19/09/26

Simples, mas demorado

      “Que os homens, que subiram do Egito, de vinte anos para cima, não verão a terra que jurei a Abraão, a Isaque, e a Jacó! porquanto não perseveraram em seguir-me; exceto Calebe, filho de Jefoné o quenezeu, e Josué, filho de Num, porquanto perseveraram em seguir ao Senhor. 
      Assim se acendeu a ira do Senhor contra Israel, e fê-los andar errantes pelo deserto quarenta anos até que se consumiu toda aquela geração, que fizera mal aos olhos do Senhor.” 
Números 32.11-13

      Entender que a prioridade da existência é moral, assim, espiritual, e não material, pode até ser fácil, simples, mas não é rapidamente que conseguimos praticar e manter a prática desse entendimento. Não se culpe nem sofra por isso, achando-se sempre aquém daquilo que sabe que é o melhor para você, aprouve a Deus nos fazer aprender e viver as verdades na matéria, no espaço e no tempo, assim, em limites. Após o entendimento inicial, até experimentamos uma fase até que longa de prática do entendimento, como acontece com tudo que é bom, novo e nos traz paixão. Mas nosso corpo físico, as cobranças da vida no mundo e o tempo parecem sempre nos puxarem para baixo e para trás. 
      É na insistência que pouco a pouco fazemos da iluminação um estilo de vida, mudando velhos hábitos e nos libertando de vícios, para de fato sermos espirituais. O tempo se vence com o tempo, sabendo que a cada dia perdemos o que conquistamos no dia anterior e temos novamente que conquistar. Mas console-se, na eternidade aquilo de bom que você foi por mais tempo e por mais tempo que o tempo que não foi bom, será anexado ao teu homem interior, dando-lhe galardão eterno. Importa hoje nos levantarmos sempre, olhar para frente e seguirmos trabalhando, não pelo corpo, esse está sempre morrendo, mas pelo espírito, que pode viver eternamente, se é que de fato somos mais bons que maus. 

18/09/26

Embaixo ou em cima?

      “Por isso, você está cercado de laços, e repentino pavor toma conta de você. Está submerso por trevas, que impedem você de enxergar, e pelas águas transbordantes que o cobrem. Não está Deus nas alturas do céu? Olhe para as estrelas mais altas! Que altura!” 
      “Portanto, reconcilie-se com Deus, viva em paz com ele e assim lhe sobrevirá o bem. Aceite a instrução que vem da boca de Deus e guarde as palavras dele em seu coração.” 
Jó 22.10-12, 21-22

      Somos confrontados em todo o tempo com uma escolha: ficar nas regiões espirituais elevadas ou nas inferiores. Essa escolha não pode ser feita uma vez e ser válida até o fim, encarnados não estamos fixos numa posição espiritual sem trabalho. Cansaço e tédio do corpo, apetites físicos, nossas fraquezas morais, pessoas carnais e espíritos malignos, nos puxam para baixo. O Espírito Santo no chama para cima, para nos deixarmos ser atraídos pelo amor de Deus. Se embaixo só há morte espiritual, há ainda um agravante, à medida que envelhecemos a região inferior perde a paixão e a ilusão, assim estar embaixo é estar vazio. A escolha melhor exige esforço mental, emocional e físico. Trabalhemos para estarmos no Altíssimo.

17/09/26

De quê não fugir

      “Por isso não desfalecemos; mas, ainda que o nosso homem exterior se corrompa, o interior, contudo, se renova de dia em dia. Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós um peso eterno de glória mui excelente; 
      não atentando nós nas coisas que se vêem, mas nas que se não vêem; porque as que se vêem são temporais, e as que se não vêem são eternas.” 
II Coríntios 4.16-18

      Fuja de quem te propõe negócios ou serviços que lucram lesando os outros, deixando de pagar impostos, usando propaganda enganosa. Fuja do homem ou da mulher que seduz num primeiro contato ou toque, que só tem atributos físicos e externos para oferecer, mas que depois aprisiona em ciúmes e violências. Fuja dos que levantam bandeiras ideológicas para prevalecerem sobre os outros, não por terem agendas legítimas, mas só por serem inseguros, carentes, vaidosos, que só sentem-se importantes através de submissão alheia a si. Não fuja do que você já orou e entendeu que é prova de Deus para você, daquilo, que ainda que te peça resignação, humildade, consagração, te fará um ser humano melhor para a eternidade.

16/09/26

Não se apegue ao que nunca foi teu

      “Agora, pois, ó Deus nosso, graças te damos, e louvamos o nome da tua glória. Porque quem sou eu, e quem é o meu povo, para que pudéssemos oferecer voluntariamente coisas semelhantes? Porque tudo vem de ti, e do que é teu to damos. 
      Porque somos estrangeiros diante de ti, e peregrinos como todos os nossos pais; como a sombra são os nossos dias sobre a terra, e sem ti não há esperança. Senhor, nosso Deus, toda esta abundância, que preparamos, para te edificar uma casa ao teu santo nome, vem da tua mão, e é toda tua.” 
I Crônicas 29.13-16

      Não se apegue a certas pessoas e a certos acontecimentos do passado, achando que se não mantê-los vivos em tua mente você não terá o que te faça sentir-se amado e valorizado. Entrega tua vida nas mãos de Deus, acerte-se com ele e olhe para frente. Siga trabalhando em teu aperfeiçoamento moral, tendo o reino de Deus na eternidade como prioridade. Faça alianças em amor e santidade com as pessoas e Deus te dará uma reputação para se orgulhar, pessoas e acontecimentos que poderá levar dentro de você como felicidade e justiça. Enquanto vivos neste mundo, ainda que idosos, há possibilidade de sermos melhores, de termos o que realmente precisamos e que nos deixa satisfeitos por inteiro. Não desista! 

15/09/26

Humildade, estilo de vida

      “Quem pode entender os seus erros? Expurga-me tu dos que me são ocultos. Também da soberba guarda o teu servo, para que se não assenhorie de mim. Então serei sincero, e ficarei limpo de grande transgressão.” Salmos 19.12-13

      Ser quebrantado dói, e Deus pode usar uma variedade grande de coisas, situações, pessoas, para nos quebrantar. Contudo, só precisamos ser quebrados quando estamos exaltados, e se não aprendermos a andar humildes, seremos quebrados sempre. Ser quebrado não é necessariamente sofrer uma humilhação pública, não para os que temem a Deus e andam perto dele, o quebrantamento pode ser vivenciado em silêncio, sem ninguém saber. O que anda com Deus não precisa, não mais, ser envergonhado diante dos homens, mas ainda assim precisa ser quebrantado, no orgulho, na vaidade, para seguir humilde. Humildade é proteção contra todo o mal, externo e interno, é estilo de vida sempre vencedor porque nada tem a perder.

