05/03/22

Carisma, política e pecado (34/90)

      “Porque nada trouxemos para este mundo, e manifesto é que nada podemos levar dele. Tendo, porém, sustento, e com que nos cobrirmos, estejamos com isso contentes. Mas os que querem ser ricos caem em tentação, e em laço, e em muitas concupiscências loucas e nocivas, que submergem os homens na perdição e ruína. Porque o amor ao dinheiro é a raiz de toda a espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores. Mas tu, ó homem de Deus, foge destas coisas, e segue a justiça, a piedade, a fé, o amor, a paciência, a mansidão.” 
I Timóteo 6.7-11

      As cartas de Paulo a Timóteo constituem um verdadeiro manual do pastor, não só sobre os deveres desse, mas também sobre seus direitos. Um pastor tem direitos? Tem, mas bem menos que muitos pastores querem ter nos dias atuais. A palavra chave do texto bíblico inicial é piedade, piedade é devoção, amor pelas coisas religiosas, mas mais que religiosidade pessoal, é compaixão pelo sofrimento alheio, misericórdia pelos outros. Em piedade está também incluído o termo servo, que é ocupar-se em servir o outro, não a si mesmo, é se dar, não receber, desaparecer, não ser visto. 
      Se a pergunta “quem você será na eternidade?” é relevante para todos os seres humanos, para os pastores em especial tem uma importância ainda maior. Quem será você, pastor, na eternidade? Quem será você diácono, presbítero, missionário, reverendo, padre, bispo, papa, monge? Vocês que pregam que na eternidade não valerão títulos do mundo, status de profissionais em empresas, adquiridos com estudo, trabalho e mesmo valor da conta no banco, não se enganem, títulos em instituições religiosas, em ministérios, em igrejas, também pouco ou nada poderão representar. 
      Quando os homens entenderam o poder do cristianismo, que esse contém o Cristo e o Cristo pode transformar as vidas dos homens, em primeiro lugar muitos homens receberam essa transformação, entretanto, alguns outros, depois, perceberam que esse poder poderia ser usado para beneficia-los no mundo. Assim nasceu a igreja católica no quarto século e depois tantas igrejas evangélicas como empresas e negócios lucrativos, daí outra coisa ocorreu, proeminência religiosa potencializa influência política, assim homens manipulam homens não só em templos, mas na sociedade. 
      A relação entre papas e imperadores é histórica no catolicismo, no protestantismo isso se repete, pastores, missionários, pregadores, diáconos usam a popularidade que possuem em congregações para construírem eleitorado e conquistarem cargos políticos em suas cidades, estados e mesmo no âmbito federal. Ainda que eu acredite que cristão não deva ter cargos políticos de forma alguma, posso até fazer uma excessão, mas desde que o cristão abra mão de cargos e títulos na igreja, não usando isso para ter votos de cristãos, mas sendo representante político de todos, mesmo de não cristãos. 
      Mas quem resiste à tentação? Quem percebe que nasceu com uma persona marcante, com jeito carismático que encanta as pessoas, principalmente por seu modo de falar, e toda sedução implica em boa lábia e energia sexual, que necessariamente não requerem boa aparência, esse não resiste à tentação de expandir a influência que tem em púlpitos, em igrejas, para toda a sociedade. Carisma independe de dons espirituais, mesmo de formação intelectual, e hoje, com a internet, popularidade se constrói ainda com mais facilidade. Eu pergunto se carisma pessoal é bênção ou maldição. 
      Fica fácil para quem não precisou investir trabalho e dinheiro no desenvolvimento de uma competência, conseguir as coisas com algo que recebeu de graça, não precisar nem de vida espiritual para impressionar as pessoas, basta-lhe encenar um personagem. Carisma pessoal mais cristianismo podem acabar em política, mesmo que seja só para administrar interesses numa igreja. Políticos, contudo, poderão cair nas armadilhas dos valores mais cobiçados no mundo, dinheiro e sexo. Estou generalizando, sendo injusto? Nem todo líder de igreja é político e nem todo político é ganancioso e lascivo? 
      Mas para quem começa errado é mais fácil acabar errado, o erro inicial é confiar em si mesmo para ter aquilo que não era para se ter, pelo menos não do jeito que se teve, assim o carismático deve ter mais cuidados, não menos. A pergunta que deve ser respondida é: o que nos torna carismático, o Espírito Santo ou o nosso ego? Grandes egos devem ser ainda mais moldados por Deus e pelo tempo. Se não tocarmos as vidas das pessoas com justiça, piedade, fé, amor, paciência e mansidão, como orienta Paulo a Timóteo, seremos nós que faremos algo e para a nossa glória, não Deus e para Deus. 
      Aparta-te deles, foge dessas coisas, eis as orientações de Paulo a Timóteo sobre como devemos nos comportar com homens e mulheres que usam o cristianismo para benefícios próprios. Será que nós, como ovelhas ou como líderes do segundo escalão, fazemos isso? Ou somos seduzidos por pastores carnais e nos colocamos debaixo deles para sermos promovidos com eles, aprovados por eles, ainda que digamos para nós mesmos que queremos só servir a Deus em boas igrejas? É tentador ao carismático seu carisma, mas também aos outros, seduzidos sentem-se amados e todos querem ser amados. 
      Seremos avaliados na eternidade pelo nosso interior e não pelo nosso exterior, seja pela nossa aparência, pelo número de pessoas que se encantam com nossa simpatia, por títulos ou fama em igrejas, e mesmo por sermos líderes ou “donos” de ministérios evangélicos reconhecidos. Infelizmente como tem pastor, principalmente de um tempo para cá quando ser evangélico e pastor virou moda, não querendo fazer a vontade de Deus, mas ser um novo Macedo ou um novo Hernandes, e aqui não vai necessariamente crítica a esses. Poucos querem ser como Paulo, e menos ainda como Jesus. 

Esta é a 34ª parte da reflexão
“Quem você será na eternidade?”
dividida em 90 partes, para melhor
entendimento leia toda a reflexão.

José Osório de Souza, março de 2021

04/03/22

E alguns, quem serão na eternidade? (33/90)

      “Nenhum homem há que tenha domínio sobre o espírito, para o reter; nem tampouco tem ele poder sobre o dia da morte; como também não há licença nesta peleja; nem tampouco a impiedade livrará aos ímpios.” 
Eclesiastes 8.8

      No dia 25/11/2020, faleceu o jogador de futebol Diego Armando Maradona, com certeza um dos melhores do mundo em seu esporte, e na opinião de muitos argentinos, o melhor, mais até que Pelé (s.q.n.). Pessoas e coisas se destacam das outras em nível mundial e perdurando no tempo não por terem uma coisa diferenciada, mas muitas, um grupo de características contribuíram para que Maradona fosse especial. Primeiro ele tinha uma habilidade singular com a bola, talento e arte que produziam muito em pouco espaço de campo e em pouco tempo, isso não só ganhava jogos, mas nos encantava, vê-lo jogar era (e é, assistindo vídeos) muito prazeroso. Maradona era mais que um excepcional atleta, era genial! 
      Mas Maradona não era só um jogador ímpar de futebol, ele tinha opiniões políticas e não tinha medo de expô-las. Assumidamente de esquerda dizia que Fidel Castro era seu segundo pai, defendia os pobres e até chegou a se posicionar publicamente contra as riquezas da Igreja Católica. Esse misto de deus e bad boy criou um carisma que levantou adoradores na Argentina, passando pela Itália onde jogou e por todo o planeta. Existe até uma “igreja” que celebra Maradona como um ser espiritual especial, a Igreja Maradoniana. Seu enterro teve pompas de rei e movimentou a Argentina como poucas vezes, o falecimento de Dieguito aos sessenta anos, vítima de parada cardiorrespiratória enquanto dormia, foi prematuro. 
      Contudo, se na vida pública ele é considerado um deus, na vida privada foi terrivelmente humano, e isso ele não escondeu de ninguém. A verdade na vida das pessoas, e por incrível que pareça mesmo a ruim, sempre traz mais admiração que aversão, porque sentimos empatia por sabermos que outros têm as mesmas lutas que nós. Vemos, mesmo no gênio, alguém semelhante a nós, se até ele teve problemas, por que nós não podemos ter? Contudo, é bom refletirmos sobre algumas coisas da passagem desse ser humano único na Terra para aprendermos e quiçá, melhorarmos. O que faz alguém, com tantos privilégios, com tantas glórias, que nasceu com ferramentas tão boas para ter prosperidade no mundo, ser presa de vícios? 
      A vida é feita de trocas, deixamos algo que nos faz mal quando temos algo bom, de pelo menos igual tamanho, para trocarmos, não basta tirarmos o mal, temos que ocupar o espaço com algo bom, algo que valha à pena termos e mantermos. Contudo, o que é bom para nós depende de nosso caráter, de princípios de certo e errado que temos e guardamos no fundo do nosso ser, esses princípios ganham relevância quando entendemos o que realmente importa na vida, o que nos traz a paz que permanece. Muitos deixam uma vida de devassidão e de prazeres egoístas quando acham um amor verdadeiro e com ele constroem uma família, outros trocam vícios por profissão, começando pelos estudos até alcançarem um cargo alto e honrado. 
      Tantos que realmente se convertem ao evangelho de Jesus deixam vidas erradas e frívolas para conhecerem, adorarem e servirem a Deus, e essa é a vocação melhor de todo ser humano, a mais eficiente para livrar de ilusões e vícios. Se não paramos de pecar porque não achamos que o pecado nos faz mal, se tivermos alguma índole paramos de pecar porque isso machuca pessoas que amamos, assim o que vence o pecado é o amor. Pecar e seguir pecando, fazendo disso um vício, é atitude de seres imaturos e egocêntricos, que só se importam com o próprio prazer, e quem não morre para si para viver pelos outros, acaba vivendo só para si e morrendo para todo mundo. Viver para sempre do jeito melhor só em Deus. 
      Felizmente existem bons exemplos de gente, mesmo entre artistas e esportistas famosos, que venceram drogas e alcoolismo, mas infelizmente, por mais que a luz de gênios tenha brilhado neste mundo e que até nos acostumemos a dizer que esses continuarão brilhando no céu, a coisa não funciona bem assim. Não, não estou condenando ninguém ao “inferno” pelo simples fato de alguém não ter demonstrado em vida qualquer relação com o evangelho, a coisa também não funciona assim. Ligação íntima com Deus só Deus e quem a tem sabem, não nos enganemos. A vida é uma prova, aptidões, família, intelectualidade, posições, fama e bens, são só ferramentas, não definem as pessoas, mas são usadas para provar as pessoas. 
      Ser famoso no mundo, em tantas áreas distintas, revela-nos uma coisa, algumas pessoas receberam de Deus uma oportunidade especial. Não, o diabo não é pai de nada, não dá nada, mas pode enganar aqueles que de um jeito ou de outro teriam relevância no planeta, dizendo que eles são o que são por causa dele. Mas isso é uma mentira, com as grandes facilidades, que dons e aptidões entregam, vêm grandes responsabilidades, e a responsabilidade maior é contribuir de forma positiva nas vidas das pessoas, isso será cobrado de todos na eternidade, não tenham dúvidas. Quanto a nós, reles mortais, não invejemos a fama, sejamos úteis em amor o mais humildemente possível, o Deus que dá, sabe, e recompensará com justiça. 

