02/04/26

Sobriedade e vigilância

      “Sede sóbrios; vigiai; porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar; ao qual resisti firmes na fé, sabendo que as mesmas aflições se cumprem entre os vossos irmãos no mundo.I Pedro 5.8-9

      Não podemos dar brecha, e infelizmente, alguns de nós não podem nem dar-se a certos “luxos”, a certos relaxamentos. É ficarmos desatentos uma vez, não levarmos uma situação e certas pessoas tão a sério, que caímos e fundo. Talvez outros possam levar a vida mais na brincadeira, mas não é meu caso, e penso que há outros como eu. Preciso estar sempre atento, sempre conectado a Deus, sempre lúcido, mentalmente até frio, racional, ainda que com o fogo do Santo Espírito ardendo em mim. Os fracos, contudo, acabam sendo os mais fortes, porque têm mais cuidado, prestam mais atenção, porque se preparam mais para os ataques de tudo que possa ser o mal. Não menospreze diabos, não estamos neste mundo a passeio, eis os fatos!

01/04/26

Parece pouco?

      “Eu me deitei e dormi; acordei, porque o Senhor me sustentou.Salmos 3.5

      Deitei, dormi e acordei, parece pouco para ser grato a uma potência espiritual que a ciência nem prova que existe, isso basta para estar satisfeito? Pois é, quando isso bastar, entenderemos a simplicidade da vida que nos basta para sermos felizes. Nesse momento pararemos de construir e manter expectativas e ansiedades, de segurar culpas e medos, simplesmente deixaremos o Espírito de Deus nos alimentar e nos guiar. Quando aceitarmos que coisas simples existem porque Deus permite, veremos que não temos controle de nada, e que um pequenina coisa na mecânica do universo que não funcione bem, nos desestabiliza, rouba nossa noite de sono. Quando aceitarmos nossa humanidade seremos gratos pelo divino.

31/03/26

Amigo de Deus não anda só

      “O óleo e o perfume alegram o coração; assim o faz a doçura do amigo pelo conselho cordial.Provérbios 27.9

      Deus abençoa todos, os que creem e confiam nele e os que não creem ou não confiam. A diferença é que os que creem e confiam nele são gratos. Sabem que são amados e que caminham acompanhados por um invisível afeto, alguém maior que eles que cuida deles. Nunca estão sozinhos, têm a companhia de um Deus amigo. Já os que não creem ou não confiam, pois há muitos que até acreditam na existência de Deus, mas não confiam a ele seus caminhos, esses também são abençoados em suas vidas profissionais, afetivas, em suas saúdes. Contudo, são pessoas orgulhosas, não confiam em nada acima de seus egos, são vazias, não experimentam o Espírito de Deus em si. São solitários, caminham sozinhos, desconfiados, sem amigos. 

30/03/26

Autoconfiança ou arrogância?

      “Confia no Senhor de todo o teu coração, e não te estribes no teu próprio entendimento. Reconhece-o em todos os teus caminhos, e ele endireitará as tuas veredas.Provérbios 3.5-6

      Ter autoconfiança é saudável, mas demais é arrogância. Arrogantes, nós achamos que sabemos o suficiente, que estamos prontos o suficiente, assim, nada pode nos pegar de surpresa e nos prejudicar. Esteja seguro, mas tema a Deus, ele sempre saberá de coisas que você não sabe, e poderá fazer coisas que você não pode. Arrogantes, nos pomos sós em caminho sombrio, humildes refletimos a luz de Deus, andamos no caminho melhor, somos protegidos de nós mesmos. Por mais que adquira conhecimento e experiência, que desempenhe bem uma função, coloque Deus à frente e acima, siga-o sempre, como filho confiando no pai. Ainda que esteja fazendo algo legitimamente certo, nunca pense que não precisa de Deus. 

29/03/26

Moral, espiritual

      “E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria.I Coríntios 13.2

      Alguns são morais e não são espirituais, outros são espirituais e não são morais. Moral é praticar virtudes, principalmente amor, santidade, humildade, que têm como consequência paz e justiça. Espiritual é se relacionar com o plano espiritual, onde não há só Deus, pai, filho e Espírito, e anjos de luz, há também demônios e outros “espíritos”. No cristianismo usamos o termo espiritual como sinônimo do moral, mas são coisas distintas, e às vezes independentes. Certos bruxos e ocultistas (sem generalizar ou fazer juízo de valor) podem ter habilidades espiritualísticas e não serem morais, já muitos cristãos são morais e não são espiritualizados. No cristianismo tradicional opõe-se a espiritual o chamado carnal, conceitos de moralidade, não de experiência mais íntima com a espiritualidade.
      Verdade é que só conectados ao Deus Altíssimo podemos ser altamente morais e elevadamente espirituais, só com as duas coisas provamos a melhor vontade de Deus com maturidade. O capítulo treze da primeira carta de Paulo aos coríntios exorta sobre a necessidade de sermos morais, citando a principal virtude, o amor, ainda que tenhamos toda a intimidade com o plano espiritual através dos dons do Espírito Santo. Moral está mais ligada a obras, algo mais objetivo, espiritual é relacionado com fé, algo subjetivo. Obras podemos fazer, mesmo sem termos relação com o plano espiritual, mas sem fé não temos acesso a conhecimentos espirituais, por isso muitos católicos e protestantes preferem obras que fé, moral que espiritual, o visível que o invisível, e aqui também digo sem fazer juízo de valor. 

28/03/26

Vencidos pelo tédio

      “Atentei para todas as obras que se fazem debaixo do sol, e eis que tudo era vaidade e aflição de espírito. Aquilo que é torto não se pode endireitar; aquilo que falta não se pode calcular. 
      Falei eu com o meu coração, dizendo: Eis que eu me engrandeci, e sobrepujei em sabedoria a todos os que houve antes de mim em Jerusalém; e o meu coração contemplou abundantemente a sabedoria e o conhecimento. 
      E apliquei o meu coração a conhecer a sabedoria e a conhecer os desvarios e as loucuras, e vim a saber que também isto era aflição de espírito. Porque na muita sabedoria há muito enfado; e o que aumenta em conhecimento, aumenta em dor.” 
Eclesiastes 1.14-18

      A ciência tem desempenhado bem seu trabalho, mas a fé não tem, infelizmente. A ciência tem entregue ao ser humano e ao planeta melhor qualidade de vida, por exemplo nos computadores, nos remédios, nos transportes, na comunicação, na ecologia, enquanto a fé insiste em ver o universo como via o ser humano antigo, do tempo que havia muito pouco de ciência. Deus não muda, o homem, sim, a prova disso é que o homem desenvolveu a ciência, o conhecer do mundo material exterior e de si mesmo. Contudo, quase num estado esquizofrênico, as pessoas veem o mundo e a vida de um jeito, quando estão dentro de templos religiosos, e de outro, quando estão fora deles, e de alguma forma maluca, conseguem funcionar com tudo isso. 
      Se a ciência prova que o ser humano é resultado de evolução, que iniciou-se em seres unicelulares e chegou, pelo menos até o momento, no homo sapiens, que o homem não foi criado, com a Terra, a natureza, os animais e outros astros, em seis dias, temos que mudar nossa forma de crer. Se filosofia, antropologia, psicologia têm nos levado a raciocinar sobre as diferenças humanas no planeta, não podemos medir todo o mundo com a régua do constantinismo, crendo que só há salvação numa crença, e fora dela, condenação eterna. Isso não tira Deus da equação cósmica, não rebaixa a posição espiritual altíssima e exclusiva de Jesus, nem cala a voz do Santo Espírito como único representante oficial de Deus na Terra. 
      O medo de assumir a verdade tem enlouquecido o cristianismo do mundo, ou constantinismo, nome talvez mais propício, visto que o que se chama cristianismo no mundo tem mais a ver com o imperador Constantino que com Cristo. É verdade porque está claro que o tal cristianismo limitado não está mais funcionando, não abraça todos em amor, mas se uma verdade basta, a mentira precisa de novas mentiras para manter-se. Assim tantas teorias de conspiração sobre fim do mundo, anticristo, como demonização do progressismo e globalismo, que nada mais são que consequências naturais do progresso. Se de fato o mundo caminha para um globalismo progressista é outra coisa, pode ser só encantamento de um momento. 
      Algo que “profetas” que se dizem com embasamento científico para preverem o futuro, não levam em conta, é o tédio humano, a facilidade que as pessoas têm em não sentirem prazer em algo, após prova-lo ao extremo, principalmente quando não têm experiência espiritual com o Deus genuíno. Muitas coisas são descartadas, não por serem racionalmente inúteis, mas por perderem a graça. Vivemos um momento de encantamento com a liberdade das diferenças, nada errado há nisso, é efeito natural de séculos de racismo, sexismo, xenofobia e inferiorização de quem não é homem-hétero-branco-rico-cristão. Mas será que tais bandeiras sobreviverão tendo oposição do cristianismo conservador e defesa do progressismo ateu? 
      Braço de ferro estúpido, principalmente no lado dos que se dizem seguidores do amor de Jesus. À tese do tédio humano, alguns podem responder, “liberdade nunca perderá prazer e prioridade”. Depende, se de fato for liberdade, mas o que ocorre atualmente é só a troca de carcereiro. Religião externa, o ser humano tem trocado pela internet, se antes eram sacerdotes em templos que diziam ao homem o que era melhor para ele, hoje são os algoritmos de buscadores e redes sociais. Compramos e queremos ser o que pop-ups mostram, o que imagens e vídeos vendem, estética e valores de digital influencers. Muitos disseram matar Deus e criaram um novo deus, na palma da mão pela internet das pessoas e das coisas em seus celulares. 
      Ninguém se iluda, achando que sem Deus pode ser livre, e na verdade em Deus se é livre, não por se viver num mundo com liberdade, mas por não se dar à liberdade no mundo tanta importância. Sem Deus o homem entedia-se com tudo, sempre quer novidades, vício para trocar por outro, nisso cega-se e não percebe que não tem controle, mas é controlado. O futuro? O homem entenderá que tem o que queria e que ainda não é feliz, haverá mais justiça social, vidas mais longevas e sadias, mais tempo para arte e lazer, menos intolerância, guerra, violência, como profetizam escritores utópicos de ficção-científica. Mas ainda assim haverá tédio, e mais profundo, com menos remédios, assim com mais depressão, se não houver o verdadeiro Deus.