14/09/26

Discrepante existência humana

      “Porque para mim tenho por certo que as aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada.Romanos 8.18

      Existir neste mundo é viver uma discrepância, adquirir valores eternos enquanto se administra valores fúteis. Futilidades parecem relevantes porque delas dependem nossa sobrevivência material, mas é ilusão. Quando se chega ao final da vida física se percebe como tudo foi rápido e quanta coisa a nada levou. Valeu a pena o afeto verdadeiro de algumas pessoas, um bom casamento, filhos criados com o nosso melhor, nossa amizade com Deus tornar-se mais íntima, as virtudes que finalmente escolhemos perseverar em praticar. No final tudo perde a graça, mas é então que somos mais livres para cultivar espiritualidade. Os sábios entenderão isso, não cairão em depressão ou no ceticismo, mas se aproximarão mais do Altíssimo. 

13/09/26

Pobres milionários

      “E aconteceu que o mendigo morreu, e foi levado pelos anjos para o seio de Abraão; e morreu também o rico, e foi sepultado. E no inferno, ergueu os olhos, estando em tormentos, e viu ao longe Abraão, e Lázaro no seu seio. E, clamando, disse: 
      Pai Abraão, tem misericórdia de mim, e manda a Lázaro, que molhe na água a ponta do seu dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nesta chama. Disse, porém, Abraão: Filho, lembra-te de que recebeste os teus bens em tua vida, e Lázaro somente males; e agora este é consolado e tu atormentado.” 
Lucas 16.22-25

      Um tipo patético de ser humano é o pobre milionário, rico na grana, por fora, mas pobre por dentro. Muitos acham que o que lhes dá importância são as riquezas, não as têm como efeito natural de trabalho, mas só para sentirem-se melhores. Expõem riquezas nos restaurantes caros que frequentam, nas roupas luxuosas que usam,  nos carros excessivamente grandes em que transitam. Passaram do ponto de pagar mais para usufruir melhor, querem só ostentação. Não estou demonizando ricos, são necessários na sociedade, administram empresas, empregam muitos. Contudo, não é dinheiro na conta que torna as pessoas melhores, importantes, ricas. É a elegância, a educação, a cultura, mas principalmente, a espiritualidade. 
      Como pianista tenho tido a oportunidade de tocar para gente muito rica, há pessoas bacanas entre elas, mas há muitas equivocadas. Vivem como se não houvesse Deus, eternidade e juízo, mas principalmente, como se não tivessem nenhuma responsabilidade na sociedade por serem privilegiadas, e muitas são porque pais e avós trabalharam para isso, não elas. Vejo casais na faixa dos quarentas anos, que foram bem educados, mas portando-se como crianças mimadas, totalmente despreparados para o propósito mais alto e eterno da existência. Para pobres milionários, o próximo e menos privilegiado não existe, isolam-se em seus castelos, rindo de tudo. Terrível será o encontro desses com a eternidade após a morte. 

12/09/26

Somos nós que precisamos mudar

      “Sujeitai-vos, pois, a Deus, resisti ao diabo, e ele fugirá de vós.Tiago 4.7

      A vitória não está em aniquilar o mal, mas em estar resistente a ele. Em primeiro lugar porque Deus não destrói nada, nem o diabo, esse tem um propósito benigno nas mãos de Deus nas vidas dos que andam próximos a Deus. Se Deus destruísse a doença nós não adquiriríamos anti-corpos, para usar uma simbologia imperfeita. O objetivo de Deus não é destruir demônios, mas fortalecer seres humanos, não é sumir com as trevas, mas aumentar a luz, assim, naturalmente as trevas diminuem. Neste mundo demônios e diabo se oporão a nós até o final, eles não vão mudar, nós é que devemos nos fortalecer de modo que seus ataques não nos atinjam mais, e ainda que suas setas cheguem a milímetros de nós, não nos perfurem. 
      Quando entendemos isso, amadurecemos e compreendemos o mundo espiritual e sua interação conosco de forma mais profunda. Isso ao invés de nos acharmos soldados numa guerra, figura que por mais que nos ajude a ter vitória em nossas jornadas, alia uma identidade beligerante, que não reflete a espiritualidade mais alta de Deus. Interessante que muitos se acham mais espirituais justamente por terem uma ótica de guerra do plano espiritual, e por se sentirem ungidos e fortes o suficiente para serem vitoriosos nessa guerra. Que grande equívoco. Quem nos esclarece sobre isso é Jesus, ele teve a maior vitória de todas e saiu deste mundo numa guerra aparentemente perdida para o mal, sozinho, perseguido, torturado e assassinado. 
      O que morreu foi o corpo do Cristo, seu espírito ascendeu sobremaneira e ganhou direito de interceder por toda a humanidade. Tiago no versículo inicial, não diz, sujeitai-vos a Deus, resisti ao diabo, e ele será destruído, mas ele fugirá de vós, assim entendemos que o diabo segue vivo e atuante. Somos nós que podemos mudar, não os outros, não o diabo, não o mal. Querer ver o crente em Deus como um soldado contra o diabo, pode incorrer num outro equívoco, achar que o problema está sempre fora, ou pior, denominar quem se opõe ou quem é diferente, como mau, diabólico, inimigo. Se nosso interior não mudar, o diabo terá vitória, nessa mudança devemos persistir todo dia, até o final de nossas jornadas aqui. 