Esta é a 33ª parte da reflexão
“Quem você será na eternidade?”
dividida em 90 partes, para melhor
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José Osório de Souza, março de 2021

03/03/22

Onde está tua paz? (32/90)

      “Mas nós, segundo a sua promessa, aguardamos novos céus e nova terra, em que habita a justiça. Por isso, amados, aguardando estas coisas, procurai que dele sejais achados imaculados e irrepreensíveis em paz.” 
II Pedro 3.13-14

      Onde está tua paz? Se descobrir isso achará teu céu. A vida é uma constante procura por paz, e muitas coisas podem nos dar paz, agora, se essa paz é passageira ou duradoura, vã ou nobre, isso é algo que só darão valor os maduros ou espirituais. Você não precisa ser espiritual para ser maduro, mas todo espiritual com certeza amadureceu. Depois de uma redação sexual sentimos paz, também após uma refeição, quando vamos bem em uma avaliação na faculdade também sentimos paz, assim como quando somos aplaudidos por termos realizado uma apresentação musical. 
      Uma criança, criada com equilíbrio e amor, está em paz, o jovem terá paz rapidamente, e ainda que também a perca em pouco tempo, experimentará de novo paz com facilidade. Um corpo sadio, com emocional apaixonado e espírito novo, ajudam-nos a não permanecermos presos a espaço e tempo, jovens ainda não temos passado e futuro, só presente. O maduro, contudo, não se acomoda a uma paz experimentada, ele sabe que a vida segue, que as coisas mudam e a paz não fica, novos desafios precisam ser superados, ele precisa estar de pé, com ou sem paz. 
      O espiritual tem uma experiência com Deus e sabe que a paz que advém disso é singular e gerará nele virtudes que levará para sempre. Mas qual é a experiência em Deus que nos dá paz? Paz não vem de experimentarmos algo, mas de reconhecermos nessa experiência algo relevante. Muitas vezes temos experiências importantes na vida e por não darmos a elas o real valor não sentimos muita coisa, a vivência passa e continuamos perdidos. Você deve ter tido uma experiência que te foi rara, mas que já tinha experimentado antes e não tinha dado importância.
      Só damos importância para duas refeições no dia quando temos tão pouco dinheiro no bolso que talvez não dê para pagar nem uma. Só damos valor ao nosso cônjuge, parando de brigar com ele por qualquer motivo e não achando que o marido da outra ou a esposa do outro é melhor que o nosso cônjuge, quando ficamos sozinhos, sem alguém sequer para nos acompanhar silenciosamente enquanto assistimos um filme na TV. Só sentimos falta de um culto quando somos obrigados a trabalhar secularmente num domingo até a noite e somos impedidos de ir à igreja. 
      A paz pode ser relativizada, a partir do momento que entendemos o preço que podemos pagar por ela. Paz que não custa muito, quando ainda somos imaturos, é relegada a um nível mais baixo, mas quando amadurecemos sabemos que todo preço deve ser respeitado e nenhuma paz é pequena se for sincera do bem e não fizer mal a ninguém. Mas achamos um mistério espiritual ao descobrirmos aquilo que realmente nos dá a melhor paz, sentimo-nos satisfeitos de um jeito único, de tal maneira que ainda que faltem-nos outras coisas, nos sentiremos serenos e protegidos. 
      Descobrirmos essa paz especial é descobrirmos o centro da vontade de Deus para nossas vidas. Acredite, todos temos uma missão especial, uma provação específica, que temos que vivenciar para acharmos a paz mais profunda, que nos acompanhará até a eternidade. Veja que essa paz não tem a ver com estarmos bem financeiramente, com termos notoriedade diante dos homens, muitos têm tudo isso e não têm a melhor paz. Descobrirmos a melhor paz e podermos retê-la até o fim de nossas jornadas, é acharmos o céu ainda encarnados, estamos no mundo para isso. 
      Como ensina o evangelho, essa paz não tem a ver com ganhar, mas com perder, não tem a ver com ter, mas com ser, num presente constante que não sente saudades ou culpas pelo que se foi, nem ansiedades ou medos pelo que virá. Quem sente essa paz e consegue segurá-la experimenta algo que não vai mudar quando morrer o corpo físico, mas que só será liberado na eternidade com plenitude para existir na luz mais alta de Deus. Quem vive essa paz tem toda a convicção que estará no céu quando partir deste mundo, para esse o plano espiritual não será surpresa ruim. 

Esta é a 32ª parte da reflexão
“Quem você será na eternidade?”
dividida em 90 partes, para melhor
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José Osório de Souza, março de 2021

02/03/22

Sinceridade ganha o céu? (31/90)

      “Ora, o fim do mandamento é o amor de um coração puro, e de uma boa consciência, e de uma fé não fingida.” 
I Timóteo 1.5

      Basta sermos sinceros para termos direito ao céu? Há um ditado, “de boas intenções o inferno está cheio”, poderíamos acrescentar, de sinceridade o inferno está cheio. A Bíblia, principalmente em Salmos, cita bastante o termo sinceridade como virtude importante do justo, mas penso que nos dias de hoje temos que entender melhor esse conceito, já que sinceridade tem sido usada por muitos como álibi para estupidez. Refletimos sobre sinceridade em “Deus conhece o sincero bom”, contudo, creio que é interessante, num estudo sobre eternidade, pensarmos mais a respeito.
      Ainda que erremos muito na vida, que batamos a cabeça, mesmo que façamos mal a alguns, se há uma sinceridade benigna em nós, Deus nos chama, nos salva, nos perdoa e nos abençoa. Vamos refletir nessa afirmação. Em primeiro lugar é preciso entender e aceitar que todo mundo erra, todo mundo perde tempo em escolhas ruins e todos machucam os outros. Ninguém se ache a pior pessoa do mundo, a única que fez bobagens, nem se considere perfeito ou sempre vítima, inventando desculpas para os pecados cometidos e não assumindo-os com responsabilidade pessoal.
      Em segundo lugar Deus contempla o sincero, mas o sincero benigno, não basta ter sinceridade, ela precisa ser boa. Há diferença entre sinceridades? Sim. Ser sincero é fazer algo, falar ou sentir alguma coisa, com verdade, sem falsidade, mas isso não basta para ser boa sinceridade. Muita gente é sinceramente má, sinceramente cruel, sinceramente diabólica, isso não é falso nelas, elas não enganam ninguém sobre suas intenções, mas essas intenções não são boas. Muitos dizem, “ah, eu sou sincero, se me incomoda eu falo mesmo, doa a quem doer”, isso é sincero, mas não é benigno. 
      O que é então boa sinceridade? O benignamente sincero pode até errar, mas ele quer acertar, e o principal, ele acerta um dia, a tempo de ter uma vida de justificado por Deus (eu disse justificado, não justo, ainda que o justificado em Cristo se torna justo aos olhos de Deus). Não basta errar e dizer, “poxa, eu não sabia, não tinha experiência, eu queria acertar e não consegui”, e depois tornar a cometer o mesmo erro outra e outra vez. O sincero do bem acha o caminho melhor, ainda que a custo de sofrimento, acha e fica nele, até o fim. Deus conhece o sincero bom e cuida dele.
      Nós, seres lineares, não entendemos a não linearidade de Deus. Deus não nos julga pelo presente, mas pelo futuro, ele sabe onde chegaremos e se a nossa sinceridade é ou não benigna. Deus não tem tempo, contempla todas as existências e todos os tempos ao mesmo tempo e de uma vez. Você está orando aos prantos, confessando um pecado e assumindo que não vai mais cometê-lo, consciente que magoou muitos com ele? Deus sabe se você daqui a um tempo se esquecerá da promessa e cometerá de novo o mesmo pecado, mas ainda assim ele te perdoa e cuida de você. 
      O verdadeiro filho de Deus sempre tem um final feliz, ainda que esse final seja bem lá no fim e por um curto período de tempo. Isso não importa, importa que ele alcançará o centro da vontade do Senhor para sua vida e ficará nesse lugar. Deus sabe disso, antes, e por isso cuida e protege o sincero, ainda que no presente esse esteja fazendo más escolhas e pagando preços por isso. Assim, é sábio não julgarmos ninguém, muito menos condenarmos alguém por erros passados, só o Senhor sabe quem sinceramente se arrependeu, mudou de vida e segue obedecendo-lhe. 
      É essa boa sinceridade que será procurada na eternidade em nossos homens interiores. Se existir nos liberará para subirmos para o amor de Deus, o céu, caso contrário estaremos vazios para cairmos mais profundamente num inferno, cuja semente já habita o espírito do falso. A falsidade é mentira que não segura virtudes, ainda que no mundo, no meio dos homens, o falso grite a plenos pulmões que possui virtudes, não são as palavras que compravam sinceridade, mesmos algumas ações. A boa sinceridade não pode ser falsificada, é uma intenção pura no íntimo do ser. 
      O texto inicial de I Timóteo 1.5 define o que o bom sincero tem, amor de um coração puro, de uma boa consciência e de uma fé não fingida. Quem é sincero tem um amor verdadeiro dentro de si anexado por obras, a marca dos que têm o céu, já que o céu é uma posição espiritual construída com o amor de Deus. Esse amor é puro, sem malícia e sem segunda intenção, fruto de uma boa consciência, que não guarda mágoa nem inveja, e de uma fé verdadeira, não fingida, que não só aparenta ser justo, é de fato, porque conhece o Deus em quem confia e a ele consegue agradar. 
      “Julga-me, Senhor, pois tenho andado em minha sinceridade, tenho confiado também no Senhor, não vacilarei, examina-me, Senhor, e prova-me, esquadrinha os meus rins e o meu coração” (Salmos 26.1-2). Só o sincero do bem tem essa coragem, de deixar que Deus o julgue conforme sua sinceridade, ele sabe que existe verdade em sua caminhada com Deus e não teme nenhum juízo. “Quanto a mim, tu me sustentas na minha sinceridade, e me puseste diante da tua face para sempre” (Salmos 41.12). O sincero do bem tem livre acesso ao Altíssimo, no mundo e para sempre no céu. 

