05/04/24

A verdade é uma cebola (5/7)

      “Senhor, quem habitará no teu tabernáculo? Quem morará no teu santo monte? Aquele que anda sinceramente, e pratica a justiça, e fala a verdade no seu coração.” Salmos 15.1-2

      O que é a verdade? A verdade é uma cebola, camada por camada vai sendo retirada, a cada camada, lágrimas. Os judeus construíram sua mitologia, Moisés registrou muito dela, e é importante entendermos que Moisés foi criado debaixo de cultura e espiritualidade egípcias. O catolicismo também gerou uma mitologia cristã, selecionando textos para o cânone bíblico, discutindo teologia, dogmatizando doutrinas, legalizando o que era oficial sobre vida e ensinos do Cristo. Quando dizemos mitologia dizemos que nem tudo que veio até nós é fato histórico, portanto verdade, mas informações originais as quais foram sendo adicionadas novas informações assim como subtraídas outras, até chegarmos ao entendimento atual. 
      Quem não quiser envolver-se emocional, moral e espiritualmente com a jornada em busca da verdade, que fique com a fria ciência, essa é conveniente para os que não querem assumir-se como eternos espíritos feridos necessitando de cura, mas só como intelectos auto-suficientes. Verdade se acha primeiramente dentro de si, e por ser verdade nem sempre é boa ou agradável, então constata-se a necessidade de melhoria e acha-se a verdade de Deus para tal. Só depois de muitas lágrimas, da verdade pessoal ser assumida e aperfeiçoada, é que Deus nos mostra outras verdades espirituais, e isso nada tem a ver com verdades científicas. Já descascou tua cebola, ou parou nas primeiras lágrimas da primeira camada da religião? 

“Bíblia, mitologia e verdade”,
reflexão em sete partes
José Osório de Souza, 20/06/2022

04/04/24

Preparado para a verdade? (4/7)

      “Meus filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas por obra e em verdade. E nisto conhecemos que somos da verdade, e diante dele asseguraremos nossos corações; sabendo que, se o nosso coração nos condena, maior é Deus do que o nosso coração, e conhece todas as coisas.”  I João 3.18-20

      Se está preparado para a verdade busque-a e a achará, se não está, não tem problema, Deus te ama do mesmo jeito, só assuma que você se liga ao Senhor por uma ferramenta limitada. Falta humildade, não para ser fiel a uma religião e ser cuidado por Deus através dela, mas para assumir que religiões são construções humanas, que textos sagrados não são verdades históricas, e que a ciência, ainda que ateia e muitas vezes rancorosa com a fé, diz verdades sobre religião e textos sagrados que muitos crentes e religiosos não querem aceitar por orgulho. Caminhos limitados têm fim, e quando esse chega não se encontra mais respostas, contudo, muitos cristãos ao invés de assumirem isso começam a inventar respostas.
      Só aprende mais quem não sabe tudo, mas como muitos aprenderão se acham que já sabem tudo? Sabem porque suas religiosidades ensinam tudo? Não. Religiões deveriam ser os primeiros passos, que o próprio Deus usa para iniciar seres humanos na fé, no mundo espiritual e na aquisição de virtudes morais. Muitos, contudo, por comodismo e medo, estacionam nelas, ainda que saibam que a fé e o conhecimento do mundo espiritual que adquiriram por elas, não lhes permitem praticar mais virtudes morais. O objetivo principal da religião e de seus textos não é saciar curiosidade espiritual, mas fazer as pessoas moralmente melhores, santas e amorosas, esse é o fruto a ser verificado para saber se estamos na verdade. 

“Bíblia, mitologia e verdade”,
reflexão em sete partes
José Osório de Souza, 20/06/2022

03/04/24

Mitologia israelita (3/7)

      “Porque, em parte, conhecemos, e em parte profetizamos; mas, quando vier o que é perfeito, então o que o é em parte será aniquilado.” I Coríntios 13.9-10 

      Evangélicos, quando ouvem o termo “mitologia grega”, ligam-no à mentira e maldade. Mentira porque muitos desses acham que mitologia é uma invenção, um exagero, que depois é idolatrado. Maldade porque se é idolatrado é colocado no lugar do verdadeiro Deus, assim mitos são falsos deuses e falsos deuses estão ligados com o diabo, pensam muitos evangélicos. Contudo, não entendem assim muitos registros do antigo testamento, mas também muitos eventos relatados no novo testamento sobre a vida de Jesus homem e mesmo dos ministérios dos apóstolos. Muitos cristãos não aceitam, mas muito que há na Bíblia também é mitologia, mitologia judaica e católica, ainda que não seja por isso que Deus não use a Bíblia. 
      Mito é uma representação de fatos e/ou personagens históricos, amplificados através do imaginário coletivo e de longas tradições literárias orais ou escritas. Pode ter sido iniciado com um fato real, mas com o tempo foi ganhando ou perdendo informações até se tornar um mito. Assim devemos ver os primeiros capítulos de Gênesis, a saída de Israel do Egito, a “história” de Jó, bem como muitos feitos extraordinários do Cristo, negar isso é negar a verdade. Mas entenda, evangélico que acha que isso nega de alguma forma tua fé e teu Deus, não nega! Deus nunca precisou e nunca precisará de acuidade científica e histórica para ensinar o homem e abençoá-lo, contudo, já é tempo da cristandade aceitar certas verdades. 