11/09/26

Amor equilibra (2/2)

      “Que diremos, pois, a estas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós? Aquele que nem mesmo a seu próprio Filho poupou, antes o entregou por todos nós, como nos não dará também com ele todas as coisas? Quem intentará acusação contra os escolhidos de Deus? É Deus quem os justifica.Romanos 8.31-33

      Se o universo de Deus é inexorável em executar suas leis, em suas cobranças, como também em suas dádivas, Deus entrega ao ser humano uma virtude poderosa, encarnada em Jesus no primeiro século, o amor. O amor não permite ao ser humano desobedecer ou desprezar o universo, mas dá-lhe forças e tempo para passar pelo processo da existência em paz e até mais depressa. Todos nós já tivemos a experiência de sentir o tempo diferente dentro de nós, com relação à marcação matemática do relógio. Envelhecemos emocionalmente na tristeza, rejuvenescemos na alegria, nos sentimos revigorados na esperança, mas nos vemos fragilizados na dor. Amor muda nosso tempo e nossas forças interiores. 
      Se não há fatos extraordinários no universo, em nossos espíritos podemos sentir o impossível tornar-se realidade, se dissermos sim ao apelo do amor de Deus nos atraindo para as regiões espirituais mais elevadas em Cristo, onde há luz e vida eterna. Amor vence o mundo, o espírito vence a matéria se estiver ungido no amor. O universo não pode ser temido, mas respeitado, é o mecanismo que Deus usa para nos aperfeiçoar moralmente e consequentemente, espiritualmente. As leis do universo não podem ser ludibriadas, mas no amor de Deus elas funcionarão a nosso favor, para o nosso bem. Tristes os que tentam calotear o universo, ou tentar blefar com ele, dizendo não ao amor de Deus, serão réus da força dos elementos
      Não serão ouvidos os que se fiam só na leis naturais, na Terra, o universo não aceita conselhos, opniões, nem muda de posição, se bem tratado entrega o bem, senão, o mal. Veja como a natureza tem respondido às invasões às encostas de montanhas com construções humanas com desabamentos, no intuito de fazer terra, águas e matas existirem em seus locais de origem com equilíbrio. Contudo, felizes os que humildemente apelam para o amor de Deus, Deus não muda o universo, não o externo, mas transforma milagrosamente nosso interior. Deus é pai, não vira as costas, não encolhe os braços, não fecha os olhos, para filhos quebrantados. Confie no amor de Deus, ele entregou Jesus, o que mais nos pode negar? 

10/09/26

Equilíbrio do universo (1/2)

      “Vede, irmãos, que nunca haja em qualquer de vós um coração mau e infiel, para se apartar do Deus vivo. Antes, exortai-vos uns aos outros todos os dias, durante o tempo que se chama 
      Hoje, para que nenhum de vós se endureça pelo engano do pecado; porque nos tornamos participantes de Cristo, se retivermos firmemente o princípio da nossa confiança até ao fim.” 
Hebreus 3.12-14

      O universo sempre busca um equilíbrio de forças! Não é afirmação esotérica, não, não é uma negação sutil de Deus, esse entendimento está contido na religiosidade cristã, entendamos melhor isso. Em primeiro lugar o universo é criação de Deus, esse também criou leis que administram o universo. Em termos de humanidade, se um mal é feito por séculos a uma coletividade, como a escravidão de africanos, uma hora esses se levantarão reivindicando direitos, e de alguma forma farão sofrer os que ainda carregam um racismo estrutural, usando o exemplo, com oposição igual. Isso não é vitimismo nem injustiça, é só o universo respondendo ao tempo passado no tempo presente. O universo funciona com leis semelhantes às da natureza material, responde com efeito a uma causa, sem sentir ou raciocinar. 
      Entendamos que o modo de Deus é o modo de Jesus, amar inimigos, dar sem receber, assim, tanto num tempo quanto no outro, o Espírito Santo chama todos os seres para que deem o bem a quem faz o mal. Contudo, se essa voz não for ouvida prevalecerá a lei dura e seca do universo, e muitas vezes o universo cobra dos maus com o mesmo ódio e violência que esses um dia deram. Chegará um tempo onde o universo se renderá à lei do amor, mas isso depende do livre arbítrio do indivíduo. Muitos colhem hoje um mal feito no passado? Não, se fosse só no passado a justiça já teria sido saciada, mas há ainda mal presente e ativo, ainda que disfarçado, por isso o universo ainda clama por vingança. O universo é sempre justo, assim ninguém se sinta vítima, se há cobrança é porque ainda há mal não recompensado.

09/09/26

Extremismo político e religioso

1. Armadilhas do extremismo 

      “Não apaguem o Espírito. Não desprezem as profecias. Examinem todas as coisas, retenham o que é bom. Abstenham-se de toda forma de mal.” I Tessalonicenses 5.19-22

      Seja na religião, seja na política, por ser zona de conforto, por dar a sensação de pertencimento a algo maior, onde não é preciso pensar, avaliar, escolher, se posicionar contra maiorias, extremismos criam armadilhas aos seus crentes. Uma posição polarizada responde e entrega solução a muitas coisas, mas não a tudo, as melhores soluções podem estar tanto num polo quanto no outro. Isso ocorre, porque ainda que extremistas se achem deuses, donos de verdades, são só homens arrogantes e ociosos. Deus acha graça deles, não com desdém ou cinismo, mas como pai olhando crianças brincarem, achando elas que seus brinquedos são ferramentas da realidade. Infelizmente, muitos se acham adultos sabidos sendo crianças. 
      Vendo esses debates que certos canais de televisão promovem atualmente, reunindo representantes de direita e de esquerda, às vezes um assunto é levantado, onde a solução mais lúcida posiciona-se num lado do espectro. Então, vemos os defensores do outro lado tecendo mirabolantes argumentações para defenderem seus posicionamentos sobre o assunto como o mais adequado. As pessoas simplesmente perdem a razoabilidade, defendem um ponto de vista, ainda que ele esteja errado, como se tivessem a obrigação de não mudarem de opinião, como se fossem deuses infalíveis. Na maior parte das vezes, nem é porque creem no que dizem, mas porque têm medo de contradizer líderes, e serem mal vistas por pares.
      Desconforto notado é o da mídia, em sua maioria no Brasil de esquerda. Até colocam ambos os lados para serem ouvidos, mas claramente concordam com representante da esquerda, seja qual for o posicionamento desse e sobre qualquer assunto, e discordam do representante da direita. A mídia tenta ser, digamos assim, científica, racional, equilibrada, ouvindo ambos os lados, mas fica de saia curta quando um tema tem da direita uma resposta mais adequada. Se aqueles que se dizem representantes dos fatos, da realidade, e não de interpretações subjetivas, de pontos de vista pessoais, tendem para um lado sempre, fica difícil acreditar nesses, quando se dizem proprietários de critérios legítimos para identificação de fake news. 
      Se você quiser saber de que lado está o profissional da imprensa, qual é sua ideologia, que ele não abre mão, verifique para quem ele dá o benefício da dúvida. Se um suposto erro, uma provável inflação, for levantado, se for de alguém que está dentro da agenda da ideologia do repórter, ele dará o benefício da dúvida para defender o acusado, mas se for alguém do outro lado, do polo oposto, ele levantará todas as conjecturas possíveis para que o personagem esteja errado, seja infrator, seja culpado, não inocente. É dessa forma que a mídia de esquerda, que se levantou como paladino da justiça contra fake news, gera e promove um tipo sutil de fake news, talvez mais pernicioso que o escancarado. 