Esta é a 31ª parte da reflexão
“Quem você será na eternidade?”
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José Osório de Souza, março de 2021

01/03/22

Sofrimento ganha o céu? (30/90)

      “Confirmando os ânimos dos discípulos, exortando-os a permanecer na fé, pois que por muitas tribulações nos importa entrar no reino de Deus.”
Atos 14:22

      Sofrimento ganha o céu? Sim, se for sincero. Muitos de nós vêm para o amor de Deus pela dor que sempre existe no final dos caminhos do engano dos prazeres deste mundo, mas precisamos considerar, e muito, que existem muitas pessoas no mundo que sofrem por causa da injustiça de homens egoístas e gananciosos. Esse tipo de sofrimento Deus vê e dá valor, a história da viúva que sustentou Elias é um exemplo esplêndido de um sofrimento legítimo (leia texto no final), onde havia propósito de Deus, honra para a sofredora e suprimento para o profeta. 
      Alguns podem interpretar essa história de um jeito oposto, acharem que a viúva estava bem, visto poder sustentar Elias, e era Elias quem passava por um sofrimento, visto depender de outra pessoa que o sustentasse, mas não era isso. Elias cumpria uma missão de Deus, ele não era ocioso, ele trabalhava como profeta e como tal merecia seu sustento. Ocorre que Deus usa para sustentar seus servos a maneira que lhe apraz, ainda que seja uma viúva pobre, assim não julguemos ninguém, não sabemos da missão e do cuidado especiais que Deus dá a alguns. 
      Elias fora levantado contra o rei Acabe, quem pode afirmar que a viúva sofria por causa da situação de falta de chuva que era vontade de Deus para disciplinar um rei e uma nação em situação de rebeldia contra o Senhor? Quando os líderes pecam, sejam políticos e mesmo pastores, todo o povo sofre, as ovelhas sofrem, e quem sofre mais são os que já estavam debilitados, pobres e viúvas. Mas uma coisa é preciso que seja dita, muitos sofrem porque fizeram escolhas pessoais erradas, então, quando uma situação ruim assola todo o coletivo, esses sofrem ainda mais. 
      Ser sustentado por uma viúva podia ser uma provação para um servo orgulhoso, mas para um profeta humilde era só um motivo para agradecer o Deus que sempre honra o que lhe obedece. Contudo, sustentar o profeta era uma provação para uma mulher sem marido já abatida por muitos problemas. Uma mulher viúva em Israel dos tempos do antigo testamento, era uma condição muito baixa, próxima a de mendigos, mas ainda assim Deus pediu mais uma coisa dela, que sustentasse um desconhecido. Deus pediu muito? Não, Deus sabe o que pede e a quem pede. 
      O pedido de Elias, “faze dele primeiro para mim um bolo pequeno, e traze-mo aqui, depois farás para ti e para teu filho” até pode nos parecer cruel, egoísta, mas ele revela duas verdades, sobre Elias e sobre a viúva. Elias tinha plena segurança em Deus do trabalho que desempenhava, da missão profética que tinha recebido do Senhor, da prioridade que ela tinha para toda a nação de Israel. Não, ele não quis humilhar nem explorar a viúva, mas falou com a certeza de um servo de Deus, que sabe o que está fazendo, onde, quando, e que conhece o Senhor que obedece. 
      A viúva por sua vez não se ofendeu, e tinha bons motivos para isso, obedeceu, como recompensa foram ela e seu filho sustentados por um milagre. “E ela foi e fez conforme a palavra de Elias, e assim comeu ela, e ele, e a sua casa muitos dias”, conforme o profeta disse, aconteceu. A viúva ainda provaria mais um milagre pelo ministério de Elias, o restabelecimento de seu filho da morte, que exemplo de sofrimento digno. A viúva não sabia a quem ajudava com seu pouco, só no final reconheceu Elias como homem de Deus, mas isso não a impediu de exercer amor. 
      Provas não são problemas, são intervenções de Deus focadas em pontos nevrálgicos, que precisam ser tratados, curados, aperfeiçoados, para que possamos evoluir e construir dentro de nós o céu. Por isso o céu não se compra, não se troca, se ganha como direito adquirido em vida, por escolhas certas em fé e com obras de amor. Você tem alguma dúvida que a viúva da história de Elias escolheu o céu? Acho bem certo ela ter feito essa escolha, passou pela prova do sofrimento, da humilhação e foi aprovada, quanto ao profeta seguiu seu caminho, tinha uma obra a fazer. 

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      “Levanta-te, e vai para Sarepta, que é de Sidom, e habita ali; eis que eu ordenei ali a uma mulher viúva que te sustente. Então ele se levantou, e foi a Sarepta; e, chegando à porta da cidade, eis que estava ali uma mulher viúva apanhando lenha; e ele a chamou, e lhe disse: Traze-me, peço-te, num vaso um pouco de água que beba. E, indo ela a trazê-la, ele a chamou e lhe disse: Traze-me agora também um bocado de pão na tua mão. Porém ela disse: Vive o Senhor teu Deus, que nem um bolo tenho, senão somente um punhado de farinha numa panela, e um pouco de azeite numa botija; e vês aqui apanhei dois cavacos, e vou prepará-lo para mim e para o meu filho, para que o comamos, e morramos. 
      E Elias lhe disse: Não temas; vai, faze conforme à tua palavra; porém faze dele primeiro para mim um bolo pequeno, e traze-mo aqui; depois farás para ti e para teu filho. Porque assim diz o Senhor Deus de Israel: A farinha da panela não se acabará, e o azeite da botija não faltará até ao dia em que o Senhor dê chuva sobre a terra. E ela foi e fez conforme a palavra de Elias; e assim comeu ela, e ele, e a sua casa muitos dias. Da panela a farinha não se acabou, e da botija o azeite não faltou; conforme a palavra do Senhor, que ele falara pelo ministério de Elias.” 
I Reis 17.9-16
 
Esta é a 30ª parte da reflexão
“Quem você será na eternidade?”
dividida em 90 partes, para melhor
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José Osório de Souza, março de 2021

28/02/22

Por amor ou pela dor? (29/90)

      “Há um caminho que ao homem parece direito, mas o fim dele são os caminhos da morte.” 
Provérbios 14.12

      É conhecida frase, “se não vem por amor, vem pela dor”, mas vou iniciar esta reflexão com uma afirmação: nós não escolhemos o melhor caminho por amor, não por um amor nosso, seja por nós mesmos, pelos outros ou por Deus, nós só mudamos de conduta após a dor. O amor que sempre existe é o amor de Deus por nós, e esse, na nossa teimosia, permite, sim, que passemos mesmo por muitas dores. Mas não é que busquemos caminhos que vão dar em dor, não, é o contrário, caminhos do engano nunca começam com dor, por isso são do engano, eles começam com promessas de prazer. Nós seguimos por eles e só fazemos correção de percurso quando o prazer acaba, e o prazer dos caminhos do engano sempre são passageiros, sempre são insuficientes.
      Fazemos escolhas por amor? Dificilmente. Pela dor? Também não. Fazemos escolhas pelo prazer que receberemos, isso a princípio é só o nosso instinto de preservação física nos inclinando, não é um defeito, mas um sistema que nos mantém vivos na Terra. Mas aí está o grande desafio de vivermos encarnados no mundo, nos libertarmos da matéria e amarmos os caminhos, não de qualquer espirito, mas do Santo Espírito. Escolher algo por amor e no amor de Deus é disposição de quem nasceu para coisas espirituais, que deixou a morte natural do mundo, isso, contudo, não é fácil. Podemos passar muito tempo atrás de prazer, não só diretamente do corpo, mas também o prazer que outras vaidades oferecem, intelectuais e mesmo morais. 
      Busca por prazer é o motor que move o mundo, leva as pessoas atrás de parceiros e de vidas profissionais para terem sexo e grana. Essa afirmação parece dura demais? Você não concorda com ela? Pois ainda que muitos procurem religiões e frequentem igrejas, a fé e as orações delas focarão em objetivos materiais. Quantos buscam santidade, paciência e humildade, e quantos buscam empregos e casamentos? Quantos fazem jejum e vigílias para serem seres humanos mais misericordiosos e caridosos? Mas muitos fazem longos períodos de consagração para receberem seus “escolhidos” e promoções no trabalho, não entendem o “buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas” (Mateus 6.33).
      Assim, seguimos com os objetivos errados até que a dor nos acorde. Muitos das últimas gerações só depois de usarem e serem usados em relações afetivas, quando “ficaram” com qualquer um só por diversão, para mostrar para os outros, por um prazer rápido, é que entenderam que casamento é algo sério. Infelizmente, muitos só aprendem isso depois de colocarem mais vidas no mundo, que serão criadas por outros, e com muita probalidade de serem seres humanos também buscando objetivos errados na vida. Só paramos quando dói, mas aí é tarde, só muita humildade e confiança em Deus nos farão crescer, aproveitarmos melhor nosso tempo restante de vida no mundo, e recuperarmos algo. Graças a Deus que sempre nos dá novas oportunidades. 
      Se não vem por amor, vem pela dor? Na verdade, sempre achamos o caminho melhor por amor, o amor de Deus que atrai todos os seres humanos o tempo todo para ele. Se alguém acha que fez uma boa escolha e permaneceu nela porque é um ser humano do bem, em primeiro lugar verifique se de fato analisou várias opções, ou se foi só tímido, que por medo de errar não tentou e nunca foi feliz. Isso pode não ser escolha de sabedoria, mas só resignação covarde, Deus nos chama enquanto caminhamos. É isso que nos faz crescer e dar valor àquilo que conseguimos ser de melhor no final, atraídos pelo amor eterno de Deus, que nos permite achar prazer no caminho melhor da santidade e da paz, do que é mais correto e que levaremos à eternidade. 
      Mas mesmo você, que viveu sem medo, experimentou dores, e que aprendeu e seguiu persistindo no caminho melhor, não deixe que o tempo te adormeça no leito do orgulho. Se Deus não nos atrair por seu amor, não conseguiremos fazer sequer uma rápida oração no dia, agradecendo por estarmos com saúde. Sem o amor de Deus não existimos, cada boa iniciativa espiritual que tomamos, cada desejo de cultuar, de dizimar, de louvar, de ser fiel e santo, é Deus nos atraindo pelo seu Espírito. Na eternidade seguiremos assim, mas sem o peso do corpo físico, então, se nosso homem interior estiver transformado, pela fé e por boas obras que exercemos no mundo, nosso espírito subirá leve e rápido às regiões celestes mais elevadas em Jesus.

Esta é a 29ª parte da reflexão
“Quem você será na eternidade?”
dividida em 90 partes, para melhor
entendimento leia toda a reflexão.