27/03/26

Quem cria nossos filhos?

      “Vós, filhos, sede obedientes a vossos pais no Senhor, porque isto é justo. Honra a teu pai e a tua mãe, que é o primeiro mandamento com promessa; para que te vá bem, e vivas muito tempo sobre a terra. E vós, pais, não provoqueis à ira a vossos filhos, mas criai-os na doutrina e admoestação do Senhor.Efésios 6.1-4

      Não escondo aqui minha predileção em Deus por muitas bandeiras do progressismo de esquerda, mas de algumas bandeiras do conservadorismo de direita eu não abro mão. Escola tem prioridade para informar intelectualmente nossos filhos, ainda que nisso possa ser ensinado respeito social com as diferenças humanas e como trabalhar em equipe, mas valores morais básicos é a família em amor quem ensina e cobra. Muitos hoje precisam trabalhar e muito para terem o mínimo de vidas materialmente dignas, pai, mãe e outros cuidadores, mas não abramos mão de responsabilidade que é nossa para as instituições. Respeitemos os profissionais da educação, ainda que assumindo erro do filho que nós geramos, sejamos humildes.
      Escolas podem vigiar quem chega, verificar armas, bullying, preconceitos, violências, mas quem manda bons ou maus seres humanos para as escolas são as famílias. Cuidado, irresponsabilidade com crianças gera adultos irresponsáveis com idosos, o que se planta se colhe. Acompanhemos de perto nossos filhos, assim serão nossos amigos mais que amigos de falsos amigos. Laranjeira não dá limão, ainda que sofram injustiça no mundo, nossos filhos administrarão isso do jeito certo se forem ensinados certo. Quem não recebeu agressão em casa não revidará com agressão fora de casa. Sobre internet, se o coração está limpo e em paz não desejará submundos virtuais para experimentar prazeres sórdidos, quem é da luz não ama trevas.

26/03/26

Cuidado com certeza arrogante

      “Cada um administre aos outros o dom como o recebeu, como bons despenseiros da multiforme graça de Deus. I Pedro 4.10

      Se credulidade pode ser irrazoável, certeza pode ser, não segurança, mas soberba. Ninguém escapa disso, quando achamos verdades que se acomodam ao que somos, ou ao que achamos que somos, adquirimos certeza arrogante, que faz com que nos achemos sinceramente melhores que os outros. Temos muita dificuldade em termos certeza e ainda assim respeitarmos as certezas diferentes nos outros. Mas se a verdade não nos torna humildes, não pode ser verdade em Deus, e veja que não disse verdade de Deus. Comunhão com Deus não nos torna arrogantes, não fecha a mente, não afasta as pessoas, ao contrário, nos enche de amor, abre nossa cabeça e agrega outras pessoas, outras diferentes certezas. A verdade plena, Deus tem a humildade de compartilha-la em todos. Queremos conhecer Deus? Conheçamos as diferenças nas pessoas. 

25/03/26

Quando credulidade é tola

      “Rodearam-no, pois, os judeus, e disseram-lhe: Até quando terás a nossa alma suspensa? Se tu és o Cristo, dize-no-lo abertamente. Respondeu-lhes Jesus: Já vo-lo tenho dito, e não o credes. As obras que eu faço, em nome de meu Pai, essas testificam de mim. Mas vós não credes porque não sois das minhas ovelhas, como já vo-lo tenho dito. As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu conheço-as, e elas me seguem; e dou-lhes a vida eterna, e nunca hão de perecer, e ninguém as arrebatará da minha mão.João 10.24-28

      Preguiça leva pessoas diferentes a cômodos extremismos, onde, por não se querer pensar e achar equilíbrio, prefere-se acomodar em extremos. Religiosos e ateus podem ser preguiçosos quando se acomodam na credulidade ou no ceticismo. Muitos crendo integralmente no que é postado em grupos de Whatsapp, ou confiando totalmente em orientações científicas, alguns idolatrando líderes religiosos, outros acatando escritores de autoajuda e palestrantes motivacionais. Tantos com fé em tantas coisas, inclusive em religiões, mas não em Deus, achando-se livres acomodam-se em gaiolas, voando, mas em espaços restritos. Outros nem creem em asas, mas ainda que fora de gaiola, gastam-se a pé quando poderiam ganhar altura. Tua fé, ou tua negação dela, tem feito de você alguém melhor? Ou você é só um teimoso crendo ou descendo sem equilíbrio?

24/03/26

Direito de ter paz

      “Muita paz têm os que amam a tua lei, e para eles não há tropeço.Salmos 119.165

      O escritor antigo do salmo, de um tempo antigo, que tinha nos escritos de Moisés a declaração da vontade maior de Deus, dizia que os que amam a lei têm muita paz. Hoje podemos usar outros termos, a palavra de Deus, a Bíblia, mas penso que a voz do Espírito Santo seja mais adequada ao evangelho que Jesus entregou. Você ama a voz de Deus, buscá-la, ouvi-la, obedecê-la? A palavra do Espírito Santo é alimento para nossas almas e luz para nossas mentes, fortalece-nos, mostra-nos o mais alto sentido da vida. Confusos e caídos ficam os que amam falsos deuses e a si mesmos, mas quem ama a voz do Espírito de Deus, mais que qualquer outra coisa, tem paz, não é confundido, assim não tropeça e não permanece caído. 

23/03/26

Quando o certo é o normal

      “Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros. Não sejais vagarosos no cuidado; sede fervorosos no espírito, servindo ao Senhor; alegrai-vos na esperança, sede pacientes na tribulação, perseverai na oração; comunicai com os santos nas suas necessidades, segui a hospitalidade; abençoai aos que vos perseguem, abençoai, e não amaldiçoeis. Alegrai-vos com os que se alegram; e chorai com os que choramRomanos 12.10-15

      Ninguém nasce pronto nesse mundo, o quanto antes tivermos humildade para admitir isso e buscarmos em Deus mudanças que permanecem, melhor usaremos nosso tempo aqui. Muitos passam a vida dizendo a si mesmos e às pessoas que são normais, que andam certo, que são melhores que muitos, para isso tornam-se fiéis religiosos. Só pode ter cura quem assume-se doente, essa cura, contudo, não vem fácil e rápido, é preciso muita perseverança para se fazer as coisas certas. Quando, enfim, sentirmos que nosso normal é fazer certo, que naturalmente achamos satisfação em sermos humildes, santos e amorosos, então, começamos a cumprir nossas missões neste mundo, evolução moral, é aí que vida eterna inicia-se. 

22/03/26

Creiamos sempre

      “Tenho-vos dito isto, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo.João 16.33

      Algumas vezes estamos bem com Deus, com as pessoas, sendo produtivos em justiça e paz, mas ainda assim nos sentimos estranhos, doídos, meio vazios, com vontade de ficarmos quietos dentro de casa, não vermos ninguém. Outras vezes nossa química parece funcionar legal, nos sentimos animados, dispostos a enfrentar qualquer inimigo, nem é devido à alguma excelência moral diferenciada, é algo físico mesmo. Temos que aprender sobre nós, sobre nossa estrutura, nos conhecer, e nos entendermos como várias áreas funcionando simultaneamente. Somos matéria, corpos físicos, com hormônios, mesmo com ligações elétricas, além de carne, nervos, ossos, veias, órgãos, causa e efeitos do que conscientemente percebemos. 
      Mas somos mentais, pensamentos, memórias, sentimentos (reações subjetivas dos sentidos físicos na mente) e emoções (construções subjetivas da mente, também efeitos de reações químicas e elétricas). Além disso habita-nos espíritos, relacionando-se conosco, com o plano espiritual, outros espíritos, demônios, anjos, Jesus, Deus. Ateus dirão, é tudo físico, não há espírito, místicos desconsiderarão complexidades físicas que podem ser equivocadamente tomadas como eventos espirituais. Fé importa para vencermos interpretações emocionais, mentais e físicas, e seguirmos nos esforçando em fazer o que é moralmente certo, ainda que não nos sintamos 100% bem, descansando de vez em quando já que ninguém é de ferro. 