2. Ninguém é dono da verdade 

      “Quem é o que vence o mundo, senão aquele que crê que Jesus é o Filho de Deus? Este é aquele que veio por meio de água e sangue, Jesus Cristo. Ele não veio somente com a água, mas com a água e com o sangue. E o Espírito é o que dá testemunho, porque o Espírito é a verdade.” I João 5.5-6

      Esquerda política defende seu modo de administração social e econômica da sociedade como melhor, de fato esse modo tem suas vantagens. A direita faz a mesma coisa com seu ponto de vista, e também, de fato, o modo dela tem vantagens. São modos perfeitos? Não, perfeito só Deus e Deus não está nem na direita, nem na esquerda política. Assim, aparece um ambiente como a Venezuela dos últimos anos. É de esquerda? É. Mas é ditadura. Limita direitos humanos, liberdade de imprensa, e empobrece o povo? Sim. A esquerda brasileira deve ficar do lado da Venezuela? Não, mas fica para não trair uma ideologia, ainda que com isso apoie uma realidade terrível, mas que cabe só ao povo venezuelano resolver ou não. 
      A direita política comete o mesmo engano, quando, por exemplo, o E.U.A. defendeu ditaduras militares na América latina. Sabemos que por trás da ideologia há grana, ainda que ingênuos achem que são puros crentes fiéis. A liderança de suas ideologias apoia mesmo países em caos da mesma ideologia porque há uma troca de favores financeiros entre pares. Sem Deus no centro ninguém é crente fiel sem segundas intenções, sem que haja dinheiro na jogada. Na religião a coisa é parecida, com um agravante, o nome de Deus é usado para valorizar uma crença e fazer temer os crentes. O cristianismo tradicional protestante responde todas as questões existenciais do ser humano, neste mundo e no outro? Não, principalmente ao ser humano atual.
      Contudo, quando uma questão sem solução surge, as pessoas respondem, “Deus sabe, a nós cabe aceitar, não questionar, cabe-nos crer, não saber”. Por isso criou-se e são mantidos o diabo e o inferno, punição aos que balançam na fé diante de perguntas que não podem ser respondidas pelo que chamam de “Deus” e que conduz ao céu. Os extremos são confortáveis e satisfazem justamente por serem misteriosos, poços escuros sem fundo. Na luz não há extremo, nem mistério, nem trevas, na luz há liberdade, exatamente o que extremistas não têm. Na luz conhece-se a verdade mais alta de Deus, mas gradativamente, de acordo com a graça e a sabedoria do Senhor, que gentilmente nos leva a mudar de ideia e não ser presa de armadilhas. 
      Não há glamour no extremismo, não há qualquer espécie de excelência. Extremistas são perigosos e para todos, tanto para os mais distantes deles, quanto para os mais próximos. Em algum momento eles desejarão exclusividade de poder, são egoístas e não dividem posições, são loucos e verão em si mesmos nobreza e pureza que acreditam não existir nos outros, assim acham-se com mais direitos. É assim com direita, com esquerda, com religiosos, com ateus, não admitem nada acima deles, nem Deus, nem a ciência. Tolos os que fazem aliança com extremistas, que os subestimam, que dizem que são só mais radicais, mas que fortalecem um lado. Extremistas são mentirosos, e a maior mentira deles é dizerem-se donos da verdade. 

3. Diferentes não são inimigos 

      “Porquanto não há diferença entre judeu e grego; porque um mesmo é o Senhor de todos, rico para com todos os que o invocam. Porque todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo.” Romanos 10.12-13

      O pior tipo de armadilha que o extremismo cria é colocação dos opostos como inimigos com os quais não há a menor possibilidade de se ter afinidade, quanto mais diálogo. Mas se isso já é ruim no campo político, é inadmissível no meio religioso cristão, teoricamente baseado no evangelho de amor do Cristo. Contudo, como em outras situações, a Bíblia pode ser usada para apoiar os desvios éticos mais absurdos, muitos elegem inimigos e os condenam ao inferno do diabo com base em textos sagrados, ou no que interpretam deles. O erro espiritual básico que se comete é crer que diferenças são eternas, que discordâncias existem para não serem resolvidas, isso limita intelectualmente porque impede de aprender com os outros, isso afasta, aprisiona. 
      O que incentiva muitos cristãos a serem extremistas é uma interpretação equivocada do absolutismo divino. Pensam muitos, “se no Deus todo-poderoso e dono de toda a verdade cremos, somos superiores a tudo, assim, podemos submeter todos às nossas crenças”. Ir contra esse raciocínio já nos coloca como crentes num Deus menor, portanto, enfraquecendo Deus e fortalecendo o diabo. Mas Deus é todo-poderoso porque submete todos com autoritarismo? Não, porque ama e atrai todos a sua luz. De novo muitos cristãos veem Deus conforme a ótica militar do antigo testamento, não pela visão de amor do evangelho. A verdade é que muitos creem num “Deus” falso, criado por homens para beneficiar homens, o Deus verdadeiro é diferente. 
      Muitos cristãos precisam ser libertos, não só das seitas protestantes, e nessa categoria incluo todas as denominações, mas também não lhes basta libertação do catolicismo, eles precisam ser libertos do judaísmo. Muitos evangélicos não percebem, mas estão extremamente ligados ao judaísmo, tanto ao das sinagogas que já existia no século I, quanto ao do Templo de Salomão, dos tempos do antigo testamento. Muitos cristãos precisam se converter ao cristianismo do Cristo, esse só tem um representante, o vivo Espírito Santo. Quase dois mil anos da vinda do Cristo, e o ser humano ainda está amarrado a uma espiritualidade ultrapassada. Sim, Deus tem abençoado a todos nesse retrocesso, mas na exceção do amor, não na regra.
      Extremismo é a pior forma de idolatria, um simulacro de Deus criado por homens egocêntricos e megalomaníacos que não querem o Deus verdadeiro, mas querem ser a ideia equivocada que fazem de Deus. No altar dos extremistas cristãos está um ídolo arquitetado com doutrinas bíblicas, com características de Deus, com uma aparência que lembra a visão que muitos têm de Deus, mas é um ídolo vazio. Deus não pode ser simulado, não cabe em formas, nem físicas, nem ideológicas, Deus é Espírito e liberdade. Acha o verdadeiro Deus o que se humilha, que se cala, que abre mão de ser ouvido e aprovado no mundo, que busca o reino de Deus no céu, que ama, solta e a ninguém condena, afasta ou aprisiona.