“Bíblia, mitologia e verdade”,
reflexão em sete partes
José Osório de Souza, 20/06/2022

02/04/24

O pai de amor acompanha (2/7)

      “Entre os quais todos nós também antes andávamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira, como os outros também. Mas Deus, que é riquíssimo em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou, estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo” Efésios 2.3-5a

      De alguma forma, no século IV d.C., um grupo de homens venceu e tomou o poder na religião cristã, seja por motivos militares, políticos ou econômicos, e se é no mundo é por esses motivos, não por morais ou espirituais. Essa é a coisa básica para entendermos porque, como e para quê a religião católica foi oficializada. Nos enganamos quando achamos que o homem foi melhor em algum tempo, fatos mostram que deveria ser pior, visto que tinha menos conhecimento científico e mais preconceitos, principalmente sexismo e racismo. O ser humano do quarto século não foi melhor para construir um cristianismo baseado nos verdadeiros princípios evangélicos, ainda que historicamente mais próximo da vida do Cristo homem.  
      Como hoje há líderes cristãos mal intencionados, havia no quarto século. Argumenta-se, “a criação do cristianismo e do cânone bíblico, Deus acompanhou, para entregar à humanidade meios adequados para conhecê-lo”. Sim e não, nada ocorre sem autorização de Deus, mas Deus não interfere no livre arbítrio, assim como não revela verdade a ser despreparado. Como pai de amor que acompanha o filho de longe, pois longe se coloca o filho dele, esperando pacientemente para se aproximar e ensinar coisas melhores, assim é Deus. Quem discorda da imperfeição das religiões cristãs que avalie os frutos dessas pelos séculos, ou foram, a maioria, frutos dignos de religião e Bíblia sem qualquer manipulação humana? Penso que não. 

“Bíblia, mitologia e verdade”,
reflexão em sete partes
José Osório de Souza, 20/06/2022

01/04/24

Não é um livro histórico (1/7)

      “Chegai-vos a mim, ouvi isto: Não falei em segredo desde o princípio; desde o tempo em que aquilo se fez eu estava ali, e agora o Senhor Deus me enviou a mim, e o seu Espírito. Assim diz o Senhor, o teu Redentor, o Santo de Israel: Eu sou o Senhor teu Deus, que te ensina o que é útil, e te guia pelo caminho em que deves andar.” Isaías 48.16-17

      Quando Cristãos mais se equivocam sobre Deus é quando leem a Bíblia como se fosse um livro de história, um jornal, ainda que antigo, de fatos reais ocorridos. Dessa forma tudo que leem é interpretado como verdade absoluta, principalmente por serem ensinados que o autor do texto é Deus. Como ir contra fatos registrados pelo próprio criador e Senhor do universo? O resto, desconsideração de contextos, preconceitos antigos, visão ultrapassada de mundo e do ser humano, não é levado em consideração, todas as dúvidas são relevadas quando uma verdade divina é imposta. A simples dúvida disso é considerada pecado, punível com o mesmos castigos dados ao diabo e seus demônios no inferno. 
      Mas mesmo quem estuda história secular de forma científica, aprende, numa das primeiras lições, que registros históricos não são necessariamente fatos reais, são a visão de homens, geralmente dos vencedores em disputa militar, política ou econômica. Assim o que é escrito em livros e celebrado em monumentos é leitura conveniente a alguns, não a verdade, e muitas vezes o que nos revela a verdade sobre muitos é a mentira que eles dizem, porque, como e onde dizem. Como descobrimos a verdade? Em termos humanos, estudando vários pontos de vista, não só dos vencedores de um momento, mas também dos perdedores, depois conciliando isso. Em termos espirituais achamos a verdade dialogando com Deus. 

“Bíblia, mitologia e verdade”,
reflexão em sete partes
José Osório de Souza, 20/06/2022

31/03/24

Só a luz resiste ao tempo

      “Levanta-te, resplandece, porque vem a tua luz, e a glória do Senhor vai nascendo sobre ti; porque eis que as trevas cobriram a terra, e a escuridão os povos; mas sobre ti o Senhor virá surgindo, e a sua glória se verá sobre ti.” “E todos os do teu povo serão justos, para sempre herdarão a terra; serão renovos por mim plantados, obra das minhas mãos, para que eu seja glorificado. O menor virá a ser mil, e o mínimo uma nação forte; eu, o Senhor, ao seu tempo o farei prontamente.” Isaías  60.1-2, 21-22

      Levantamos muitas avaliações e críticas aqui, ainda que embasadas em fatos, muitos podem achar que é só fala revoltada contra igrejas cristãs, portanto, injustas e mentirosas. Não creio que uma pessoa possa convencer outra pessoa, uma pessoa só pode ser convencida por si mesma, contudo, podemos lançar informações. Se entendermos que isso faz parte de um processo a longo prazo, em que somos simples colaboradores do tempo e do Senhor, entenderemos que o mais sábio é jogarmos essas informações com amor, com calma, com paciência, nunca querendo colher algum fruto imediatamente. Com o passar do tempo, trevas se dissipam, só a luz permanece, porque ela vem de Deus e esse é sobre tudo e todos. 
      Prossigamos, pela fé, não pela vista, em paz e humildes, abrindo mão da vaidade de querer dar a última palavra e de ter o melhor argumento, afinal, a obra é nossa ou de Deus? Se Deus criou e atrai todos os seres humanos em amor para sua luz mais alta, usando toda a eternidade para aperfeiçoar cada ser, quem somos nós para nos acharmos donos de alguma coisa ou com direito à alguma glória? Sim, cada ser tem e terá sua glória, mas como espelho limpo e cristalino que reflete luz que não origina de si, mas do alto. Assim, ainda que as trevas estejam ao nosso redor, e que muitos a amem mais que a luz, autorizando que luzes estranhas brilhem sobre si, tentando construir um falso reino de Deus no mundo, só a luz do Altíssimo é eterna. 