      "Se te mostrares fraco no dia da angústia, é que a tua força é pequena." Provérbios 24.10

21/03/26

Alimentando almas

      “E Jesus lhes disse: Eu sou o pão da vida; aquele que vem a mim não terá fome, e quem crê em mim nunca terá sede.João 6.35

      Permita-me, por gentileza, um testemunho pessoal na área profissional.
      O melhor elogio que recebi até aqui, me apresentando profissionalmente ao piano, foi de uma cliente, que após almoçar num restaurante de alta gastronomia que toco, onde pratos e bebidas são bem caros, me dizer, “obrigado por alimentar nossas almas”. Isso me fez pensar além da música, algo que faço com todo o meu coração e que os anos me permitiram fazer com qualidade. Pela graça de Deus hoje posso ganhar meu sustento tocando num lugar requintado, com público diferenciado, num novo e bem ajustado piano de cauda, executando um repertório de boa música, baseado em jazz song e bossa nova, o Senhor permitiu-me aos sessenta e seis anos fazer o que mais gosto e sei, da melhor maneira e justamente remunerado.
      Penso que a vida é mais que trocar trabalho por dinheiro, é melhorar espiritualmente e iluminar os outros, mas será que Deus só nos permite isso quando desempenhamos trabalhos exclusivamente religiosos, dentro de templos, ou no mundo, pregando o evangelho? Em meus cinquenta anos de convertido, já pensei que só podia usar meu talento musical dentro de igreja, para louvar a Deus, ou se fosse fora, para fazer evangelismo. Pensamento infantil, se fosse isso não poderíamos trabalhar em diversas empresas que fabricam produtos ou oferecem serviços que não trazem limpeza moral ou que não glorificam a Deus. “Não peço que os tires do mundo, mas que os livres do mal” (João 17.15), eis a sábia orientação de Jesus. 
      Devemos analizar tudo com sensatez, como algo que é adequado para uma pessoa pode não ser para outra. Obedecer cegamente a leis religiosas impede-nos de ter a experiência de dialogar com Deus e aprender sua vontade específica para nós, nos conduzindo como adultos, não como crianças. Deus nos usa para alimentar almas em tudo que somos, falamos e fazemos, cada um em sua área profissional, em sua família, em seu círculo de amizade, indiferente se exerce-se explicitamente atividade religiosa. Deus tem me protegido, sei que música é usada como trilha sonora para muita sujeira no mundo, mas o Senhor tem aberto para mim portas certas, não tenho dúvidas que minha luz brilha forte quando atuo como pianista profissional.

20/03/26

Em Deus já deu certo

      “Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo; como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor.Efésios 1.3-4

       É só nos colocarmos na posição certa, do lado que as coisas são certas, que não só as coisas dão certo, mas elas já deram certo. Temos uma visão muito linear da existência, obviamente é difícil não ser assim visto vivermos em corpos físicos limitados e finitos. Deus, contudo, funciona de maneira muito mais ampla, atemporal, administrando as mecânicas materiais e espirituais de todos os tempos do universo com total harmonia e sincronismo. Em nossa visão restrita, achamos que quando erramos algo é interrompido, e quando acertamos algo inicia-se, nas na verdade tudo está sempre em movimento, por isso em Deus não há acusação, há em nossa consciência, quando negamos seu Espírito em nosso interior. 
      Ainda que erremos, quando nos acertamos as coisas não darão certo para nós, já deram, porque Deus em sua onisciência sabe quando erramos e quando acertamos e tudo providencia para nosso bem, por isso Romanos 8.28: todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito”. Em Deus as coisas não darão ou dão certo, já deram antes da fundação do mundo, assim não precisamos carregar culpas ou ansiedades, basta que nos conectemos com Deus que tudo já está funcionando bem para nós. Ainda que tenhamos errado, na luz as trevas não resistem, nem é que Deus não se lembre, mas que não dá o valor que damos aos nossos erros. 
      Nos elegeu nele antes da fundação do mundo, entendemos de fato o que isso significa?      

19/03/26

O poder da dor

      “Porque o Senhor se compadecerá de Jacó, e ainda escolherá a Israel e os porá na sua própria terra; e ajuntar-se-ão com eles os estrangeiros, e se achegarão à casa de Jacó. E os povos os receberão, e os levarão aos seus lugares, e a casa de Israel os possuirá por servos, e por servas, na terra do Senhor; e cativarão aqueles que os cativaram, e dominarão sobre os seus opressores. E acontecerá que no dia em que o Senhor vier a dar-te descanso do teu sofrimento, e do teu pavor, e da dura servidão com que te fizeram servir, então proferirás este provérbio contra o rei de Babilônia, e dirás: Como já cessou o opressor, como já cessou a cidade dourada!Isaías 14.1-4

      Quando dói a primeira coisa que fazemos é pedir a Deus que pare com a dor, se ele não responder-nos, usamos um remédio, se ainda assim persistir a dor, exageramos nos prazeres dos apetites do corpo. Só com tempo e com muita dor não resolvida que entendemos e praticamos a solução do Cristo homem para dor, suportá-la do jeito certo, sem se achar vítima nem com mágoa e revolta, mas com humildade, santidade e amor. Então, quando finalmente seguimos trabalhando, ainda que doa, a dor começa a ser atenuada, o resultado é um ser humano em nós mais forte, mais capacitado para viver do jeito melhor sem sofrer. Somos aperfeiçoados com a dor, de um jeito único, não há como melhorar espiritualmente sem sofrimento. 

18/03/26

O que te faz bem?

      “Sou peregrino na terra; não escondas de mim os teus mandamentos. A minha alma está quebrantada de desejar os teus juízos em todo o tempo. Tu repreendeste asperamente os soberbos que são amaldiçoados, que se desviam dos teus mandamentos. Tira de sobre mim o opróbrio e o desprezo, pois guardei os teus testemunhos. Príncipes também se assentaram, e falaram contra mim, mas o teu servo meditou nos teus estatutos. Também os teus testemunhos são o meu prazer e os meus conselheiros.Salmos 119.19-24

      De verdade, o que te faz bem, faz com que você sinta-se satisfeito, feliz, vivendo o melhor para tua vida? Todos nós gostamos da aprovação das pessoas, principalmente se estamos fazendo nosso melhor com honestidade e sinceridade, Deus nos permite honra dos homens, principalmente quando somos maduros e damos mais valor à honra vinda dele. Mas tenho aprendido a vivenciar satisfação ímpar quando sei que agrado a Deus. Bom demais ter passado pela disciplina, pelo cativeiro, ter pago os preços de minha rebeldia e egoísmo, e enfim, estar em paz com o universo por estar em paz com Deus. Nisso nosso casamento funciona, nossos filhos nos orgulham, nosso emprego nos basta, e nossa eternidade é construída em nós. 

17/03/26

O justo se levanta

      “Não armes ciladas contra a habitação do justo, ó ímpio, nem assoles o seu lugar de repouso, porque sete vezes cairá o justo, e se levantará; mas os ímpios tropeçarão no mal. Quando cair o teu inimigo, não te alegres, nem se regozije o teu coração quando ele tropeçar para que, vendo-o o Senhor, seja isso mau aos seus olhos, e desvie dele a sua ira.Provérbios 24.15-18

      O que cai não fica caído, se houver em seu coração mais luz que trevas, mais desejo de agradar a Deus que a si mesmo. Quem vê alguém caindo, cuidado, conhecemos amigos verdadeiros, não quando acertamos, mas quando erramos. Há gente até nos tratando bem, mas na espreita de errarmos, se isso ocorrer ficarão satisfeitos e usarão nosso erro para desvalorizar a luz, seguirem em trevas, e nos porem como referência do erro, ainda que tenhamos só caído uma vez. Mas ainda que andemos em temor a Deus, não nos alegremos com a queda do que sabemos que a Deus não teme, ao contrário, vendo erro alheio temamos ainda mais a Deus. Deus não se alegra na queda de alguém, se somos seus amigos também não podemos nos alegrar. 

16/03/26

Vida eterna é gratuita

      “Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus nosso Senhor.Romanos 6.23

      Ganhar o salário do pecado não é direito só de quem está em pecado ou tem pecado não perdoado, basta carregarmos culpa que estaremos sendo pagos com a morte. Todos os seres humanos estão originalmente na folha de pagamento do pecado, contudo, enquanto que para ganharmos a morte devemos pecar, para começarmos a caminhar para a vida eterna nos basta crer, o caminho, então, deve ser percorrido com obras, prática de virtudes morais. Podemos andar tantos anos no evangelho que até nos esquecemos do fundamento de nossa crença, perdão e consequente paz, isentos assim de condenação, culpa, da morte. Que não nos esqueçamos do começo de tudo, que não nos esqueçamos do nosso primeiro direito em Cristo, paz pelo perdão, só nessa segurança temos forças para seguirmos em direção ao Altíssimo. 

15/03/26

Pedir o que Deus quer dar

      “Se vós estiverdes em mim, e as minhas palavras estiverem em vós, pedireis tudo o que quiserdes, e vos será feito.João 15.7 

      Desculpe-me por citar novamente João 15.7, mas preciso compartilhar algo: cada vez que Deus me fala com esse versículo, tomo mais cuidado para orar, tenho mais dificuldade para selecionar o que pedir. No momento em que escrevo este texto, não estou conseguindo pedir nada. Texto bíblico, que há um tempo atrás, parecia Deus abrindo a porta do céu, dando-me liberdade para pedir quase que qualquer coisa que eu receberia, hoje me faz tremer, penso até que ponto estou em Deus e suas palavras estão em mim. Tantas coisas queremos para satisfações egoístas, outras só por vaidade, e algumas, ainda que necessidades legítimas, são coisas que Deus naturalmente dá ao que anda certo. Emprego, casamento, casa, carro? É tudo efeito de trabalho honesto e saúde, importa mais é sermos santos, humildes e amarmos as pessoas. 

