“Eu não vim chamar os justos, mas, sim, os pecadores, ao arrependimento.” Lucas 5.32
O versículo acima parece óbvio, mas muitos não o entendem. Muitos se acham justos por crerem no Cristo, por terem religião, por serem assíduos em igrejas, cidadãos honestos e trabalhadores. Até tiveram um momento onde se viram pecadores, foram batizados, se tornaram evangélicos. Contudo, convencidos que são justos, não assumem mais a condição de pecador, que mais e mais precisa ser exposto à santidade de Deus, ter humildade para reconhecer o pecado e ser aperfeiçoado. Orgulho leva à ociosidade do trabalho principal.
Muitos acabam se escondendo dentro de capas de arrogância, que os desviam do objetivo do evangelho, ainda que permanecendo dentro do cristianismo. O desvio em que caem ocorre porque, vendo a dificuldade que há para serem justos, frustram-se, não se assumem mais pecadores, e desistem de trabalhar. Preferem encerrar a reforma por conta própria, esquecem-se que o trabalho é nosso, mas o dono da obra é Deus. Não nos achemos prontos antes da hora, somos obras em constante construção no mundo, eis nossa chamada.
A liderança religiosa que matou o Cristo se achava pronta, guardadora da religião legítima de Jeová. Achavam-se justos, e para se manterem assim acrescentaram à Lei de Moisés outras regras, que permitiam exibição de capas limpas aos homens, todavia sendo sepulcros caiados por dentro, como os chamou Jesus. Muitos cristãos hoje, criticam a liderança judaica do primeiro século, acham-se sinceramente melhores que ela, mas repetem a mesma arrogância, se acham justos prontos, com direito de condenar os que taxam de pecadores.
Mas o versículo acima ensina outra coisa, aos trabalhadores que esforçam-se para serem melhores. Não desistam, não se deixem vencer pela frustração, dizendo, ao verem as próprias derrotas, já basta. Há recompensa, não para o que se esforça para ter posição entre os homens, mas para os que não desistem de pedir e dar perdão, que limpam sua vestes interiores, que se humilham para amar inimigos e serem mansos. Tenhamos humildade para seguirmos como imperfeitos, que podem até cair, mas levantam-se mais justos.
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