José Osório de Souza, março de 2021

27/02/22

Firme onde chegou (28/90)

      “E, se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente, e o não lança em rosto, e ser-lhe-á dada. Peça-a, porém, com fé, em nada duvidando; porque o que duvida é semelhante à onda do mar, que é levada pelo vento, e lançada de uma para outra parte. Não pense tal homem que receberá do Senhor alguma coisa. O homem de coração dobre é inconstante em todos os seus caminhos.” 
Tiago 1.5-8

      Um homem inconstante em sua fé poderá morrer de fome mesmo diante de uma mesa de banquete, na dúvida não saberá qual comida escolher e nada comerá. Muitos de nós têm uma tendência ao desespero, assim, quando cometemos um erro, experimentamos um tropeço, temos uma dúvida, colocamos tudo a perder, nos esquecemos de todas as vitórias anteriores e nos identificamos como perdedores definitivos. Não é assim, Deus não nos vê assim, não se esquece de nossos acertos e não nos condena por um erro, mas quem pode ir contra um homem que não acredita em si mesmo? Uma escolha ruim só pode ser desfeita por uma escolha boa, nesse caso, acreditar e prosseguir. 
      Algumas mudanças importantes em nossas vidas provamos de forma racional, pensando certo e agindo sem pestanejar, relevando sentimentos, que muitas vezes só podem nos confundir. É claro que assunção de pecado, solicitação de perdão a Deus e posse de um novo estado emocional de paz, devem preceder todas as decisões. Mas muitas vezes, mesmo depois disso, continuamos em dúvidas, desacreditando de nós mesmos e não permitindo que Deus execute sua vontade. Deus só fala, só age, só se posiciona, depois que nos posicionamos, um coração em paz e uma mente certa constituem a lousa em que Deus escreve sua palavra, ao que crê com inteligência nada é negado.
      Se nós decidirmos, Deus se mostrará, ou ensinando algo novo que não sabíamos até então, ou continuando a fazer o que já estava fazendo e nos esquecemos por causa de um coração dobre. Por experiência própria, a maior parte de nossas angústias experimentamos, não porque não sabemos o que fazer, mas porque duvidamos do que já sabemos. Por outro lado não basta só acreditarmos em nós mesmos, e essa é uma doutrina muito pegada hoje pela auto-ajuda, que empodera o ser humano, mas afasta-o do verdadeiro Deus. Precisamos da humildade ensinada por Jesus, senão seremos só militantes com bandeira certa na mão, mas com intenção errada no coração. 
      Limpe-se em Deus, segure a paz, conheça a vontade do Altíssimo e a faça, depois, fique firme no ponto onde já chegou, se for preciso, até pare, para descansar, mas não retroceda, não jogue fora todas as experiências maravilhosas que você teve em Deus até então. Deus não muda, sua palavra permanece para sempre, se ele promete, ele cumpre, não ponha isso em dúvida. Mas siga sempre humilde, não se exalte, mas deixe Deus se exaltar em você e para você, vivendo assim a luz do Altíssimo sempre estará forte e firme no horizonte, mostrando a você para onde deve ir. Glória a Deus, chama que nos protege e nos atrai para um amor eterno que prevalece sobre tudo.
      Firmeza e constância, são esses trabalhos que de fato podem transformar e manter nossos homens interiores, aqueles que serão revelados na eternidade e que definirão nosso céu ou nosso inferno. Não basta-nos só conhecermos caminhos espirituais, termos intelectualmente informações religiosas, entendermos doutrinas e Bíblia. Por isso o Cristo enfatiza tanto “mas aquele que perseverar até ao fim será salvo” (Mateus 24.13). Não basta-nos crermos uma vez ou nos firmarmos numa profissão de fé, ainda que feita de forma oficial com todos os ritos em igreja reconhecida. Salvação é trabalho diário, lutando contra a carne e dando liberdade ao Santo Espírito. 
      Esse conjunto de reflexões denominado “Quem você será na eternidade?” tem feito questionamentos sérios, reavaliando muitas doutrinas do cristianismo tradicional. Não tenha receio de ler esses textos, mas tenha coragem de colocá-los na presença do Senhor em oração, pedindo-lhe que se algo sobre tua fé, que você entendeu até agora, estiver equivocado, que ele te mostre. Contudo, não se desvie, e desvio é nos colocarmos numa posição onde não temos mais vitória sobre o pecado, forças para darmos bons frutos que permanecem e paz. Saiba onde está, quem é, esteja firme onde chegou, só então, em Deus e pela fé, dê um passo adiante, mas só se teu Deus mandar. 

Esta é a 28ª parte da reflexão
“Quem você será na eternidade?”
dividida em 90 partes, para melhor
entendimento leia toda a reflexão.

José Osório de Souza, março de 2021

26/02/22

Sorriso de Deus (27/90)

      “O coração alegre aformoseia o rosto, mas pela dor do coração o espírito se abate.” 
      “No rosto do entendido se vê a sabedoria, mas os olhos do tolo vagam pelas extremidades da terra.”
      “O homem ímpio endurece o seu rosto; mas o reto considera o seu caminho.”
Provérbios 15.13, 17.24, 21.29

      Sorrir é se abrir, nos abrimos para muitas coisas na vida, para a presença da mulher amada, para o abraço apertado do filho, para o olhar sábio da mãe, para o respeito profundo do amigo. Recebemos quem bem nos quer com um sorriso, que deixa claro que temos todo o tempo do mundo para quem nos ama como somos, e se sente bem só por sorrir para nós. Mas sorrir é mais que emoção, sorrir é chave para uma poderosa comunhão espiritual, permite-nos ser ensinados e consolados pelo Espírito Santo, iluminados pelo amor de Deus que sempre sorri para nós. 
      Sorria, mas não só com o rosto, com o coração, com suas entranhas, sorria de dentro para fora, sem concessões, sem reservas, sorria porque você não deve nada a ninguém, e também não precisa agradar a homens. Sorria porque você é amado de Deus e ele sorri para você, por se agradar com você. Receber a graça de Deus é ter o Santo Espírito sorrindo em nós, isso não se compra, só se permite, quando assumimos e deixamos todo o mal, toda a treva, todo egoísmo e toda vaidade. Espíritos felizes são amigos do pai dos espíritos, homens bons têm espíritos felizes. 
      O sábio sorri com facilidade, sua felicidade é verdadeira, não possui alma presa à culpa e à mágoa. O olhar do malicioso, ainda que ria, é pesado, teme que o mal que plantou se volte contra ele, sabe que sua intenção é falsa, por isso seu olhar é desconfiado, sua alma, opaca. Quem pode entender o puro sorriso do que se humilha diante do Altíssimo? Os tolos olharão para ele e duvidarão, não podem captar o que não possuem, e ainda que tenham bens e honras, nunca terão o sorriso limpo e tranquilo daquele que trilhou o longo caminho da verdade e da retidão. 
      Num devocional pleno, numa comunhão profunda em Deus, num momento de oração pelo Espírito Santo, a mente sorri e o mundo espiritual se abre, o corpo descansa, as emoções se entregam, ainda que comecemos sobrecarregados nos tornamos leves, voamos sem asas. Até na mais restrita das celas o ser encontra plena liberdade, pode contemplar o Altíssimo sorrindo para seu homem interior, esse vivencia a eternidade ainda neste mundo. Essa experiência renova-nos, fortalece-nos, revela-nos os mistérios, é a chave para a intimidade do Senhor. 
      Na eternidade, quando a capa do corpo físico for retirada, o que ficará? O que será exposto à luz do Altíssimo? Se houver receios, remorsos, rancores, preconceitos, o espírito se fechará, como um rosto que se endurece diante da tristeza de coração, contudo, se houver paz, aquela aprendida, conquistada e retida com humildade, o espírito se abrirá, num maravilhoso sorriso. O sorriso não precisa falar, nem precisa entender, ele descobre no silêncio da matéria a sabedoria e o conhecimento de Deus, que dá todas as respostas, que sorri graciosamente para os simples. 
      Um homem antigo, com pouco conhecimento sobre si e sobre o planeta, que não estava preparado para receber o amor de Deus revelado pelo evangelho de Jesus, não podia enxergar o eterno sorriso de Deus. Não esperemos achar esse sorriso em muitos textos do antigo testamento, onde se confiava em Deus para se ter vitória sobre inimigos, também não esperemos ver esse sorriso em textos do novo testamento, onde um inferno eterno era meio de conduzir homens a Deus. Mas hoje, pelo Espírito Santo, os que querem podem contemplar, Deus sorrindo para todos. 
      Que Deus você vê quando contempla o mundo espiritual, um onipotente sisudo, exigente, julgador, ou um ser espiritual aberto, ainda que santíssimo e justo, sorrindo, de braços abertos para você? Muitos de nós passamos anos com a imagem mental de um homem dentro de nós, achando que é a de Deus, imagem que pode ter sido construída tendo como base a figura de nosso pai, de nosso avô, mesmo de algum patrão ou sacerdote religioso. Só os que buscam a Deus com todo o coração e com muita contrição, verão o sorriso do Senhor e serão libertados de superstições. 

Esta é a 27ª parte da reflexão
“Quem você será na eternidade?”
dividida em 90 partes, para melhor
entendimento leia toda a reflexão.

José Osório de Souza, março de 2021

25/02/22

Quem está em Deus tem tudo (26/90)

      “Não me escolhestes vós a mim, mas eu vos escolhi a vós, e vos nomeei, para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça; a fim de que tudo quanto em meu nome pedirdes ao Pai ele vo-lo conceda.” 
João 15.16