14/03/26

Boa vontade para viver

      “Humilhai-vos pois debaixo da potente mão de Deus, para que a seu tempo vos exalte.I Pedro 5.6 

      Nada fazemos na vida sem vontade, vontade é gerada por emoções distintas, boas e más, que de alguma maneira nos entregam prazer. Experimentamos prazer tanto com coisas agradáveis como com coisas desagradáveis. Aquele que protege alguém, faz por amor, o que agride alguém, faz por ódio, em ambos os casos há vontades geradas por disposições prazerosas. Quando nos sentimos vazios, sem vontade e sem prazer, podemos cair no estado de depressão, isso não é estar muito triste, tristeza ainda é sentimento, e ainda que masoquista pode nos oferecer algum prazer. Estar deprimido é estar sem alegria, mas também é ter ultrapassado os limites da tristeza, é nada sentir, um estado de inferno, ou perto disso. 
      O versículo acima nos incentiva a nos humilharmos diante de Deus para que no momento certo sejamos por ele exaltados. Mas como fazermos isso, quando, ainda que racionalmente saibamos que isso é o melhor a fazer, não temos energia emocional para expressar uma disposição humilde do fundo do coração, com emoção, até com lágrimas? Como fazemos isso sem vontade de viver? Até para estarmos tristes precisamos achar forças em algum tipo de prazer. O ser humano que sai para trabalhar, ainda que para desempenhar uma atividade pesada, com patrão injusto e para ganhar pouco, trabalha porque sabe que poderá pagar uma refeição com seu ganho no final do dia, ele é motivado pela esperança de uma satisfação.
      O deprimido, contudo, não tem vontade de trabalhar nem de se alimentar, na verdade a depressão mais profunda não quer nem a morte. Vaidade entrega um tipo de prazer, alguns querem morrer para que outros vejam como era grande sua dor, por carência de atenção, mas por vaidade, mas o deprimido nem isso quer. Eu creio que Deus não coloca ninguém em situação onde seja impossível achá-lo, se nada podemos fazer, nada façamos. Mas ainda que parados e calados, podemos focar um minúsculo facho de fé em Deus e pedirmos que ele nos ajude. Se o que pode ser feito é ficar quieto e em silêncio, permaneça-se assim, firme em Deus, ele dará forças na hora certa. O humilde sempre acha boa vontade para viver.
      Como digo aqui quando tocando em questões psicológicas, não sou profissional da área, assim se tiver problemas nessa área ou conhecer alguém que tenha, procure um profissional da medicina ou alguém sério que possa ajudá-lo a achar um, não sofra só. A vida fica mais difícil à medida que envelhecemos porque nosso corpo fragiliza-se. A paixão fácil que sentíamos na mocidade, que nos dava prazer e nos motivava a fazer muitas coisas, diminui mesmo por questões biológicas. Por isso é importante nos consertarmos com Deus o quanto antes e aprendermos a viver em fé. Se vontade e prazer serão menores, que já tenhamos alcançado um momento onde as necessárias provas de Deus também sejam mais amenas. 

13/03/26

Aprenda a lição e caia fora

      “Há caminho que ao homem parece direito, mas o fim dele conduz à morte.Provérbios 14.12 

      Às vezes cremos tanto na vinda de uma solução boa de Deus, que uma solução errada surge e cremos que é a boa de Deus. A vida não nos entrega problemas, mas oportunidades de crescermos em Deus. Mesmo enganos, que sinceramente achávamos no início que não eram, têm bom propósito de Deus, ainda que seja só para nos abençoar materialmente por um tempo. Em alguns casos a lição nem é aprendermos a discernir portas que são o melhor de Deus de portas que não são, mas identificarmos no tempo os efeitos de escolhas erradas, então, nos posicionarmos com maturidade, entendendo que confiar no que Deus é importa mais que crer nele por ele poder dar. Não tenha medo de sair por porta enganosa, nem fique tempo demais sem se decidir, o dano pode ser maior, aprenda a lição e confie em Deus, ele tem algo melhor para você. 

12/03/26

Prontos para surpresas

      “Não sejas sábio a teus próprios olhos; teme ao Senhor e aparta-te do mal.Provérbios 3.7

      Nada sei e preciso estar pronto para tudo, isso parece lógico, mas após aprendermos algo temos a tendência de nos acomodarmos. Ainda que conquistemos seguranças físicas, emocionais, intelectuais, estamos neste mundo para sermos provados até o fim. O propósito não é acabarmos em certezas, mas sermos cientes de nossa distância de Deus, assim do quanto temos que aprender. Não soframos na obsessão de acharmos que sabemos tudo, mas, à medida que aprendemos, nos conscientizemos que o caminho é longo e que sempre seremos surpreendidos. Isso é bom, deixa a aventura de existir mais instigante, Deus mais maravilhoso, mas também permite-nos ser mais humildes, nos sentirmos parte do imensurável todo que quer nos surpreender para melhor. Depois disso fiquemos longe do mal e temamos a Deus. 

11/03/26

Fortalecei-vos no Senhor

      “No demais, irmãos meus, fortalecei-vos no Senhor e na força do seu poder.Efésios 6.10

      O mundo, muitas pessoas, seres espirituais malignos, mesmo nossas consciências, nossas culpas, nossos medos, tentam fazer de tudo para nos enfraquecer. Muitas vezes até temos tendência à autocomiseração, à tristeza, ao enfraquecimento emocional, que nos joga sempre para baixo, tenhamos ou não motivos legítimos para isso. Fé é mais que convicção religiosa, que escolha, é modo de vida, e muitos, ainda que não creiam no Deus verdadeiro e do jeito melhor, fortalecem-se pela fé. Mas precisamos saber que temos direito no amor de Deus a sermos fortes, o Espírito Santo nos atrai às regiões espirituais mais altas em Cristo para estarmos acima do mal, da mentira, da acusação, das trevas. Pela fé estejamos fortes! 

10/03/26

Pobres de espírito

      “Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus.Mateus 5.3

      O versículo inicial parece simples, mas há certa complexidade nele. Uma das ênfases do evangelho é ensinar que o reino de Deus é dos pobres, e nesse aspecto, pobre materialmente, assim os excessos do mundo, da matéria, afastam o homem de Deus. Isso foi usado por séculos pelo catolicismo para manipular a humanidade, resignada à sua condição de plebéia, a maioria das pessoas não questionava reis e liderança religiosa. Eis uma das características do conservadorismo, manter pobres como pobres, e usando para isso justificativa religiosa, e ricos e poderosos como tais, como se fossem escolhidos de Deus para serem algo para sempre. 
      Jesus nunca foi conservador, ainda que não desse aos valores materiais importância exagerada, só exortava que riquezas do mundo podem ser mais impedimentos que dádivas. É mais difícil para um rico exercer fé, buscar melhoramento moral, se preparar para a eternidade, ele já tem tudo e mais neste mundo, por que se preocuparia com o outro mundo? Seitas protestantes atuais quebraram essa ótica católica milenar, ainda que sigam sendo conservadoras na moralidade, no casamento, na sexualidade, não o são na posição financeira, pregam prosperidade material em alto e bom som. Mas o que de fato Jesus quis dizer com pobres de espírito?
      O entendimento está na palavra espírito, assim a virtude que devemos ter deve estar em nosso interior, não no exterior. Isso independe se exteriormente se é pobre ou rico. Ricos podem ser humildes de espírito, assim como há pobres que têm corações gananciosos. O sentido do versículo não é riqueza espiritual significando abundância de virtudes, então pobreza seria a falta, é o contrário, rico no espírito é quem dá valor às riquezas materiais, aos prazeres físicos dentro de si, pobre seria o que não dá. Felizes e satisfeitos são os que dentro de si são simples, humildes, não são vaidosos, assim por fora não querem ostentar e dominar os outros.  

09/03/26

Técnica e Humana

      “Quem dentre vós é sábio e entendido? Mostre pelo seu bom trato as suas obras em mansidão de sabedoria.” Tiago 3.13

      Muitos têm formação técnica para desempenharem funções, estudam, se informam, atualizam-se. Além de conhecimento e experiência, têm traquejo verbal, são articulados, se expressam bem, é difícil ganhar deles em debates. Há muito disso em jornalistas e profissionais da mídia. Contudo, muitas dessas pessoas não têm humanidade, dizem que respeitam o ser humano porque isso é orientação da ciência, de ideologias progressistas, mas são frias, portam-se como algoritmos, não como espíritos em corpos materiais, com sentimentos, emoções. Humanidade há com amor, amor é, antes de tudo, espiritual, se aprende com um Deus espiritual, ciência não tem espírito, só dados empíricos. O que importa, ser técnico ou ser humano?
      Na verdade importa ser os dois, temos mente e coração, corpo e espírito, a ciência é útil, mas também a fé. O amor verdadeiro unge tudo, azeita pessoas, ações, palavras, a ciência nada tem a perder com o espírito, técnicos só tornam-se melhores sendo humanos. Mas se quem é só técnico pode se tornar cínico, arrogante, quem abraça a humanidade e esquece-se da técnica pode tornar-se supersticioso, místico, e não pensemos que isso nos aproxima mais de Deus, nos distancia. O Deus verdadeiro abençoa o mundo com técnicos, ainda que muitos cientistas nem creiam em sua existência, mas eles podem ser humanos e amar. Quem ama conhece mais, não demoniza ciência nem Deus, é sensato, mas aberto a possibilidades desafiadas pela ciência e pela fé.

08/03/26

Profeta verdadeiro

      “Porque assim o Senhor me disse, tendo forte a mão sobre mim, e me advertiu que eu não andasse pelo caminho deste povo. Ele disse: — Não chamem conspiração a tudo o que este povo chama conspiração. Não temam aquilo que o povo teme, nem fiquem apavorados. Ao Senhor dos Exércitos, a ele vocês devem santificar. É a ele que devem temer; é dele que devem ter pavor. 
      Ele será um santuário para vocês, mas será pedra de tropeço e rocha de ofensa às duas casas de Israel; será laço e armadilha aos moradores de Jerusalém. Muitos deles tropeçarão, cairão e serão despedaçados; serão enlaçados e presos. — Guarde bem o testemunho e sele a lei entre os meus discípulos. Esperarei no Senhor, que esconde o seu rosto da casa de Jacó; a ele aguardarei.” 
Isaías 8.11-17