4. Deus é o melhor lugar

      "Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito." João 14.2

      A verdade está em Deus, isso muitos dizem e de fato acontece. Mas que Deus ou que nível divino conhecemos porque podemos conhecer? Deus quer revelar-se por inteiro a todos, contudo, nem todos estão preparados para isso. Assim Deus mantém religiões para que cada um acesse-o de acordo com suas ferramentas espirituais, morais e intelectuais. Religião é construção humana. Verdade divina é conhecida em parte por muitos, ainda que tantos achem que a conhecem por inteiro. Quanto mais tenho certeza que sei menos sei e mais extremista sou. 
      Deus está nos extremos, na direita ou na esquerda, política ou religiosa? Integralmente não, como também não está integralmente no centro. A verdade divina, justa, santa, amorosa e atemporal, pode estar na direita, na esquerda assim como no centro. Cabe ao ser humano, com trabalho e humildade, temendo a Deus e respeitando ciência, verificar, orar e decidir o que funciona para ele. Agir assim é ter um compromisso pessoal com Deus e com a verdade, sem medo de opor-se a maiorias ou sem a carência de ter aprovação de grupos religiosos ou políticos. 
      Não condenemos quem precisa estar em extremos ou no centro, muitos fazem permutas, trocam o pior pelo menos ruim, trocam vícios e caos por esperança e sentido e podem achar nos extremos abrigo. Na casa de Deus há muitas moradas - eis interpretação diferente do versículo acima. Entendo que o melhor é estar no mais elevado nível espiritual que se pode estar, ainda que nisso se oponha a tantos, e ressalto, oposição exercida em humildade e silêncio. Quem está de fato em Deus aproxima-se da alta verdade, essa não toma partido exclusivista, de religião ou ciência, e segue em paz.
      Usar religião para manipular politicamente as pessoas é uma das piores crueldades e covardias que o ser humano pode cometer. É cruel e covarde porque visa controlar fragilizados cheios de culpa e pobreza, que desejando soluções que não conseguem executar sozinhos, colocam confiança na fé em Deus e em homens, políticos e sacerdotes, que se dizem dirigidos por Deus. Mas é também sacrilégio e heresia porque alia a Deus coisas que ele não faz e nem diz. Poucos, contudo, são inocentes, cabe a cada um libertar-se dessa opressão e conectar-se ao Deus verdadeiro. 
      Já refleti outras vezes aqui sobre extremismo político e religioso e a relação parasítica entre política e religião. Penso que o mais importante é reconhecermos que política e religião são poderes deste mundo, não interferem na existência além mais elevada, ainda que religiões digam diferentemente e política atrelada à religião se proponha política melhor e aprovada por Deus. "Assim diz o Senhor: Maldito o homem que confia no homem, e faz da carne o seu braço, e aparta o seu coração do Senhor!" (Jeremias 17.5). Reflitamos mais a respeito e nos posicionemos em Deus, o melhor lugar.

José Osório de Souza, 18/06/2023

Deus é o melhor lugar (4/4)

       "Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito." João 14.2

      A verdade está em Deus, isso muitos dizem e de fato acontece. Mas que Deus ou que nível divino conhecemos porque podemos conhecer? Deus quer revelar-se por inteiro a todos, contudo, nem todos estão preparados para isso. Assim Deus mantém religiões para que cada um acesse-o de acordo com suas ferramentas espirituais, morais e intelectuais. Religião é construção humana. Verdade divina é conhecida em parte por muitos, ainda que tantos achem que a conhecem por inteiro. Quanto mais tenho certeza que sei menos sei e mais extremista sou.
      Deus está nos extremos, na direita ou na esquerda, política ou religiosa? Integralmente não, como também não está integralmente no centro. A verdade divina, justa, santa, amorosa e atemporal, pode estar na direita, na esquerda assim como no centro. Cabe ao ser humano, com trabalho e humildade, temendo a Deus e respeitando ciência, verificar, orar e decidir o que funciona para ele. Agir assim é ter um compromisso pessoal com Deus e com a verdade, sem medo de opor-se a maiorias ou sem a carência de ter aprovação de grupos religiosos ou políticos. 
      Não condenemos quem precisa estar em extremos ou no centro, muitos fazem permutas, trocam o pior pelo menos ruim, trocam vícios e caos por esperança e sentido, podem achar nos extremos abrigo. Na casa de Deus há muitas moradas - eis interpretação diferente do versículo acima. Entendo que o melhor é estar no mais elevado nível espiritual que se pode estar, ainda que nisso se oponha a tantos, e ressalto, oposição exercida em humildade e silêncio. Quem está de fato em Deus aproxima-se da alta verdade, essa não toma partido exclusivista, de religião ou ciência, e segue em paz.
      Usar religião para manipular politicamente as pessoas é uma das piores crueldades e covardias que o ser humano pode cometer. É cruel e covarde porque visa controlar fragilizados cheios de culpa e pobreza, que desejando soluções que não conseguem executar sozinhos, colocam confiança na fé em Deus e em homens, políticos e sacerdotes, que se dizem dirigidos por Deus. Mas é também sacrilégio e heresia porque alia a Deus coisas que ele não faz e nem diz. Poucos, contudo, são inocentes, cabe a cada um libertar-se dessa opressão e conectar-se ao Deus verdadeiro. 
      Já refleti outras vezes aqui sobre extremismo político e religioso e a relação parasítica entre política e religião. Penso que o mais importante é reconhecermos que política e religião são poderes deste mundo, não interferem na existência além mais elevada, ainda que religiões digam diferentemente e política atrelada à religião se proponha política melhor e aprovada por Deus. "Assim diz o Senhor: Maldito o homem que confia no homem, e faz da carne o seu braço, e aparta o seu coração do Senhor!" (Jeremias 17.5). Reflitamos mais a respeito e nos posicionemos em Deus, o melhor lugar.  