      São textos como o acima que nos fazem amar a Bíblia, em um versículo, uma sucessão de eventos ligando o homem a Deus. Em primeiro lugar o princípio fundamental da espiritualidade da luz, começa em Deus e em Deus finda, nós homens somos apenas meios, assim, se alguém acha que tem algum crédito por ter feito a escolha melhor, por ter sido bom, por ter se esforçado para servir a Deus, engana-se. Nosso processo de crescimento ocorre na luz de Deus e fora dela só existe morte, Deus nos atrai por amor e nisso temos forças para fazermos escolhas certas. Se o Altíssimo não nos atraísse, nem todo o trabalho que fizéssemos, nem toda nossa boa intenção e toda nossa fé, nos conduziriam para as mais altas virtudes. 
      Contudo, entendamos certo, todos os seres humanos, de todos os tempos e lugares, são atraídos pelo amor de Deus à sua mais alta luz. Deus não escolhe uns e despreza outros, a escolha que acontece é para as provações, que podem ser expiações ou missões. Mas mesmo essas não são para privilegiar uns e desconsiderar outros, são para respeitar limites e características de cada ser humano, de modo que todos possam ser seus melhores com liberdade e felicidade. Se você está sentindo que deve fazer uma coisa para ajudar alguém, não é para que você se ache superior aos outros, não é você que está escolhendo o que deve fazer para ser melhor, se tua intenção for sincera é muito mais que isso, é inclinação do Espírito de Deus. 
      É Deus quem está te chamando para fazer tal coisa, para glorificar o nome dele servindo ao próximo e seguindo no caminho de virtudes que conduz à luz do Altíssimo. Não é só questão de escolha, de opção humana, mas de responsabilidade com algo muito mais alto, num grande plano divino. Saiba de uma coisa, o plano de Deus nunca se frustra, se alguém não cumpre sua obrigação ele chama outro para cumprir, a tempo e com igual eficiência, contudo, o que perde oportunidade de ser útil perde tempo. Neste mundo, tempo importa, a saúde, a disponibilidade, a energia que temos hoje para fazer algo, podemos não ter amanhã. Saiba, portanto, que é Deus quem te chama e obedeça, o mais depressa possível, não perca tempo.
      “E o vosso fruto permaneça”, gosto dessa frase, não basta dar frutos, mostrar para os homens, colher os louros de boas obras no mundo, o fruto deve ser provado pelo tempo, e o tempo, meus queridos, testa a qualidade de tudo e de todos. Mas não é só uma questão de durabilidade, algo bom que é feito, que passa a existir a partir daí e que segue existindo sem perder a utilidade, algumas coisas não se manifestam no momento que são feitas. Poderá passar muito tempo, alguns acharem até que nada foi feito, contudo, se é semente plantada por Deus, em Deus e para Deus, um dia frutificará, então, dará frutos perenes. Por isso é preciso paciência e confiança em Deus, já que ainda que os homens não saibam ou vejam, Deus sabe.
      Frutos nobres, contudo, ainda que demorem a manifestarem-se, durarão eternamente, levaremos em nossos homens interiores como pedras preciosas em uma coroa, não serão de forma alguma para nos engrandecer, mas para nos fazer iluminados e úteis nas mãos de Deus. Quem atinge esse nível de utilidade espiritual recebe um direito, “a fim de que tudo quanto em meu nome pedirdes ao Pai ele vo-lo conceda”. Eis um privilégio que muitos querem e não entendem, almejam para terem coisas materiais para si, não para serem bênçãos nas vidas dos outros. Chegar num ponto onde tudo o que pedimos Deus nos dá, parece ser recebermos a lâmpada com um gênio, mas é justamente o oposto disso, sobre vários pontos de vista.
      Nenhum pedido é negado ao que sabe pedir, nenhuma resposta é negada ao que sabe perguntar, e sabe o que Deus nunca pode negar? A si mesmo, assim se alguém estiver plenamente nele poderá existir à vontade que será sustentado por ele, será cuidado, suprido, esclarecido e satisfeito, nada falta ao que vive em Deus. Muitas pessoas fazem muitas coisas e Deus não responde suas orações, elas querem ser o que Deus não quer que elas sejam, assim, mesmo ricas, estão insatisfeitas, mesmo honradas pelos homens, não agradam ao Senhor e são infelizes. Temos que saber bem para que Deus nos chamou, só entendendo, aceitando e praticando isso com alegria, daremos frutos que permanecem e seremos sustentados por Deus em tudo. 
      São esses frutos que levaremos à eternidade, quem chegou ao ponto de saber pedir e ter todas os seus pedidos atendidos, entendeu a espiritualidade maior que constrói o céu em seu homem interior. Quem você será na eternidade? Árvore viva ou árvore seca? Assumir que Deus nos chama a desempenhar missões específicas nos leva a viver cada dia no mundo com mais responsabilidade, mas também com confiança. Se Deus chama ela capacita, portanto não podemos usar de desculpas para não fazer algo, não se esse algo de fato for a vontade de Deus para nós, não a nossa vontade ou aquilo que fazemos para agradar a vontade de homens. Ânimo, temos ordem do Altíssimo a cumprir, nossa recompensa melhor está na eternidade. 

Esta é a 26ª parte da reflexão
“Quem você será na eternidade?”
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José Osório de Souza, março de 2021

24/02/22

Amar santifica (25/90)

      “Se me amais, guardai os meus mandamentos.” 
João 14.15

      Temos a tendência de ver a palavra de Deus como uma lista de regras, acreditamos que são mandamentos de Deus, mas tentamos obedecer essas regras com a disposição errada. Por isso muitas vezes não conseguimos obedecer a Deus e pecamos, nos sentindo tão frustrados. Para entendermos nossa aliança com Deus analisemos nossas alianças com as pessoas, nas relações de amizade e de casamento. Quando convivemos com uma pessoa, conversamos com ela, nos confidenciamos com ela, temos cumplicidade com ela em várias áreas, dividimos gastos, moradia, dores e alegrias. Isso pode ser só amizade, mas se também temos vida física íntima e afetiva com uma pessoa, isso é parte de uma aliança chamada casamento. 
      Como assim, só uma parte? Sim, porque a outra parte de um casamento é a fidelidade, ter as experiências citadas com alguém, mas isso de forma exclusiva. Quem tem todas as proximidades e intimidades citadas é porque ama, ninguém consegue praticar um “casamento”, não por muito tempo, se não amar. Quem ama é fiel e não só para obedecer uma lei de forma fria, o amor naturalmente nos faz querer estar mais próximos de alguém, assim como não partilharmos certas coisas com outras pessoas. Amor de casamento estabelece uma aliança naturalmente monogâmica, ainda que amizades genuínas e mais próximas também compartilhem coisas exclusivas, que não são compartilhadas com outros amigos. 
      Conceitos têm surgido, casamento aberto, uniões poligâmicas, poli-amor, ainda que poligamia não seja novidade têm aparecido novas formas desse antigo costume. Mas mesmo que alguns vejam essas modernidades como casamento, não creio que representem o melhor de Deus, mesmo que muitos insistam que sejam expressões válidas de liberdade. São ligações mais baseadas em liberalidade para prática de sexo por prazer, que de fato casamento, buscam muito mais usufruto pessoal que famílias maduras, tanto que essas uniões não duram muito tempo. O ser humano, contudo, é altamente adaptável, e sua moralidade, elástica, sabe-se lá o que a humanidade futura nos reserva de ruim antes que Deus exerça algum juízo. 
      Sobre casamento tenho uma ótica tradicional, ainda que meu entendimento em Deus sobre sexualidade não seja o do cristianismo tradicional. Vejo como casamento adequado e prático aquele entre dois seres humanos, com fidelidade e fazendo todo o possível para que comece certo e dure até o final de suas vidas no mundo. Se viver com uma pessoa de forma plena e verdadeira já é difícil e caro no mundo atual, imagine com mais de uma? O ponto dessa reflexão, contudo, é: amar santifica! Quem ama vive junto, não trai e naturalmente é santo. Um bom casamento, equilibrado, com cumplicidade em todas as áreas, é um castelo forte e resistente contra muitas ciladas do mal. Busquemos isso em Deus, não abramos mãos disso! 
      O erro que podemos cometer é tentarmos ser fiéis sem amarmos de fato, se não há amor o coração está vago e disponível para amar, isso ocorre com amigos, com cônjuges e com Deus. Mas muitos podem dizer com relação a casamento, “mas eu amo, não traio, ajudo minha família nas despesas financeiras, faço lazer com ela, levo minha esposa e meus filhos à igreja”, mas será que isso é feito com amor ou por pura obrigação? Com Deus é semelhante, alguns podem dizer, “mas eu amo a Deus, não falto a cultos, dou meu dízimo, dou bom testemunho no serviço, leio a Bíblia”. A esses a mesma pergunta deve ser feita: você é um bom religioso por amor a Deus ou por medo do inferno e do diabo? No amor não há nenhum medo.  
      Nós seres humanos preferimos fazer um monte de coisas para não amarmos, sacrifícios para não sermos misericordiosos, exibirmos aparências externas ao invés de buscarmos uma vida íntima de devoção a Deus através do amor. Só o amor nos permite ser fortes para sermos fiéis e consequentemente sermos santos, santidade nada mais é que guardar alianças. Tenha uma experiência em amor e não haverá espaço em teu coração para quebrar alianças. Amar nos alimenta de dentro para fora, nos evolui. Quem você será na eternidade? Seu homem interior terá a extensão do amor que você aprendeu a viver e a reter, no céu ele te fará mais bonito e mais forte porque te fará brilhar mais e estar mais próximo da luz e do Altíssimo. 

Esta é a 25ª parte da reflexão
“Quem você será na eternidade?”
dividida em 90 partes, para melhor
entendimento leia toda a reflexão.

José Osório de Souza, março de 2021

23/02/22

Até onde fomos por amor? (24/90)

      “E tu, Cafarnaum, que te ergues até aos céus, serás abatida até aos infernos; porque, se em Sodoma tivessem sido feitos os prodígios que em ti se operaram, teria ela permanecido até hoje. Eu vos digo, porém, que haverá menos rigor para os de Sodoma, no dia do juízo, do que para ti. Naquele tempo, respondendo Jesus, disse: Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, que ocultaste estas coisas aos sábios e entendidos, e as revelaste aos pequeninos.” 
Mateus 11.23-25

