contradizer líderes, e serem mal vistos por pares.
      Desconforto notado é o da mídia, em sua maioria no Brasil de esquerda. Até colocam ambos os lados para serem ouvidos, mas claramente concordam com representante da esquerda, seja qual for o posicionamento desse e sobre qualquer assunto, e discordam do representante da direita. A mídia tenta ser, digamos assim, científica, racional, equilibrada, ouvindo ambos os lados, mas fica de saia curta quando um tema tem da direita uma resposta mais adequada. Se aqueles que se dizem representantes dos fatos, da realidade, e não de interpretações subjetivas, de pontos de vista pessoais, tendem para um lado sempre, fica difícil acreditar nesses, quando se dizem proprietários de critérios legítimos para identificação de fake news
      Se você quiser saber de que lado está o profissional da imprensa, qual é sua ideologia, que ele não abre mão, verifique para quem ele dá o benefício da dúvida. Se um suposto erro, uma provável inflação, for levantado, se for de alguém que está dentro da agenda da ideologia do repórter, ele dará o benefício da dúvida para defender o acusado, mas se for alguém do outro lado, do polo oposto, ele levantará todas as conjecturas possíveis para que o personagem esteja errado, seja infrator, seja culpado, não inocente. É dessa forma que a mídia de esquerda, que se levantou como paladino da justiça contra fake news, gera e promove um tipo sutil de fake news, talvez mais pernicioso que o escancarado. 

“Armadilhas do extremismo”
reflexão em três partes
José Osório de Souza, 18/06/2023

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