      No texto bíblico inicial, mais um exemplo de como era a vida de profeta do antigo testamento. É importante sempre fazermos diferenciação entre profecia no antigo testamento e o dom de profecia do novo testamento. No novo, o dom pode entregar revelações de Deus de muitas espécies, mas o mais comum são palavras de consolo individuais, isso não é para ser exceção, mas regra, é ferramenta que Jesus inaugurou em Pentecostes e que é útil para fortalecer e ensinar a Igreja. No velho testamento os profetas entregaram palavras de disciplina nacionais, tiveram ministério na excessão, não na regra, em situações quando Israel se afastava de Deus e era punida com fomes, doenças, guerras, e em última instância, com cativeiro em outras terras. 
      Hoje, missão profética assim, não afirmarei que não existe, mas é mais incomum, e devemos ter cuidado quando alguém surge dizendo-se profeta nos moldes do antigo testamento. Pode ser mentiroso, ou simplesmente imaturo, mas há muitos perturbados mentais se achando ser o que não são, aliás, muitos em igrejas evangélicas deveriam estar sob tratamento psiquiátrico, não sobre púlpitos, ainda que não exista tratamento melhor que viver como Jesus viveu, com humildade, amor e santidade. Isaías pagou preço alto para entregar a palavra de Deus: solidão e perseguição. Deus o advertiu que não andasse pelo caminho do povo, que não chamasse conspiração o que o povo chamava, que não temesse aquilo que o povo temia.
      Interessante como nesse ponto Israel nos lembra muitos evangélicos atualmente no Brasil, temem o diabo por trás do comunismo, o pecado na frente do progressismo, o mal no meio daqueles que se opõem a eles, enfim, veem teorias de conspiração, sobre anticristo e final dos tempos, e temem, contudo, não temem quem de fato os está avaliando, Deus. Deus também diz a Isaías que seria santuário para ele, mas pedra de tropeço para Israel, Deus esconderia seu rosto da casa de Jacó. Pedra de tropeço é uma armadilha, que é porque não pode ser vista, assim faz tropeçar. Os que se afastam de Deus terão em Deus, não um defensor, mas um reprovador, não porque haja em Deus algum castigo, mas porque o engano torna-os reprováveis.

07/03/26

Além da morte

1. Introdução 

       “Portanto, meus amados, sede firmes e constantes, sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que o vosso trabalho não é vão no Senhor.” I Coríntios 15.58 

      O texto que segue não é um estudo bíblico, baseado num entendimento da Bíblia ao pé da letra, conforme teologia tradicional protestante e recheado de argumentos teológicos, contemplando a "história" citada no cânone e "aprofundando" nas línguas originais da chamado Livro Sagrado por judeus, o antigo testamento, e pelos cristãos, seja no cânone católico, seja no protestante. Os termos entre aspas identificam entendimentos de história e línguas originais de acordo com conveniências de teólogos cristãos, não de acordo com visão científica séria e imparcial, mais por fé que por conhecimento. Fazer esse tipo de reflexão requer desprendimento de preconceitos e medos impostos pelo dogmatismo religioso, assim, se não sentir-se à vontade com isso, procure outro texto para ler, não quero tomar teu tempo nem escandalizá-lo.

2. Que verdade é verdadeira?

      Muitos cristãos defendem suas crenças por acreditarem que elas são verdade maior, eles não percebem que adeptos de outras religiões acham a mesma coisa, que suas crenças são a verdade maior. Que verdade é a mais verdadeira? A melhor pergunta pode ser outra: que verdade dão frutos verdadeiros? A verdade é que todas as religiões podem dar tanto bons frutos quanto ruins, porque elas não são a verdade pura de Deus, mas versões distorcidas dessa. Para Deus isso não interessa muito, com tanto que as pessoas o busquem, podem usar a ferramenta que preferirem. Não tiramos com isso a relevância de Jesus Cristo, mas afirmamos que em seu amor Deus abençoa mesmo os que o buscam chamando Jesus por outros nomes. 
      Não temos que concordar com tudo, mas temos que admitir que não sabemos tudo, principalmente porque nossas obras mostram que somos pecadores injustos, egoístas e vaidosos. Contudo, o que muitos cristãos fazem é acharem-se donos exclusivos da verdade maior, não aceitam que isso deve lhes conferir responsabilidades superiores e mais sérias de amar e de testemunhar o plano de Deus, mais que as que conferem outras ”verdades”. O exemplo a ser seguido, como sempre, é o do Cristo homem, o mesmo que cristãos professam ser a verdade, mas parece que só usam esse entendimento quando lhes convêm. Perde-se o cristianismo quando deixa de ser verdadeiro e quer convencer o mundo que sua prática é verdadeira. 
      Cada ser humano tem direito de ter suas convicções e suas experiências religiosas, ocorre que certas crenças extremistas colocam quem nelas crê como melhores que os outros, com mais direitos, de uma forma mais radical, como legítimos filhos de Deus. Isso é possível? Até pode ser, mas quem se acha mais merecedor do céu que os outros deveria ter mais deveres, não mais direitos, isso pelo menos no ponto de vista do verdadeiro evangelho de Jesus, onde se perde para ganhar, se é humilhado para ser exaltado, se morre para viver. Talvez o ponto seja, não que muitos cristãos neguem o evangelho do Cristo, mas que queiram colher recompensas no mundo, não no céu, do evangelho que creem. Nos dois jeitos há equívoco. 
      Quer um jeito de fato sábio de viver? Tenha tuas convicções para você, mas exceto quando Deus de fato orientar, e quando ele manda temos amor, paciência e respeito para obedecer, ponha em prática tuas convicções de modo que os outros vejam em você palavras e atitudes de vida, de misericórdia, de justiça. Fale menos e viva mais, quem vive certo em Deus e para Deus tem paz, tem carências saciadas, assim não tem necessidade de auto-afirmação, nem de fazer admiradores ou fãs. A verdade de Jesus é a mais alta? Creio que sim, mas conhecê-la mais profundamente tem me feito mais praticante que falante, não hipócrita, não falso moralista, e muito mais santo e amoroso. Quem está em paz e na luz não teme trevas e mentiras.

3. A vida e o cristianismo 

      A doutrina do cristianismo protestante tem um entendimento bem simples da existência humana que crê ser a verdade maior. É baseado em textos escritos por homens antigos, que tinham uma percepção antiga de si mesmos como indivíduos, da sociedade, de religião, e portanto limitada em relação à percepção que podemos ter hoje no século XXI. Para muitos cristãos é difícil admitir isso, já que veem a Bíblia como a palavra irrevogável, infalível e eterna de Deus, assim o ser humano muda, a sociedade muda, a ciência evolui e traz provas indubitáveis sobre assuntos como a evolução física do ser humano, mas muitos cristãos insistem em entender a Bíblia ao pé da letra, desprezando contextos históricos e uso de metáforas. 
      Para muitos cristãos todo ser humano é criado quando nasce neste mundo, corpo e espírito, se um nasce num lar pobre, outro numa casa luxuosa, se um tem que trabalhar ainda criança para levar comida para casa, se outro pode cursar as melhores escolas, entrar numa faculdade federal e fazer pós graduação no exterior, se um terá como referência moral um pai violento e uma mãe irresponsável, se outro será criado com pais amorosos que o levará semanalmente a cultos cristãos, bem, isso tudo é por puro capricho divino. Ninguém nasce em berço de ouro por merecer, em berço de trapos por disciplina, ou em berço de madeira por escolha, o início de nossas vidas no mundo é por acaso, decidido em jogo de dados divino, assim diz o entendimento da doutrina protestante. 
      Acha que estou exagerando? Mas na prática é isso, e o argumento dado para isso por muitos cristãos é, “Deus sabe o que faz, quem somos nós para criticar o Senhor?”. De fato Deus sabe o que faz e não podemos criticá-lo, mas talvez não seja por fazer as coisas ao acaso, sem regra, sem que faça algum sentido, sem razoabilidade. Não é sábio duvidarmos de um ensino religioso porque as palavras e o raciocínio parecem rasos, as sabedorias mais profundas são expressas em frases curtas com termos simples que podem ser entendidos e praticados tanto pelo ignorante quanto pelo doutor. O que deve nos levar a reavaliar ensinos religiosos são os frutos que eles geram no tempo, se são frutos bons e duradouros ou não são.
      Prometi a mim que não faria mais longas reflexões aqui, só compartilharia pequenos textos de conforto evangélico, note que nos últimos tempos isso foi feito. Mas o mesmo Espírito Santo que me levou a buscar de Deus um entendimento melhor sobre espiritualidade e eternidade, novamente me leva a fazer esta reflexão, sobre temas sensíveis da existência humana. Não senti necessidade de reavaliar o cristianismo tradicional por mera curiosidade ou só para deslegitimar algo que não vivia por algum motivo egoísta, ocorre que a fonte secou e eu ainda estava com sede. O Senhor me disse então para cavar mais fundo, fiz isso em oração e comprovei as novidades em frutos em minha vida. Nas próximas cinco postagens segue o que tenho aprendido.

4. Vida é trabalho moral

      Nascemos com certos valores morais, são esses, não nossas capacidades intelectuais e características físicas, que definem nosso nível de espiritualidade. Nossa criação familiar, nossa formação educacional, nossas experiências em sociedade, não mudam esses valores, dão a eles forma, mas não mudam seu conteúdo na essência. Quando adquirimos maturidade física e emocional nos tornamos adultos capazes de exercer livre arbítrio e prontos para sermos responsabilizados, com recompensa ou punição, pelas consequências de nossas escolhas. Passamos a viver no mundo, e se tivermos o mínimo de autonomia, a buscar independência financeira e realização pessoal, através de atividades profissionais e afetivas. 
      Estudamos, trabalhamos e nos casamos, como nos reunimos em grupos para compartilharmos esporte, arte, religião, lazer, nisso tudo nossos valores morais iniciais são confrontados, no mínimo para serem mantidos, mas muito mais para serem abrangidos. Contudo, nunca mudamos de fato aquilo que somos desde o nascimento, adições positivas podemos pegar e segurar, mas com muito trabalho, como anexos externos, não como componentes integrados ao nosso interior. Toda novidade que assimilamos pode ser perdida de um instante para outro, anos de perseverante empenho para nos livrarmos de vícios, vaidades e egoísmos, podem ser jogados no lixo se não nos mantermos segurando os novos valores até o fim. 
      Não nascemos só com necessidades de novos aprendizados, nascemos também com valores instalados, esses são o auxílio que o universo nos dá para cumprirmos nossa missão neste mundo. Contudo, manter as qualidades não constitui trabalho digno da honra maior, isso é só uma obrigação, o esforço que será recompensado é superarmos defeitos e limites. Infelizmente muitos chegam no final de suas jornadas no mundo exaltando suas qualidades, trabalho que exigiu algum esforço, mas que não constitui sua missão. Isso não torna o ser humano mais santo, mais amoroso e mais humilde, ao contrário, torna-o mais orgulhoso e dependente de honra do mundo, dos outros seres humanos, da matéria, do próprio ego.
      Encarnados, pela fé, nossos sentidos físicos podem ser impressionados de alguma forma pelo plano espiritual, seja por espíritos malignos (demônios), por espíritos de luz (anjos), por Deus (o Espírito Santo). Mas a experiência espiritual no mundo material sempre é imperfeita, temos noção só de esboços, delimitados por nossas construções pessoais de religião e espiritualidade. Mas não confundamos ferramentas com o que elas podem acessar, as ferramentas variam, assim suas efetividades para executarem tarefas, alguns usam as mãos, outros pás e outros escavadoras para fazer buracos, mas todos vasculham a terra a procura de alguma pepita de ouro. No final cada um acha a quantia de ouro que pode administrar. 

