“Mas tu, ó Deus o Senhor, trata comigo por amor do teu nome, porque a tua misericórdia é boa, livra-me, pois estou aflito e necessitado, e o meu coração está ferido dentro de mim.” Salmos 109.21-22
Sempre tento ser bem verdadeiro aqui, só não revelo mais porque muitas vezes nossa verdade não é útil a Deus para abençoar outras pessoas, ainda que seja primordial para que ele comece a nos abençoar, mas me arriscarei mais desta vez. Iniciei vida adulta menos pronto que muitos, todos têm dificuldades, mas quando saí da adolescência e me vi fisicamente adulto me achei perdido, emocionalmente doente e infantil. Vivi dificuldades psicológicas, que só não me puseram em mais apuros porque Deus teve misericórdia. Mas as duas áreas importantes da vida de todos nós foram prejudicadas, a profissional e a afetiva, demorei para achar uma profissão, ainda que tenha trabalhado muito, e uma relação conjugal estável.
Não vejo a coisa como a religião me buscando e me consertando, mas como Deus atraindo meu homem interior e eu tentando achar uma religião que respondesse a essa atração. Creio que Deus usa muita coisa em seu amor, incluindo religiões, e dentro delas, o cristianismo em especial. Contudo, penso que o Espírito Santo, que sempre fala diretamente em nosso coração, adapta à nossa capacidade de entendimento um lugar, e nos chama para esse lugar para Deus nos ajudar. Isso significa que não precisamos viver na mesma igreja, na mesma denominação cristã, mesmo na mesma religião, a vida inteira, ainda, que como sempre digo aqui, Jesus seja algo especial de Deus, que nos permite acesso à luz divina mais alta.
Não escrevo aqui por ser mestre, doutor ou pastor, mas por ser aluno aprendendo hoje que sei menos que ontem achava saber, doente em tratamento cada vez mais profundo da alma e da mente, e ovelha, não de homens ou de religiões, mas do Altíssimo. Hoje, no momento em que escrevo este texto (2023), aos sessenta e três anos, olho para trás e vejo minha vida como uma grande confusão, mudando de cidade, de grupo social, numa solidão que só teve conforto quando Deus me deu, primeiro a esposa que já está comigo há vinte e sete anos, e depois, duas filhas que só nos dão orgulho. Mas de uns anos para cá, após um câncer maligno e uma crise depressiva que me fizeram ver a morte de perto, tenho achado paz moral, iluminação espiritual e honra profissional.
Uma coisa, contudo, sempre foi certa, em meio de tantas coisas incertas, de dores causadas por mim aos outros e pelos outros a mim, de tanta incompreensão e falta de paciência de muitos que queriam que eu fosse o que eles achavam que era melhor, não o que Deus tinha para mim. Em tudo isso nunca parei de ser atraído pelo amor de Deus e de responder a ele em oração. Foram erros e perdões sucessivos, até que o mar se acalmou, erros diminuíram, estabilidade veio, consegui ser fiel e permanecer assim. Homens me abandonaram, Deus não, parentes descreram em mim, Deus não, mas meu ego apequenou-se, vaidade e orgulho enfraqueceram-se, aprendi a ser feliz com o pouco que vi que é muito quando é vontade de Deus.
Ah, o amor de Deus, inesgotável, incansável, indescritível. O que move o universo, o aperfeiçoa, o mantém vivo, é o amor de Deus, se faltasse por um nanossegundo desfaleceríamos, as trevas dominariam os mundos, sem esperança a vida perderia o sentido. Pecamos e pecamos, por infantilidade, por fraqueza, com gosto, mas também com desgosto, só por vício, nossa natureza inicial parece querer afastar-se de Deus. Desapontamos os propósitos divinos, não a pessoa de Deus, esse nos conhece bem, somos ingratos, infiéis, maus, ainda assim Deus nos ama, e amando nos atrai ao seu melhor. Atraídos queremos orar, adorar o Senhor, agradá-lo, tentar de novo, sermos seres melhores, aperfeiçoar nosso homem interior.
José Osório de Souza, escrito em 25/04/2023
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