23/05/26

Limites, limites, limites

      “Porque, se quiser gloriar-me, não serei néscio, porque direi a verdade; mas deixo isto, para que ninguém cuide de mim mais do que em mim vê ou de mim ouve. 
      E, para que não me exaltasse pela excelência das revelações, foi-me dado um espinho na carne, a saber, um mensageiro de Satanás para me esbofetear, a fim de não me exaltar. 
      Acerca do qual três vezes orei ao Senhor para que se desviasse de mim. E disse-me: A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. 
      De boa vontade, pois, me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo.
  II Coríntios 12.6-9

      Por mais que tenhamos boas intenções, por mais que tenhamos vontade para trabalhar, por mais que tenhamos fé, não somos super-homens, temos limites. Já fiz aqui reflexão sobre o espinho na carne de Paulo, esse era um limite e limites têm propósitos de Deus, nos conduzir à espiritualidade, nos fazer humildes, não confiarmos equivocadamente em nós e na aprovação dos outros, mas no Senhor. Algumas coisas são importantes para sabermos sobre limites. Primeiro, só os conhecemos de fato indo ao limite, isso, na primeira vez, é necessário, ainda que perigoso. Não se acomode achando que não pode ir além, se ainda não fez tudo o que podia, depois Deus faz por nós, mas precisamos saber nosso ponto delimitador. 
      Depois disso, calma, não se desespere, só confie em Deus, aprenda a lição e não vá além outra vez, isso pode ser pior. Ultrapassar limites pode levar a vergonhas públicas, a enfermidades, físicas e psicológicas, enfim, enfraquecimentos exteriores e interiores inúteis, que o humilde vê e respeita, mas que o orgulhoso segue tentando superar. Muitos chegam a mortes, de reputação, mas também física, por não terem a humildade de reconhecer limites e confiarem em Deus. Limite não é enfermidade a ser curada, é espinho que não pode ser retirado, permanecerá em nós até o fim e se forçado doerá e muito. Não adianta orar para que ele suma, ele é necessário, mas temos que depender de Deus naquilo que precisamos e que vai além do espinho. 
      A primeira vez que chegamos a limites é frustrante, experimentamos uma ferramenta competente que o universo nos deu, vemos tudo que ela nos proporciona e pode nos proporcionar, mas vemos que não poderemos usá-la em toda a sua eficiência. Ainda bem que é assim, se não houvesse um limite faríamos da ferramenta um deus adorado, celebraríamos nosso ego, nos acharíamos independentes e capazes de tudo, enfim, veríamos nossa torre de Babel atingir o céu e nos sentiríamos melhores que Deus, o acharíamos desnecessário. Assim agem ateus e materialistas, idólatras da ciência, eles provam vitórias materiais e intelectuais? Provam, mas não provam paz, amor, santidade, não conhecem os mistérios da espiritualidade. 
      Sempre me chama atenção a maneira como Paulo refere-se à oração que fez para que fosse livrado do espinho na carne, diz especificamente que orou três vezes ao Senhor e esse respondeu que não o livraria, que seu poder aperfeiçoa-se na fraqueza. Isso difere do ensino tantas vezes pregado que devemos ter fé e não pararmos de orar até que um problema seja resolvido. Certos problemas Deus não resolve porque ele tem propósito nisso. Aqui vai um segredo: os que mais têm intimidade com Deus são os que têm espinhos na carne mais doloridos, Paulo é exemplo clássico disso. Podemos ver isso também em profetas do velho testamento e em personagens do novo, assim não frustre-se, só seja humilde e fique em paz, Deus cuida do limitado que assume isso e confia nele. 

José Osório de Souza, 30/04/2023

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