22/08/11

Aos poucos

“Não os expulsarei num só ano, pois a terra se tornaria desolada e os animais selvagens se multiplicariam, ameaçando vocês. Eu os expulsarei aos poucos, até que vocês sejam numerosos o suficiente para tomar posse da terra” Êxodo 23:29-30

      Às vezes é mais interessante que Deus nos dê as coisas aos poucos. Nós, porém, debaixo de nossa miopia espiritual, brigamos com Deus, temos pressa, não sabemos esperar, queremos tudo e já. Que criancice.
      No caso de Israel, se o povo chegasse à Canaã e a terra já estivesse vazia, estaria entregue às forças da natureza, às intempéries, aos animais selvagens. Deus expulsou os inimigos aos poucos, de forma que a terra fosse conservada em sua melhor forma para que quando Israel a tomasse tivesse menos trabalho.
      Não é interessante, Deus pode estar mantendo aquilo que é para ser teu, nas mãos de outro, para que a tua posse seja guardada e aumentada. Quando ela estiver pronta, Deus a passará para você. Deus usa o ímpio para trabalhar para o justo, parece loucura? É o que o texto diz.
      Deus também deu a terra prometida aos poucos para Israel para aguardar o melhor momento de Israel. Deus esperou até Israel estar pronto, forte, com um exército numeroso. É isso, vamos acalmar nossas almas, segurar nossas ansiedades, segurar mesmo, aprender a viver tranquilo, sem pressa. Deus sabe o que faz, nosso único trabalho enquanto isso é esperar e crer. No momento certo, sob a ordem de Deus, conquistaremos a nossa Canaã.

21/08/11

Quem serve a Deus precisa segui-lo

“Quem me serve precisa seguir-me, e, onde estou, o meu servo também estará. Aquele que me serve, meu Pai o honrará” João 12:26

      Pra que direção está indo a tua vida? Está vivendo pra pagar dívidas, escolhendo a parcela mínima do cartão de crédito, sustentando as tuas vaidades e o sistema financeiro?
      Não, não me entenda mal, todos nós temos direito a conforto e mesmo aos brinquedos tecnológicos modernos, que são tão sedutores. Mas é preciso pensar seriamente se a nossa vida não se transformou somente nisso, comprar e pagar, de preferência em suaves e longas prestações.
      Quem é o teu senhor, é alguma “Casas Paraíba” ou “Lojas Zen”, (estes nomes são fictícios, qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência) ou é Deus? Na prática, responda para si mesmo.
      Obedecer a Deus não é vivenciar uma vida insípida, sem prazer e sem objetivo pessoal, não é isso não, mas é aprender a dar valor certo para cada coisa. Os que andam com Deus aprendem a ter uma existência equilibrada. Esses também provam libertação emocional e física, através do poder de Deus. O melhor de tudo é experimentar o perdão, que torna a vida feliz e realmente possuidora de paz.
      Obedecer a Deus é testemunhar essas dádivas, principalmente no mundo, entre aqueles que não conhecem a Deus de verdade. A luz brilha muito mais nas trevas do quem em lugares iluminados. Seguir a Deus não é deixar de ter ou de gostar das coisas temporais, mas é não dar tanta importância assim para o fato de tê-las. Se as temos, tudo bem, mas se faltarem, tudo bem também. Todavia Deus não deixa que nada falte aos seus amados, aqueles que o seguem. Quem segue a Deus tem as coisas, mas quem segue as coisas, nunca terá nada.
      Pergunto novamente, quem você está seguindo? Responda isso para si mesmo.

20/08/11

"Morte do cristianismo"?

“Porque o que sucede aos filhos dos homens, isso mesmo também sucede aos animais, e lhes sucede a mesma coisa; como morre um, assim morre o outro; e todos têm o mesmo fôlego, e a vantagem dos homens sobre os animais não é nenhuma, porque todos são vaidade”. “Eu sei que tudo quanto Deus faz durará eternamente; nada se lhe deve acrescentar, e nada se lhe deve tirar; e isto faz Deus para que haja temor diante dele” Eclesiastes 3:19 e 3:14

      A morte do cristianismo? Não, mas as instituições cristãs, todas elas, já estão em estado de coma a algum tempo. Não se iluda, você que é da chamada oficial, ou você que é da que protestou contra a oficial, ou você que protestou contra a que protestou. Todas as instituições estão batendo as botas. Mas tinha que ser diferente? Acredito que não. O que a alma do homem cria está fadado a falecer. Tem começo, meio e fim, nunca será eterno. Por quê? Porque foi criado pela alma, centro das emoções e pensamentos humanos, intrinsecamente finita. Assim é com a arte, com a filosofia e mesmo com a ciência. O que é um fundamento seguro hoje, pode ser estilhaçado amanhã, quando um novo fundamento é elaborado e aceito pela maioria. Mas as instituições são desnecessárias, esta é a verdade, pelo menos seriam se as pessoas tivessem coragem para confiar num Deus pessoal, buscando agradá-lo, e não às outras pessoas. As instituições cristãs se fortaleceram com as fraquezas humanas, com a preguiça espiritual, com a religiosidade.
      Entre quinhentos e mil anos atrás era diferente, tinha-se que engolir “a” instituição cristã, com sua doutrina maniqueísta, colocando o homem como um frágil joguete das forças morais. Os poucos que se levantavam, com uma crítica racional, contra a arrogância da instituição cristã que se achava no direito de interpretar todas as áreas da existência através de sua ótica dos textos e tradições judaicas e cristãs, eram calados à força. E é importante que se diga que a instituição fazia esse controle da humanidade não porque se achasse, mesmo sendo isso uma insanidade, dona dos destinos das almas humanas, isso pelo menos seria um motivo que poderia ser chamado de espiritual. A instituição fazia isso simplesmente para lucrar e lucrar poder neste mundo, riquezas, terras, posições políticas, grana, era materialismo puro (até lotes no céu eram vendidos).
      Mas as instituições chamadas cristãs perderam a força, e estão perdendo cada dia mais. As pessoas podem pensar diferente que não serão mortas por isso, não precisarão mais se esconder dentro de ordens secretas ou em grutas. Veja que neste momento não estou defendendo o cristianismo, mas a liberdade de pensar e de escolher. Também estou poupando as grandes instituições cristãs, ou “a” grande, usando a palavra instituição, genericamente, e não dando nomes aos bois, bem, você entendeu (só pra constar, instituição, conforme o dicionário Michaelis, é um “complexo integrado por ideias, padrões de comportamento, relações inter-humanas e, muitas vezes, um equipamento material, organizados em torno de um interesse socialmente reconhecido”).
      O que tem decretado a suposta morte do cristianismo é o racionalismo científico. A ciência tem sido opositora à religião. Mas a ciência realmente se opõe à religião, ao cristianismo? Eu não acredito nisso, não se ambas forem legítimas. A verdadeira ciência se opõe, sim, à falsa religião, e a verdadeira religião se opõe à falsa ciência. Contudo, o que ocorre é que elas são coisas diferentes, com propostas de entendimento de áreas diferentes do ser humano. Quando “a” instituição cristã pretendeu ditar princípios científicos, além dos religiosos, para se apossar do poder deste mundo, ela lançou o mundo ocidental numa chamada “idade das trevas”, com isso perdeu sua legitimidade. A mesma coisa acontece quando a ciência quer intervir na experiência religiosa, pode levar o homem à escravidão do ateísmo, algo que, ao meu ver, é impossível. Não acredito que alguém possa ser absolutamente ateu.
      Seria tão fácil a convivência, se ambas tivessem um pouco de humildade. A ciência se propõe a descobrir e explicar as coisas através da metodologia científica, sua ferramenta, então que assim seja. Contudo não tente ela negar aquilo que é experimentado pela fé, que é a ferramenta de uso da religião. Se a ciência não pode provar que as experiências religiosas são verdadeiras, ela também não pode provar que as experiências não são, que caminhem juntas, ora bolas.
      A religião, por sua vez, deve usar a razão para discernir aquilo que é legítimo ou não nas experiências religiosas. Claro que esse uso deve ser feito debaixo do temor de Deus. Mas assim como a ciência se intromete em assuntos que ela ainda não explica e talvez nunca irá explicar, a religião também aceita como verdade, fantasias que não passam de criação das mentes humanas, nada têm a ver com Deus (quer exemplos? Santo sudário, estátuas que choram, estigmas, e aí vai). A verdadeira religião cristã não nega ao homem o direito de usar a inteligência, a falsa religião sim. Por quê? Para poder ter mais controle, quem não pensa, principalmente como indivíduo, é fácil de ser manipulado, é somente um no meio da massa.
      Contribuiu para o tal decreto da morte do cristianismo, dentre outras coisas, os estudos psicanalíticos de Freud e a Teoria da Evolução de Darwin. (Sobre Freud nós já falamos alguma coisa na postagem “Superego ou Deus?”, quando puder, dá uma conferida.) Mas quem disse que o evolucionismo não cabe no criacionismo? Quem disse que os sete dias da criação foram sete períodos de vinte e quatro horas, ao pé da letra? Não que Deus não possa criar um mundo em sete dias de vinte e quatro horas, eu creio que pode. Mas não podem ter sido sete eras de milhares de anos? E qual é o problema que há em se chamar de “Adão” o primeiro homo sapiens sapiens? Um primata bípede, com um cérebro  desenvolvido, com raciocínio abstrato e linguagem, associada a um corpo ereto que lhe possibilitaram o uso dos braços para manipular objetos, etc, etc, etc? (Quer saber mais consulte um livro de antropologia, não é pecado não, crente.)
      Então se é assim, por que Deus não permitiu que isso fosse escrito na Bíblia? Os textos bíblicos mais antigos remontam a três mil e quinhentos anos atrás (quando Moisés começou a escrever o Pentatêuco). O povo daquela época, e mesmo muita gente de hoje em dia, não entenderia essa explicação científica. Mas nem precisaria entender, o objetivo de Deus foi deixar claro que seja lá quando foi e como foi, ele acompanhou a criação, mais ainda orientou-a, a permitiu, a executou, desde que o primeiro organismo monocelular foi gerado nas águas do nosso planeta ou foi trazido pela poeira de estrelas. Poeira de estrelas ou organismo monocelular, passando pelos primeiros primatas até o homo sapiens sapiens, Deus estava no controle, e sempre estará.
      Todavia isso não impede que hoje, no grau de maturidade racional e emocional que a humanidade está chegando, ou pensa que está, o homem estude profundamente as coisas, não para provar que a Bíblia está errada ou que Deus não existe, mas para entender como Deus fez tudo em seus detalhes. Isso não é para ser uma disputa contra a religião, mas um privilégio, uma graça, uma oportunidade de usar a inteligência humana para saber como todo o processo realmente aconteceu, de um modo tão maravilhoso.
      A religião e a ciência, se forem realizadas com verdade, caminharão para o mesmo destino, apesar de terem começado em lugares distintos. Eu só não sei se a humanidade terá tempo para isso, se o fim não vai chegar antes. Mas eu sempre fico imaginando, onde estaria a ciência se o pecado não tivesse entrado na nossa história, fazendo com que todo o sistema de vida deste planeta entrasse em decadência. Acho que já estaríamos colonizando outros sistemas solares a algum tempo. Já pensou nisso?
      Então, você que é cristão, não se preocupe com o fato das instituições estarem morrendo. Elas são usadas por Deus, mas elas não podem usar a Deus, elas podem conter um pouco de Deus, não ele todo. A verdadeira Igreja é feita de carne, alma e espírito, das pessoas que realmente andam com Deus e que conhecem a Jesus como o único caminho entre Deus e os homens. “E odiados de todos sereis por causa do meu nome, mas aquele que perseverar até ao fim será salvo”, (Mateus 10:22). Vai chegar o tempo em que as pessoas não poderão mais se esconder do mundo dentro da igreja, da religiosidade, sob o manto licencioso da instituição, vestindo somente disfarces de santos. Nesse tempo, a fé terá que ser genuína, a santidade notória, e o coração, um só com Deus. Se ainda não pensamos, é bom começarmos a pensar nisso, seriamente.