08/09/26

Diferentes não são inimigos (3/4)

      “Porquanto não há diferença entre judeu e grego; porque um mesmo é o Senhor de todos, rico para com todos os que o invocam. Porque todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo.Romanos 10.12-13

      O pior tipo de armadilha que o extremismo cria é colocação dos opostos como inimigos com os quais não há a menor possibilidade de se ter afinidade, quanto mais diálogo. Mas se isso já é ruim no campo político, é inadmissível no meio religioso cristão, teoricamente baseado no evangelho de amor do Cristo. Contudo, como em outras situações, a Bíblia pode ser usada para apoiar os desvios éticos mais absurdos, muitos elegem inimigos e os condenam ao inferno do diabo com base em textos sagrados, ou no que interpretam deles. O erro espiritual básico que se comete é crer que diferenças são eternas, que discordâncias existem para não serem resolvidas, isso limita intelectualmente porque impede de aprender com os outros, isso afasta, aprisiona. 
      O que incentiva muitos cristãos a serem extremistas é uma interpretação equivocada do absolutismo divino. Pensam muitos, “se no Deus todo-poderoso e dono de toda a verdade cremos, somos superiores a tudo, assim, podemos submeter todos às nossas crenças”. Ir contra esse raciocínio já nos coloca como crentes num Deus menor, portanto, enfraquecendo Deus e fortalecendo o diabo. Mas Deus é todo-poderoso porque submete todos com autoritarismo? Não, porque ama e atrai todos a sua luz. De novo muitos cristãos veem Deus conforme a ótica militar do antigo testamento, não pela visão de amor do evangelho. A verdade é que muitos creem num “Deus” falso, criado por homens para beneficiar homens, o Deus verdadeiro é diferente. 
      Muitos cristãos precisam ser libertos, não só das seitas protestantes, e nessa categoria incluo todas as denominações, mas também não lhes basta libertação do catolicismo, eles precisam ser libertos do judaísmo. Muitos evangélicos não percebem, mas estão extremamente ligados ao judaísmo, tanto ao das sinagogas que já existia no século I, quanto ao do Templo de Salomão, dos tempos do antigo testamento. Muitos cristãos precisam se converter ao cristianismo do Cristo, esse só tem um representante, o vivo Espírito Santo. Quase dois mil anos da vinda do Cristo, e o ser humano ainda está amarrado a uma espiritualidade ultrapassada. Sim, Deus tem abençoado a todos nesse retrocesso, mas na exceção do amor, não na regra.
      Extremismo é a pior forma de idolatria, um simulacro de Deus criado por homens egocêntricos e megalomaníacos que não querem o Deus verdadeiro, mas querem ser a ideia equivocada que fazem de Deus. No altar dos extremistas cristãos está um ídolo arquitetado com doutrinas bíblicas, com características de Deus, com uma aparência que lembra a visão que muitos têm de Deus, mas é um ídolo vazio. Deus não pode ser simulado, não cabe em formas, nem físicas, nem ideológicas, Deus é Espírito e liberdade. Acha o verdadeiro Deus o que se humilha, que se cala, que abre mão de ser ouvido e aprovado no mundo, que busca o reino de Deus no céu, que ama, solta e a ninguém condena, afasta ou aprisiona.

José Osório de Souza, 18/06/2023

07/09/26

Ninguém é dono da verdade (2/4)

      “Quem é o que vence o mundo, senão aquele que crê que Jesus é o Filho de Deus? Este é aquele que veio por meio de água e sangue, Jesus Cristo. Ele não veio somente com a água, mas com a água e com o sangue. E o Espírito é o que dá testemunho, porque o Espírito é a verdade.I João 5.5-6

      Esquerda política defende seu modo de administração social e econômica da sociedade como melhor, de fato esse modo tem suas vantagens. A direita faz a mesma coisa com seu ponto de vista, e também, de fato, o modo dela tem vantagens. São modos perfeitos? Não, perfeito só Deus e Deus não está nem na direita, nem na esquerda política. Assim, aparece um ambiente como a Venezuela dos últimos anos. É de esquerda? É. Mas é ditadura. Limita direitos humanos, liberdade de imprensa, e empobrece o povo? Sim. A esquerda brasileira deve ficar do lado da Venezuela? Não, mas fica para não trair uma ideologia, ainda que com isso apoie uma realidade terrível, mas que cabe só ao povo venezuelano resolver ou não. 
      A direita política comete o mesmo engano, quando, por exemplo, o E.U.A. defendeu ditaduras militares na América latina. Sabemos que por trás da ideologia há grana, ainda que ingênuos achem que são puros crentes fiéis. A liderança de suas ideologias apoia mesmo países em caos da mesma ideologia porque há uma troca de favores financeiros entre pares. Sem Deus no centro ninguém é crente fiel sem segundas intenções, sem que haja dinheiro na jogada. Na religião a coisa é parecida, com um agravante, o nome de Deus é usado para valorizar uma crença e fazer temer os crentes. O cristianismo tradicional protestante responde todas as questões existenciais do ser humano, neste mundo e no outro? Não, principalmente ao ser humano atual.
      Contudo, quando uma questão sem solução surge, as pessoas respondem, “Deus sabe, a nós cabe aceitar, não questionar, cabe-nos crer, não saber”. Por isso criou-se e são mantidos o diabo e o inferno, punição aos que balançam na fé diante de perguntas que não podem ser respondidas pelo que chamam de “Deus” e que conduz ao céu. Os extremos são confortáveis e satisfazem justamente por serem misteriosos, poços escuros sem fundo. Na luz não há extremo, nem mistério, nem trevas, na luz há liberdade, exatamente o que extremistas não têm. Na luz conhece-se a verdade mais alta de Deus, mas gradativamente, de acordo com a graça e a sabedoria do Senhor, que gentilmente nos leva a mudar de ideia e não ser presa de armadilhas. 
      Não há glamour no extremismo, não há qualquer espécie de excelência. Extremistas são perigosos e para todos, tanto para os mais distantes deles, quanto para os mais próximos. Em algum momento eles desejarão exclusividade de poder, são egoístas e não dividem posições, são loucos e verão em si mesmos nobreza e pureza que acreditam não existir nos outros, assim acham-se com mais direitos. É assim com direita, com esquerda, com religiosos, com ateus, não admitem nada acima deles, nem Deus, nem a ciência. Tolos os que fazem aliança com extremistas, que os subestimam, que dizem que são só mais radicais, mas que fortalecem um lado. Extremistas são mentirosos, e a maior mentira deles é dizerem-se donos da verdade. 

