“Na casa do justo há um grande tesouro, mas nos ganhos do ímpio há perturbação. Os lábios dos sábios derramam o conhecimento, mas o coração dos tolos não faz assim. O sacrifício dos ímpios é abominável ao Senhor, mas a oração dos retos é o seu contentamento.” Provérbios 15.6-8
Usando simbologias monetárias, podemos dividir nossas existências em três fases: fazer dívidas, pagá-las e guardar créditos. Obviamente estou falando de valores morais, que definem nossa espiritualidade, não de valores físicos, mesmo de reputação profissional, social ou religiosa. Erramos, inconscientemente ou não. O cristianismo não tenta explicar a culpa pelos erros ou jogá-la nos outros, mas a se ter responsabilidade pessoal pelos erros. Erramos por agredir a nós mesmos e aos outros, mas também por nos mantermos debaixo de quem nos agride, ainda que seja só na mente, nas lembranças de agressões passadas. O universo, na lei de plantar e colher (causa e efeito), cobra nossos erros, o que fazemos aos outros recebemos de volta em nós.
Perdemos muito, muito tempo errando, mas podemos perder ainda mais tempo não compreendendo a cobrança do universo. O universo nada mais é, na mecânica, nos sistemas e no tempo, que ferramenta de um Deus justo, que é as virtudes morais mais altas de luz e em amor. Na verdade a cobrança só acaba quando a reconhecemos e vivenciamos do jeito certo, com humildade e perseverando em santidade e amor. Enquanto nos mantivermos rancorosos, vingativos, fugitivos nos apetites da carne, seguiremos sendo cobrados. A cobrança está tipificada na Bíblia nos cativeiros que Israel sofreu, assim ela nos tira do melhor que Deus nos deu, nossa Canaã, nos leva a outros lugares para trabalharmos, ainda que muito, para outras pessoas.
Infelizmente, muitos passam a vida fazendo dívidas e pagando-as, não entendem que o melhor de Deus é que acumulemos créditos. Fazemos isso trabalhando, existir é trabalhar, mas não mais para os outros, para nós mesmos. Contudo, é aí que está o mistério, trabalharmos para nós não é gastarmos o acumulado com prazeres pessoais, não, o trabalho é moral e espiritual, assim o que se acumula dele é para servir os outros. O propósito maior de Deus é que estejamos quitados o suficiente para ajudarmos os outros, que ainda estão endividando-se ou pagando dívidas. Se no momento de acumularmos créditos voltarmos a nos servir, de novo faremos dívida que necessitará de novo pagamento. Muitos entram em loops assim e não saem.
Israel do antigo testamento não esteve sob cativeiro de outros povos só uma vez. Mas entenda certo, acumular para servir não nos deixa necessitados, se aprendemos a lição quando pagamos nossas dívidas, entendendo a prioridade da existência, que é espiritual, não material. Deus nos sustentará em honra, enquanto trabalhamos pela luz, pela justiça, nele e para ele. Sempre precisamos frisar que a melhor obra não é aparente, não recebe glória de homens, sempre tem como exemplo a vida do Cristo aqui. Contudo, ainda que todos sejam chamados para anular ego, vaidade e egoísmo, por sua graça Deus não pede de nós o que pediu de Jesus. Que cheguemos ao tempo de termos créditos para servir e permaneçamos nele, o céu é isso.
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