08/09/26

Diferentes não são inimigos (3/4)

      “Porquanto não há diferença entre judeu e grego; porque um mesmo é o Senhor de todos, rico para com todos os que o invocam. Porque todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo.” Romanos 10.12-13

      O pior tipo de armadilha que o extremismo cria é colocação dos opostos como inimigos com os quais não há a menor possibilidade de se ter afinidade, quanto mais diálogo. Mas se isso já é ruim no campo político, é inadmissível no meio religioso cristão, teoricamente baseado no evangelho de amor do Cristo. Contudo, como em outras situações, a Bíblia pode ser usada para apoiar os desvios éticos mais absurdos, muitos elegem inimigos e os condenam ao inferno do diabo com base em textos sagrados, ou no que interpretam deles. O erro espiritual básico que se comete é crer que diferenças são eternas, que discordâncias existem para não serem resolvidas, isso limita intelectualmente porque impede de aprender com os outros, isso afasta, aprisiona. 
      O que incentiva muitos cristãos a serem extremistas é uma interpretação equivocada do absolutismo divino. Pensam muitos, “se no Deus todo-poderoso e dono de toda a verdade cremos, somos superiores a tudo, assim, podemos submeter todos às nossas crenças”. Ir contra esse raciocínio já nos coloca como crentes num Deus menor, portanto, enfraquecendo Deus e fortalecendo o diabo. Mas Deus é todo-poderoso porque submete todos com autoritarismo? Não, porque ama e atrai todos a sua luz. De novo muitos cristãos veem Deus conforme a ótica militar do antigo testamento, não pela visão de amor do evangelho. A verdade é que muitos creem num “Deus” falso, criado por homens para beneficiar homens, o Deus verdadeiro é diferente. 
      Muitos cristãos precisam ser libertos, não só das seitas protestantes, e nessa categoria incluo todas as denominações, mas também não lhes basta libertação do catolicismo, eles precisam ser libertos do judaísmo. Muitos evangélicos não percebem, mas estão extremamente ligados ao judaísmo, tanto ao das sinagogas que já existia no século I, quanto ao do Templo de Salomão, dos tempos do antigo testamento. Muitos cristãos precisam se converter ao cristianismo do Cristo, esse só tem um representante, o vivo Espírito Santo. Quase dois mil anos da vinda do Cristo, e o ser humano ainda está amarrado a uma espiritualidade ultrapassada. Sim, Deus tem abençoado a todos nesse retrocesso, mas na exceção do amor, não na regra.
      Extremismo é a pior forma de idolatria, um simulacro de Deus criado por homens egocêntricos e megalomaníacos que não querem o Deus verdadeiro, mas querem ser a ideia equivocada que fazem de Deus. No altar dos extremistas cristãos está um ídolo arquitetado com doutrinas bíblicas, com características de Deus, com uma aparência que lembra a visão que muitos têm de Deus, mas é um ídolo vazio. Deus não pode ser simulado, não cabe em formas, nem físicas, nem ideológicas, Deus é Espírito e liberdade. Acha o verdadeiro Deus o que se humilha, que se cala, que abre mão de ser ouvido e aprovado no mundo, que busca o reino de Deus no céu, que ama, solta e a ninguém condena, afasta ou aprisiona.

José Osório de Souza, 18/06/2023

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