19/08/11

"Espírito dos deuses santos"?

      “E ele prosseguiu: "Não tenha medo, Daniel. Desde o primeiro dia em que você decidiu buscar entendimento e humilhar-se diante do seu Deus, suas palavras foram ouvidas, e eu vim em resposta a elas” Daniel 10:12

      O livro de Daniel tem doze capítulos, metade do livro descreve as situações que Daniel e seus três amigos foram, muitas vezes só por inveja, confrontados a testemunhar de seu Deus mesmo pondo em perigo suas vidas. Em todas as situações uma perspectiva de destruição inicial findou-se em grande glória para os quatro. Inicialmente servindo no meio dos eunucos, tornaram-se governantes no império caldeu, medo e persa.
      Foi muita luta para Daniel, mas a sua persistência, o seu caráter e a sua confiança em Deus lhes trouxeram privilégio muito maior que a posição política proeminente no meio daqueles que deveriam ser somente seus escravizadores. A Daniel foram revelados acontecimentos futuros, que ocorreriam centenas de anos após sua vida neste mundo. Ele teve experiências com o mundo espiritual que poucos, à semelhança de João o evangelista, tiveram. Sim, valeu à pena ele ter confiado em Deus, enfrentado os poderosos, se mantido santo. Daniel obteve a intimidade do Senhor, que só conseguem os que são muito chegados a Deus. Daniel era um cara muito especial.
      A expressão “espírito dos deuses santos” é citada cinco vezes no livro de Daniel (Daniel 4:8, 4:9, 4:18, 5:11 e 5:14, versão Almeida Corrigida e Revisada Fiel), essa expressão me chamou a atenção. É importante entender que o conceito de monoteísmo não era popular naquela época. As nações acreditavam em vários deuses e para elas o Deus de Israel era apenas mais um. Mas Nabucodonosor talvez tenha entendido pelo menos em parte o assunto, o Deus de Israel era o maior dos deuses. Outra coisa que ele percebeu é que o espírito que dava a Daniel a habilidade de discernir sonhos e visões era o espírito dos deuses santos. Diferente dos outros deuses, os de Daniel eram santos, limpos. Mesmo continuando com o conceito politeísta, Nabucodonosor viu que havia santidade no espírito de Daniel, diferente dos espíritos de adivinhação dos outros ditos sábios e magos de sua nação.
      Ser reconhecido pela santidade, como um filho de Deus, essa é a melhor maneira de se testemunhar de Deus. O filho de Deus não precisa ser o mais inteligente, o mais bonito, o mais articulado, o mais rico, mas deve ser santo. Foi por isso, pela santidade, que Daniel e os amigos lutaram desde o início. E veja que seria bem mais fácil se eles tivessem seguindo a maneira de viver da maioria. Eles já estavam em honra no meio dos caldeus, tinham sido escolhidos por suas qualidades para desempenharem cargos importantes. Pra que eles precisavam arrumar “encrenca”? Mas os cargos que eles tinham não subiram as suas cabeças, serem separados de Deus, santo, ainda era mais importante. O resultado foi que Deus deu a eles posições melhores ainda.

      “Meu Deus, muda o meu coração rebelde, faça-me entender o testemunho de Daniel, faça-me ver o que a Bíblia lança no meu rosto com tanta clareza, faça-me experimentar uma existência onde nada, nada mesmo, pode substituir uma vida de intimidade com o Senhor, de obediência, de santidade. As outras preocupações deste mundo? O Senhor cuida pra mim”, essa é a minha oração, faça a tua.

      “Eu ouvi, mas não compreendi. Por isso perguntei: "Meu senhor, qual será o resultado disso tudo? " Ele respondeu: "Siga o seu caminho, Daniel, pois as palavras estão seladas e lacradas até o tempo do fim. Muitos serão purificados, alvejados e refinados, mas os ímpios continuarão ímpios. Nenhum dos ímpios levará isto em consideração, mas os sábios sim” Daniel 12:8-10

18/08/11

O que está entre você e as pessoas?

Tua desconfiança? Teus muros? Uma profunda valeta? Culpa? O que vai à frente de você, quando você se confronta com a vida, com as situações? Quilômetros e quilômetros de distância? Fantasmas do passado? Um tanque de guerra?
      Na verdade, se Jesus não estiver entre você e as pessoas, nada mais vai estar. Contudo, se nada estiver você vai tentar se enganar, se iludir, inventar coisas para tentar convencer a si mesmo de que tem alguma proteção. Proteção contra o quê? Contra tudo, pois quando se está só, tudo nos atinge.
      Se Jesus estiver na tua frente, a coisa muda. Você tem certeza de que os teus pecados, todos, mas todos mesmo, desde aquele que você considera o menor até o mais grandão, foram plenamente perdoados. Pelo nome de Jesus você está limpo, todo o pecado que você verbalizou num pedido de perdão sentido e convicto foi esquecido, arrancado de tua alma.
      Mas além do perdão, Jesus vai a tua frente, preparando o caminho, vencendo os inimigos, abrindo portas de benção, fazendo aquilo que você não pode fazer. O que as pessoas veem entre você e elas? Se Jesus estiver a tua frente elas verão um temperamento tranquilo, uma alma equilibrada, uma mente limpa e livre de segundas intenções. Se isso acontecer elas se sentirão ridículas, se quiserem brigar com você, porque você simplesmente não tem nenhuma arma nas mãos, está em paz.
      Podemos saber se Jesus está realmente a nossa frente, verificando o grau de acessibilidade que temos. Somos pessoas de fácil acesso? Estamos sempre prontos para receber as pessoas com o coração aberto, cheios de benignidade e misericórdia? Ou não, dependendo do momento, estamos bem fechados, não queremos nem atender telefone. Ou então podemos ser do tipo que na ação somos bem bonzinhos, quando decidimos conversar com alguém, quando queremos. Contudo na reação, quando somos pegos de surpresa, aí a coisa muda.
      Jesus nos torna leves, não temos nada a temer com ele, e o que mais tememos não é que nossos pontos francos sejam revelados? Mas com Jesus não se tem ponto fraco, ele nos fortalece, em tudo. Quanto tempo perdemos andando sozinhos, criando exércitos de areia que se desfazem com o menor toque, com um simples olhar, que não nos protegem de nada porque nada são. Todavia “Sempre tenho o Senhor diante de mim. Com ele à minha direita, não serei abalado”, Salmos 16:8.

17/08/11

Atrevidos?

“Furioso, Nabucodonosor mandou chamar Sadraque, Mesaque e Abede-Nego. E assim que eles foram conduzidos à presença do rei, Nabucodonosor lhes disse: "É verdade, Sadraque, Mesaque e Abede-Nego, que vocês não prestam culto aos meus deuses nem adoram a imagem de ouro que mandei erguer? Sadraque, Mesaque e Abede-Nego responderam ao rei: "Ó Nabucodonosor, não precisamos defender-nos diante de ti. Se formos atirados na fornalha em chamas, o Deus a quem prestamos culto pode livrar-nos, e ele nos livrará das suas mãos, ó rei. Mas, se ele não nos livrar, saiba, ó rei, que não prestaremos culto aos seus deuses nem adoraremos a imagem de ouro que mandaste erguer".”, Daniel capítulo 3, versículos 13-14 e 16-18.

      “Não precisamos defender-nos diante de ti”, outra versão diz “Não necessitamos de te responder sobre este negócio”, abusados, os três amigos de Daniel? Atrevidos? Crentes, isso sim, de que Deus poderia livrá-los da fornalha. Mas mais que isso, mesmo que Deus nos os livrasse, ainda assim eles não adorariam a estátua construída por Nabucodonosor e permaneceriam fieis ao seu Deus.
      Que diferença do cristianismo de trocas e favores que muitas vezes vivemos com Deus, nos dias atuais. Chegamos mesmo, no alto de nossa insanidade e falta de temor, a intimarmos Deus para que ele nos livre. Então e só então nós o glorificamos. Se ele não nos livra ficamos derrotados, sem fé. E isso porque não fomos provados até a morte, como os amigos de Daniel.
      O livro de Daniel narra perigo atrás de perigo, que sofrem Daniel e seus três amigos, por terem o firme propósito de não se contaminarem com a religião e a sociedade pagã dos caldeus, dos medos e dos persas. Foi uma dificuldade atrás de outra, mas aquilo que aparentemente é uma destruição completa dos quatro, uma derrota, se transforma em uma grande vitória, e o final de Daniel e de seus três amigos se torna sempre melhor e mais honrado que o começo. Com isso o nome de Deus é glorificado, através do testemunho desses quatro jovens.

