“Quem é injusto, faça injustiça ainda; e quem está sujo, suje-se ainda; e quem é justo, faça justiça ainda; e quem é santo, seja santificado ainda. E, eis que cedo venho, e o meu galardão está comigo, para dar a cada um segundo a sua obra.” Apocalipse 22.11-12
Ninguém é só, eis um mistério. No mundo material cada um de nós sabe o preço pago por companhia, que nem precisa ser duradoura ou sincera, basta que nos dê momentos para nos compartilharmos. Pessoas buscam só satisfação sexual nas relações? Algumas até buscam, e essas são as mais egoístas e doentes, mas a maioria só quer alguém que a ouça e aprove-a, indiferente se o orgasmo sexual levou-a ou não às nuvens. Não nos iludamos, toda relação nasce por carência que quer ser resolvida de qualquer jeito e às pressas, quem pensa demais fica só. Talvez a maturidade não seja achar o amor verdadeiro e puro, mas transformar paixão sexual instintiva em amor, e aí entra em cena uma relevante característica humana, a adaptabilidade.
Não temos o que gostamos, aprendemos a gostar do que temos e seguimos para não sermos sós. Espiritualmente, se não somos atraídos por Deus, somos por quem faz escolhas ruins semelhantes, assim se apresenta a lei da reunião por simpatia, que existe mesmo de forma inconsciente. O ser que entra em tristeza, pensando em morte, achando-se o mais solitário dos seres, dá ouvidos a espíritos maus, que ficam ao seu redor alimentando sua tristeza e alimentando-se dela. Tristeza ama companhia. As reuniões de semelhantes com escolhas parecidas, vibrando na mesma frequência moral, chama-se infernos e céus. Muitos se reúnem em bares, outros em templos, mas não é o lugar externo que os define, é qualidade moral dentro deles.
O mistério em não sermos nunca sós, é que nós, como seres individuais e sencientes, assim como a criação, as forças da natureza, planetas, satélites, estrelas etc, somos mais influenciados e dirigidos por potências espirituais que achamos. Deus administra o universo com incontáveis seres espirituais, de luz e de trevas, todos harmonizados com seu propósito, atrair tudo e todos à sua luz mais alta de virtudes morais. O livre arbítrio, contudo, é prioritário, prova do amor de Deus, que dá liberdade de escolha mesmo de algo que Deus sabe que não é o melhor para o ser, estar em trevas, não na luz. Cristãos, não vou além para não escandalizá-los, mas há muitas verdades em religiosidades não cristãs, ainda que Cristo seja único e alto.
Ateus podem argumentar: “aliar deuses a tudo é retroceder ao tempo em que não havia ciência e que seres humanos ignorantes e medrosos ofereciam sacrifícios para serem abençoados”. Deus sempre existiu, sempre amou o ser humano e sempre revelou ao ser humano muitas verdades eternas, espirituais e materiais, pela forma que o ser humano podia entender e ser beneficiado por esse entendimento. Não estou dizendo para desprezarmos ciência, ao contrário, nos aprofundemos mais e mais nela, mas tenhamos a mente aberta. Metáforas são eternas, interpretações ao pé da letra são temporais, quem pode dizer que muitos conhecimentos dos antigos, não são verdades até mais profundas que conhecimentos científicos atuais?
José Osório de Souza, 7/05/2023
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