“E sucedeu depois da morte de Moisés, servo do Senhor, que o Senhor falou a Josué, filho de Num, servo de Moisés, dizendo: Moisés, meu servo, é morto; levanta-te, pois, agora, passa este Jordão, tu e todo este povo, à terra que eu dou aos filhos de Israel.
Todo o lugar que pisar a planta do vosso pé, vo-lo tenho dado, como eu disse a Moisés. Desde o deserto e do Líbano, até ao grande rio, o rio Eufrates, toda a terra dos heteus, e até o grande mar para o poente do sol, será o vosso termo.”
Josué 1.1-4
Quando dizemos que espaços espirituais devem ser respeitados, muitos podem dizer: “meu Deus é poderoso, dono de tudo, em seu nome eu posso tomar posse de muita coisa”. De muita coisa, sim, mas não de tudo, nem Israel, que a tradição judaico-cristã ensina que é um povo especialmente escolhido por Deus para testemunhá-lo no mundo, recebeu toda a Terra, Deus delimitou de forma clara seus termos. Mas o que precisamos entender é que não é só uma questão de limites geográficos físicos, o planeta está dividido em áreas espirituais. Isso não significa que todos obedecem essa territorialização espiritual, há muitos ocupando espaços que não são deles, e outros, por covardia ou timidez, não conquistando o que é deles.
“Cristo é Senhor desta cidade”. Vemos em muitas cidades placas assim, autorizadas pela prefeitura, depois que vereadores e outras lideranças municipais cristãs as solicitaram, acreditando esses, sinceramente, que pela fé podem proteger e até possuir espiritualmente um município inteiro. Deus é Senhor da cidade, mas não significa que evangélicos, católicos, espíritas, muçulmanos ou outros religiosos sejam, cada grupo possui uma parte, que na verdade é administrada espiritualmente nem por religiões, mas por indivíduos por fé comum, ou comuns por não terem fé. Por outro lado, entrar em guerra espiritual por território que Deus não deu, pode pôr o combatente em sérios riscos, ainda que use o nome de Deus.
Há algo que muitos do povo protestante e evangélico perderam, e vou deixar católicos fora desta vez, é a humildade. Arrogando serem proprietários exclusivos da salvação e da verdade, se acham superiores. Lembro, que conforme a tradição teológica desses mesmos “crentes”, Lúcifer caiu do céu por arrogar ser igual a Deus. Neste Brasil, já vi cantora gospel começar humilde e no final liderar campanha para que o país fosse de sua religião. “Mas Jesus não mandou que pregássemos o evangelho a toda criatura e que só fé nele salva?”, sim, mas com humildade, com respeito, com paciência, com amor, não com intolerância e arrogância. Se vivemos, nossas obras falam por si, não precisamos tentar convencer por palavras.
Mas como já falamos tanto aqui, o principal erro que muitos evangélicos e protestantes cometem, é interpretar as prioridades divinas para suas vidas, como aquelas registradas no antigo testamento para a nação física de Israel. A Bíblia deve ser seguida com sabedoria, a prioridade é o exemplo de vida de Jesus, depois os muitos ensinos sobre células comunitárias cristãs registrados por Paulo e pelos apóstolos. No antigo testamento as palavras de Davi e Salomão podem ser atemporais, consolo sempre, mas o resto, a parte histórica, deve ser lido com muitos filtros. Não se escandalize agora, mas muito dos textos do antigo testamento (e até do novo), referem-se à cultura e religiosidade antigas, não se aplicam mais para nós hoje.
“Espaços espirituais: respeitemos”
reflexão em três partes
José Osório de Souza, 13/06/2023
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