      “Disse então Nabucodonosor: "Louvado seja o Deus de Sadraque, Mesaque e Abede-Nego, que enviou o seu anjo e livrou os seus servos! Eles confiaram nele, desafiaram a ordem do rei, preferindo abrir mão de suas vidas a que prestar culto e adorar a outro deus, que não fosse o seu próprio Deus. Por isso eu decreto que todo homem de qualquer povo, nação e língua que disser alguma coisa contra o Deus de Sadraque, Mesaque e Abede-Nego seja despedaçado e sua casa seja transformada em montes de entulho, pois nenhum outro deus é capaz de livrar ninguém dessa maneira". Então o rei promoveu Sadraque, Mesaque e Abede-Nego a melhores posições na província da Babilônia.”, versículos 28-30 do capítulo 3 de Daniel.

16/08/11

Não te demores, meu Deus

Senhor, ouve! Senhor, perdoa! Senhor, vê e age! 
Por amor de ti, meu Deus, não te demores, 
pois a tua cidade e o teu povo levam o teu nome. 
Enquanto eu estava falando e orando, 
confessando o meu pecado e o pecado de Israel, meu povo, 
e fazendo o meu pedido ao Senhor, ao meu Deus, 
em favor do seu santo monte, 
enquanto eu ainda estava em oração, 
Gabriel, o homem que eu tinha visto na visão anterior, 
veio a mim, voando rapidamente para onde eu estava, 
à hora do sacrifício da tarde. 
Ele me instruiu e me disse: 
"Daniel, agora vim para dar-lhe percepção e entendimento"

Daniel 9:19-22

Que seja assim, com a prontidão que Deus atendeu a oração de Daniel, que ele atenda a nossa oração. "Senhor, dá-nos um coração como o dos teus servos, que te comova".    

Motivos e atitudes

Nós acabamos de ver Deus abrindo o mar, mas ficamos incrédulos se precisamos pular uma poça formada pela chuva. Nós recebemos de Deus uma cidade inteira, mas ainda assim oramos para que ele nos dê um país. Deus saciou a nossa sede com água limpa e fresca, mas insistimos em pedir que ele nos deixe encher a cara com a cerveja gelada espumando no copo. Ok, me desculpe pelas metáforas surrealistas (mas bíblicas), ver o mar abrir, receber uma cidade, bem, a água e a cerveja até que foram mais reais. Mas acho que você entendeu.
      Nos aproximamos de Deus por vários motivos, e com várias atitudes. Mas seja com incredulidade, com infantilidade ou com rebeldia, Deus sempre nos recebe. Se chegamos com insistência e emocionados, Deus é empático com a nossa necessidade, nos abraça, e fala carinhosamente ao nosso ouvido, “fica tranquilo, vou ver o que posso fazer”. Sim, eu sei, Deus pode fazer qualquer coisa, mas nem tudo é conveniente que ele faça em nossas vidas. Mas Deus sempre dá um jeito de responder com a delicadeza de pai, mesmo quando a resposta mais certa é um sonoro não.
      Contudo é bom aprendermos como nos aproximar de Deus. É preciso amadurecer e se contentar com o necessário, e o necessário nunca será objeto de tentação para nos afastar de Deus. É preciso experimentar a fé e sermos constantes nela, e não tentarmos a Deus com incredulidade e ingratidão. É necessário aprender o que é melhor para nós, para o nossa alma, para a nosso corpo e para o nosso espírito, e deixarmos para trás prazeres baratos que só roubam tempo, lucidez e unção.

15/08/11

Excesso destrói

      "Não busques nem as alturas e nem os abismos. Se tu chegares num desses pólos... que tenhas sido apenas levado pela vida, não por ti mesmo. Antes, busca o caminho do equilíbrio e a vereda plana. Todo excesso destrói o ser!" - do site do Caio Fábio.

Deus vai à frente

      “O próprio Senhor irá à sua frente e estará com você; ele nunca o deixará, nunca o abandonará. Não tenha medo! Não se desanime!” Deuteronômio 31:8

      Deus é o que chega antes e prepara o terreno. O violento, ele rende, o falso, ele desmascara, o invejoso, ele cala, o ladrão, ele amarra.
      Não tema, povo que confia em Deus, você não pode mas teu Deus pode, você não sabe, mas teu Deus conhece, você não tem controle sobre a situação, mas teu Deus tem tudo em suas mãos.
      Deus não te abandonou e nem nunca te abandonará, sempre terá pra você uma palavra de alegria, a cada manhã, uma palavra de força, após o meio-dia, e uma palavra de esperança ao entardecer. À noite, quando você repousar, ele dará ordem aos anjos e esses vigiarão teu sono.
      O Espírito Santo consolador sempre colocará em teu coração uma promessa de vida, desde que você não encubra o pecado, não fuja da provação que Deus te dá, e creia em teu Senhor em todo o tempo.
      Respeita as autoridades, as da Igreja e as do mundo, foi Deus quem as colocou em posição de liderança sobre você, se você temer a Deus, elas serão benção em tua vida. Mantenha a lucidez e não despreza o conselho, seja humilde e ouça antes de falar.
      Não tenha medo e não desanime, se você buscar a glória de Deus e viver para testemunhar as obras do Senhor, teu Deus lutará pelas tuas necessidades e dará a você uma posição em honra.

14/08/11

Coisas pequenas

      “Porque, quem despreza o dia das coisas pequenas? Pois esses sete se alegrarão, vendo o prumo na mão de Zorobabel, esses são os sete olhos do Senhor, que percorrem por toda a terra” Zacarias 4:10

      Após ser destruído, o templo do povo israelita, centro de sua vida religiosa, estava sendo reconstruído. Zorababel estava apenas iniciando a reconstrução. Deus exorta o povo a não desprezar esse momento, que era somente o começo de uma grande obra. Muitos talvez nem acreditassem que a reconstrução fosse até o fim. Mas Deus exortava o povo a acreditar na benção, aquilo que parecia pequeno e desprezível, era o início de algo maravilhoso e era muito importante para Deus.
      Talvez nós não estejamos muito felizes com a fase que estamos vivendo no momento. Parece que nada está acontecendo. Parece que a mão do Senhor nos abandonou. Podemos até estar alimentando uma incredulidade lá no fundo do coração, visto que depois de tanto tempo sendo provados parece que Deus não nos abençoará mais, não está levando em conta o que está acontecendo no presente.
      Contudo, esse pouco, que é o tudo que podemos fazer nesse momento, é muito importante para Deus. Deus está cuidando desse pouco, e mais, está aprovando. Não é tão pouco assim, é o que Deus deseja que seja feito agora, já que ele conhece as nossas forças e sabe o que podemos suportar.
      Porém Deus exorta que enxerguemos esse pouco com fé, com esperança, com respeito, com a importância que ele tem, pois Deus não nos abandonou, mas está permitindo que as coisas aconteçam no tempo e na proporção melhores, de acordo com a sua vontade, sempre sábia, prudente e cheia de amor. Não desprezemos as coisas pequenas, Deus não despreza, não somos insignificantes para Deus, nem a nossa fé, nem a nossa força.
      Não perca a alegria, menosprezando este tempo de sua vida. Deus nos ama e cuida de nós em todos os tempos, como um jardineiro faz com a semente que acabou de ser plantada. Nós podemos ver somente a terra, encobrindo uma pequena semente. Deus vê uma árvore frondosa, crescida, forte, cheia de folhas verdes, flores e frutos.

13/08/11

Ponha-se à prova

"Mudar é difícil, muitas vezes parece impossível", não, dizer isso é exagero, a gente pode mudar sim, e pra melhor. Contudo, temos dificuldade para acreditar nisso, porque sair de uma zona de conforto, um momento e um lugar que muitas vezes chegamos na vida, depois de muita luta, dá trabalho, dói. Pensamos assim, “se já chegamos até aqui, por que mudar? Está bom desse jeito”. Da mesma forma temos dificuldade para acreditar que os outros podem mudar. Aceitar a mudança dos outros, repito, para melhor, é assumir que nós também podemos mudar. Se os outros mudam e nós não, os outros ficam em uma posição melhor que a gente. Isso a gente não gosta, em uma luta eterna de poder e vaidade que o ser humano trava com seus semelhantes. Que fique claro que essa luta é inconsciente, nós não admitimos isso facilmente, mas ela existe, faz parte do instinto de sobrevivência do homem.
      Com tanta dificuldade para mudar, é preciso cuidado. É sábio se colocar à prova, antes de sair cantando de galo. Tempo é necessário. Para quem caminha com Deus, e não está sozinho com sua “energia” e “positividade” (como estão os relativistas e meio-ateus do mundo atual), é importante que o tempo passe sobre a mudança para que ela possa ser comprovada e então compartilhada como benção. Primeiro é preciso saber se a mudança realmente está sendo operada por Deus. Se for assim com certeza ela vingará. Mas tendo em vista a luta do nosso homem interior, onde habita o Espírito Santo, contra a “carne”, nossa natureza rebelde, ser uma constante até o fim de nossa vida natural, uma mudança conquistada a tão duras penas pode ser perdida por um pequeno vacilo nosso.
      Portanto, ponha-se à prova. Nada como um dia após o outro, nossos confrontos com as pessoas, com o mundo, com amigos, parentes, próximos ou estranhos, para saber se aquela mudança de caráter, aquela libertação de um vício, realmente se efetuou em nossa alma. O espírito entende rapidamente, mas a alma e o corpo não. Precisam ser desintoxicados, precisam se acostumar com os novos posicionamentos. Veja que o ser humano é teimoso, ele só muda quando algo está machucando, quando está escravizando, prendendo-o a uma situação constrangedora, derrotista. Se algo é ruim, mas ainda assim ele está conseguindo se sair relativamente bem na vida com isso, o ser humano não vai querer mudança. Portanto, para se chegar à decisão de querer mudar, muitas vezes, muito sofrimento foi consumido e muito tempo foi desperdiçado.