5. Espiritualidade e santidade 

      A vida não é igual para todos, não se nasce, não se vive e não se morre igual, assim a missão de cada um, por causa de variáveis físicas, intelectuais, morais, sociais, culturais, é diferente. Com tantas diferenças, é razoável achar que uma mesma experiência de espiritualidade, de religiosidade, possa levar todos a cumprirem suas missões? Por outro lado, nem todos são desafiados a serem a mesma coisa, o nível de espiritualidade inicial diverge assim como o nível final que cada um deve atingir. Espiritualidade, pelo menos a alta, está diretamente ligada à moralidade. O mais espiritual não é o que tem mais conhecimento e experiência com espíritos, mas o que conquistou e segurou por mais tempo virtudes morais. 
      Não há espiritualidade sem santidade, nem santidade sem espiritualidade, ambas estão conectadas. Quem se diz limpo moralmente, mas não tem conexão espiritual com o Altíssimo, mente, quem se acha espiritual, mas não consegue praticar, na maior parte do tempo pelo menos, santidade, engana-se. O melhor e mais útil crescimento na vida, o cumprimento da missão principal que temos neste mundo, está relacionado com Deus, na origem, no processo e no destino. Tirar o Deus verdadeiro da equação invalida qualquer empreendimento espiritual, moral e mesmo cristão religioso, e muitos conhecem o evangelho e Bíblia intelectualmente, mas não são amigos de Deus, portando não interagem com seu Espírito.
      Espiritualidade e santidade nascem e têm motivo de existir pelo e para o amor, não se é espiritual e santo para receber glória, seja dos homens, dos demônios, dos anjos ou de Deus, mas para servir os outros em amor. O mais santo e espiritual amará mais, assim será mais servo e mais humilde. No serviço ao outro não se usa de qualquer espécie de prepotência, o mestre não tem direito de falar mais e de ser obedecido. O mestre dá a vida por seus discípulos, quem sabe, cala, não fala, mas pratica o amor em humildade. Nem todos estão prontos para isso, muitos ainda estão no mundo para se conhecerem e se servirem, os realmente espirituais terão paciência com esses e deixarão que o tempo faça seu trabalho, há tempo para tudo.
      Jesus, quando viveu com santidade e espiritualidade e serviu com amor e humildade, sofrendo a pior injustiça humana, aquela que vem de religiosos conservadores, e não de outras religiões, mas de sua própria, pagou com a própria vida o preço para cumprir uma missão singular. Houve vários seres humanos especiais no mundo, muitos são conhecidos como fundadores e codificadores de religiões, outros permanecem no anonimato, mas o Cristo foi único, assim depois que morreu, ainda apareceu neste mundo e depois foi colocar-se numa posição espiritual exclusiva. Nessa posição podemos focar nossa fé para termos acesso ao Deus altíssimo, termos paz no perdão de Deus e assim forças para trabalharmos moralmente. 

6. Morte e juízo 

      Morremos! A princípio somos exatamente quem éramos encarnados, a princípio não há mágica nem transformação, só ocorre que a identidade que aqui achávamos que era só nosso mundo mental, recebe liberdade para existir desprendida de espaço, tempo e matéria. Não há aperfeiçoamento extremo e imediato para os que tiveram uma religiosidade baseada no Cristo, usando sua vida no mundo como exemplo moral a ser seguido e sua posição espiritual como ponto elevado para se conectar a Deus pelo seu Espírito. Também não há condenação extrema e imediata para os que não tiveram a tal religiosidade baseada no Cristo, ainda que em Jesus haja espiritualidade, santidade, amor e humildade mais diretamente acessíveis. 
      Após nos acostumarmos com nossa nova condição, somos expostos ao juízo, que nada mais é que um confronto com a luz de Deus. Sim, anjos e outros seres espirituais de luz assistem junto a Deus, mas esse é momento pessoal, individual, onde somos protegidos, não envergonhados ou envaidecidos. Deus é sempre amoroso, portanto, elegante e discreto. Essa luz é reveladora, nada escapa dela, nada se esconde dela, nada resiste a ela. Encarnados no mundo temos alguma experiência espiritual, mas somos protegidos dessa luz, seríamos fulminados se ela nos tocasse diretamente. Na eternidade também há certa proteção, mas não de nós mesmos, serão avaliado aqueles novos valores morais que por mais tempo conseguimos reter. 
      A conta divina é simples: o que seguramos mais perseverantemente nas mãos será anexado ao nosso corpo espiritual e nunca mais perderemos, são valores que a partir daí definem nossa identidade eterna, nossos homens interiores, e consequentemente nossa qualidade de céu. Só Deus sabe quem de fato segurou virtudes morais por tempo suficiente para ter direito a uma passagem de nível espiritual na eternidade. Mas esse conhecimento não é tão misterioso, quem construiu o céu persistiu até o fim em santidade, humildade e amor, assim o final importa mais que o início. O que Deus faz após permitir que conheçamos o que ele queria para nós, qual foi a missão que nos deu, sendo expostos à sua luz? Nada, somos nós que fazemos.  
      Quem sabe que fez certo, que tem créditos, já o sabia em vida, por isso era santo, amoroso e humilde, por isso calava-se e não fazia exigências, e não fazia porque já estava satisfeito só por ser mais que filho, mas amigo de Deus. Animais e seres humanos são criaturas de Deus, seres humanos, todos eles, indiferente de suas escolhas morais e religiosas, são filhos de Deus, mas aqueles que amam a Deus e querem obedecê-lo em verdade são seus amigos. Céu é lugar para amigos de Deus! Os amigos após o juízo querem estar mais perto de Deus, assim elevam-se para ele, esse movimento também é trabalho, mas mais fácil que o trabalho moral que temos no mundo. Viver eternamente, conquistar novos céus, é subir à luz de Deus! 

7. Inferno e céu 

      Vivemos, morremos e somos expostos à luz de Deus, essa exposição mostra o que somos de verdade e de um jeito que não podemos negar. No mundo tentamos nos enganar e aos outros, e muitos conseguem, ou acham que conseguem, por muito tempo. Mesmo enganando podemos seguir vivendo e mesmo conquistando coisas, bens, honras, posições sociais, mas no plano espiritual, após o juízo, nossos destinos são definidos. Se na maior parte do tempo no plano material não conseguimos vencer nossos defeitos, se só exaltamos nossas qualidade, se em nosso último momento negamos valores que um dia até conseguimos conquistar e segurar, o resultado do balanço não será positivo, de crédito, mas negativo, de débito. 
      O que Deus faz quando entendemos que não conseguimos cumprir a missão que ele nos deu no mundo? Nada, ele não precisa fazer coisa alguma. Vergonha e uma enorme tristeza tomam conta daqueles que de alguma forma tentaram se enganar e enganar os outros no mundo. Muitos procurarão lugares, pessoas e disposições que os ajudavam a manter a mentira no mundo e não acharão, não para lhes oferecer algum prazer ou fuga, ainda que ilusória. Eternidade é momento de verdade, a verdade mais pura e alta de Deus, não as verdades subjetivas do mundo físico. Ainda assim, muitos, que frequentaram igrejas, que conheceram a Bíblia, se arrependerão, e ainda que envergonhados terão purgatórios menores…
      Outros, contudo, se revoltarão, e ao negarem a verdade de Deus, cairão, para as regiões espirituais de trevas, reservadas aos seres que não querem subir para a luz. Esses acharão nos demônios os pares, e muitos estarão nessa posição, gerada de dentro para fora dos seres, munidos de argumentos religiosos, tentando achar na eternidade o que religiões lhes ensinaram no mundo sobre ela. Infernos são posições espirituais de tormento, de quem não aceita a verdade, como quartos fechados em que se põem lunáticos ensandecidos, possuídos de ódio, tentando achar nos prazeres da carne algum consolo. Mas na eternidade não há corpos físicos, sem noites de sono para descanso e refeições para satisfação do estômago com comida e bebida. 
      Nesta reflexão extrapolei ensinos do cristianismo, você não precisa concordar com tudo, mas ainda fiquei limitado à teologia tradicional. Não vou além para não escandalizar ninguém, a ideia não foi refletir sobre infinitude ou não de penas e recompensas da existência além. O objetivo foi explicar que céu se constrói com trabalho moral, a fé por Jesus nos permite ter acesso ao perdão de Deus e consequentemente recebermos paz, e paz é tudo que precisamos para seguirmos trabalhando. O que nos dá direito ao céu são as obras, a fé abre a porta, mas entrar e permanecer por mais tempo possível dentro da missão de Deus, adquirindo virtudes morais, é através de perseverante trabalho individual.