30/03/24

Ser em trevas é diabo (10/10)

      “Porque eu, o Senhor, não mudo; por isso vós, ó filhos de Jacó, não sois consumidos. Desde os dias de vossos pais vos desviastes dos meus estatutos, e não os guardastes; tornai-vos para mim, e eu me tornarei para vós, diz o Senhor dos Exércitos; mas vós dizeis: Em que havemos de tornar?” Malaquias 3.6-7

      Se Deus é luz, o diabo é trevas. O que há na luz? Tudo, nela vemos onde estamos, de onde viemos, para onde podemos ir, sem batermos em paredes, cairmos em buracos, esbarrarmos em outros seres, ou invadirmos lugar que não é nosso. Nas trevas também há tudo, só que quem está nelas não enxerga, assim a escuridão não está no universo físico ou no espiritual, mas dentro dos seres. O que adianta estarmos em lugar iluminado se estamos cegos? Há luz em tudo porque nada escapa da luz de Deus, ele está em todos os lugares. Não há um lugar de trevas, trevas e inferno estão dentro dos seres que não querem estar perto de Deus. A essa escolha Deus respeita, o único espaço que a luz de Deus não entra é o coração que não quer Deus.
      Todo ser que carrega trevas dentro de si é um “diabo”, é assim neste mundo e será no outro, agora se essa situação é infinita é uma questão que fica para cada um responder, a teologia tradicional protestante diz que sim. Mas novamente repito aqui, cânone bíblico e doutrina cristã são construções de homens, Deus não desceu e os registrou em pedras, pergaminhos ou papel, Jesus nunca escreveu uma linha, não que chegasse até nós. Construções religiosas são convenientes a homens em seus tempos e espaços, só o Espírito Santo é vivo e representante oficial de Jesus no mundo. Quer saber a verdade sobre o diabo? Pergunte ao Espírito Santo, mas faça isso com perseverança e consagração, sem medo de saber a verdade. 

“Questões sobre o diabo”,
reflexão em dez partes
José Osório de Souza, 19/06/2022

29/03/24

Antítese de Deus (9/10)

      “Eis que a mão do Senhor não está encolhida, para que não possa salvar; nem agravado o seu ouvido, para não poder ouvir. Mas as vossas iniquidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que não vos ouça.” “Não conhecem o caminho da paz, nem há justiça nos seus passos; fizeram para si veredas tortuosas; todo aquele que anda por elas não tem conhecimento da paz. Por isso o juízo está longe de nós, e a justiça não nos alcança; esperamos pela luz, e eis que só há trevas; pelo resplendor, mas andamos em escuridão.” Isaías 59.1-2, 8-9

      O estudo do diabo pode revelar muito sobre o ser humano em seu atual estágio de evolução moral, e levando em conta principalmente as mentiras sobre o diabo. Que diabo realmente existe? A ideia mais tradicional do diabo não crê num ser que contém maldades, mas na maldade contendo um ser, assim o diabo não é maligno, ele é o mal, com identidade, inteligência, sentidos e membros, ainda que não físicos. Sendo assim, a coisa mais importante que temos que fazer para saber o que de fato é o diabo é desconectar o mal do ser, ver o mal como escolha, não como quem escolhe. Ver o mal como um ser é confortável para seres humanos que não querem assumir seu mal, mas jogar o mal no outro, em alguém fora dele. 
      Mas o que de fato é o diabo? Antítese de Deus, mas só entendemos o que é o diabo de verdade se entendemos quem é o Deus verdadeiro. Se nos equivocarmos com relação a Deus, nos equivocaremos na mesma proporção em relação ao diabo. Um Deus infinitamente punidor pede um diabo que merece ser punido infinitamente, assim à medida que se constrói um Deus limitado para amar, se constrói um diabo limitado para receber amor. Se o diabo está condenado irremediavelmente, Deus não pode amá-lo, como amaria alguém que está condenando a um inferno sem fim? Se amasse o salvaria, lhe daria chance para se arrepender, ainda que demorasse milhões de anos. Mil anos para Deus não são como um dia? (II Pedro 3.8) 

“Questões sobre o diabo”,
reflexão em dez partes
José Osório de Souza, 19/06/2022

28/03/24

Se cremos, existe? (8/10)

      “Disse-lhe Jesus: Não te hei dito que, se creres, verás a glória de Deus?” João 11.40

