“Dá-me, filho meu, o teu coração, e os teus olhos observem os meus caminhos.” Provérbios 23.26
Se Deus estiver em dois lugares, acharemos o melhor da vida eterna. O versículo acima fala de dois lugares do ser humano, o coração e os olhos, se eles estiverem certos todo o resto estará. Quando nos olhamos, vemos que dentro de nós há duas consciências, uma racional, nossa mente, e outra emocional, nosso coração, ainda que localizemos nossa mente no cérebro, dentro de nossa cabeça, o centro emocional, que chamamos de coração, não é tão claro. Antigos diziam que o centro emocional do ser humano estava na barriga, nos intestinos ou nos rins, podemos pensar assim já que reagimos emocionalmente a algumas coisas sentindo, por exemplo, um frio na barriga.
Fisicamente podemos ter reações nessa região de nossos corpos quando estamos ansiosos, temerosos, mesmo apaixonados. Se sentimos na barriga, no coração ou na cabeça, não importa, importa é que temos dentro de nós um centro emocional, que pode ser mais importante que o racional, já que, por exemplo, ainda que saibamos algumas coisas, reagimos exteriormente no mundo, às pessoas e pelos nossos corpos, mandados pelo que sentimos. Sentir tem mais relevância que pensar, e muitas vezes sentimos ainda que nem racionalizemos antes, que entendamos, sentimos e agimos, simples assim. No versículo acima, Deus faz um pedido: dá-me, filho meu, o teu coração.
Deus não invade ou exige, mas pede, gentilmente e amorosamente nos chamando de filhos. Dar aquilo que de mais íntimo temos, que influenciará nossa vida, nossos relacionamentos, nossas escolhas, nossos amores, ódios, paixões e desesperanças, é algo que escolhemos. Ainda assim, será um processo no tempo que nos fará manter nossos corações em Deus, ungidos com o Santo Espírito, ouvindo a voz de Deus e obedecendo-a. Quando perseveramos nisso achamos a paz que fica e que é escudo contra todo o mal e toda a ilusão do mundo. Nisso também somos fortalecidos pela palavra de Deus que nos fala diretamente, revelando mistérios, iluminando toda a treva interior.
Mas o versículo acima revela um segundo pedido de Deus: teus olhos observem os meus caminhos. Se o coração guarda o que somos dentro de nós, nossos olhos procuram fora de nós o que devemos ser. Quantos caminhos trilhamos nesta vida, em quantas coisas nossos olhos acham encanto, mas é quando procuramos os caminhos mais altos de Deus que a vida eterna trilhamos. Achar o caminho de Deus não é fácil, ainda que comecemos na religião, nos ensinos das igrejas, no estudo da Bíblia, cada um de nós precisa ir além disso tudo em algum momento para enxergar o estreito, reto e alto caminho do Senhor. Temos procurado, temos achado, temos seguido nesse caminho?
O mundo nos dá muitas opções, fáceis porque seguem os caminhos dos homens, porque nos fazem ganhar as aprovações dos homens, porque podem nos beneficiar social e financeiramente. Mas aquele que procurar com cuidado, com paciência, pagando o preço da humildade, da santidade e do amor, achará os caminhos de Deus. Cada um de nós tem um caminho específico, o caminho de Deus para um pode não ser o caminho para o outro. A busca é pessoal, o caminho individual, a iluminação silenciosa e solitária, mas valem a pena. No final do arco-íris há um pote de ouro, mas não se guie pelos olhos dos outros, cada um que abra seus olhos espirituais e faça sua busca.
Preciso fazer um complemento a esta reflexão. Eu poderia interpretar o versículo acima simplesmente assim: se a palavra de Deus que você lê na Bíblia e ouve na igreja estiver em teu coração, e se você estiver obedecendo essa palavra fará a vontade de Deus. Isso, contudo, parece óbvio, e na experiência que tenho tido com Deus é superficial, ou pelo menos, só leite para crianças. A chamada do “Como o ar que respiro” é para uma busca espiritual além da religião cristã, aliás, além de qualquer religião, não porque essas sejam erradas, mas porque são só o início da jornada. Tenhamos uma experiência profunda e direta com Deus, dentro de nós, no coração, e pelos olhos espirituais.
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