8. Conclusão (?)

      Depois de compartilhar aquilo que tenho aprendido pelo Espírito Santo sobre vida, morte e juízo, segue a conclusão desta reflexão. Se a doutrina do cristianismo protestante não contempla a existência do ser humano antes que ele, corpo e espírito, nasça neste mundo, desprezando tantas diferenças, mas impondo a seres humanos tão distintos, não só física, intelectual e emocionalmente, como também com origens geográficas tão variadas e espalhadas por todo o globo terrestre, a mesma salvação, fé num Cristo judeu nascido no primeiro século, essa doutrina também vê o fim de todos como o mesmo. Todos passarão por um juízo que avalia por valores morais de um cânone sagrado construído por uma tradição judaico-cristã. 
      Vendo o mundo espiritual como lugar de anjos (arcanjos, serafins, querubins e outros seres de luz), do diabo, de demônios, sendo que só temos legalidade para nos comunicar com Deus pai, Deus filho (Jesus) e Deus Espírito, ainda que os mortos possam estar lá, mas num estado de sono, aguardando o juízo, estando esses seres, e excetuando seres humanos mortos, em posições espirituais imutáveis, o mau será sempre mau e o bom sempre será bom, qualquer contato fora do protocolo bíblico é visto como diabólico. Assim são demonizadas muitas religiões, principalmente espíritas e afro-espíritas, e consequentemente levando quem usa de certas práticas a uma condenação eterna no inferno, após a morte do corpo neste mundo. 
      Se o que pode nos levar a duvidar de certos dogmas cristãos é verificar os frutos ruins que geraram na história, podemos dar crédito a doutrinas que parecem destoar das cristãs vendo seus bons frutos. Contudo, devemos fazer isso com experiência de primeira mão, não levando em conta palavras de outros baseadas em preconceitos. O lugar que este raciocínio nos leva pode ser até que ponto queremos vencer medos, principalmente do diabo e do inferno, quando essa linha é ultrapassada Deus pode nos revelar mistérios. Mas para isso ocorrer temos que querer e Deus tem que permitir, muitos querem mas não estão preparados, outros estão preparados, Deus quer mostrar-lhes mais, mas eles não saem da zona de conforto da religião. 
      Longe de mim escandalizar um crédulo, mas digo a evangélicos e católicos o que digo a adeptos de todas as religiões, sejam lúcidos e sensatos. Avaliemos até que ponto nossas crenças e nossas religiosidades estão fazendo de nós de fato seres humanos melhores, dignos de um céu e não de um inferno. Não usemos religião como fuga da realidade ou para saciar carência de aprovação ou vaidades, também tenhamos cuidado com líderes mal intencionados ou materialistas. Enfim, aprendamos com religiões, principalmente com as cristãs, mas busquemos uma experiência direta e reta com Deus, sempre checando os bons e duradouros frutos principalmente de virtudes morais que nossa conexão com Deus deve nos entregar.

9. Mas e se o além for outra coisa?

      “O escarnecedor busca sabedoria e não acha nenhuma, para o prudente, porém, o conhecimento é fácil. Desvia-te do homem insensato, porque nele não acharás lábios de conhecimento. A sabedoria do prudente é entender o seu caminho, mas a estultícia dos insensatos é engano. Os insensatos zombam do pecado, mas entre os retos há benevolência.”
      “A casa dos ímpios se desfará, mas a tenda dos retos florescerá. Há um caminho que ao homem parece direito, mas o fim dele são os caminhos da morte.” “O que no seu coração comete deslize, se enfada dos seus caminhos, mas o homem bom fica satisfeito com o seu proceder.” 
Provérbios 14.6-9, 11-12, 14 

      Vamos supor que morram um crente e um ateu, no primeiro caso o crente descobre que suas crenças não refletiam a verdade. Nesse suposição, não era qualquer religioso, mas alguém que de fato procurou viver segundo o exemplo de Jesus, em amor, santidade, humildade, que ao morrer descobre que não há céu, inferno, diabo ou Deus, não da forma que a teologia protestante tradicional lhe ensinou. O que esse perdeu e perderá? Bem, em vida conseguiu perdoar quem foi injusto com ele, melhorou sua qualidade moral, obteve cura emocional de culpas e traumas, e seguiu em paz, sem medo do futuro, crendo que o que anda certo recebe recompensa. Todavia não achou juízo após a morte, viu-se liberto de matéria, espaço e tempo, ciente que fez o possível para ser bom.
      Numa segunda suposição, morre o ateu. Não era qualquer materialista, foi profissional esforçado e estudado, administrou família de acordo com as verdades da ciência, explicou qualquer crença em Deus e no mundo espiritual como transtornos psiquiátricos. Na prática foi um ser do bem e em paz? Foi alguém sozinho, já que negou uma parte que não pôde explicar, que lhe dizia coisas que não queria ouvir, seu espírito. Andou por fé, como não se pode provar que Deus existe, também não se pode provar que ele não existe, assim é preciso fé nos dois jeitos, ainda que o ateu precise achar mais explicações para coisas que não há explicações. Então morre e descobre que há Deus e juízo, crentes entendem a surpresa que haverá. 
      Mas de verdade, quem será mais surpreendido? Será o crente que descobre que as coisas não são como disse sua religião, ou o ateu, que descobre que há verdades naquilo que os que ele considerava ignorantes e malucos diziam? Penso que surpreendido será o hipócrita e o arrogante, no que houver boa sinceridade e humildade, a surpresa será menor, menor a vergonha e mesmo qualquer espécie de tormento infernal. O crente humilde aceitará em paz as diferenças, mas o ateu humilde também se adequará às surpresas com o mesmo critério empírico que o guiou no mundo. Como cristãos, nos enganamos muito no julgamento das pessoas, arrogantemente nos pomos como donos da verdade e não vemos as coisas como Deus enxerga. 
      Religioso hipócrita pode ser mais difícil de verificar, mas há mais ateus sinceros que achamos que há. Religiosos dizem, pessoas precisam se converter, mas a coisa não é simples assim. Passa a ser crente quem sempre teve tendência a isso, segue como ateu quem teve uma criação nessa agenda e que acha coerência em ver as coisas assim. Por isso há bons e maus nos dois lados, assim como hipócritas e arrogantes, quem sabe como cada ser humano reagirá à eternidade quando for exposto a ela, se com escândalo ou com escárnio, se com tristeza ou com alegria, se com rebeldia ou com pragmatismo, é Deus. Mantenha a mente aberta, cobre de si bons frutos, não invente desculpas para seguir com algo que não está funcionando. 
      Uma palavra aos ateus. Tenho aprendido muita coisa boa com vocês, em especial com os livros do historiador judeu Yuval Noah Harari. Suas abordagens em história, antropologia, filosofia, tecnologia, têm aberto minha mente, aperfeiçoado meu entendimento de Deus, me libertado de tradições religiosas, feito-me crescer na fé. Mas permitam-me, ateus, o presunçoso conselho, estudem Deus, nem precisa ser no cristianismo, há muitas outras religiosidades e crenças. Usem critério científico para separar Deus do homem, construção humana do divino real, depois, dialoguem com Deus, com a fé que puderem ter, ainda que pequena, com insistência e respeito, não tenho dúvida que mudarão de ponto de vista e serão melhores que são. 
      Não abro mão de minha fé, e já tive muitos motivos para desistir. Me decepcionei na fé em que me converti inicialmente, pessoas me decepcionaram no evangelho que diziam compartilhar comigo, minha cabeça mudou, vivi, aprendi, mas mais que isso, um Deus amigo nunca deixou de me atrair em amor e de me mostrar referências de santidade e bem, assim não fui enganado por um falso evangelho que usa amor como álibi para libertinagem. O principal é que não desisti de buscar a Deus, nisso provei a palavra viva do Espírito Santo que me revelou mistérios. Isso só me deixou melhor e me trouxe até aqui em vitória em muitas áreas. Se minha fé é ilusão, só me fez bem e pronto para enfrentar o além, seja ele o que for. 

E se o além for outra coisa?

      “O escarnecedor busca sabedoria e não acha nenhuma, para o prudente, porém, o conhecimento é fácil. Desvia-te do homem insensato, porque nele não acharás lábios de conhecimento. A sabedoria do prudente é entender o seu caminho, mas a estultícia dos insensatos é engano. Os insensatos zombam do pecado, mas entre os retos há benevolência.”
      “A casa dos ímpios se desfará, mas a tenda dos retos florescerá. Há um caminho que ao homem parece direito, mas o fim dele são os caminhos da morte.” “O que no seu coração comete deslize, se enfada dos seus caminhos, mas o homem bom fica satisfeito com o seu proceder.” 
Provérbios 14.6-9, 11-12, 14 