      Vou contar a minha experiência, se quiser toma-la como conselho, fique à vontade, já foi dito que “o tolo aprende com seus próprios erros, mas o sábio aprende com os erros dos outros”. Devo admitir que  sempre fui tolo, tive que errar muito para mudar, nunca consegui aprender com conselhos. A minha experiência, de um cara muito ansioso, passional e impulsivo, que tem muita facilidade para fazer a coisa errada, mas se arrepende depressa e acha maravilhoso o caminho certo, é que é bom dar um tempo, antes de compartilhar decisões, antes de assumir que é “assim ou assado”, e principalmente antes de dizer que foi Deus quem operou a mudança. Se a mudança não perseverar, quem sofre a desonra acaba sendo Deus, e não a gente. Há de se ter muito cuidado antes de dizer que Deus fez isso ou aquilo, muito cuidado!
        Portanto, repito, ponha-se à prova. Veja se a tua vontade de mudar realmente é sincera, e isso não significa que você acha que tem forças para mudar, mas que além de querer mudar, você confia que Deus pode ajuda-lo nisso. Deixe o tempo passar, sem pressa. Mantenha a boca fechada, esse é um princípio muito sábio. Que a mudança apareça como ação e não como conversa fiada. Que ela seja vista e não ouvida, deixa o silêncio falar. E se alguém perceber que você mudou, continue quieto, deixa que Deus receba a honra por isso.
      Para encerrar, veja estes conselhos que Salomão dá no livro de Provérbios:

      “Bênçãos há sobre a cabeça do justo, mas a violência cobre a boca dos perversos”, 10:6, “O coração do justo medita no que há de responder, mas a boca dos ímpios jorra coisas más”, 15:28, pense antes de falar.

      “Até o tolo, quando se cala, é reputado por sábio; e o que cerra os seus lábios é tido por entendido”, 17:28, quem cala se guarda da estupidez e da violência.

      “Que um outro te louve, e não a tua própria boca; o estranho, e não os teus lábios”, 27:2, que os outros te elogiem, não você.

      “O que guarda a sua boca e a sua língua guarda a sua alma das angústias”, 21:21, quer ser feliz? Fica quieto.

12/08/11

Oração atendida

Venham e ouçam, 
todos vocês que temem a Deus,
vou contar-lhes o que ele fez por mim.
A ele clamei com os lábios, 
com a língua o exaltei.
Se eu acalentasse o pecado no coração, 
o Senhor não me ouviria,
mas Deus me ouviu, 
deu atenção à oração que lhe dirigi.
Louvado seja Deus, 
que não rejeitou a minha oração 
nem afastou de mim o seu amor!

Salmos 66:16-20

Perder para ganhar: a missão

"Não cuideis que vim trazer a paz à terra; não vim trazer paz, mas espada; Porque eu vim pôr em dissensão o homem contra seu pai, e a filha contra sua mãe, e a nora contra sua sogra. E assim os inimigos do homem serão os seus familiares”, Mateus 10:34-36 (sugiro a leitura do capítulo 10 inteiro do evangelho segundo Mateus).
      Não dá pra ficar bem com todo mundo, existem brigas que serão compradas naturalmente. Não se pode tomar uma posição séria na vida sem que alguns opositores se levantem e possam vir a se colocar como nossos inimigos. Usando um ditado popular, não se pode fazer uma omelete sem quebrar os ovos.
      Os versículos acima são mais alguns, dentre outros, que nos colocam frente a um assunto de aparência polêmica, dentro do escopo bíblico. Veja que eu disse aparência, pois a Bíblia e o evangelho somente são escândalo para aqueles que não querem caminhar com Deus. Para entender o significado dos versículos 34 a 36 de Mateus 10, é necessário temor a Deus e oração, buscando a orientação do Espírito Santo. Se simplesmente se fizer uma interpretação ao pé da letra, pode-se chegar a um entendimento equivocado do evangelho, que promove e apoia violência e desavença.
       O capítulo 10 do evangelho segundo Mateus, começa descrevendo a viagem missionária para a qual Jesus enviou seus apóstolos. Mostra o que os apóstolos deveriam fazer, como, quando e com quem, pregando o evangelho. Além da ordem para os evangelistas daquele tempo, existe uma palavra profética para os evangelistas de todos os tempos.
      Os versículos 21 e 22, do mesmo capítulo, também falam sobre a divisão que o evangelho faria nas famílias, “E o irmão entregará à morte o irmão, e o pai o filho; e os filhos se levantarão contra os pais, e os matarão. E odiados de todos sereis por causa do meu nome; mas aquele que perseverar até ao fim será salvo”. Jesus ensina que a aceitação do evangelho seria algo pessoal, e que poderia haver diferença de opinião dentro de uma mesma família. Pai poderia aceitar o evangelho enquanto o filho não. Isso deve ter chocado a sociedade religiosa e patriarcal judaica da época. Mas Jesus deixa claro, que para aceitar o evangelho, a pessoa não poderia ter medo daqueles que não o aceitassem. Disso, dessa diferença, ocorreriam com certeza divergências.
      A Bíblia tem que ser entendida como um todo, um texto deve ser confrontado com outro, dentro do contexto histórico de cada um. Estudando com unção do Espírito Santo, não se encontra incoerências na Bíblia, sobre nenhum aspecto. O texto das bem-aventuranças (Mateus 5:1-12) dá a referência de perda, ele nos ensina que no caminhar com Jesus, deve-se perder neste mundo, para se ganhar no reino de Deus. Ele pode ser usado para contrapor a qualquer interpretação de ganho através de truculência e confronto belicoso, por meio do evangelho. Mas voltando ao texto do início deste estudo, para quem aceita o evangelho, certos confrontos são inevitáveis.
      Mas a questão não é fugir do confronto, mas como reagir a ele. É importante que entendamos que quem confronta um seguidor do verdadeiro evangelho não está confrontando o seguidor, mas quem esse está seguindo, Jesus Cristo, o Senhor do evangelho. Se a “briga” é com ele, então devemos saber dele como reagir ao confronto. O mesmo capítulo 10 de Mateus nos dá essa orientação, nos versículos 18 a 20: “E sereis até conduzidos à presença dos governadores, e dos reis, por causa de mim, para lhes servir de testemunho a eles, e aos gentios. Mas, quando vos entregarem, não vos dê cuidado como, ou o que haveis de falar, porque naquela mesma hora vos será ministrado o que haveis de dizer. Porque não sois vós quem falará, mas o Espírito de vosso Pai é que fala em vós”.
      É importante também que entendamos esse texto, sem romantismo ou misticismo. Não que uma situação exatamente como a descrita acima não pode existir. Mas para a maioria de nós, nos tempos atuais, ser levada à presença de autoridades, pode ser simplesmente algo que aconteça dentro da nossa profissão, quando através de promoções profissionais, temos contato com gente importante do sistema deste mundo. A maneira como nos comportamos, o que dizemos, o nosso caráter, revelado nas posições que tomamos, podem estar servindo de testemunho para gente do alto escalão de empresas e instituições deste planeta. Nossa posição profissional pode estar sendo usada por Deus para que o evangelho seja compartilhado com gerentes, presidentes e políticos da nossa sociedade.
      Voltando a Mateus 10, Jesus dá uma palavra bem lúcida para os evangelistas. Se houvesse perseguição, o evangelista não teria que ficar impassível, aceitando a violência, mas ele deveria fugir e continuar a sua missão. “Quando pois vos perseguirem nesta cidade, fugi para outra; porque em verdade vos digo que não acabareis de percorrer as cidades de Israel sem que venha o Filho do homem”, versículo 23 do capítulo 10. Portanto, para quem segue a Jesus, de verdade, querer aceitação e honra neste mundo, é algo impossível. Se a gente ainda não aceitou isso, então estamos perdendo tempo.
      “Portanto, qualquer que me confessar diante dos homens, eu o confessarei diante de meu Pai, que está nos céus”, “E quem não toma a sua cruz, e não segue após mim, não é digno de mim. Quem achar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a sua vida, por amor de mim, achá-la-á”, Mateus 10:32 e 10:38-39. Bem, essa é a única e verdadeira missão daquele que segue a Jesus, que é filho de Deus. Muitas vezes um bom salário e uma posição de proeminência, terão que ser sacrificados em troca do testemunho de justiça e verdade que o filho de Deus deve dar para o mundo.
      E quanto a ter um emprego melhor, para ganhar mais dinheiro, então comprar mais coisas e pagar os cartões de crédito das dívidas? Se nós ainda não entendemos, é bom entendermos, isso é somente o pano de fundo, desculpas que Deus usa para que nós nos envolvamos com o mundo e então cumpramos a nossa missão. Tem que se perder para se ganhar.

11/08/11

Limites

Livro de Deuteronômio, capítulo 2, versículos 1-9, 13-19 e 24-25:

      “Então demos meia-volta e partimos para o deserto pelo caminho do mar Vermelho, como o Senhor me havia ordenado. E por muitos anos caminhamos em redor dos montes de Seir. Então o Senhor me disse: "Vocês já caminharam bastante tempo ao redor destas montanhas; agora andem para o norte.
      O povo de Israel tinha saído do Egito e após insistir no pecado de incredulidade e idolatria, Deus permitiu que o povo ficasse quarenta anos andando em círculos, sem chegar ao lugar de destino. Interessante que o povo passou um bom tempo andando próximo do monte Seir, onde habitava os descendentes de Esaú, parentes do povo de Israel, descendentes de Jacó, irmão de Esaú.
      E diga ao povo: Vocês estão passando pelo território de seus irmãos, os descendentes de Esaú, que vivem em Seir. Eles terão medo de vocês, mas tenham muito cuidado. Não os provoquem, pois não darei a vocês parte alguma da terra deles, nem mesmo o espaço de um pé. Já dei a Esaú a posse dos montes de Seir. Vocês lhes pagarão com prata a comida que comerem e a água que beberem".

      Israel fez o que muitas vezes nós fazemos, quando a coisa aperta, ao invés de procurar a ajuda de Deus, voltamos e olhamos para trás, procurando a ajuda dos parentes. Mas para quem já constituiu família, tem mulher e filhos, isso é um retrocesso. Como família Deus ordena que tenhamos a nossa independência e que busquemos o lugar que é nosso. O que é de nossos pais e sogros não nos pertence. Deus ordenou que nada tomasse dos descendentes de Esaú, mas que se precisasse de alguma coisa, o povo de Israel deveria comprar de Esaú.