      Se analisarmos a história da humanidade veremos que a trajetória da concepção que o ser humano faz do diabo moveu-se do distante e genérico para o próximo e específico. Um mal que causava catástrofes sobre a Terra, tornou-se o deus estranho de uma nação inimiga, depois o diabo que trazia pestes e fomes para a sociedade, e finalmente um demônio pessoal que atua sobre o indivíduo. Seja como for, algo há para que o mal seja aliado a um ser espiritual, fé, essa está intrinsecamente ligada a duas coisas, imaginação e evocação. São conceitos espirituais que cristãos usam, ainda que não saibam, mas que ocultistas e esótericos manipulam mais objetivamente, ainda que de forma perigosa e nem sempre bem intencionada. 
      O que tem o diabo com isso? Não usamos fé só para nos ligarmos a Deus e pedir-lhe coisas, e quando fazemos isso imaginamos o que queremos receber, e que ainda não existe, e evocamos a existência disso com palavras pela oração. Mas mesmo inconscientemente geramos um mal e um diabo dentro de nós, que pode mais prejudicar que beneficiar. Também fazemos isso deixando a imaginação correr solta e verbalizando essa fantasia, assim o formato do diabo é ensinado e passado de geração para geração. Nada mais confortável que um mal legitimado por instituição religiosa para receber todo o medo e toda a responsabilidade pelo mal que há em nós. O diabo que há é o diabo que cremos. Em que diabo você crê? 

“Questões sobre o diabo”,
reflexão em dez partes
José Osório de Souza, 19/06/2022

27/03/24

Qual o tamanho do diabo? (7/10)

      “Ora, pois, fala agora aos homens de Judá, e aos moradores de Jerusalém, dizendo: Assim diz o Senhor: Eis que estou forjando mal contra vós; e projeto um plano contra vós; convertei-vos, pois, agora cada um do seu mau caminho, e melhorai os vossos caminhos e as vossas ações. Mas eles dizem: Não há esperança, porque andaremos segundo as nossas imaginações; e cada um fará segundo o propósito do seu mau coração.” Jeremias 18.11-12 

Desculpe-me os versículos um tanto negativos,
a ênfase da reflexão é o termo “imaginações”,
todos somos enganados por nossas imaginações
de vez em quando, nelas pode não haver esperança,
em Deus sempre há, se há conversão em nós.

      Histórias (ou estórias) de fantasmas, de monstros, em livros e filmes de terror, sobre o sobrenatural, sobre pactos com o diabo e sobre conjurações demoníacas, quantas coisas medonhas lemos, vemos e ouvimos nisso tudo. Se estudarmos a história da humanidade veremos que a ideia que o ser humano faz do diabo muda, a imagem mais popular que temos hoje de satanás (recomendo leitura do texto desse link, bem esclarecedor) foi construída pelo catolicismo da idade média. Mas essa ideia mudou conforme o medo do ser humano de um tempo, nos tempos mais antigos o medo era dos fenômenos da natureza, do raio, das tempestades, do vento, de desastres naturais e mesmo dos oceanos não mapeados e de meteoros e astros.
      Na antiguidade o medo era de exércitos inimigos de nações distantes, na idade média o medo da peste negra assolou a Europa, mas aproximando-se o século XX o medo tornou-se mais subjetivo, moral, psicológico, espiritual. A ciência colaborou curando muitas coisas e explicando outras, assim como descobrindo mecanismos, que ainda que invisíveis a olhos nus, existem dentro do ser humano e o influenciam, como vírus, elementos atômicos, e mesmo conceitos psicológicos como subconsciente e traumas. Ainda assim muitos insistem numa ideia antiga do diabo como sendo a verdadeira, não aceitam que o diabo tem o formato do mal que fantasiam dentro de suas mentes. Qual o tamanho do teu diabo? 

“Questões sobre o diabo”,
reflexão em dez partes
José Osório de Souza, 19/06/2022

26/03/24

“Sinto algo estranho” (6/10)

      “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o conhecerá? Eu, o Senhor, esquadrinho o coração e provo os rins; e isto para dar a cada um segundo os seus caminhos e segundo o fruto das suas ações.” Jeremias 17.9-10 

      Você já deve ter dito, ou ouvido alguém dizer, “sinto algo estranho, não me passa boas impressões”, aliando algo, alguém ou alguma coisa, palavra ou atitude, a algo mau, diabólico. Até que ponto podemos confiar em nossos sentimentos e percepções? Na verdade podemos confiar, se uma percepção existe é porque fomos impressionados de alguma forma por algo diferente, o que não podemos é confiar em qualquer interpretação desse sentimento. Muitos fazem com que nos sintamos mal, não por serem maus para Deus, mas por nos deixarem desconfortáveis, e ficamos assim porque nos baseamos em nós, não em Deus. Quando baseados em Deus, percepção ruim pode de fato ser efeito de ação real de mal verdadeiro.
      Mas quem está pronto para esse discernimento? Mesmo quem busca esse discernimento em verdade e com esforço prova-o de forma gradativa, Deus sempre responde, mas de formas adequadas às limitações do que pergunta. Uns perguntam onde está o mal e Deus diz que está num país, outros fazem a mesma pergunta e Deus responde que está numa região do país, a outros responde que está numa cidade, finalmente a outros Deus diz que está num ser específico. Verdades genéricas também são verdades, mas protegem despreparados para verdades específicas. Para que verdades estamos prontos, já amadurecemos o suficiente para minúcias, ou Deus tem que nos tratar como crianças dando-nos só informações genéricas?

