“E, quando chegou à casa, os cegos se aproximaram dele; e Jesus disse-lhes: Credes vós que eu possa fazer isto? Disseram-lhe eles: Sim, Senhor. Tocou então os olhos deles, dizendo: Seja-vos feito segundo a vossa fé. E os olhos se lhes abriram.” Mateus 9.38-30a
Sobre a lei de causa e efeito, duas coisas são importantes, a primeira é a misericórdia, manifestação do dinâmico amor de Deus. O universo, debaixo da causa e efeito, pode ser friamente justo, mas se o ser humano se humilha, se arrepende, toma posse de perdão e segue não errando, efeitos ruins podem ser anulados, pelo menos naquilo que não prejudica outras pessoas. Precisamos entender, e eis aí parte da complexidade do universo, que não estamos sozinhos no mundo, existe o que muitos chamam de efeito borboleta. Deus não pode anular um erro nosso e com isso prejudicar um inocente que nada tem a ver com nosso erro. Assim, ainda que espiritualmente em paz, podemos ter que suportar consequências materiais.
A segunda coisa sobre a lei de causa e efeito é que Deus não precisa usar eventos extraordinários para cumpri-la, a mecânica do universo se auto-mantém. Se entendermos isso veremos como Deus é maravilhoso, infelizmente isso é algo que ateus e materialistas entendem melhor que religiosos e cristãos, só falta aos céticos adicionar Deus à equação. Enquanto os crentes acreditam, mas de forma infantil, superficial, supersticiosa, céticos retiram todos esses equívocos da equação, mas não veem que foi uma mão invisível que administrou tudo, assim desprezam outra lei divina, a fé. Ateus, fé não é crer em Deus e desprezar ciência, é maravilhar-se com tudo que e ciência explica na área material, e ainda assim crer no criador invisível.
Crentes acham que Moisés pela fé abriu o mar, céticos vão dizer que um fenômeno climático de diminuição do nível das águas ocorreria no mar de um jeito ou de outro, não dependeu da fé de Moisés. Mas o “milagre” não foi o ocorrido, mas quando ocorreu, exatamente no momento que Israel precisava passar para fugir do faraó e de Moisés crer. Milagre tem a ver com sincronicidade. Moisés não conhecia a ciência para dizer a ele que o mar se abriria naquele momento, mas conhecia o Senhor, e esse lhe disse, atravessa pois o mar se abrirá. Hoje graças a Deus temos a ciência, e isso é bênção, não é maldição que afasta o crente de Deus ou que aproxima o descrente da incredulidade. Feliz o que crê, mais feliz ainda o que conhece a ciência e crê.
Conhecimento traz responsabilidades e pode ”complicar” religiosidades, mas passamos do ponto, como humanidade, de conhecimento ser escolha, agora é necessidade, obrigação, capacitação, na palma da mão no toque de uma tela de celular. Fé se torna ainda mais relevante num mundo onde conhecimento é completo, disponível e rápido. Por que acreditar se posso saber e fazer acontecer? Mas fé nunca será só opção, ainda que também possamos escolher crer ou não, ela é o único meio, como encarnados neste mundo, de conhecermos o plano espiritual e Deus. Toda evolução científica que a humanidade ainda terá, não dispensará a necessidade de fé para vivência de espiritualidade. Fé é viver em espírito ainda na matéria.
José Osório de Souza, 7/05/2023
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