      Pois o Senhor, o seu Deus, os tem abençoado em tudo o que vocês têm feito. Ele cuidou de vocês em sua jornada por este grande deserto. Nestes quarenta anos o Senhor, o seu Deus, tem estado com vocês, e não lhes tem faltado coisa alguma.

      Deus lembra que durante os quarenta anos que Israel passou no deserto, ele tinha cuidado do povo, nada lhes havia faltado, não seria diferente agora que estavam mais próximos de “parentes”.

      Assim, passamos ao largo de nossos irmãos, os descendentes de Esaú, que habitam em Seir. Saímos da rota da Arabá, de Elate e de Eziom-Geber. Voltamos e fomos pela rota do deserto de Moabe. Então o Senhor me disse: "Não perturbem os moabitas nem os provoquem à guerra, pois não darei a vocês parte alguma da terra deles, pois já entreguei a região de Ar aos descendentes de Ló".

      Israel precisou que Deus lhes chamasse a atenção para parar de andar em círculos, buscando a solução que para eles era mais fácil, no lugar de confiar em Deus e se por no caminho certo, de conquista da terra prometida. Então passaram pelos moabitas, que também eram parentes distantes dos israelitas. Nesse momento Deus tornou a exortar o povo, dizendo que nada deveria tirar dos moabitas, mas que deveriam seguir em frente.

      "Agora levantem-se! Atravessem o vale de Zerede". Assim atravessamos o vale. Passaram-se trinta e oito anos entre a época em que partimos de Cades-Barnéia, até quando atravessamos o vale de Zerede, até que pereceu do acampamento toda aquela geração de homens de guerra, conforme o Senhor lhes havia jurado. A mão do Senhor caiu sobre eles e por fim os eliminou completamente do acampamento. Depois que todos os guerreiros do povo tinham morrido,

      Os anos que o povo andou em círculos, vislumbrando uma Canaã errada, serviram para que Deus punisse a geração de homens incrédulos que não confiou que Deus os levaria, sãos e salvos, à terra prometida.

      o Senhor me disse: "Vocês estão prestes a passar pelo território de Moabe, pela região de Ar, e vão chegar perto da fronteira dos amonitas. Não sejam hostis a eles, pois não darei a vocês parte alguma da terra dos amonitas, pois eu a entreguei aos descendentes de Ló".

      Sobre os amonitas, Deus repete a orientação que deu sobre os descendentes de Esaú e moabitas, “não tomem nada deles, a terra deles não é de vocês”.

      "Vão agora e atravessem o ribeiro do Arnom. Vejam que eu entreguei em suas mãos Seom o amorreu, rei de Hesbom, e a terra dele. Comecem a ocupação, entrem em guerra contra ele. Hoje mesmo começarei a infundir pavor e medo de vocês em todos os povos  debaixo do céu. Quando ouvirem da fama de vocês, tremerão e ficarão angustiados".

      Finalmente, o povo de Israel, chegou à terra que Deus daria a ele. Se foi demorado para Israel, foi o tempo certo para Deus. Quando Israel chegou a sua terra, sua fama já tinha lhe antecedido, o medo fez com que Israel chegasse para lutar com um povo enfraquecido.
________________________

      Deus põe limites nas coisas, não é tudo que é para ser nosso. Devemos aprender a enxergar esses limites, para não perdermos tempo lutando por algo que não é nosso, que Deus não nos deu. Aquilo que Deus nos deu, não custará nada para nós, a não ser obediência. Obedecendo a Deus, lutaremos uma batalha de vitória certa, contra um inimigo que já foi vencido antes mesmo que nós começássemos a lutar, Deus faz isso.
      Devemos entender que Deus não nos dá determinadas coisas porque elas são de outros. Não é somente nós, que somos amados por Deus, Deus ama a todos, e para cada um ele tem uma parte de prosperidade e de posse.
      Mas talvez você esteja vivendo uma situação em que parece estar fazendo tudo certo, está bem intencionado e vivendo de acordo com a vontade de Deus, nada pode te acusar. No entanto, está investindo num projeto, que Deus inclusive sabe que é uma necessidade legítima que você tem, mas o projeto absolutamente não vai pra frente, não funciona, não dá certo. Pode ser um emprego, relações sociais, aquisição de um bem, a coisa simplesmente não anda.
      Pode não estar andando, porque, apesar de você estar agindo com sinceridade, não é o que Deus tem pra você. De uma maneira talvez inconsciente, você está desobedecendo a Deus. Quando é assim, não adianta orar, se santificar, tomar todos os cuidados, não só isso, você não terá vitória no encaminhamento desse projeto. O mundo, a vida, mesmo a geografia, tem seus limites, Deus tem o lugar certo para cada um, só nesse lugar a batalha é viável e a vitória é certa.

10/08/11

Sobre respeito

      "Os mestres da lei e os fariseus trouxeram-lhe uma mulher surpreendida em adultério. Fizeram-na ficar em pé diante de todos e disseram a Jesus: "Mestre, esta mulher foi surpreendida em ato de adultério. Na Lei, Moisés nos ordena apedrejar tais mulheres. E o senhor, que diz? 
     "Eles estavam usando essa pergunta como armadilha, a fim de terem uma base para acusá-lo. Mas Jesus inclinou-se e começou a escrever no chão com o dedo.
      Visto que continuavam a interrogá-lo, ele se levantou e lhes disse: "Se algum de vocês estiver sem pecado, seja o primeiro a atirar pedra nela". Inclinou-se novamente e continuou escrevendo no chão.
        Os que o ouviram foram saindo, um de cada vez, começando com os mais velhos. Jesus ficou só, com a mulher em pé diante dele. Então Jesus pôs-se de pé e perguntou-lhe: "Mulher, onde estão eles? Ninguém a condenou? " "Ninguém, Senhor", disse ela. Declarou Jesus: "Eu também não a condeno. Agora vá e abandone sua vida de pecado".
João 8:3-11  
         
      É fácil respeitar quem está por cima, que está se mostrando superior, por estar fazendo algo célebre, dizendo algo precioso, sendo uma pessoa notável. Todos nós, em algum momento, temos nossos quinze minutos de fama, conforme o artista pop Andy Warhol.
        Com a internet então, isso se tornou plenamente possível. Qualquer um, até este que vos escreve, pode criar um blog e falar aquilo que lhe vier à cabeça. Durante esses quinze minutos, todo mundo é obrigado a nos respeitar, como diria o Zagallo, “vão ter que me engolir”. Contudo, com a mesma facilidade que se sobe, pode-se descer, principalmente quando se sobe graças à arrogância e vaidade humanas.
      Difícil, quase impossível, é respeitar quem está por baixo, ou por ter tropeçado sozinho, ou por alguém ter puxado o seu tapete. Quando o camarada cai, e principalmente se ele for do tipo que quando estava por cima humilhou todo mundo, nós não achamos que devemos a ele respeito. Lembramos, em bom e alto som, o que ele fez de errado e até o que não fez, para nos alegrarmos com a sua queda. Afinal, quando o erro de alguém é declarado, o nosso erro fica escondido, e quanto maior for o erro do outro, maior pode ser o nosso, desde que seja menor que o do outro.
     Respeitar alguém é poupá-lo de críticas, que mostrem seus pontos fracos. Respeitar é salientar os pontos fortes de alguém e deixar o resto pra lá. Às vezes parece bem difícil achar o ponto forte de certas pessoas, nós, atrás de nossa ótica míope devido à nossa injustiça e dificuldade terrível para amar, incitados muitas vezes pela inveja e pelo rancor, só vemos os defeitos. 
        Mesmo que o bom senso esteja nos incomodando para dialogar com determinada pessoa, com respeito, dando credibilidade a ela, acreditando que ela tem pontos bons e que aquilo que ela faz é sincero, mesmo assim a gente procura e procura e não consegue achar nada de legal nela. Parece que estamos num deserto procurando uma pérola, é muito difícil, a gente chega a suar. Lutamos com a gente para não parecer falsos, mas nos sentimos muito desconfortáveis com a situação. Ocorre, é que com o arrogante, quando ele cai, a tendência natural do ser humano é jogar na cara dele o seu erro, superavaliar seus defeitos, de forma que qualquer coisa boa que ele tenha feito seja diminuída, melhor ainda, esquecida.
       Só o amor de Deus para que consigamos respeitar quem está por baixo. Não, não vou falar da experiência de Davi e Saul, o exemplo bíblico que representa com perfeição este assunto. Citando apenas por cima, acredito que ninguém mais que Davi conseguiu respeitar alguém que estava por baixo, e mais que isso, respeitar alguém que estava por baixo e que enquanto não admitia isso, sonegava do próprio Davi um direito que Deus já havia lhe dado, de ser rei no lugar de Saul. 
        Mas é muito difícil receber a ligação daquela pessoa, que te humilhou tanto, que foi injusta com você, que sempre lhe disse aquilo que pensava, sem qualquer respeito. É difícil ouvir dessa pessoa, pelo telefone, que agora ela está mal, passando por um problema muito grande, que está sozinha e que precisa da tua ajuda. O nosso sangue ferve nas veias com vontade de dar o troco. Contudo, o Espírito Santo, dentro de nós, fala mais alto, e orienta-nos a ter por essa pessoa, respeito. 
        Só Deus para olhar alguém e ver não o que ele é ou fez, mas o que ele pode ser e fará. Só Deus para nos respeitar num momento de total fragilidade, quando as nossas fraquezas estão totalmente expostas. Só Deus para nos fazer entender que nós não somos melhores que ninguém, que erramos tanto quanto os outros, que se não tomarmos cuidado, nós também podemos cair, e bem fundo. Só Deus para nos dar amor para que respeitemos as outras pessoas tanto quanto desejamos ser respeitados.
        Sobre a passagem bíblica no começo desta postagem, apenas um comentário, era tanto o respeito que Jesus tinha pela mulher que ele se quer fixou os olhos nela, para não humilhá-la mais. Não a acusou, apenas a orientou que mudasse de vida a partir daquele momento. Parece simples? Mas esse é o jeito amoroso que Deus tem para não humilhar ninguém.

Remindo o tempo

“Portanto, vede prudentemente como andais, não como néscios, mas como sábios, Remindo o tempo; porquanto os dias são maus”, Efésios 5:15-16. Outra versão bíblica desses versículos diz: “Tenham cuidado com a maneira como vocês vivem; que não seja como insensatos, mas como sábios, aproveitando ao máximo cada oportunidade, porque os dias são maus”.

