“Tenho-vos dito isto, estando convosco. Mas aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito.” João 14.25-26
O cristianismo do mundo, baseado no judaísmo e no catolicismo, tem como dogma rigoroso e terminal a definição de certas coisas como de Deus e, consequentemente, outras como do diabo. Isso simplesmente fecha portas com cadeados invioláveis, há utilidade nisso? Até há, para crianças espirituais não preparadas para conhecimentos espirituais mais profundos, contudo, também pode enclausurar as pessoas eternamente na infância. O motivo é um só, muita coisa que o cristianismo do mundo diz ser de Deus não é, está mais para ser do diabo, por outro lado coisas que diz ser do diabo são de Deus. Como saber a verdade? Por bons frutos que permanecem no tempo como efeito da prática das coisas. Contudo, só descobre isso os que têm coragem para abrir cadeados humanos.
O correto seria, em primeiro lugar, as pessoas entenderem que são as únicas responsáveis por suas vidas, pelos seus aperfeiçoamentos, pelo que creem e sabem. As pessoas precisam ter coragem de trabalhar espiritualmente de forma pessoal, não entregando a religiões e doutrinas a responsabilidade para pensar, entender e dizer o que é de Deus e o que não é. Mas será que as pessoas têm medo de Deus ou da religião? Muitas não vão além dos dogmas pois dizem que ir além é coisa do diabo, que isso as levaria ao inferno, tiraria delas o direito de serem protegidas por Deus. Com medo seguem obedecendo cegamente, a Deus ou à religião? Para muitas pessoas tanto faz, para elas a religião é Deus e Deus é a religião. Mas será que é?
Não é! Deus não desceu do céu e criou o catolicismo e o protestantismo, nem o judaísmo, esse foi decodificado por um homem, Moisés. Contudo, com certeza Deus desceu do céu, naquilo que lhe foi possível, quando encarnou-se no Cristo, Cristo é a religião mais próxima da religião de Deus. Entretanto, muitos vão dizer, “mas o catolicismo é isso, a religião do Cristo”, outros também dirão, “o protestantismo é uma volta ao cristianismo original”. Não, não são, tanto um como outro são releituras humanas, qualquer estudo raso de história mostrará a politicagem envolvida na criação de catolicismo e protestantismo, assim como as conveniências levadas em conta para estabelecerem o cânone bíblico e o que Jesus viveu e falou.
Se perguntarmos a muitos se já leram textos religiosos de religiões orientais e espíritas, dirão, “não, não são de Deus, são do diabo”. Que arrogância a nossa tantas vezes, eu vivi nessa arrogância por décadas, e ainda que tenha sido abençoado por Jesus nessa crença, estava limitando o amor e o poder de Deus em minha vida. Assim vivia religião beligerante, que via muitos como inimigos, preconceituosa, que condenava muitos ao inferno, presunçosa, que me entregava o céu por fé, sem muito trabalho de reforma interna. Arrogantes são superficiais, podem ser filhos de Deus, todos são, mas não são amigos íntimos do Senhor. Arrogantes são covardes e ociosos, ainda que trabalhadores seculares e religiosos esforçados, são vagabundos espirituais.
Amor é de Deus! Santidade é de Deus! Humildade é de Deus! Quem consegue viver e segurar amor, santidade e humildade? Quem obedece a Deus, não a demônios ou a espíritos enganadores. Muitos não são amorosos, santos e humildes justamente por obedecerem cegamente a uma religião, ao invés de abrirem a mente para um Deus maior e mais alto que aquele que uma religião ensina. Repito e nunca deixarei de frisar aqui: Jesus é único e suficiente. Mas quem disse que o cristianismo do mundo conduz a esse Jesus único e suficiente? Não conduz, leva a um “Cristo” de homens, limitado em sua ação. O Cristo verdadeiro nos é revelado pelo Espírito Santo, como o próprio Jesus homem disse que seria há quase dois mil anos.
Muitos querem sentar-se em templos e ouvirem um cristianismo fechado. Protestantes se orgulham de assistirem palestras de estudiosos que abrem no púlpito várias versões de Bíblia, que, como defendendo teses de doutorado, fazem detalhadas citações de comentaristas, exegetas, hermeneutas, recorrendo às linguagens originais do velho e novo testamento, para esmiuçarem textos e chegarem mais precisamente à verdade divina. Não desprezo o benefício disso tudo, também utilizo isso, mas só uma oração realmente espiritual, exercendo os dons, onde há uma conexão íntima com o Espírito de Deus, após haver temor, humildade, perdão, assunção de santidade plena e silêncio, recebe do autor esclarecimento sobre sua obra. Mais que autor da Bíblia, Deus é nosso Pai, só ele sabe o que é melhor para nós, mais ninguém.
José Osório de Souza, 5/07/2023
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