“O Senhor é Deus zeloso e vingador; o Senhor é vingador e cheio de furor; o Senhor toma vingança contra os seus adversários, e guarda a ira contra os seus inimigos.” Naum 1.2
“Amados, amemo-nos uns aos outros; porque o amor é de Deus; e qualquer que ama é nascido de Deus e conhece a Deus. Aquele que não ama não conhece a Deus; porque Deus é amor.” I João 4.7-8
A visão do mundo espiritual sempre esteve atrelada à visão que o ser humano tinha do mundo físico. Em outras palavras, Deus se revela ao homem conforme o nível de entendimento que esse tem, conforme suas necessidades e prioridades. Deus não muda, é o ser humano que muda. Nos tempos do antigo testamento, israelitas tinham como inimigos os povos de outras nações que não tinham a mesma religião que eles, Israel tinha uma visão materialista e beligerante de religiosidade. Não se pensava eternidade, céu, inferno, diabo e demônios, como se entendeu após vida e morte do Cristo.
Na idade média o ser humano submetia-se a reis e papas por temor, crendo que as hierarquias do mundo eram vontade de Deus e que não mudariam, isso é a base do que se chama conservadorismo. Por outro lado, baseados no evangelho, pensavam haver qualidade religiosa na pobreza, pelo menos para quem nascia assim. Mas a partir da renascença a humanidade mudou, a ciência estabeleceu novas referências, a política progressista trouxe igualdade para os seres humanos e o liberalismo econômico ensinou que todos podiam mudar de status quo pelo trabalho, mesmo não sendo nobres de nascença.
Isso mudou o problema religioso, espiritualizou-o, entendeu-se que elementos invisíveis interferem nos visíveis, por isso óticas religiosas orientais, que já eram menos materialistas que as ocidentais, ganharam relevância. Ainda assim, na contramão da evolução, muitos insistem em vivenciar hoje, a religiosidade da idade média, e pior, a religiosidade israelita dos tempos bíblicos. Conservadorismo entrega zona de conforto, de parada, enquanto que o progressismo, por mandar seguir em frente, não definindo o destino já que esse é desconhecido, conduz a trabalho constante, não à estagnação.
Responda com sinceridade: é a mesma, a noção de religiosidade contida nos dois textos bíblicos no iníciodessa reflexão? Um texto diz que Deus é vingador, o outro diz que Deus é amor. Deus muda? Não, muda o homem. O homem do antigo testamento entendia Deus de um jeito, o evangelho entendeu Deus de outro jeito. Deus tomou alguma atitude quando viu o ser humano entendê-lo equivocadamente? Não, mas procurou abençoar o homem nesse limite e apesar desse limite. Mas na verdade Deus tomou uma atitude, enviou Jesus, a melhor e mais alta expressão de sua identidade. Mas isso bastou? Não para o homem.
Se tivesse bastado a igreja católica não teria nascido e sido mantida, tendo como filhos bastardos protestantismo, pentecostalismo e tantas outras seitas. Ainda assim Deus abençoa muitos, mesmo limitado por esses. Deus se limita no conhecimento mais apurado do mundo espiritual que pode entregar, não limita-se no amor, se Deus esperasse que as pessoas fossem doutoras em espiritualidade para amá-las, estaríamos sozinhos no universo, caindo nas trevas. Mas o “Como o ar que respiro” insiste, há limites para viver-se na exceção, aproxima-se o momento de mudança de tempos. Estamos prontos?
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