      Na segunda versão acima, o verbo remir é traduzido com a expressão “aproveitando ao máximo cada oportunidade”. O dicionário explica remir como: redimir, resgatar, readquirir, libertar do cativeiro, do poder do inimigo, salvar, livrar das penas do inferno, expiar, libertar uma propriedade de um ônus pelo pagamento deste, etc.
      A lição é que o tempo não é justo, o tempo nesta vida, neste mundo. O tempo não é bom, não é grato, não é paciente. Ele é rápido, cobra o que não deu, e dá coisas ruins. O tempo é assim porque ele é um conceito totalmente ligado ao pecado. Envelhecemos porque pecamos, é o pecado, o mal, a carne que nos faz sentir a passagem do tempo.
      Deus não fica velho, e também sabe o que vai acontecer antes que aconteça. Na verdade o tempo de Deus é sempre agora, sempre presente. Isso é impossível se quer para o homem entender, quando mais experimentar. Quando formos transformados, e tivermos o mesmo corpo de Cristo, através do arrebatamento ou da morte do corpo, então experimentaremos esse conceito.
      Mas enquanto neste mundo, há necessidade de ser sábio, viver com prudência, a virtude que faz prever e procura evitar as inconveniências e os perigos, andando com cautela e precaução. O tempo precisa ser remido, não pode simplesmente deixar que ele passe e escape. Aproveitando cada oportunidade, diz a outra versão bíblica, e aproveitando para se fazer o bem, para se conquistar aquilo que Deus nos prometeu, nossa parte de vitória neste mundo.
      “Então temeram os marinheiros, e clamavam cada um ao seu deus, e lançaram ao mar as cargas, que estavam no navio, para o aliviarem do seu peso; Jonas, porém, desceu ao porão do navio, e, tendo-se deitado, dormia um profundo sono. E o mestre do navio chegou-se a ele, e disse-lhe: Que tens, dorminhoco? Levanta-te, clama ao teu Deus; talvez assim ele se lembre de nós para que não pereçamos”. Jonas 1:5-6.
      Não durmamos como Jonas, mas nos coloquemos de pé, acordados, e aprendamos a viver, a remir o tempo, a ser sábio, aproveitando cada oportunidade para conquistar a terra prometida que Deus dá a cada um de nós.

09/08/11

Ordena justiça, Senhor!

Quem gera a maldade,
concebe sofrimento e dá à luz a desilusão.
Quem cava um buraco e o aprofunda 
cairá nessa armadilha que fez.
Sua maldade se voltará contra ele, 
sua violência cairá sobre a sua própria cabeça.

Salmos 7:14-16

Cantar ou voar? (conto)

Em uma floresta havia um pássaro. Ele voava como nenhum outro pássaro. Voava alto e não se cansava. Conseguia ir para muito longe e sempre podia voltar à sua origem, quando desejava. Por ter essa facilidade, ele pouco parava para conviver com os outros pássaros. Os outros ficavam por muito tempo nas árvores, cantando, alegrando os animais da floresta. Ele não tinha tempo para isso, queria voar, queria ser livre. Bem, era isso o que os animais achavam sobre ele, “ele ama a liberdade, não tem tempo para ficar aqui com a gente e cantar, orgulhoso, deve se achar melhor que nós”. Mas a verdade era outra, o pássaro simplesmente não conseguia cantar, por isso ele estava sempre em movimento. Ele não admitia isso, dizia que ficar lá parado, com os pássaros, só cantando, era muito chato, mas o que ele tinha era vergonha de que os pássaros soubessem que ele não podia cantar, por isso estava sempre voando para longe.
Uma noite, o eterno criador da natureza, da floresta, dos pássaros e de todos os animais, apareceu para ele em sonho e lhe perguntou: “Pede-me o que quiser e eu te darei, mas aviso, pensa bem no que vai me pedir, porque só terá direito a um pedido, e eu o realizarei exatamente do jeito que você me pedir”. Em sonho, o pássaro respondeu ao criador: “Eu quero cantar, quero muito, bem melhor que os outros pássaros, quero isso mais que tudo na vida”. O criador então lhe respondeu: “Continue dormindo em paz, pela manhã, quando acordar, terá o teu pedido respondido”.

Quando o pássaro acordou, ele caminhou até a ponta do galho em que dormia, onde outros pássaros costumavam ficar para cantar. Quando os pássaros o viram, eles disseram: “Olha quem está aqui, entre nós, o senhor liberdade, aquele que vive voando, se exibindo, que nunca fica em nosso meio, cantando com a gente”. O pássaro estava com muito medo, pensava no sonho que tinha tido. Os pássaros ficaram todos em silêncio, como que aguardando a sua resposta. Com a voz ainda trêmula ele começou a cantar, incrédulo, achou que não sairia nada, somente o barulho desafinado de sempre. Mas qual foi a sua surpresa quando ele percebeu que conseguia cantar, mais ainda, cantava muito bem. O criador de tudo tinha lhe concedido o desejo, agora ele podia cantar, e melhor do que todos. Os pássaros ficaram maravilhados com o canto dele, ficaram ouvindo-o com muita atenção. Não só eles, mas todos os animais da floresta vieram até a árvore onde ele estava e ficaram quietos, ouvindo seu recital.

        Algum tempo depois, os pássaros tiveram sede e fome, um a um foram levantando voo, buscando água e comida. Até que o pássaro ficou sozinho, ainda assim continuou cantando. Todavia, num determinado momento, ele também ficou com fome e sede. Quase que mecanicamente, sem pensar, ele se lançou do galho e abriu as asas. Contudo, para sua surpresa, ele não conseguia movimentar as asas para que elas pudessem fazê-lo voar. Ele ainda conseguiu, desajeitadamente, planar até o chão, por pouco não se machucou. Lá embaixo, sozinho, já que todos os animais tinham saído para fazer suas refeições, ele ainda tentou novamente voar. Tentou e tentou, mas nada, não conseguia voar. Andando então, ele pode, com muito esforço, obter comida, e chegar a um lago, para saciar sua sede.

O tempo passou e o pássaro percebeu que simplesmente não conseguia mais voar. Para facilitar sua vida, ele começou a dormir perto do lago. Comia o que achava por lá e o que os outros pássaros deixavam, como sobra de suas refeições. Mas mesmo assim, debilitado, naquele local impróprio, já que longe do alto das árvores os pássaros ficavam mais expostos aos animais que os caçavam, ele continuava a cantar, e como era belo seu canto. Os outros animais perceberam que ele estava preso naquele lugar, perto do lago, perceberam também que ele não voava mais. Tinham dó dele e o ajudavam, trazendo-lhe alimento. Assim foi a vida daquele pássaro por algum tempo.
Em uma noite, durante o sono, o criador de todas as coisas, veio falar com o pássaro, disse ele: “Por que está abatido pássaro?”, respondeu o pássaro: “Do que me adianta cantar tão bem, se eu não posso mais voar? Posso cantar, mais do que os outros pássaros, mas não consigo me alimentar, dependo do favor dos outros”. Então respondeu o criador: “Não se pode ter tudo o que se quer na vida, principalmente algo importante. Você voava mais que os outros pássaros, então pediu para cantar mais que os outros. O melhor é ter equilíbrio, não usar a liberdade para se afastar dos amigos, dos parentes, mas parar e cantar um pouco com eles, não o melhor canto do mundo, mas o suficiente para alegrar os animais. Liberdade demais rouba a alegria, alegria demais nos prende, e tira a liberdade”. O pássaro então perguntou: “E o que eu faço agora?”. Respondeu o criador: “Pare de cantar um pouco e aprenda a voar. Você não voará como voava antes, mas se for esforçado, com o tempo voará o suficiente para poder se alimentar, saciar tua sede, e ter a tua independência”.

O pássaro entendeu que não podia ter as duas coisas. Entendeu também que isso nem era necessário, o melhor era ter a dose certa de liberdade e de alegria, de solidão e de companhia, de sossego e de trabalho. Mas o mais importante que o pássaro aprendeu, foi que o que fazia com que ele quisesse voar melhor e cantar melhor, era somente vaidade. Essa vaidade não estava dando nada de bom para ele, só o deixava sozinho. Ela só o afastava dos outros pássaros, tornava-o arrogante. Com humildade e coragem, ele conseguiu achar o equilíbrio na vida.

"Pois Deus não nos deu espírito de covardia, mas de poder, de amor e de equilíbrio." II Timóteo  1:7  

Que valor temos para ti assim?

É maravilhoso como as passagens bíblicas podem descrever com tanta clareza o estado emocional e espiritual que a gente se encontra. O salmo 39 falou muito comigo neste dia, quero compartilhá-lo com você.
       
         “Eu disse: Vigiarei a minha conduta e não pecarei em palavras; porei mordaça em minha boca enquanto os ímpios estiverem na minha presença. Enquanto me calei resignado, e me contive inutilmente, minha angústia aumentou. Meu coração ardia-me no peito e, enquanto eu meditava, o fogo aumentava; então comecei a dizer:”

      Quantas vezes nos sentimos assim como o salmista. Emudecemos, perdemos a vontade de tomar qualquer iniciativa na vida. Perdemos a alegria, o desejo de se sociabilizar. Nos tornamos reclusos, sem vontade de viver, sem nenhum controle sobre os nossos pés, mãos e boca.

      “Mostra-me, Senhor, o fim da minha vida e o número dos meus dias, para que eu saiba quão frágil sou. Deste aos meus dias o comprimento de um palmo; a duração da minha vida é nada diante de ti. De fato, o homem não passa de um sopro. Sim, cada um vai e volta como a sombra. Em vão se agita, amontoando riqueza sem saber quem ficará com ela.”

      Do que adianta essa morte em vida? A vida é tão curta, faz-nos entender a nossa fragilidade e as vaidades do mundo.

      “Mas agora, Senhor, que hei de esperar? Minha esperança está em ti. Livra-me de todas as minhas transgressões; não faças de mim um motivo de zombaria dos tolos. Estou calado! Não posso abrir a boca, pois tu mesmo fizeste isso. Afasta de mim o teu açoite; fui vencido pelo golpe da tua mão. Tu repreendes e disciplinas o homem por causa do seu pecado; como traça destróis o que ele mais valoriza; de fato, o homem não passa de um sopro.”