      Falarmos sobre amor, mais e mais, é de suma importância numa reflexão sobre eternidade. No mundo, o céu se constrói com amor e o inferno com ausência dele, na eternidade irão ao céu os que estiverem prontos para serem atraídos pelo amor de Deus, no inferno estarão os que dizem não a esse amor. O céu, o melhor de Deus, é o próprio amor do Altíssimo, cada espaço, cada construção, cada palácio que imaginamos ser o céu, cada jardim, cada árvore, cada flor, cada rio, é a luz mais alta emanada do amor de Deus, no qual não há culpa, dor, tristeza, mágoa, saudade que dói, mas um olhar firme e convicto para o alto, para o melhor que somos no amor de Deus. Inferno não é um lugar sem o amor de Deus, o amor de Deus atrai todos em todos os lugares, Deus não cria lugares para sofrimento, só o homem pode criar o inferno, dentro dele quando nega o amor de Deus pelo livre arbítrio.  
      Para entendermos o amor de Deus em primeiro lugar precisamos entender e assumir o nosso amor, o que temos por nós e pelos outros, para depois avaliarmos ambos e não confundirmos as coisas. Julgarmos a Deus por nós, tendo nós mesmos como referência, é um tipo de idolatria, a egolatria, que pode ser um engano, uma insanidade, mas também entrega de legalidade de atuação a espíritos malignos. Ocultismos e satanismos dizem que nós seres humanos somos deuses, que o ser que deve ser adorado somos nós, os homens. Enganam-se os que acham que certas linhas espiritualistas são só adoradores do diabo, não é bem isso. Alguns usam rituais e protocolos mágicos para estabelecerem contato com seres espirituais do mal e terem controle sobre esses, eles querem usar o diabo. O que ocorre então é o contrário? Quem usa quem? Comunhão espiritual pode estabelecer uma relação simbiótica. 
      Diz um ditado, “aquele que estuda o mal é estudado pelo mal”. Seja como for, muitos não respeitam e não conhecem um Deus maior e do bem pois seus deuses são eles mesmos. Isso, contudo, é equívoco que mesmo inconscientemente cristãos podem cometer, quando limitam as virtudes de Deus às suas próprias, por isso a importância de entendermos melhor o nosso amor e o amor do Altíssimo. Como funciona o nosso amor, amamos só quem nos ama? Declaramos amor só para termos direito à intimidade sexual? Achamos que sexo é amor? Amamos só aqueles que frequentam a mesma igreja que a gente, pois só consideramos esses como irmãos espirituais dignos de receberem nosso amor? Nosso amor termina quando alguém nos machuca? Amamos só a família, num afeto que beira à idolatria, enquanto não nos vemos na obrigação de amar desconhecidos, que Deus põe em nossos caminhos? 
      Se como indivíduos nós não entendemos o que é o amor de Deus, é como cristianismo coletivo que esse equívoco é potencializado, ainda que isso não seja assumido. Como percebemos isso? Quando chamamos de pecado condenado à perdição estilos de vida que vão contra a definição de moralidade do cristianismo tradicional, principalmente nas áreas da sexualidade e da família. Meus queridos, que vergonha muitos que se acham cristãos passarão na eternidade por causa disso. Quantas vezes já não ouvimos de púlpitos, e alguns famosos, que todo homoafetivo vai para o inferno, sem direito ao amor de Deus? Quantos são excluídos e desprezados para sempre pelos “irmãos” por quebrarem alianças de matrimônios? Sem chance de tratamento de amor que acompanha com paciência, conhece a doença moral e às vezes até psiquiátrica, para recuperar para o amor de Deus, não para abandonar num inferno? 
      Ah, o meu amor e o seu amor são fracos demais, convenientes demais, egoístas demais, e não estou dizendo que devemos simplesmente passar a mão na cabeça do errado, quem ama confronta com a verdade. Sim, o errado deve sentir profundamente a consequência do seu erro, mas sob disciplina de amor, não de vingança, não como se os que o punissem fossem braços e mãos privilegiados do todo-poderoso para fazerem justiça. De fato muitos serão surpreendidos na eternidade, e logo de cara, no primeiro momento que os olhos físicos se fecharem e os espirituais forem totalmente abertos. Será surpresa de alegria ou de dor? De paz ou de perturbação? De segurança ou de constrangimento? Muitos se sentirão profundamente envergonhados pelo falso cristianismo que viveram no mundo, anos em igrejas, assiduidade em cultos, mas sem prática do amor de Deus, isso meus queridos, é um inferno.  
      Todo tipo de promiscuidade é pecado, vício em sexo, como qualquer vício que controla o homem, é pecado, não importa se essa promiscuidade, se esse vício, faz uso de relações físicas íntimas com o mesmo sexo, com sexo oposto, com uma pessoa, com um grupo, com animais, ou com algum tipo de objeto, artifício ou fetiche, que tem como objetivo só saciar de forma desenfreada apetites carnais, sem respeitar aliança de fidelidade com um companheiro por amor e para toda a vida. Nessas palavras tentei definir o que é sexualidade como pecado, diferenciando de relação íntima que ocorre em casamento santo e em amor entre dois seres, sejam do sexo que forem. Sodoma e Gomorra foram condenadas por causa de promiscuidade e de vício sexual, não por causa de relação homoafetiva, essa é minha posição diante de Deus! Condenar homoafetivo, só por sê-lo, isso sim é pecado sujo.
      Até onde você foi por amor? Não me refiro a suportar casamento tóxico, a não ter amor próprio e por isso pagar preço desnecessário por um falso amor que Deus não pede de ninguém. Me refiro a amigos, a irmãos de igreja, a familiares, a seres humanos que estejam precisando urgentemente de uma atitude verdadeira de amor, pelos quais precisamos persistir, orar, aguardando pacientemente o momento certo para que a palavra certa seja dita de modo a erguer o que está caído. Você, que condena um homossexual, já foi com ele até as últimas consequências do amor? Acompanhou-o, às vezes, por anos, ouvindo-o, conhecendo-o, respeitando-o? Verificou se aquilo que podem ter ensinado a você sobre homossexualidade procede, se ela pode ser curada, ou se é só característica com a qual a pessoa tem que viver para sempre, e que não a impedirá de habitar o céu, muito menos de receber o amor de Deus? 

Esta é a 24ª parte da reflexão
“Quem você será na eternidade?”
dividida em 90 partes, para melhor
entendimento leia toda a reflexão.

José Osório de Souza, março de 2021

22/02/22

Amar protege do mal (23/90)

      “Amados, amemo-nos uns aos outros; porque o amor é de Deus; e qualquer que ama é nascido de Deus e conhece a Deus. Aquele que não ama não conhece a Deus; porque Deus é amor. Nisto se manifesta o amor de Deus para conosco: que Deus enviou seu Filho unigênito ao mundo, para que por ele vivamos.” “Nós o amamos a ele porque ele nos amou primeiro. Se alguém diz: Eu amo a Deus, e odeia a seu irmão, é mentiroso. Pois quem não ama a seu irmão, ao qual viu, como pode amar a Deus, a quem não viu? E dele temos este mandamento: que quem ama a Deus, ame também a seu irmão”.
I João 4.7-9, 19-21

      Com que facilidade condenamos uns ao inferno e outros consideramos reais merecedores do céu, quando odiamos temos o inferno instalado dentro de nós, e quando amamos, o céu desce até nós. Mas até que ponto nossa realidade emocional, ou nossa fantasia mental, reflete a verdade? Sermos libertados da carne não é só fecharmos a boca para fazermos um regime ou pararmos de consumir bebidas alcoólicas e pornografia. A carne usa nosso corpo físico, mas sua essência é espiritual, se não fosse assim o diabo e os demônios, seres puramente espirituais, não estariam tão interessados na carnalidade humana. A carne, como princípio que se opõe ao espírito, também reside no espírito, assim talvez seja mais apropriado entender carne como afastar-se da moralidade e aproximar-se da matéria, e espírito como o desejo de se ter virtudes morais e de se aproximar da mais alta luz espiritual. 
      Na eternidade quem está num inferno, ainda que seja um ser puramente espiritual, continua, de alguma forma, desejando a carne, os prazeres e as ilusões do mundo, ou se prendendo às culpas e dores que vivenciou no plano físico. Já quem está no céu aprendeu a amar as coisas mais altas da vida puramente espiritual, assim olha para cima, não para baixo, sente a atração do amor de Deus e sobe para a luz do Altíssimo. Mas voltando ao ponto, confundimos muito nossa interpretação emocional e mental do mundo, com discernimento espiritual, e isso pode ser um enorme engano. Só conseguimos ter emoções e pensamentos santos, que amam mesmo que a realidade nos leve para o contrário, tendo íntima comunhão espiritual com Deus. Conhecer a Deus é, acima de tudo, conhecer seu amor, só com esse amor podemos amar de verdade a todos, e não só quem nos interessa. 
      Sabe aquela pessoa que mais te incomoda, que te irrita só de estar no ambiente? Cujo riso, jeito, maneira de falar e de reagir, cujas opiniões sobre qualquer coisa, te deixam desconfortável? Não, não precisa ser alguém necessariamente mau, mas é alguém que, como dizem, a “química” parece não bater com a tua. Ela tem algo que você não sabe bem o que é, algo em algum lugar, que faz com que você tenha muita dificuldade para amá-la. Pois bem, essa pessoa Deus ama, profundamente, deseja o bem dela, está sempre pronto para ouvi-la e quer abençoá-la tanto quanto quer abençoar você. Deus não faz nenhuma diferença entre ela e você, para ele vocês são iguais. Esse raciocínio, extremado, pode nos dar uma noção do que é o amor de Deus, e Deus nos orienta a vivenciar um amor com a mesma qualidade, ainda que sejamos seres com potências morais infinitamente menores que a dele. 
      Algo precisa ficar bem claro, Deus ama mesmo aquela pessoa que mais temos dificuldade para amar. Deus vê em alguém, em quem só vemos maldade ou falsidade, a mesma boa intenção, a mesma necessidade de afeto mais puro, a mesma fragilidade, que vê em você e em mim, ainda que nós, do alto de nossos orgulhos e egoísmos, vejamos em alguns só arrogância, só imaginemos ouvir deles, “sou melhor que você e não preciso de você”. Todos nós precisamos de amor, todos nós necessitamos urgentemente do amor de Deus, e todos nós podemos amar com o amor que precisamos receber. Quem nega amor, nega a Deus, nega o seu amor, e mais, a própria existência de Deus, pois Deus é amor eterno e incondicional! Impossível termos qualquer relação com Deus se odiamos alguém, mesmo alguém que aos nossos olhos não merece amor, isso é mentira, todos merecem o amor de Deus. 
      É fácil amar? Não! de maneira alguma, e principalmente algumas pessoas, mas essas pessoas existem em nossas vidas justamente para isso, para nos confrontar com coisas não resolvidas que existem em nós, e que nós não aceitamos, não amamos, e por isso nos envergonham e queremos negar a todo custo. O que isso tem ver com os outros? Tem a ver porque é nessas situações que usamos um mecanismo emocional chamado projeção, o que ele faz? Ele joga nos outros aquilo que não queremos assumir em nós, assim o que nos incomoda nos outros é o que mais existe em nós e nós não gostamos. Se achamos que falamos demais e que isso nos envergonha, que isso revela coisas que gostaríamos de esconder, projetaremos isso nos outros. Aquelas pessoas que achamos que falam demais nos incomodarão a ponto de não conseguirmos amá-las, mas não são elas que não amamos, é a nós mesmos.
      Por outro lado, quem fala demais ouve de menos, se falamos demais não gostamos de ouvir, e mesmo alguns que não necessariamente falem demais, mas talvez só falem aquilo que não queremos ouvir, a esses teremos muita dificuldade para amar. Isso é só um exemplo de projeção, esse mecanismo pode ser usado por nós para escondermos outros assuntos internos nossos não resolvidos. Quem, por exemplo, gostaria de ser mais bonito, invejará alguém que acha que é belo, e por causa disso não conseguirá amá-lo, ainda que na verdade seja belo e não reconheça, e nesse quesito ninguém é feio, todos temos características belas a serem admiradas. A cura está em conhecer o amor de Deus por nós, depois nos amarmos pelo que somos de verdade, e então, só então, teremos condições de aceitarmos as pessoas como elas são e as amarmos. 
      Um alerta precisa ser feito, influenciamos espiritualmente as pessoas de muitas formas, quem não ama alguém também está dizendo que esse alguém não tem direito ao amor de Deus, e se não conectamos a Deus pelo amor, podemos conectar àquilo e àqueles que negam Deus. Isso não é feito só com ódio, indiferença também gera essa condição, intenção é mais poderosa que a palavra e no mundo espiritual intenção é que vale. Se a pessoa caminha em humildade e temor ela está protegida, mas se está andando meio “solta”, ainda que não em pecado explícito, mas numa condição espiritual distante do Senhor, pode, sim, ser influenciada pelo ódio alheio, assim como pela displicência que inconscientemente gera intenção negativa e que conecta-a a influências espirituais maléficas. Amar nos protege de receber e de enviar o mal, de formas que não podemos imaginar. 

Esta é a 23ª parte da reflexão
“Quem você será na eternidade?”
dividida em 90 partes, para melhor
entendimento leia toda a reflexão.