“Questões sobre o diabo”,
reflexão em dez partes
José Osório de Souza, 19/06/2022

25/03/24

Com o diabo na cabeça (5/10)

      “E vos renoveis no espírito da vossa mente; e vos revistais do novo homem, que segundo Deus é criado em verdadeira justiça e santidade.” Efésios 4.23-24

      Há um medo intrínseco dentro de todo ser humano, isso desde que o primeiro homo sapiens recebeu um espírito, pôde ter comunhão com o mundo espiritual e interagir com o mundo físico diferentemente de como animais irracionais interagem. De que é esse medo? A mente pode ligar os pontos e aliar medo a coisas diferentes, a homens, à natureza, a espíritos, coisas visíveis e invisíveis, que existiram, existem ou existirão. Que nomes e formas são dados aos medos na mente dos seres humanos? Depende, da formação emocional, intelectual e religiosa da pessoa, da sociedade e da cultura onde vive, do momento histórico em que vive, do grau de desenvolvimento científico de seu meio e do acesso que tem a esse desenvolvimento. 
      Isso nos faz pensar até que ponto o que muitos dizem, pensam e escrevem, incluindo em textos religiosos, sobre o diabo, é sobre um ser real, ou é só criação de mentes humanas, isso ainda que de fato existam seres espirituais malignos e que escolhem ficar assim por muito tempo. Conexão espiritual se faz pela mente, seres espirituais malignos reais se aproveitam de mentes doentes, assim confirmam mentiras que essas criam sobre eles, se falassem a verdade não seriam maus, mentira vangloria o mentiroso. O diabo não pode ser um só para todos, examinemos mitologias de tempos e sociedades diferentes e constataremos isso. O mal é um, o diabo tem muitas caras, será então que podemos limitar o diabo ao conceito cristão? 


“Questões sobre o diabo”,
reflexão em dez partes
José Osório de Souza, 19/06/2022

24/03/24

E se o diabo não existisse? (4/10)

      “Ainda não compreendeis que tudo o que entra pela boca desce para o ventre, e é lançado fora? Mas, o que sai da boca, procede do coração, e isso contamina o homem. Porque do coração procedem os maus pensamentos, mortes, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos e blasfêmias.” Mateus 15.17-19

      Alguns dizem que uma das melhores táticas do diabo é convencer as pessoas que ele não existe, concordo com isso. O diabo existe! É real o suficiente para fazer muito estrago nas cabeças e nas vidas das pessoas. Entretanto, a questão é: que estética formal ele tem e que armas ele usa? Isso é muito variável e subjetivo. Por incrível que pareça uma figura que algumas pessoas chamam de Deus dentro delas, pode na prática estar fazendo mais papel do diabo em suas vidas. Quando se crê num “Deus” prepotente, cobrador e punidor, se crê mais na dor que um ser poderoso causa se for desobedecido que propriamente no ser e em seu amor. Muitos respondem, “você está fazendo apologia a um “Deus” que por amor aceita o pecado”. 
      Não estou! Quem quer viver em pecado não busca a Deus, se busca, não acha, e se acha não consegue continuar perto dele. Deus não faz sofrer quem lhe desobedece, é o desobediente que não quer assumir seu erro e deixá-lo que se afasta de Deus. Longe de Deus há inferno, simples assim, e há a companhia de seres, físicos ou espirituais, que também querem ficar longe de Deus, seres que podemos chamar de demônios, também simples assim. Deus nunca deixa de ser santo, assim como nunca deixa de amar e atrair o ser humano, mas só fica perto de Deus, num “céu”, quem se santifica e ama, novamente digo, simples assim! Que papel tem um ser que permanece por muito tempo mau, um “diabo”, nisso? Prejudica só a si mesmo.

“Questões sobre o diabo”,
reflexão em dez partes
José Osório de Souza, 19/06/2022

23/03/24

Deus precisa do diabo? (3/10)

      “Para que se saiba desde o nascente do sol, e desde o poente, que fora de mim não há outro; eu sou o Senhor, e não há outro. Eu formo a luz, e crio as trevas; eu faço a paz, e crio o mal; eu, o Senhor, faço todas estas coisas.” Isaías 45.6-7

      A premissa da teologia da tradição judáica-cristã, mais católica que judáica ou cristã, é a de uma eterna rivalidade entre dois polos. Dessa forma Deus é mostrado muito mais como Senhor dos exércitos, que sempre vence guerras aniquilando inimigos, que como Pai de amor, que redime a todos. Apesar do catolicismo ter alinhavado uma doutrina que tenta mixar o Cristo do evangelho de amor com o Senhor dos exércitos da velha aliança, se pararmos para pensar com cuidado isso é inviável, ou Deus é uma coisa ou é outra. Contudo, protestantes e evangélicos aceitam essa doutrina esquizofrênica como verdade, porque ela é razoável? Não, porque eles têm medo de pensar e pôr alguma dúvida nela, dúvida é do diabo, creem muitos.
      O Pai de amor não precisa do diabo, o Senhor dos exércitos, sim, não se pode ser vencedor glorioso em batalha sem ter oponente à altura. Luke Skywalker precisa de Darth Vader, ainda que esse seja seu pai, que ironia nessa ficção, mas com um mistério real. Se um deus precisa manter um mal eterno para ser deus, ele depende do mal, não é cem por cento poderoso e bom. Ou é fraco por não poder aniquilar o inimigo, ou é sádico que mantém criatura sua em infinito tormento. Um Deus cem por cento bom não precisa do diabo, seu amor é suficientemente poderoso para transformar todo mal em bem, ainda que demore uma eternidade, dando a todos sempre livre arbítrio. Se o diabo não existisse, será que muitos cristãos seriam cristãos? 