      Quem é que nos cala senão o Senhor mesmo? Quando estamos fortes, achamos até que não precisamos de Deus, os dias começam a se passar e nós nem oramos mais, perdemos o temor. Achamos que a nossa força será para sempre e que nada e nem ninguém irá nos amordaçar. Falamos muito e com todo mundo, agitamos, saímos, rimos. Mas basta Deus levantar um dedo e a nossa força se vai. Aquilo que mais gostamos se torna tédio e fadiga. Por que Deus faz isso? Por causa do nosso pecado, e o pecado maior é se esquecer de Deus. Não, Deus não é uma autoridade obsessiva e controladora, que pune o homem para que esse continue sempre dependente dele. É a nossa índole que é fraca. As flores, árvores e pássaros, dependem de Deus para continuar vivos em todas as suas plenitudes. Contudo, nós nos esquecemos que precisamos muito de Deus e de toda a sua criação, das estações, da natureza, dos astros. Se tudo isso não funcionasse devidamente, a vida humana seria destruída, como uma formiga debaixo do pé de um homenzarrão. Deus apenas nos lembra isso, quando nos disciplina, traz à nossa lembrança a nossa fraqueza, a nossa finitude.

      “Ouve a minha oração, Senhor; escuta o meu grito de socorro; não sejas indiferente ao meu lamento. Pois sou para ti um estrangeiro, como foram todos os meus antepassados. Desvia de mim os teus olhos, para que eu volte a ter alegria, antes que eu me vá e deixe de existir.”

      Que valor temos para Deus se morrermos? O salmista recorre ao coração amoroso de Deus, lembra-lhe que desfalecido sua vida não terá sentido. Qual é o maior valor do homem se não adorar a Deus e compartilhar com os outros homens tudo o que Deus é e faz? Portanto, não pese mais sua mão sobre nós, Senhor, não porque não precisamos de correção, nós conhecemos a nossa natureza e sabemos que ela é teimosa e rebelde. Mas que valor teríamos mortos? Cesse tua disciplina e nos levante para te adorar.

08/08/11

"Não acho que as coisas sejam assim"

Se você, quando lê textos como estes postados aqui, diz “não acho que as coisas sejam assim”, tenho algumas palavras pra você. Se você for o tipo de pessoa que não acredita na lisura dos chamados crentes, que pensa que as igrejas evangélicas existem somente para tirar dinheiro dos membros, que todas as religiões, se forem praticadas com sinceridade, levam a Deus, que ninguém é dono da verdade, ou mesmo que acha que este deus cristão não existe, é apenas criação da psique humana, e das psiques mais fracas, eu peço uma gentileza a você, leia esta postagem até o fim.

    Primeiro eu gostaria de dizer que acredito em você, acredito na integridade da tua ótica da vida, mas melhor que isso, penso que Deus acredita em você. “Nem por serem descendência de Abraão são todos filhos; mas: Em Isaque será chamada a tua descendência. Isto é, não são os filhos da carne que são filhos de Deus, mas os filhos da promessa são contados como descendência”, Atos 9:7-8 (desculpe-me, mas citarei passagens bíblicas no decorrer desta postagem, eu acredito que a Bíblia está registrada atualmente como está, porque Deus tem um propósito para isso, acredito que Deus fala através da Bíblia). O versículo citado, diz quem são considerados filhos de Deus. Os judeus acreditavam que eles tinham esse direito, ou pelo menos aqueles que eram circuncidados e obedeciam à Lei. Contudo a promessa que Deus fez foi a Abraão, antes de existir a nação de Israel e a Lei de Moisés. Paulo chega ao cerne da salvação de Deus através desse texto. Salvos são os que são como Abraão, e como era Abraão?

    “Que diremos, pois, ter alcançado Abraão, nosso pai segundo a carne? Porque, se Abraão foi justificado pelas obras, tem de que se gloriar, mas não diante de Deus. Pois, que diz a Escritura? Creu Abraão em Deus, e isso lhe foi imputado como justiça. Ora, àquele que faz qualquer obra não lhe é imputado o galardão segundo a graça, mas segundo a dívida. Mas, àquele que não pratica, mas crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é imputada como justiça”, Romanos 4:1-5. Abraão teve fé, fé para acreditar que mesmo com idades avançadas, ele e a esposa Sara, poderiam ter um filho, que foi Isaque, e que a descendência desse seria multiplicada como as estrelas do céu. “Que deveras te abençoarei, e grandissimamente multiplicarei a tua descendência como as estrelas dos céus, e como a areia que está na praia do mar; e a tua descendência possuirá a porta dos seus inimigos; E em tua descendência serão benditas todas as nações da terra; porquanto obedeceste à minha voz”, Gênesis 22:17-18.

    São salvos os que creem, portanto você não precisa ser igual à maioria dos cristãos para ter uma experiência com Deus, não precisa fazer o que eles fazem, estar no lugar onde eles estão ou mesmo andar com eles para ser um filho de Abraão. Basta querer, buscar, esteja onde estiver, se for de coração, Deus te ouvirá e se revelará a você. Mas aí está a primeira ênfase, se for de coração, de todo coração. Quem busca Deus assim, sempre o encontra, mesmo que esteja no lugar mais improvável do mundo para que isso aconteça. A consequência dessa busca genuína é que se acha, e começa a não se contentar mais com qualquer coisa, com mentiras, com hipocrisias, com manipulações humanas, com segundas intenções. Essa é a segunda ênfase, quem acha quer mais e melhor.

    Não é impossível, mas existe certa dificuldade de se aceitar pessoas que dizem ter encontrado a Deus, mas que continuam, por anos, dentro de grupos religiosos com doutrinas que vão contra o coração do evangelho. "Quem crê nele não é condenado; mas quem não crê já está condenado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus", João 3:18. No coração do evangelho estão três princípios: primeiro, o homem precisa de salvação, logo, existe céu e inferno após a morte do corpo; segundo, a salvação é somente através de Jesus, logo a evolução das pessoas em uma vida ou em muitas vidas naturais, é impossível; terceiro, a salvação é o começo da vida eterna, após a conversão, Deus direciona e age na vida dos salvos, assim e somente assim existe evolução espiritual.

    Uma experiência verdadeira com Deus começa com a aceitação de que se precisa de salvação. Mas e se você disser, “salvação de que? Eu não preciso de nenhuma salvação”. “Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus; Sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus”, Romanos 3:23-24. É só olhar para o mundo atual e para a história desse mundo, para entender que as coisas não caminham assim para um happy end. A injustiça sempre existiu e parece que nunca vai terminar. Mesmo que você, como um cidadão consciente, se preocupe com ecologia, com implantação de políticas sustentáveis, na produção dos elementos prioritários para a existência humana, para que o planeta seja conservado, e se preocupe também com um equilíbrio entre pobres e ricos, você precisa admitir que somente a boa vontade dos homens não conseguirá melhorar efetivamente o mundo. Há de se ter humildade para se contar com a ajuda de Deus. Deus por sua vez só age quando sua ajuda é solicitada. Isso não é irresponsabilidade cósmica, é modéstia real. Aquele que é todo poderoso dá ao homem, ser finito, o privilégio do livre arbítrio, o direito de deixar Deus atuar, de autorizar a manifestação do sobrenatural.

    E se você disser, “Deus não existe, pelo menos da maneira pessoal como dizem os cristãos, ele é somente uma energia positiva que atua invisível em todo o universo”, então eu te digo, peça provas a ele, se o fizer com sinceridade pode acreditar que ele mostrará a você que existe. Contudo, para isso, também é necessária humildade para usar a fé, a virtude que nos permite conhecer a Deus. Acha difícil ter essa fé? Mas nós usamos fé para tantas coisas na vida, na verdade sem fé ninguém conseguiria levantar da cama, pela manhã, e conviver com a realidade da vida. Não, você tem fé sim, Deus dá uma porção dela a todos os homens, suficiente para que se consiga bater na porta dos céus e poder se relacionar com Deus.

    Eu sei que um motivo bem forte que faz as pessoas desacreditarem no cristianismo é o estado atual das instituições cristãs. Se você tiver a oportunidade de estudar história, verá que as instituições sempre foram decadentes, sempre foram manobradas pela liderança vigente naquele momento para manter o seu poder. Aquilo que é chamado de instituição religiosa legal, sempre se entregou, se vendeu às forças políticas e econômicas de seus tempos. Cristãos sinceros? Sempre existiram, mas na marginalidade, muitas vezes sob perseguição da instituição legal. Portanto, nos dias atuais não é exceção, se você for usar esse motivo para não se aproximar do cristianismo, então nunca conhecerá a Deus. Contudo, mesmo com toda a promiscuidade das instituições cristãs, Deus as usou, muita gente sincera fez e faz parte delas. Quer saber da verdade? Isso nem importa tanto assim, quem quer a Deus, quer apesar do que os outros dizem, quem crê em Deus, crê apesar da falsidade das lideranças, quem prova Deus, prova mesmo no meio de gente mentirosa e vaidosa.

    Se você ler as postagens desse blog, não achará qualquer apologia às instituições, não verá qualquer defesa deste ou daquele grupo religioso, não é citado se quer nomes dessa ou daquela igreja, de forma específica, aqui se fala de Deus e de seu filho Jesus. Eu compartilho a minha experiência de vida com Deus, e acredite, minha vida foi bem tumultuada. Briguei muitas vezes com Deus e o desobedeci, em algumas fases essa minha rebeldia durou anos. “Porque não desprezou nem abominou a aflição do aflito, nem escondeu dele o seu rosto; antes, quando ele clamou, o ouviu”, Salmos 22:24. Como eu já disse em outras postagens, a experiência que desejo compartilhar é aquela que se pode ter no escuro e solitário quarto de dormir, ou andando pela casa, quando a família saiu por algum motivo, conversando, chorando e rindo com Deus, sem formalidades, sem cerimônias, mas com fé. Tenho achado Deus sempre que o busco, mesmo quando as palavras faltam, as forças chegam ao fim, a esperança parece que vai desaparecer no horizonte. Tenho provado que quando eu dou um passo na direção de Deus, muitas vezes um passo sofrido de se dar, onde eu usei o último bocado de fé que tinha, Deus se apresenta, fala, muda minha emoção e meu pensamento, e depois faz algo que eu achava impossível ser feito.