José Osório de Souza, 18/06/2023

06/09/26

Armadilhas do extremismo (1/4)

      “Não apaguem o Espírito. Não desprezem as profecias. Examinem todas as coisas, retenham o que é bom. Abstenham-se de toda forma de mal.” I Tessalonicenses 5.19-22

      Seja na religião, seja na política, por ser zona de conforto, por dar a sensação de pertencimento a algo maior, onde não é preciso pensar, avaliar, escolher, se posicionar contra maiorias, extremismos criam armadilhas aos seus crentes. Uma posição polarizada responde e entrega solução a muitas coisas, mas não a tudo, as melhores soluções podem estar tanto num polo quanto no outro. Isso ocorre, porque ainda que extremistas se achem deuses, donos de verdades, são só homens arrogantes e ociosos. Deus acha graça deles, não com desdém ou cinismo, mas como pai olhando crianças brincarem, achando elas que seus brinquedos são ferramentas da realidade. Infelizmente, muitos se acham adultos sabidos sendo crianças. 
      Vendo esses debates que certos canais de televisão promovem atualmente, reunindo representantes de direita e de esquerda, às vezes um assunto é levantado, onde a solução mais lúcida posiciona-se num lado do espectro. Então, vemos os defensores do outro lado tecendo mirabolantes argumentações para defenderem seus posicionamentos sobre o assunto como o mais adequado. As pessoas simplesmente perdem a razoabilidade, defendem um ponto de vista, ainda que ele esteja errado, como se tivessem a obrigação de não mudarem de opinião, como se fossem deuses infalíveis. Na maior parte das vezes, nem é porque creem no que dizem, mas porque têm medo de contradizer líderes, e serem mal vistas por pares.
      Desconforto notado é o da mídia, em sua maioria no Brasil de esquerda. Até colocam ambos os lados para serem ouvidos, mas claramente concordam com representante da esquerda, seja qual for o posicionamento desse e sobre qualquer assunto, e discordam do representante da direita. A mídia tenta ser, digamos assim, científica, racional, equilibrada, ouvindo ambos os lados, mas fica de saia curta quando um tema tem da direita uma resposta mais adequada. Se aqueles que se dizem representantes dos fatos, da realidade, e não de interpretações subjetivas, de pontos de vista pessoais, tendem para um lado sempre, fica difícil acreditar nesses, quando se dizem proprietários de critérios legítimos para identificação de fake news
      Se você quiser saber de que lado está o profissional da imprensa, qual é sua ideologia, que ele não abre mão, verifique para quem ele dá o benefício da dúvida. Se um suposto erro, uma provável inflação, for levantado, se for de alguém que está dentro da agenda da ideologia do repórter, ele dará o benefício da dúvida para defender o acusado, mas se for alguém do outro lado, do polo oposto, ele levantará todas as conjecturas possíveis para que o personagem esteja errado, seja infrator, seja culpado, não inocente. É dessa forma que a mídia de esquerda, que se levantou como paladino da justiça contra fake news, gera e promove um tipo sutil de fake news, talvez mais pernicioso que o escancarado. 

José Osório de Souza, 18/06/2023

05/09/26

Cuidado com falsa cruz (2/2)

      “Porque, qualquer que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; mas qualquer que, por amor de mim, perder a sua vida, a salvará.Lucas 9.24

      Muitos até querem ser religiosos e bons cristãos, mas não querem levar a cruz, assim se tornam falsos moralistas e hipócritas. Tentam ser cidadãos exemplares, corretos profissionais, bons cônjuges, pais e filhos, mas sem abrir mão de rancor, soberba e vícios. Quando isso ocorre, o caminho vai em direção a si mesmo, não a Deus, assim não evolui-se, não glorifica-se a Deus, só ao ego. Se não há sofrimento legítimo, não há cruz, sem cruz não há morte do ego e conexão espiritual com o Altíssimo, até aparenta-se uma melhora, há prosperidade aqui, mas nada que fará diferença no céu. Muitos cristãos não entendem que o propósito da vida no mundo não é vencer a matéria, mas aprimorar o espírito, nisso cruz é fundamental.
      A visão da teologia cristã protestante é simplista, no mundo podemos fazer a escolha de crer em Jesus, então, sermos salvos, ou permanecermos condenados. Mas nossa existência aqui não é tão genérica, Deus coloca cada ser humano numa condição social, cultural, financeira, emocional e mesmo religiosa, de forma que cada um possa levar uma cruz específica que possibilitará a esse aperfeiçoar-se. Ninguém é pobre ou rico, com acesso à educação melhor ou não, por acaso, Deus não joga dados, mas ama a todos e sabe o que cada um precisa para vencer rancor, soberba e vícios. Fuja do mal, mas nem tente fugir da cruz, ela nos acompanha estejamos onde e como estivermos, assim será até o fim. Levemos nossa cruz em paz.