“Questões sobre o diabo”,
reflexão em dez partes
José Osório de Souza, 19/06/2022

22/03/24

Confortável maniqueísmo (2/10)

      “E o diabo, que os enganava, foi lançado no lago de fogo e enxofre, onde está a besta e o falso profeta; e de dia e de noite serão atormentados para todo o sempre.” Apocalipse 20.10

      O versículo acima é a última citação bíblica sobre o diabo, pela teologia cristã tradicional revela um dos eventos terminais da história da humanidade. Creio que ele tem um ensino importante de Deus para o ser humano, mas não penso que seja o ensino da velha e confortável interpretação maniqueísta da Bíblia. Essa entende que o mal do universo está centrado num único ser espiritual, que se não nasceu mau escolheu sê-lo e isso não mudará mais. Ainda que o ser humano tenha livre arbítrio para escolher em que lado quer ficar, se do lado do bem ou do mal, assim, se do lado de Deus ou do diabo, e se escolher o lado do diabo terá o mesmo e eterno fim que ele, o diabo e seus demônios não têm direito a livre arbítrio, não mais. 
      Esse entendimento cria, mantém e empodera o mal quase que com potências iguais a Deus, quase, já que no final ele perde. Católicos e evangélicos aceitam isso como dogma, e questionar isso, mesmo na menor instância, é se colocar do lado do diabo. Esse dogma mantém-se vivo pelo medo do diabo, já que mesmo quem não tem aquela comunhão mais profunda e gratificante com Deus, permanecerá vendo as coisas desse jeito com medo de sofrer as penas reservadas por esse Deus ao diabo. Assim caminha a cristandade, com pouca fé em Deus, mas com muito medo do diabo. Você já se questionou até que ponto se diz cristão e crê na Bíblia, não porque tem paz e vitória com isso, mas porque tem medo de duvidar disso? 

“Questões sobre o diabo”,
reflexão em dez partes
José Osório de Souza, 19/06/2022

21/03/24

Por que há diabo na Bíblia? (1/10)

      “Ora, a serpente era mais astuta que todas as alimárias do campo que o Senhor Deus tinha feito. E esta disse à mulher: É assim que Deus disse: Não comereis de toda a árvore do jardim? E disse a mulher à serpente: Do fruto das árvores do jardim comeremos, mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, disse Deus: Não comereis dele, nem nele tocareis para que não morrais. Então a serpente disse à mulher: Certamente não morrereis. Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se abrirão os vossos olhos, e sereis como Deus, sabendo o bem e o mal.” Gênesis 3.1-5

      O texto inicial contém aquilo que a tradição judaico-cristã considera a primeira citação bíblica do diabo, ainda que nenhum de seus nomes conhecidos seja usado. No antigo testamento o termo diabo não é citado, o termo satanás é citado 14 vezes, só no livro de Jó, e outras 5 vezes em outros livros, já o termo lúcifer é citado uma vez (“estrela da alva” em Isaías 14.12), belial, outro termo atribuído ao diabo, aparece 12 vezes. Nessa estatística usei uma versão tradicional da Bíblia, mas o número pode variar de versão para versão, mas nessa diabo aparece só 32 vezes em todo o antigo testamento. Outras citações no antigo testamento ficam por conta dos nomes dos deuses das nações não israelitas, baal, baalim, astarote, quemós, milcom. 
      No novo testamento, menor no texto e no tempo que descreve, consta pelo menos o dobro de citações de termos usados para diabo. Por que existe um diabo na Bíblia? Porque existia um diabo na cabeça das pessoas que registraram a Bíblia, e pelo que parece mais na cabeça das pessoas do novo testamento que do antigo. O monoteísmo não unificou Deus, mas os seres espirituais do mal, assim foi criado o maniqueísmo, a luta de um único Deus contra um único diabo. Mas “autorizando” santos como intermediários entre seres humanos e Deus, o catolicismo dividiu Deus como os judeus do antigo testamento não faziam. O mal se tornou um, o bem, muitos, será que dessa forma o catolicismo não distanciou Deus e aproximou o diabo? 

“Questões sobre o diabo”,
reflexão em dez partes
José Osório de Souza, 19/06/2022

20/03/24

Politeísmos e monoteísmo (3/3)

       “Há um só corpo e um só Espírito, como também fostes chamados em uma só esperança da vossa vocação; um só Senhor, uma só fé, um só batismo; um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, e por todos e em todos vós. Mas a graça foi dada a cada um de nós segundo a medida do dom de Cristo.” Efésios 4.4-7

     A grande contribuição que a religião dos israelitas dos tempos do antigo testamento entregou ao cristianismo e à humanidade, principalmente à ocidental, foi o monoteísmo. Mas seriam os santos católicos um retrocesso, uma volta ao politeísmo? Não, ainda que para muitos possa ser. Repetindo, o ponto não é a forma do objeto usado para focar fé e espiritualidade, mas a intenção dentro do coração do que foca. Na verdade sempre houve e sempre haverá politeísmo, assim como sempre houve e sempre haverá um Deus superior às potestades e aos principados espirituais, todos os seres que existem no plano espiritual, anjos, demônios, desencarnados, entidades, seja lá o nome que se dê, dentro ou fora da tradição judáica-cristã. 
      Quem muda é o ser humano, que com o upgrade da ciência denomina seres espirituais com nomes diferentes. Panteão greco-romano, santos católicos, almas de mortos, anjos e demônios, não seriam a mesma coisa? A lição a aprender é que a evolução científica e emocional do ser humano cria imagens mentais diferentes de seres espirituais reais. Não pense que eu não queira concluir esta reflexão, mas não devo, faltaria com respeito com muitos e escandalizaria outros, o que posso é dar meu testemunho. Conecto-me com o Deus Altíssimo por Jesus, experimento essa conexão, falando e ouvindo, pelo Espírito Santo. Se esses nomes estiverem na relação manteremos contato seguro com o bem e a verdade maiores.

