“Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus.” Mateus 5.3
O versículo inicial parece simples, mas há certa complexidade nele. Uma das ênfases do evangelho é ensinar que o reino de Deus é dos pobres, e nesse aspecto, pobre materialmente, assim os excessos do mundo, da matéria, afastam o homem de Deus. Isso foi usado por séculos pelo catolicismo para manipular a humanidade, resignada à sua condição de plebéia, a maioria das pessoas não questionava reis e liderança religiosa. Eis uma das características do conservadorismo, manter pobres como pobres, e usando para isso justificativa religiosa, e ricos e poderosos como tais, como se fossem escolhidos de Deus para serem algo para sempre.
Jesus nunca foi conservador, ainda que não desse aos valores materiais importância exagerada, só exortava que riquezas do mundo podem ser mais impedimentos que dádivas. É mais difícil para um rico exercer fé, buscar melhoramento moral, se preparar para a eternidade, ele já tem tudo e mais neste mundo, por que se preocuparia com o outro mundo? Seitas protestantes atuais quebraram essa ótica católica milenar, ainda que sigam sendo conservadoras na moralidade, no casamento, na sexualidade, não o são na posição financeira, pregam prosperidade material em alto e bom som. Mas o que de fato Jesus quis dizer com pobres de espírito?
O entendimento está na palavra espírito, assim a virtude que devemos ter deve estar em nosso interior, não no exterior. Isso independe se exteriormente se é pobre ou rico. Ricos podem ser humildes de espírito, assim como há pobres que têm corações gananciosos. O sentido do versículo não é riqueza espiritual significando abundância de virtudes, então pobreza seria a falta, é o contrário, rico no espírito é quem dá valor às riquezas materiais, aos prazeres físicos dentro de si, pobre seria o que não dá. Felizes e satisfeitos são os que dentro de si são simples, humildes, não são vaidosos, assim por fora não querem ostentar e dominar os outros.
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