    “Busquem o Senhor enquanto se pode achá-lo; clamem por ele enquanto está perto”, Isaías 55:6. Talvez você não ache que as coisas sejam assim, mas aceite um conselho, de quem tem achado graça diante do altíssimo: ainda é tempo, Deus se deixa ser achado, por causa do grande amor que ele tem por você. “Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim”, João 14:16.

07/08/11

Superego ou Deus?

“E dar-vos-ei um coração novo, e porei dentro de vós um espírito novo; e tirarei da vossa carne o coração de pedra, e vos darei um coração de carne”, Ezequiel 36:26

      A maioria de nós é educada com princípios morais. O certo e o errado são sempre gritados em alto e bom som. O não é mais usado que o sim. Isso nos torna adultos cheios de culpas, inseguros. Temos medo de enfrentar a vida, achamos que estamos fazendo sempre algo de errado. Pensamos que alguém, em algum lugar, está nos vigiando, nos julgando, e que no tempo certo vai apontar o dedo para nós e nos humilhar. Grande parte dos seres humanos tem essa experiência, em menor ou maior grau. A figura de um pai austero fica gravada em nossa cabeça para sempre.
      O criador da psicanálise, Sigmund Freud, quando mapeou a consciência do homem, chamou esse juiz implacável de superego. O superego “serve como um censor das funções do ego (contendo os ideais do indivíduo derivados dos valores familiares e sociais), sendo a fonte dos sentimentos de culpa e medo de punição” (do site Página de Freud). Muita coisa já se disse, depois da teoria psicanalítica, muito se acrescentou e muitos até tornaram os estudos de Freud um pouco ultrapassados. Mas como toda sacada genial, aquilo que ele enunciou muda de nome, evolui, mas os princípios básicos ficarão por muito tempo. Bem, eu pessoalmente gosto da teoria estrutural da mente de Freud, a constatação de que existem três diferentes níveis de consciência, o id, o ego e o superego. Falamos do superego, só para encerrar com essas definições, vamos ao id e ao ego:
      “O id é o reservatório inconsciente das pulsões, as quais estão sempre ativas. Regido pelo princípio do prazer, o id exige satisfação imediata desses impulsos, sem levar em conta a possibilidade de consequências indesejáveis.” “Regido pelo princípio da realidade, o ego cuida dos impulsos do id, tão logo encontre a circunstância adequada. Desejos inadequados não são satisfeitos, mas reprimidos.” (também do site Página de Freud).
      Então nós nos “convertemos” ao cristianismo, coloquei esse verbo entre aspas porque teríamos que fazer um estudo só para entender o que é se converter. A gente aprende no início de nossa evangelização que conversão é mudar a direção, nos direcionar então para Cristo. Mas o problema é exatamente esse, nem sempre a direção que tomamos é para Deus. Consciente ou inconscientemente, a maioria de nós tenta mudar para outras direções antes de entender qual é a direção onde Deus está. A direção onde Deus se encontra só pode ser mostrada por ele, para entendermos isso temos que andar com ele.
      Bem, na verdade a gente entra para a tribo dos crentes, adquire toda a cultura evangélica, aprende as músicas, compra produtos dos ídolos evangélicos, livros, discos, nos vestimos como eles, nos tornamos cidadãos de uma nova nação. Nos desvencilhamos de costumes que não condizem com a conversão, contudo, muitos de nós ainda continuamos com alguns velhos costumes. Quais são eles? Aqueles que achamos certos, aqueles princípios morais. Poxa, é mais fácil fazer isso, afinal de contas, pensamos, são coisas certas mesmo, foram nossos pais que nos ensinaram, nós já as conhecemos. Caminhar com Deus pela fé, aprender a ouvir a voz do Espírito Santo, isso tudo é tão subjetivo, difícil, achamos. Muitos líderes incentivam essa conduta, usando leis, como os dez mandamentos. Fica mais fácil liderar e manter a homogeneidade de uma comunidade através de regras já conhecidas. Veja bem, não estou dizendo aqui que tudo o que nossos pais nos ensinaram de bom é errado e que deve ser esquecido.
      Após a conversão, o superego continua presente, é impossível se livrar dele. Todavia, o problema é que, conscientemente ou não, podemos fazer a confusão de achar que esse superego é deus, pior ainda, achamos que esse deus é Deus, como eu já disse, fazemos isso porque parece mais fácil (a língua portuguesa nos limita quando queremos identificar deuses de maneira geral e o único Deus verdadeiro, pai de Jesus; temos apenas o recurso de começar a palavra com letra maiúscula ou não).
      O que tem de errado então de se ouvir a voz do tal superego e não a de Deus? Os princípios de Deus são bem extremados, não se engane ninguém que ache que eles são fáceis e voláteis. “Porque assim como os céus são mais altos do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos mais altos do que os vossos pensamentos”, Isaías 55:9. “Portanto santificai-vos, e sede santos, pois eu sou o senhor vosso Deus”, Levítico 20:7. Contudo os mandamentos do Senhor não são impraticáveis. “Porque este é o amor de Deus: que guardemos os seus mandamentos; e os seus mandamentos não são pesados”, I João 5:3.
      O superego não, ele é inexorável. Seu objetivo não é repreender para ensinar, ele quer somente culpar e punir. Esse nível de consciência é construído na “carne” do homem, nada tem a ver com o Espírito Santo, identifica a natureza decaída do ser humano. Quando iniciamos a nossa caminhada com Deus, a luta que começa a ser travada em nosso homem interior, e que existirá enquanto vivermos neste mundo, é justamente entre o Espírito Santo, procurando fazer uma obra de restauração em todo o nosso ser, e a velha natureza, a chamada “carne”. "Porque a carne cobiça contra o Espírito, e o Espírito contra a carne; e estes opõem-se um ao outro, para que não façais o que quereis", Gálatas 5:17. O superego faz parte dessa velha natureza e não do novo homem que Deus está construindo em nós. "E vos revistais do novo homem, que segundo Deus é criado em verdadeira justiça e santidade", Efésios 4:24. Mas como eu já disse, para quem não busca a Deus com todo o coração, pode ser difícil reconhecer isso, já que o discurso do superego parece tão correto, tão moral, e como também disse atrás, é um discurso que nós já conhecemos. O novo nos aterroriza, o conhecido não, mesmo que ele seja ruim.
      Então, nós podemos puxar um breque de mão logo no início de nossa caminhada com Deus. Podemos passar anos amarrados, como verdadeiros anões espirituais, sem crescimento, sem conhecer a Deus. Isso porque já achamos que sabemos tudo, de uma maneira muitas vezes inconsciente. Achamos que sabemos tudo e não chegamos a lugar algum! Ao contrário, nos tornamos escravos de um ídolo. O pior dos ídolos é aquele que tem a forma de Deus, que diz as suas palavras, que se parece muito com Deus, mas não é Deus. É criado pela nossa mente, com pedaços de Deus, ícones do cristianismo, trechos bíblicos. Mas esse ídolo, não é Deus, repito! Ao invés de libertar, ele aprisiona, surra, suga do cristão todas as suas forças, levando-o a uma depressão mais que física e psicológica, mas espiritual. Muitos chegam às portas da loucura, tentando e não conseguindo obedecer um falso deus, que é engendrado  dentro do homem.
      É esse ídolo que vicia o homem em ativismo religioso, que prende-o a metas espirituais equivocadas como falsa humildade, abnegação desnecessária. Ordens religiosas seculares foram criadas para alimentar esse ídolo, fazendo as pessoas acreditarem que o castigo da carne, a abstinência e o isolamento social fossem sinônimos de santidade e intimidade com o criador. Também é importante dizer, que não estou me referindo aqui, a jejuns e sacrifícios executados de forma sincera, que podem, sim, alcançar o amoroso coração de Deus. Mas “Os sacrifícios para Deus são o espírito quebrantado; a um coração quebrantado e contrito não desprezarás, ó Deus”, Salmos 51:17.
      E não é somente dentro da Igreja e nos ministérios que esse ídolo é glorificado. Outras áreas também são lideradas por mãos de ferro por ele. Muitos cristãos simplesmente se esquecem de versículos como Isaías 64:4, “Porque desde a antiguidade não se ouviu, nem com ouvidos se percebeu, nem com os olhos se viu um Deus além de ti que trabalha para aquele que nele espera”, e Salmos 127:1, “Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam; se o Senhor não guardar a cidade, em vão vigia a sentinela”. Vivem para o trabalho e para o dinheiro. Confiam em seguros e em poupanças, não em Deus. Têm medo de morrer e de ficarem sozinhos. Reprimem suas sexualidades ou então desandam de vez, se sentindo ainda mais culpados. Sim, porque esse ídolo não tem vitória apenas quando as pessoas tentam obedecê-lo. Ganham também quando elas não conseguem e se desviam de vez.
      Então eu novamente me lembro de Jesus, de um texto que sempre cito: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve”, Mateus 11:28-30.
      Para, povo de Deus, cale-se superego, aprendamos a ouvir a voz do Espírito Santo, é tempo de parar de tentar ser mais real que o rei, é tempo de começar a viver pela fé, não deixando de trabalhar ou de lutar, mas fazendo apenas aquilo que Deus quer que nós façamos. O que Deus deseja de nós é sempre o suficiente, equilibrado, possível de ser feito, e feito com alegria e competência. Mas esteja pronto, povo de Deus, isso pode coloca-lo numa posição de simplicidade, de marginalidade, longe de qualquer notoriedade.
      É tempo de buscar a Deus, com sinceridade, com fé, com todo o coração, é tempo de lançar por terra os ídolos emocionais e dar lugar ao Santo Espírito de Deus. "Porque, quem conheceu a mente do Senhor, para que possa instruí-lo? Mas nós temos a mente de Cristo", I Coríntios 2:16. “Mas aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito”, João 14:26. O novo homem, que o Senhor gerou em nós, tem a mente de Cristo e o Espírito de Deus. Deus é eterno e santo, existia antes que tudo existisse e a tudo criou do nada. Ele não é criação do homem, parte de nossa consciência, o superego ou seja lá o que os sábios deste mundo podem dizer que é. É tempo de se ter coragem de invocar esse Deus, o todo poderoso, e de clamar a ele por um milagre, em nossas vidas, nas vidas de nossos queridos, na Igreja no Brasil e no mundo.