José Osório de Souza, março de 2021

21/02/22

Lei do Cristo (22/90)

      “Não cuideis que vim destruir a lei ou os profetas: não vim ab-rogar, mas cumprir.”
Mateus 5.17
      “Não pensem que vim revogar a Lei ou os Profetas; não vim para revogar, mas para cumprir.” 
v. Nova Almeida Atualizada 

      Após crítica desconstrutiva, não destrutiva, feita até aqui no estudo “Quem você será na eternidade?”, segue reflexão sobre a passagem que considero a mais objetiva da Bíblia para nos ajudar a construir nosso melhor homem interior. No texto bíblico postado no final desta reflexão, Jesus entrega a versão avançada das leis mosaicas, que permite à humanidade atingir o próximo nível de espiritualidade, possível a partir de sua vinda como homem. Na segunda parte de Mateus 5 Jesus começa dizendo que não veio ab-rogar, termo jurídico usado nas versões mais tradicionais da Bíblia, que significa revogar, fazer cessar a existência ou a obrigatoriedade de uma lei, fazer cair em desuso, assim ele não veio desprezar a lei, mas cumpri-la, e na verdade com ainda mais veemência. (Fiz uma reflexão sobre as bem-aventuranças, presentes na primeira parte de Mateus 5, em “Raiz, tronco ou galhos?”). 
      Matamos pessoas o tempo todo dentro de nós, e não pense que isso fica em segredo, intenção é mais poderosa que palavras, intenção pode se comunicar com o mundo espiritual e tanto fazer o bem, quanto o mal, com o mundo espiritual se comunica com o pensamento. Por isso Jesus reavaliou a mandamento não matarás, e matamos ainda antes de xingarmos alguém, de dizermos alguma palavras agressiva. Esse conhecimento é de suma importância para quem quiser conhecer mais profundamente a existência do ser humano, a relação dos planos, e principalmente, aquilo que define nossa qualidade moral e consequentemente quem seremos na eternidade. Muitos calam a boca, tomam esse cuidado, conseguem manter aparência de sabedoria e espiritualidade, de respeito com o outro, mas Deus sabe o que está em seus corações, quanto ódio, quanta inveja, quanto rancor, quanto homicídio. 
      Da mesma forma o adultério, nem precisa ser concretizado, basta intenção no coração e na mente, e meus queridos, não é justamente nosso interior quem o mal tem mais atacado, usando ferramentas eficientes como a internet e dispositivos móveis de telefonia? O vírus HIV, que levou as pessoas a se protegerem mais nas relações sexuais, a Covid 19, que encarcerou muitos em casa por causa do isolamento, e mesmo a falta de grana e o pouco tempo da vida moderna tão corrida, tudo isso tem construído um ser humano solitário. O consolo é a vida virtual, basta um celular conectado à rede mundial para que o divertimento seja achado e desfrutado. Assistir vídeos pornográficos e interagir com desconhecidos por webcams e textos coloca em prática o adultério tanto quanto ir ao motel e consumar o ato, o mal tem acabado mais com casamentos pela internet que com zonas de tolerância. Pecado mental é foco do mal, é o novo estilo de vida, e foi justamente contra isso que Jesus alertou-nos há quase dois mil anos atrás. 
      Que valor tem a palavra do homem hoje em dia? Não, não precisamos jurar por Deus ou por nossos pais, basta-nos nossa palavra, um sim ou um não. Jesus conduz crianças à maturidade, ensina que para gente crescida não há necessidade de ter aval de pais, basta-lhe ser correta, são ações nossas como homens de bem que testemunham que somos filhos de Deus. Contudo, como mentimos muitas vezes, nem sempre para obter algum benefício em negócio, mas por pura política, em nossas relações sociais, só para ficarmos bem com algumas pessoas, só por medo de perdermos aprovações caso digamos a verdade. Infelizmente não podemos estar bem com todos, não porque queremos fazer mal a alguém, mas porque não podemos ser aquilo que alguns querem que sejamos, não podemos prometer algo que não podemos cumprir. Temos que dizer a verdade, “eu não posso te ajudar nisso”, “não concordo com isso”, “não espere pois não vou conseguir fazer isso no prazo”, sim, sim, ou não, não, ainda que perdendo com isso. 
      Mas as duas últimas releituras que Jesus faz são as mais importantes, vão contra as leis mais enraizadas na concepção de vida dos israelitas da velha aliança. “Olho por olho e dente por dente” e “amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo”, uma se refere à justiça, a outra ao amor. Jesus tira a referência dessas virtudes do mundo, de um reino material na Terra, do contexto de uma nação escolhida lutando contra um inimigo que está nas demais nações, e lança a referência para o alto, para Deus, para o reino dos céus na eternidade. Tratarmos alguém, não do mesmo jeito que esse alguém nos trata, mas de maneira oposta, retornando ao mal, o bem, amando aquele que se coloca como nosso inimigo, pode não nos dar benefícios neste mundo, mas nos dará no outro. Isso é não fazer justiça com as próprias mãos aqui e confiar na justiça vindoura de Deus na eternidade, o que Jesus ensinou provocou uma revolução na concepção religiosa judaica e no mundo, que infelizmente muitos até hoje ainda não entendem. 
      O Cristo abriu os olhos dos homens para verem além de sua terra, de seus bens, além do coletivo de uma nação, e contemplarem a eternidade do reino do Altíssimo para cada indivíduo, indiferente da nação que o indivíduo pertença. O poder que realizaria essa revolução não seria o reinado de um descendente de Davi, com o mesmo ou maior poder político e religioso que esse no mundo, o poder seria o amor, de cada ser humano na Terra, judeu ou não, por outro ser humano. Isso é lindo demais, aleluia! Eis o caminho para construirmos o homem interior que seremos na eternidade, para darmos qualidade ao céu que mereceremos, e o consequente livramento de qualquer inferno, seja aqui ou no outro mundo. Ah se todos os cristãos entendessem isso, seriam libertados de religiões, de catolicismo, de protestantismo, de preconceitos, deixariam de se acharem donos de verdades espirituais, teriam uma comunhão com Deus de qualidade ímpar, viveriam de fato o reino de Deus ensinado por Jesus e mudariam o mundo. 

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      “Ouvistes que foi dito aos antigos: Não matarás; mas qualquer que matar será réu de juízo. Eu, porém, vos digo que qualquer que, sem motivo, se encolerizar contra seu irmão, será réu de juízo; e qualquer que disser a seu irmão: Raca, será réu do sinédrio; e qualquer que lhe disser: Louco, será réu do fogo do inferno.”
      “Ouvistes que foi dito aos antigos: Não cometerás adultério. Eu, porém, vos digo, que qualquer que atentar numa mulher para a cobiçar, já em seu coração cometeu adultério com ela.”
      “Outrossim, ouvistes que foi dito aos antigos: Não perjurarás, mas cumprirás os teus juramentos ao Senhor. Eu, porém, vos digo que de maneira nenhuma jureis; nem pelo céu, porque é o trono de Deus; Nem pela terra, porque é o escabelo de seus pés; nem por Jerusalém, porque é a cidade do grande Rei; Nem jurarás pela tua cabeça, porque não podes tornar um cabelo branco ou preto. Seja, porém, o vosso falar: Sim, sim; Não, não; porque o que passa disto é de procedência maligna.”
      “Ouvistes que foi dito: Olho por olho, e dente por dente. Eu, porém, vos digo que não resistais ao mal; mas, se qualquer te bater na face direita, oferece-lhe também a outra”
      “Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo, e odiarás o teu inimigo. Eu, porém, vos digo: amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem; para que sejais filhos do vosso Pai que está nos céus; porque faz que o seu sol se levante sobre maus e bons, e a chuva desça sobre justos e injustos.”

Mateus 5.21-22, 27-28, 33-37, 38-39, 43-45


Esta é a 22ª parte da reflexão
“Quem você será na eternidade?”
dividida em 90 partes, para melhor
entendimento leia toda a reflexão.

José Osório de Souza, março de 2021

20/02/22

Óculos ou antolhos? (21/90)

      “Ouve tu, filho meu, e sê sábio, e dirige no caminho o teu coração.” 
Provérbios 23.19

      O que você precisa para caminhar, de óculos ou de antolhos? Alguns seguem mesmo sem óculos, com dificuldade, mas vão em frente, fazendo as escolhas certas. É claro que quando admitem suas limitações, suas doenças, que começam a usar óculos, que não são parte original deles, mas acessórios adquiridos, a visão melhora e fazerem escolhas melhores fica-lhes mais fácil. Outros, mesmo com ótima visão, escolhem errado, confiam em si mesmos por terem mais capacidades naturais e não caminham para a direção certa. 
      O que está no fim do caminho ninguém sabe, nem o que enxerga bem, nem o que precisa de óculos, por isso escolhas refinam nossa jornada, mas isso ocorre aos poucos, cada novo trecho deve ser percorrido com escolhas melhores de fé e de boa intenção. Mas tem os que permitem que outros lhes ponham antolhos, aqueles acessórios que são colocados em cavalos e outros animais e que limitam a visão lateral desses, de modo que sigam com mais facilidade para a direção que o cavaleiro escolhe e dirige através do cabresto. 
      Não há nada de errado em adicionar acessórios externos ou subtrair tendências naturais do ser humano, para que esse fique mais eficiente para alcançar um objetivo, desde que isso seja vontade de Deus para fazer a vontade de Deus. O que Deus não quer que façamos não deve ser feito, nem que tenhamos em nós capacidades naturais para isso, nem usando outros meios. Da mesma forma, o que Deus quer que façamos pode ser feito deixando de usar tendências naturais assim como utilizando acessórios que nos completem. 
      Algumas pessoas precisam de antolhos, não vivem sem eles, infelizmente, no atual grau espiritual da humanidade, nível que já persiste por uns séculos, uma grande maioria de homens e de cristãos, não exerce religiosidade sem antolhos. Eles tornam a vida mais fácil, o que não se enxerga não é empecilho, “o que os olhos não veem o coração não sente”, como diz o ditado. Existem antolhos para todos os gostos e com preços variados, conforme a pompa religiosa que as pessoas querem exibir no mundo aos seus pares. 
      Se alguns ouvem, “o inferno eterno é um conceito que não casa com um amor irrestrito de Deus”, eles respondem, “mas minha religião diz que inferno existe para os que não amam a Deus”, como se o amor de Deus estivesse relacionado ao nosso amor por ele. Se fosse assim estaríamos todos em infinita condenação. Contudo, esses seguem argumentando, “somos salvos por fé em Cristo, isso nos dá o céu”, mas e quanto a tantos, que por um motivo ou outro, nunca ouviram uma palavra adequada sobre Cristo, o salvador?
      Não existe diálogo com quem usa antolhos e cabresto, eles verão o que escolheram enxergar quando permitiram que homens lhes colocassem tais acessórios religiosos. Contradizê-los só os levará a nos taxar de desviados, hereges e rebeldes. Uso de cabresto delega para o outro o direito de escolha, antolhos permitem que só se veja aquilo que se é conduzido a ver, assim não há necessidade de pensar, de orar, de reavaliar, de trabalhar, antolhos e cabresto infantilizam as pessoas, as distanciam da luz mais alta de Deus. 
      Só tem um jeito de se crescer espiritualmente, de se conhecer as verdades maiores de Deus e do mundo espiritual, caminhando-se só, fazendo escolhas baseadas em Deus, não nas religiões. Isso não significa não frequentar igrejas, mas é preciso separar as coisas, vida social necessária em que podemos aprender e ensinar convivendo com pares, com aquilo que somos de verdade e sabemos em Deus. A mais alta espiritualidade não se compartilha em púlpitos, mas guarda-se no coração como tesouro precioso que é. 
      Quando entendemos isso percebemos que nem tudo podemos contar, mesmo para irmãos de igreja, isso não é viver em hipocrisia, mas em sabedoria, entendendo que Deus usa as religiões, mas as religiões não são Deus. Se achar que está enxergando mal, adquira óculos, mas não use antolhos, escolha com sabedoria dada por Deus, mas não permita que outros escolham por você com cabresto. À liberdade somos chamados, para evoluirmos como indivíduos, sozinhos chegamos ao mundo e sozinhos partiremos para a eternidade. 