19/03/24

Ídolos e santos, a mesma coisa? (2/3)

      “Portanto dize à casa de Israel: Assim diz o Senhor Deus: Contaminai-vos a vós mesmos a maneira de vossos pais? E vos prostituístes com as suas abominações? E, quando ofereceis os vossos dons, e fazeis passar os vossos filhos pelo fogo, não é certo que estais contaminados com todos os vossos ídolos, até este dia? E vós me consultaríeis, ó casa de Israel? Vivo eu, diz o Senhor Deus, que vós não me consultareis. E o que veio à vossa mente de modo algum sucederá, quando dizeis: Seremos como os gentios, como as outras famílias da terra, servindo ao madeiro e à pedra.” Ezequiel 20.30-32

      Talvez o principal motivo de protestantes e evangélicos condenarem tanto católicos por usarem santos como intermediários entre eles e Deus, seja a visão dos outros deuses e de ídolos que lhes é passada pela história de Israel no antigo testamento. Mas ídolos do antigo testamento e santos católicos são a mesma coisa? A diferença não está na forma do objeto usado para focar fé e espiritualidade, mas na intenção do coração do que foca. Uma criança no interior da Sibéria, que nunca ouviu falar de Jesus e que não recebeu a construção de nenhuma mitologia da tradição judaico-cristã, não pode, num momento de dor e solidão, orar ao Deus verdadeiro? Pode, e poderá achá-lo mais que muito evangélico em templos no Brasil. 
      Pode-se argumentar: “essa ignorância ingênua é válida para quem não tem conhecimento, no Brasil católico de hoje, o Cristo é apresentado como único caminho, se católicos não trilham por ele é por rebeldia”. Não necessariamente, a fé de cada ser é algo pessoal e fechado, católicos genuínos não abandonam suas crenças tanto quanto evangélicos não largam. Quando se quer crer, se acha motivos, obtém-se provas que a crença funciona, evangélico não duvide das experiências de fé que católicos têm crendo em Maria. Mesmo os chamados pelos judeus de falsos deuses e ídolos vazios construídos por outros povos, podiam receber boa intenção e estabelecerem contato com Deus, não com o diabo. Deus sabe do coração de cada um. 

18/03/24

A todos fala de muitas formas (1/3)

      “Filhos dos homens, até quando convertereis a minha glória em infâmia? Até quando amareis a vaidade e buscareis a mentira? Sabei, pois, que o Senhor separou para si aquele que é piedoso; o Senhor ouvirá quando eu clamar a ele.” Salmos 4.2-3

      Por que achar que Deus fala comigo e não fala com o outro? Por que devo me considerar mais espiritual ou mais digno por crer diferentemente do outro? Por que, como protestante ou evangélico, devo pensar que eu falo com Deus, enquanto que outros, incluindo católicos, falam com o diabo? Até que ponto é agradável a Deus achar que porque uso os protocolos protestantes, orando só em nome de Jesus, tenho um acesso privilegiado a Deus, que aqueles que falam através de homens e mulheres falecidos, ainda que canonizados por uma secular instituição cristã, os santos, ou mesmo por outros nomes e entidades, não têm? Será que Deus funciona assim, quem ora por Cristo ele ouve, quem não ora ele simplesmente desconsidera? 
      Você, evangélico, que olha com certa repulsa católico rezar para santo, tem na prática mais devoção, fé, frutos de amor, santidade e justiça, que o católico? Muitos protestantes e evangélicos têm pecado contra Deus, não por não viverem do jeito certo, mas por condenarem o jeito de viver para Deus dos outros. Deus me chamou no cristianismo protestante, depois me mostrou a intimidade dos dons espirituais, por nada abro mão de Jesus e do Santo Espírito, mas também, e isso a duras penas, Deus me ensinou a não condenar ao inferno católicos e outros religiosos. Ainda que no meu ponto de vista muitos percam por não usarem o caminho reto e exclusivo do Cristo, Deus chama pessoas em religiões diferentes por sábias razões suas.

