“O escarnecedor busca sabedoria e não acha nenhuma, para o prudente, porém, o conhecimento é fácil. Desvia-te do homem insensato, porque nele não acharás lábios de conhecimento. A sabedoria do prudente é entender o seu caminho, mas a estultícia dos insensatos é engano. Os insensatos zombam do pecado, mas entre os retos há benevolência.”
“A casa dos ímpios se desfará, mas a tenda dos retos florescerá. Há um caminho que ao homem parece direito, mas o fim dele são os caminhos da morte.” “O que no seu coração comete deslize, se enfada dos seus caminhos, mas o homem bom fica satisfeito com o seu proceder.”
Provérbios 14.6-9, 11-12, 14
Vamos supor que morram um crente e um ateu, no primeiro caso o crente descobre que suas crenças não refletiam a verdade. Nesse suposição, não era qualquer religioso, mas alguém que de fato procurou viver segundo o exemplo de Jesus, em amor, santidade, humildade, que ao morrer descobre que não há céu, inferno, diabo ou Deus, não da forma que a teologia protestante tradicional lhe ensinou. O que esse perdeu e perderá? Bem, em vida conseguiu perdoar quem foi injusto com ele, melhorou sua qualidade moral, obteve cura emocional de culpas e traumas, e seguiu em paz, sem medo do futuro, crendo que o que anda certo recebe recompensa. Todavia não achou juízo após a morte, viu-se liberto de matéria, espaço e tempo, ciente que fez o possível para ser bom.
Numa segunda suposição, morre o ateu. Não era qualquer materialista, foi profissional esforçado e estudado, administrou família de acordo com as verdades da ciência, explicou qualquer crença em Deus e no mundo espiritual como transtornos psiquiátricos. Na prática foi um ser do bem e em paz? Foi alguém sozinho, já que negou uma parte que não pôde explicar, que lhe dizia coisas que não queria ouvir, seu espírito. Andou por fé, como não se pode provar que Deus existe, também não se pode provar que ele não existe, assim é preciso fé nos dois jeitos, ainda que o ateu precise achar mais explicações para coisas que não há explicações. Então morre e descobre que há Deus e juízo, crentes entendem a surpresa que haverá.
Mas de verdade, quem será mais surpreendido? Será o crente que descobre que as coisas não são como disse sua religião, ou o ateu, que descobre que há verdades naquilo que os que ele considerava ignorantes e malucos diziam? Penso que surpreendido será o hipócrita e o arrogante, no que houver boa sinceridade e humildade, a surpresa será menor, menor a vergonha e mesmo qualquer espécie de tormento infernal. O crente humilde aceitará em paz as diferenças, mas o ateu humilde também se adequará às surpresas com o mesmo critério empírico que o guiou no mundo. Como cristãos, nos enganamos muito no julgamento das pessoas, arrogantemente nos pomos como donos da verdade e não vemos as coisas como Deus enxerga.
Religioso hipócrita pode ser mais difícil de verificar, mas há mais ateus sinceros que achamos que há. Religiosos dizem, pessoas precisam se converter, mas a coisa não é simples assim. Passa a ser crente quem sempre teve tendência a isso, segue como ateu quem teve uma criação nessa agenda e que acha coerência em ver as coisas assim. Por isso há bons e maus nos dois lados, assim como hipócritas e arrogantes, quem sabe como cada ser humano reagirá à eternidade quando for exposto a ela, se com escândalo ou com escárnio, se com tristeza ou com alegria, se com rebeldia ou com pragmatismo, é Deus. Mantenha a mente aberta, cobre de si bons frutos, não invente desculpas para seguir com algo que não está funcionando.
Uma palavra aos ateus. Tenho aprendido muita coisa boa com vocês, em especial com os livros do historiador judeu Yuval Noah Harari. Suas abordagens em história, antropologia, filosofia, tecnologia, têm aberto minha mente, aperfeiçoado meu entendimento de Deus, me libertado de tradições religiosas, feito-me crescer na fé. Mas permitam-me, ateus, o presunçoso conselho, estudem Deus, nem precisa ser no cristianismo, há muitas outras religiosidades e crenças. Usem critério científico para separar Deus do homem, construção humana do divino real, depois, dialoguem com Deus, com a fé que puderem ter, ainda que pequena, com insistência e respeito, não tenho dúvida que mudarão de ponto de vista e serão melhores que são.
Não abro mão de minha fé, e já tive muitos motivos para desistir. Me decepcionei na fé em que me converti inicialmente, pessoas me decepcionaram no evangelho que diziam compartilhar comigo, minha cabeça mudou, vivi, aprendi, mas mais que isso, um Deus amigo nunca deixou de me atrair em amor e de me mostrar referências de santidade e bem, assim não fui enganado por um falso evangelho que usa amor como álibi para libertinagem. O principal é que não desisti de buscar a Deus, nisso provei a palavra viva do Espírito Santo que me revelou mistérios. Isso só me deixou melhor e me trouxe até aqui em vitória em muitas áreas. Se minha fé é ilusão, só me fez bem e pronto para enfrentar o além, seja ele o que for.
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