Esta é a 21ª parte da reflexão
“Quem você será na eternidade?”
dividida em 90 partes, para melhor
entendimento leia toda a reflexão.

José Osório de Souza, março de 2021

19/02/22

Livre-se do pesado lixo (20/90)

      “Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus” 
Mateus 5.8

      O que merece o inferno não é o ser humano, mas o lixo que ele pode acumular em si. Lixo são vícios, remorsos, rancores, ódios, invejas, adultérios, toda espécie de excessos que ainda que a princípio sejam necessidades físicas e afetivas, se transformam em obsessões quando controlam o homem, ao invés do homem controlá-los. A espiritualidade mais alta de Deus, como tantas vezes já dissemos, é gradativa, e é assim porque o Senhor nos conhece e sabe que não podemos administrar todos os conhecimentos e experiências da luz de uma vez. Isso seria mais para nossa perdição que para a nossa salvação, dessa forma ela é manifestada aos poucos, à medida que nossa prática moral se eleva. 
      Uma pena encharcada de sujeira no chão não pode flutuar, ainda que o vento bata nela, a chacoalhe, se estiver muito grudada na lama, pesada e desfigurada, continuará lá embaixo, quem a ver achará até que ela faz parte daquele lugar sujo, que ela é aquilo. Contudo, se uma chuva tranquila, não violenta que poderia iludi-la fazendo-a a princípio até achar que está sendo limpa, mas que depois, por causa do torrencial de água, poderia levá-la para mais fundo do lamaçal, se essa chuva caísse sobre a pena, pacientemente molhando-a, ela poderia ser limpa. Depois, raios mornos do Sol, não escaldantes, poderiam repousar sobre ela e secá-la, deixando-o limpa e leve, diferenciando-a do chão enlameado. 
      Deus permite que comecemos no chão, na lama, então ele usa a chuva de sua palavra, que nos santifica, e depois o Sol da inteligência, que separa as coisas, tira os excessos, mesmo de coisas que podemos achar boas, mas que também podem nos fazer pesar. O Senhor usa isso no tempo, na intensidade certa, lentamente, para que possamos ser desprendidos o suficiente de egoísmos, sensualidades e vaidades, e então, estarmos preparados, para que o vento do Espírito Santo, que também é delicado, perceptível só para os humildes, sopre em nós e nos levante. Só assim poderemos subir ao mais alto céu onde seremos conectados ao pássaro maior, junto de milhares outras penas, nossos irmãos.
      Qual o trabalho do ser para merecer a melhor eternidade? Livrar-se do lixo, tornar-se leve, o lixo não faz parte dele, não de sua essência espiritual original. Esse lixo é tudo que a existência material nos diz que é relevante, que podem ser até bons conhecimentos e boas vivências, não é só o mal explícito, mas que não poderá resistir à luz de Deus na eternidade. Somos acumuladores compulsivos, não conseguimos nos identificar sem agregarmos coisas a nós, assim, não é o José, mas o músico, não é a Maria, mas a professora, não é a Júlia, mas a engenheira, não é a Ana, mas a jornalista. Sem os títulos achamos que nada somos, que engano, títulos não vão para o céu, nosso espírito não precisa deles. 
      Ah, quanto lixo as pessoas levam com elas achando que são medalhas, espólios, valores que as definem, que as honram no mundo, quando são só inseguranças, recalques, vinganças, armas de submissão. Ainda que pensem não poderem ser fortes diante dos homens sem elas, são só lixo. Elas vão a cultos acumuladas assim, pregam e se usam como exemplos de espiritualidade entupidas de lixo, acreditam mesmo que são riquezas que Deus lhes deu e que merecem ter e exibir. Esse lixo se tornou parte delas de um jeito que não podem mais se levantar de manhã de suas camas sem ele, não é só capa, sapatos e roupas, é pele, carne, músculos, ossos e veias. Na eternidade bastará espíritos puros. 
      Títulos, assim com bens, aparência externa, aprovação humana, mesmo religiosidade, se forem usados como objetos de vaidade, não como ferramentas para auxiliar o próximo, não purificam nossas almas, não as deixam mais leves, mas só as fazem pesar, pesado ninguém vê a Deus. O que mantém os homens no inferno? O peso do lixo. Só os leves suficientes para subirem para o amor de Deus acharão na eternidade a luz mais alta, a paz, a felicidade. Como ser leve? Por Jesus, aprendendo pelo exemplo de sua vida como homem, colocando-se na presença de Deus pelo seu nome, para então poder subir, pelo caminho do Espírito Santo, ao céu, isso inicia-se ainda neste mundo, aos que querem. 

Esta é a 20ª parte da reflexão
“Quem você será na eternidade?”
dividida em 90 partes, para melhor
entendimento leia toda a reflexão.

José Osório de Souza, março de 2021

18/02/22

Princípios eternos (19/90)

      “Mandaram-lhe, pois, suas irmãs dizer: Senhor, eis que está enfermo aquele que tu amas. E Jesus, ouvindo isto, disse: Esta enfermidade não é para morte, mas para glória de Deus, para que o Filho de Deus seja glorificado por ela.” “Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá; e todo aquele que vive, e crê em mim, nunca morrerá. Crês tu isto?”
  João 11.3-4, 25-26

      A existência no mundo é uma internação hospitalar! Na Terra somos todos enfermos precisando de tratamento, se não fosse assim não estaríamos aqui. Negar isso é negar a encarnação, é negar a doença, é negar a cura, é negar a vida. Muitos estão neste mundo achando-se sadios, apoiados por ideologias que pregam que não existem doenças, não neles, mas nos outros, e que por isso têm condições de militarem por causas de todos. Essa doutrinação, talvez a principal estratégia do mal atual justamente por se disfarçar de bem, entrega poder ao indivíduo, principalmente a indivíduos desrespeitados por preconceitos históricos, coloca muitas vezes Deus fora da equação. Por isso, não pela falta de legitimidade das causas, muitos morrem, não se assumem doentes, não buscam cura, e se consideram médicos aptos para cuidar dos outros. 
      Vida eterna não tem nas virtudes a causa, vida e virtudes são efeitos de Deus! Virtudes, negando Deus, são morte, o homem só pode adquirir vida caminhando para Deus, para o alto onde as virtudes estão. Longe de Deus não existe vida, ainda que se tenha boas intenções, que se lute por justiça, que se respeite a razoabilidade e a ciência. Para conquistar o mundo e a eternidade nossa essência espiritual usa como ferramenta a inteligência humana, mas a inteligência não pode usar o espírito. Infelizmente, após séculos achando que Deus se encontra num cristianismo de homens, muitos se convenceram que fé e ciência são opositores, dessa forma hoje muitos pensam que espiritualidade é ignorância, que não há conciliação entre um homem racional e lúcido e um ser humano crédulo em Deus e com moralidade evangélica. 
      Nossa condição de morte neste mundo não é para a condenação, mas para a salvação! Todos nós podemos ser salvos, Jesus mostrou o caminho quando se encarnou e continua mostrando pelo Espírito Santo. O texto inicial dá ensinos reveladores que vão muito além da interpretação que a tradição cristã dá a ele, principalmente sobre a ressurreição. “Todo aquele que vive e crê em mim, nunca morrerá”, cremos nisso? De verdade? O que é a morte senão escolha de distanciamento de Deus? E nessa posição não existe necessariamente coisas ruins, muitos estão longe de Deus e desfrutam, não só de prosperidade material, fruto de seu trabalho honesto, como paz para lutarem por causas nobres. Mas esses têm paz interior? Não, porque não existe paz longe de Deus, por isso estão em trevas, ainda que se considerem iluminados. 
      O inferno aloja-se naturalmente em quem não adora a Deus! Inferno não é um lugar só para fascínoras, abusadores, viciados, gente má e perdida, entretanto, adorar a Deus é muito mais que cantar hinos, ser assíduo em missas e cultos, mesmo orar em nome do Cristo. Adorar é estar em íntima comunhão com Deus pelo Espírito Santo, não é uma condição estática de contemplação, ainda que isso possa ser o primeiro passo. A maioria dos cristãos, contudo, para aí, acha que o fim da espiritualidade seja justamente aquilo que é só o início, por isso acaba presa de dogmas, superstições e medos do desconhecido. Muitos provarão “infernos” após a morte do corpo, ainda que estivessem certos, em seus últimos momentos encarnados, sobre seus direitos ao “céu”, porque só tinham fria certeza intelectual, não convicção espiritual viva. 
      Disse Jesus, “sou a ressurreição e a vida, quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá”! “Senhor, eis que está enfermo aquele que tu amas”, eu, você, todos estamos enfermos, e todos somos sempre amados por Deus, “crês tu isto?” Muitos cristãos não creem, ainda que confiem em dogmas, já que isso não é necessariamente fé que salva, mesmo que tais dogmas tenham sido narrativas relevantes para homens do passado. Eis dois princípios eternos: livre arbítrio, que permite ao ser humano escolher sempre, e amor divino, que permite a Jesus salvar sempre. Quando ambos se cruzam a eternidade interior é alterada, esteja o homem onde estiver. Leve o dogma à presença de Deus e peça que ele te mostre a verdade, se fizer isso com fé e sem medo, entenderá um desconhecido sobre o qual até agora você só pôs um olhar supersticioso. 

Esta é a 19ª parte da reflexão
“Quem você será na eternidade?”
dividida em 90 partes, para melhor
entendimento leia toda a reflexão.

José Osório de Souza, março de 2021