17/03/24

O engano se repete (2/2)

      “Ou pensas tu que eu não poderia agora orar a meu Pai, e que ele não me daria mais de doze legiões de anjos? Como, pois, se cumpririam as Escrituras, que dizem que assim convém que aconteça? Então disse Jesus à multidão: Saístes, como para um salteador, com espadas e varapaus para me prender? Todos os dias me assentava junto de vós, ensinando no templo, e não me prendestes. Mas tudo isto aconteceu para que se cumpram as escrituras dos profetas. Então, todos os discípulos, deixando-o, fugiram.” Mateus 26.53-56

      A igreja hoje comete engano semelhante ao que judeus cometeram quando Jesus homem veio. Os judeus interpretavam as profecias sobre a vinda de um messias como a vinda de um novo Davi, um rei liderando exércitos contra opressores de Israel, naquele momento, os romanos. Ao invés disso veio um homem comum, um professor, não um político ou militar, pregando amor aos inimigos. Hoje muitos evangélicos esperam uma segunda vinda equivocada do Cristo, e ainda que não esperem um messias físico liderando exércitos físicos, mas exércitos espirituais, creem que será uma vinda visível no plano físico, para fazer justiça contra inimigos, não só de Israel físico, mas do Israel espiritual, a igreja, “corpo de Cristo”. 
      Mesmo os apóstolos, selecionados dentre os discípulos, íntimos de Jesus, na maior prova não tiveram firmeza suficiente para enfrentar a situação corretamente. Penso que nos últimos anos o povo evangélico brasileiro, assim como outros cristãos, têm sido provados, mas infelizmente muitos têm sido reprovados nessa prova. O engano que existia, mas que restringia-se aos templos, veio a público quando um político se disse defensor da tradição judaico-cristã, ao invés de exercerem amor muitos preferiram usar espadas. Deve ser assim para que a verdade sobre o falso cristianismo venha à tona, que haja tempo para que arrependidos muitos possam provar o amor de Jesus, senão provarão a espada que eles próprios levantaram, oremos. 

16/03/24

Espada ou amor? (1/2)

      “Disse-lhes pois: Mas agora, aquele que tiver bolsa, tome-a, como também o alforje; e, o que não tem espada, venda a sua capa e compre-a; porquanto vos digo que importa que em mim se cumpra aquilo que está escrito: E com os malfeitores foi contado. Porque o que está escrito de mim terá cumprimento.” 
Lucas 22.36-37
       “Então, aproximando-se eles, lançaram mão de Jesus, e o prenderam. E eis que um dos que estavam com Jesus, estendendo a mão, puxou da espada e, ferindo o servo do sumo sacerdote, cortou-lhe uma orelha. Então Jesus disse-lhe: Embainha a tua espada; porque todos os que lançarem mão da espada, à espada morrerão.”
Mateus 26.50b-52

      As duas passagens acima, interpretadas ao pé da letra, vendo a Bíblia só como uma lista de leis morais, contradizem-se, numa Jesus parece mandar comprar espada para que fosse defendido dos que viriam aprisioná-lo, na outra ele recrimina o uso de espada para defendê-lo dos que o estavam aprisionando. Em Jesus nunca há contradição, já a religião cristã de homens neste mundo pode “forçar” a interpretação de muitos textos, para criar entendimentos que homens acham mais convenientes a seus propósitos egoístas e gananciosos. Sem o Espírito Santo o ser humano não tem equilíbrio e lucidez, é extremista, assim tanto pode achar na Bíblia argumento para usar armas e violência como para ser passivo e manipulado. 
      Quem com espada fere com espada é ferido, eis a lei de plantio e colheita, de causa e efeito, ou como prefiram chamá-la, novamente ensinada. O velho “olho por olho, dente por dente” pode dar uma sensação temporária de solução, mas é só vingança. O mal só é anulado pelo bem, a violência e a injustiça, pelo amor. Ao ser humano cabe amar, eis o principal ensino de Jesus, e não tenhamos dúvidas, o universo, instrumento de Deus, sempre faz justiça, mas do jeito e no tempo de Deus. A nós cabe anular o mal dentro de nós e crer em Deus, há propósito para tudo, há no final honra e crescimento espiritual para o que confia em Deus e em suas orientações, não em sua visão humana, limitada e materialista da existência.  
      

15/03/24

Mude porque há mais (4/4)

      “Envia a tua luz e a tua verdade, para que me guiem e me levem ao teu santo monte, e aos teus tabernáculos. Então irei ao altar de Deus, a Deus, que é a minha grande alegria, e com harpa te louvarei, ó Deus, Deus meu.” Salmos 43.3-4

      Alguns não mudam de opinião por crerem que já receberam o melhor de Deus para o homem. A jornada espiritual da existência possui várias armadilhas das trevas, e uso o termo por falta de outro melhor, nem acho que sejam armadilhas, só encruzilhadas para que aprendamos a fazer escolhas cada vez melhores. A 1ª está nas tradições familiares, a 2ª está na ciência, a 3ª está no desencanto e a 4ª está no medo do desconhecido. Nada há de errado nas bases morais e religiosas que recebemos de nossos pais, não se forem do bem, muito menos nada há de errado na ciência, pudera todos os seres humanos pudessem ser graduados e pós-graduados em alguma área, e mesmo o desencanto e o medo do desconhecido têm bons propósitos.
      Essas coisas são armadilhas quando se tornam zonas de conforto que nos fazem parar de caminhar, nos acomodarmos com algo que a princípio não é ruim ou mal, só fim de uma etapa. No desencanto é onde pode haver a grande iniciação espiritual, pois nele acordamos para muitas ilusões e mentiras. Contudo, é após termos nossas primeiras experiências de fé que somos confrontados com o desconhecido sem véu do Altíssimo. Apesar de iniciais, muitos podem passar toda a vida nessas experiências, achando-se religiosos maduros por isso. Mas esse início é momento de escolha, ou paramos na religião do mundo ou seguimos em direção aos conhecimentos mais profundos de Deus. Não pare, ainda há muito mais para saber e viver. 

Desafios para mudar,
reflexão em quatro partes
José Osório de Souza, 18/06/2022