      Vamos supor que morram um crente e um ateu, no primeiro caso o crente descobre que suas crenças não refletiam a verdade. Nesse suposição, não era qualquer religioso, mas alguém que de fato procurou viver segundo o exemplo de Jesus, em amor, santidade, humildade, que ao morrer descobre que não há céu, inferno, diabo ou Deus, não da forma que a teologia protestante tradicional lhe ensinou. O que esse perdeu e perderá? Bem, em vida conseguiu perdoar quem foi injusto com ele, melhorou sua qualidade moral, obteve cura emocional de culpas e traumas, e seguiu em paz, sem medo do futuro, crendo que o que anda certo recebe recompensa. Todavia não achou juízo após a morte, viu-se liberto de matéria, espaço e tempo, ciente que fez o possível para ser bom.
      Numa segunda suposição, morre o ateu. Não era qualquer materialista, foi profissional esforçado e estudado, administrou família de acordo com as verdades da ciência, explicou qualquer crença em Deus e no mundo espiritual como transtornos psiquiátricos. Na prática foi um ser do bem e em paz? Foi alguém sozinho, já que negou uma parte que não pôde explicar, que lhe dizia coisas que não queria ouvir, seu espírito. Andou por fé, como não se pode provar que Deus existe, também não se pode provar que ele não existe, assim é preciso fé nos dois jeitos, ainda que o ateu precise achar mais explicações para coisas que não há explicações. Então morre e descobre que há Deus e juízo, crentes entendem a surpresa que haverá. 
      Mas de verdade, quem será mais surpreendido? Será o crente que descobre que as coisas não são como disse sua religião, ou o ateu, que descobre que há verdades naquilo que os que ele considerava ignorantes e malucos diziam? Penso que surpreendido será o hipócrita e o arrogante, no que houver boa sinceridade e humildade, a surpresa será menor, menor a vergonha e mesmo qualquer espécie de tormento infernal. O crente humilde aceitará em paz as diferenças, mas o ateu humilde também se adequará às surpresas com o mesmo critério empírico que o guiou no mundo. Como cristãos, nos enganamos muito no julgamento das pessoas, arrogantemente nos pomos como donos da verdade e não vemos as coisas como Deus enxerga. 
      Religioso hipócrita pode ser mais difícil de verificar, mas há mais ateus sinceros que achamos que há. Religiosos dizem, pessoas precisam se converter, mas a coisa não é simples assim. Passa a ser crente quem sempre teve tendência a isso, segue como ateu quem teve uma criação nessa agenda e que acha coerência em ver as coisas assim. Por isso há bons e maus nos dois lados, assim como hipócritas e arrogantes, quem sabe como cada ser humano reagirá à eternidade quando for exposto a ela, se com escândalo ou com escárnio, se com tristeza ou com alegria, se com rebeldia ou com pragmatismo, é Deus. Mantenha a mente aberta, cobre de si bons frutos, não invente desculpas para seguir com algo que não está funcionando. 
      Uma palavra aos ateus. Tenho aprendido muita coisa boa com vocês, em especial com os livros do historiador judeu Yuval Noah Harari. Suas abordagens em história, antropologia, filosofia, tecnologia, têm aberto minha mente, aperfeiçoado meu entendimento de Deus, me libertado de tradições religiosas, feito-me crescer na fé. Mas permitam-me, ateus, o presunçoso conselho, estudem Deus, nem precisa ser no cristianismo, há muitas outras religiosidades e crenças. Usem critério científico para separar Deus do homem, construção humana do divino real, depois, dialoguem com Deus, com a fé que puderem ter, ainda que pequena, com insistência e respeito, não tenho dúvida que mudarão de ponto de vista e serão melhores que são. 
      Não abro mão de minha fé, e já tive muitos motivos para desistir. Me decepcionei na fé em que me converti inicialmente, pessoas me decepcionaram no evangelho que diziam compartilhar comigo, minha cabeça mudou, vivi, aprendi, mas mais que isso, um Deus amigo nunca deixou de me atrair em amor e de me mostrar referências de santidade e bem, assim não fui enganado por um falso evangelho que usa amor como álibi para libertinagem. O principal é que não desisti de buscar a Deus, nisso provei a palavra viva do Espírito Santo que me revelou mistérios. Isso só me deixou melhor e me trouxe até aqui em vitória em muitas áreas. Se minha fé é ilusão, só me fez bem e pronto para enfrentar o além, seja ele o que for. 

06/03/26

Identidade das sombras

      “Meus irmãos, tomai por exemplo de aflição e paciência os profetas que falaram em nome do Senhor. Eis que temos por bem-aventurados os que sofreram. Ouvistes qual foi a paciência de Jó, e vistes o fim que o Senhor lhe deu; porque o Senhor é muito misericordioso e piedoso.Tiago 5.10-11

      O filme “Taxi Driver” (com Robert De Niro, direção de Martin Scorsese, 1976) mostra um solitário motorista de táxi na cidade de Nova Iorque com problemas psiquiátricos. Sentindo-se numa vida sem sentido, acaba achando razão de existir no assassinato de um senador, candidato à presidência dos E.U.A.. Sem sucesso, vai à zona de meretrício e mata cafetão e outros marginais, que controlavam uma prostituta menor de idade por quem se apaixonou (interpretada por Jodie Foster). No final ele é festejado como herói, tendo o respeito da mulher por quem se apaixonou, ainda que seguindo como solitário. Qual o tamanho de nossa carência de honra de homens, que pode ter sido provocada por criação ruim, mas que pode achar satisfação em posicionamento equivocado ou violento? 
      Equivocado apoia equivocado, mal resolvidos afetivamente, transtornados psicologicamente, buscam semelhantes para que sejam seus líderes. Mas pior que isso, quando se sente numa existência extremamente medíocre, a agressão a alguém que se considera relevante na sociedade pode oferecer compensação doentia. Quem não acha que é acomoda-se na sombra de alguém que é, e se adorar alguém que se quer parecer não for possível, se odeia, amar e odiar obsessivamente são a mesma energia reagindo de formas opostas. Como cristãos no Brasil têm buscado identidade na sombra de líderes extremistas, gente que sempre teve questões mal resolvidas, e que agora só achou um jeito de manifestar isso sem escrúpulos. 
      Quem não se resolve na luz mais alta do verdadeiro Deus, no exemplo de Jesus homem, por meio do Santo Espírito, estará fadado a buscar solução, em algum momento, em coisas e em seres das trevas. Em se tratando de cristãos, esses procuram ídolos, que se parecem Deus, que são simulam valores cristãos, que defendem Bíblia, religiões, moralidade da família e de sexualidade da tradição judaico-cristã, mas que não são Deus. O grande teste do final dos tempos não será obedecer a Deus ou ao mundo, mas a Deus ou a falsos deuses. Esses falsos deuses não são os santos do catolicismo, entidades do afro-espiritismo ou outro ícone de religião não cristã, mas valores de um cristianismo protestante desviado. 

05/03/26

Prontidão urgente

      “Mas daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos do céu, mas unicamente meu Pai. E, como foi nos dias de Noé, assim será também a vinda do Filho do homem. Porquanto, assim como, nos dias anteriores ao dilúvio, comiam, bebiam, casavam e davam-se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca, e não o perceberam, até que veio o dilúvio, e os levou a todos, assim será também a vinda do Filho do homem.Mateus 24.36-39

      Não vou refletir sobre possíveis tecnicidades escatológicas da passagem acima, se a vinda do Filho do homem será física e no mundo, ou espiritual e no outro plano, penso que é mais proveitoso termos a certeza que haverá avaliação divina para todos e ninguém sabe quando será. Creia você como quiser, pessoalmente tenho crenças diferentes da teologia tradicional protestante, mas algo sei, preciso estar pronto para a avaliação sempre. Me chama a atenção os termos comiam, bebiam, casavam, como temos a tendência de nos acomodarmos a rotinas físicas e nos esquecermos de metas morais, ainda que a vida esteja sempre nos lembrando que muitas coisas são passageiras. Quanto temos nos ocupado com prioridades de fato espirituais? E aqui não me refiro a deveres religiosos. 

04/03/26

Quem é maior dentro de nós?

      “Que diremos, pois, a estas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós? Aquele que nem mesmo a seu próprio Filho poupou, antes o entregou por todos nós, como nos não dará também com ele todas as coisas? Quem intentará acusação contra os escolhidos de Deus? É Deus quem os justifica.Romanos 8.31-33

      O que é maior dentro de nós: nosso pecado, o homem ou Deus? Se é nosso pecado, nos sentiremos culpados sempre, perdoados ou não, a vontade de Deus será desprezada e seres humanos acusadores se tornarão nossos senhores. Se é o homem, ainda que andemos certo com Deus, seremos desestabilizados sob crítica alheia, pela maldade do outro, tendo ou não tendo essa maldade legalidade pelo nosso erro, estando esse erro resolvido ou não. Mas se for Deus, nosso pecado nunca será tão grande, condenação alheia nunca terá tanto valor, mas o que Deus faz por nós e pensa de nós será maior e suficiente para que tenhamos paz e sigamos com fé e esperança. Glorifique Deus dentro de você e o resto não terá assim tanta importância, seja o que for. Deus é mais! Preciso acrescentar duas reflexões a este texto. 
      A primeira é sobre emocional e racional. Podemos resolver certas coisas racionalmente, e em se tratando de cristianismo dizermos a nós mesmos que cremos em Deus, recebemos o seu perdão e temos direito às dádivas, principalmente materiais, de Deus. Todavia, ainda assim, emocionalmente não experimentarmos paz nem proteção contra acusações, sejam internas ou externas. Pensar e sentir o que se pensa, com coerência, principalmente quando se trata de paz, amor e bem, é algo que se conquista com fé e trabalho moral, trabalho esse que toma posse e segue praticando o que é certo. Fé protege, mas bom e insistente trabalho protege mais e por mais tempo. Mas tenhamos cuidado para não nos desviarmos do bem de tal maneira, que nos sintamos em paz com o erro, criando estratégias racionais que nos fazem funcionar ainda que tudo o mais nos acuse. 
      A segunda reflexão é sobre interior e exterior. Penso que Deus queira nos conduzir a equilíbrio sempre, assim termos uma existência interior coerente tanto quanto possível com a exterior. Isso significa termos paz com Deus e com os homens, repetindo, com os homens tanto quanto possível e quando isso não afetar nossa paz com Deus. Contudo, sermos por fora o que somos por dentro, nos pensamentos e nos sentimos, mesmo que não seja no ideal de Deus, demonstra verdade e boa sinceridade. Isso pode ser mais útil a Deus e ao universo, para nos conduzir ao ideal, que incoerência, hipocrisia e falso moralismo, enfim, mentira. Verdade é luz e Deus só trabalha para construir na luz.