04/09/26

Qual é minha cruz? (1/2)

      “E dizia a todos: Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome cada dia a sua cruz, e siga-me.Lucas 9.23

      Qual é a nossa cruz? Muitos dizem, acordar cedo, trabalhar o dia todo, suportar injustiça e desrespeito de colegas e chefes no trabalho, eis minha cruz. Outros dizem, fazer o que não gosto, conviver com gente que não gosta de mim, ser sozinho, ainda assim, ter que sorrir e tratar todos com educação, eis minha cruz. Outros ainda dizem, não ser reconhecido pelos meus talentos, não ganhar o que mereço, não ter minha palavra ouvida e valorizada, eis minha cruz. Mas outros podem dizer, não conseguir ser tudo o que quero, ter tantos planos, mas realizar tão pouco, estar limitado física e emocionalmente para ser alguém mais produtivo e útil, eis minha cruz. Será que tudo isso são as cruzes que Jesus pede que carreguemos? 
      Para Jesus, a cruz que ele levou no final foi instrumento para matá-lo, cumprindo o propósito de Deus em sua vida que teria valor único na eternidade. O que nos mata, emprego ruim, salário baixo, solidão, desrespeito? Se for isso, não estaremos entendendo o que é a cruz, se tivéssemos só emprego bom, salário alto, companhia e respeito, não seríamos melhores para a eternidade, só prósperos aqui. Muitas coisas só são situações em que Deus nos põe para carregarmos a cruz, são nossa via sacra. A cruz aperfeiçoa nosso espírito, não nosso corpo, aliás, pode até sacrificar nosso corpo, pois nos confronta com nossa arrogância, nossa dificuldade de amar, nossos vícios, que machucam os que querem ser humildes, amorosos e santos.

03/09/26

Paz é não fazer cobranças (3/3)

      “Tudo quanto te vier à mão para fazer, faze-o conforme as tuas forças, porque na sepultura, para onde tu vais, não há obra nem projeto, nem conhecimento, nem sabedoria alguma.Eclesiastes 9.10

      Paz é não se sentir cobrado, nem cobrar os outros. Isso não significa ser irresponsável ou insensível, mas administrar responsabilidades e sensibilidades em Deus e para Deus, não sozinhos, para nós mesmos e para os outros. Não é fácil chegar a essa paz, cobramos os outros porque não os perdoamos, nos cobramos porque não entendemos o perdão que Deus dá. Mas também cobramos para não nos sentirmos cobrados e não sentirmos empatia pelos problemas e limites dos outros, nesse olhar equivocado isso mostraria que nosso sofrimento é ilegítimo e que o dos outros não é. A cobrança, contudo, nos põe no papel de juízes, como tais, melhores e com mais direitos. Cobradores estão sempre em conflito, obcecados por fazer justiça com as próprias mãos.  
      Vida de cobrador é cansativa, desperdiça tempo e força que podem ser usados em coisas melhores, por isso cobrador torna-se insensível com problemas e limites alheios. Amor está diretamente relacionado à paz, quem ama não cobra, assim fortalece-se na paz para amar mais e ser responsável. Faça o que pode pelas pessoas, principalmente por parentes próximos, relações difíceis, que mais cobram a maioria de nós. Mas não espere recompensa de homem por isso, não dê para receber, e dê quando de fato Deus mandar e capacitar. Confie em Deus, ele tem interesse em que amemos e ajudemos, mas ele conhece nossos limites, como a real necessidade do outro. Deus não mima ninguém, nem de alguém pede mais que pode dar.

02/09/26

Direito à paz sempre! (2/3)

      “Muita paz têm os que amam a tua lei, e para eles não há tropeço.Salmos 119.165

      Quando digo que a Bíblia sempre pode ser bênção se lida sob a ótica do evangelho e do vivo Espírito Santo, me refiro, por exemplo, a interpretarmos corretamente termos como lei. Para o escritor do antigo testamento, Lei era a palavra escrita da Torá, crônicas históricas, textos poéticos como Salmos, mas principalmente o pentateuco de Moisés. Os dez mandamentos é o resumo das orientações sociais de Deus para seu povo, assim, quando o salmista diz amam a tua lei, podemos interpretar hoje como fazer a vontade de Deus de acordo com o novo testamento, onde se morre para viver, se ama inimigos, se perde para ganhar. É importante entendermos o que Lei para Israel dos tempos antigos significa para cristãos hoje.
      Mas a bênção revelada no versículo acima é que temos direito à paz sempre, parece óbvio, muitos cristãos dizem crer nisso, mas na prática sentem-se culpados o tempo todo. Não há tropeço, isso significa não sermos presas duradouras de armadilhas, mas isso se o que amarmos acima de tudo for Deus e sua vontade para nós, que o salmista chama de lei. Não ache nunca que deve sofrer, que precisar sofrer, que alia a você algum mérito espiritual o sofrimento, isso é masoquismo, doença emocional, não é espiritualidade, não é a vontade mais alta de Deus para você. Muita paz, não é pouca não, e paz é o maior bem que podemos ter, mais que riquezas e honras, com paz temos forças para trabalhar e termos o que precisamos. 

01/09/26

Paz na perseguição (1/3)

      “Se vocês pertencessem ao mundo, ele os amaria como se fossem dele. Todavia, vocês não são do mundo, mas eu os escolhi, tirando-os do mundo; por isso o mundo os odeia.João 15.19

      Outro tema que tomo cuidado para falar, é a condição de perseguido, muitos se acham assim, não por terem espiritualidade diferenciada, mas por terem alguma enfermidade emocional. Vítimas verdadeiras ou só covardes jogando a culpa de seus erros nos outros? Diferentes ou só esquisitões? Espirituais ou malucos fanáticos? É preciso sabedoria, senão usaremos a Bíblia e a fé como desculpas para seguirmos doentes mentais, carentes, inseguros, e no fundo, orgulhosos, não humildes. Aos que foram curados em Deus e que de fato sabem e fazem a vontade de Deus, uma realidade se impõe, não ser entendido, aceito e honrado pelos que fogem da luz do Altíssimo. Administrar isso em amor é o que nos faz dignos da diferença. 
      Se não entendermos que fazer a melhor vontade de Deus nos coloca naturalmente como opositores a muitos, nos sentiremos vítimas, estranhos, sempre carentes de aprovação de quem não deseja nos aprovar. Nosso Senhor não é o senhor de muitos, ainda que seja Deus de todos. Muitos, conscientes ou não, estão em conexão espiritual com forças que não são da luz mais alta, forças que podemos chamar de diabo e demônios. Não significa que essas pessoas sejam más, criminosas, nem que não queiram e façam a vontade de Deus, mas por algum motivo, satisfazem-se com a vontade periférica de Deus para suas vidas, não com a superior e central. Entender isso do jeito certo dá-nos a paz que precisamos para enfrentar a realidade.