31/05/19
Sem dívidas, mas sem créditos
30/05/19
Caminhos retos são para os justos
29/05/19
A dor nossa de cada dia
28/05/19
Qual o tamanho do teu copo?
27/05/19
Respeito pelo ser humano
26/05/19
Idolatria e espírito de adivinhação
25/05/19
Serpentes e Pombas
"Eis que vos envio como ovelhas ao meio de lobos; portanto sede prudentes como as serpentes e símplices como as bombas." (Mateus 10.16), um dos textos mais sábios da Bíblia, não que ela toda não seja, mas este consegue ser curto, profundo, usando uma metáfora fácil de entender, serpente e bomba. Mas veja que no início outra metáfora fundamental do evangelho também é apresentada, ovelha e lobo, vamos refletir um pouco sobre esses quatro animais. Já foi dito que toda a vida material é manifestação da vida espiritual, a vida verdadeira, natureza, animais e homens são metáforas dos poderes espirituais, dos princípios do outro plano, da essência universal. Em cima como embaixo e vice-versa, um princípio do hermetismo, sabedoria do “outro lado”? Não, se soubermos interpretar no Espírito Santo do Deus que tudo criou e de quem todo conhecimento procede.
24/05/19
A pregação que de fato abençoa
23/05/19
Fazer porque sabemos ou porque vivemos?
22/05/19
Mentira
21/05/19
Verbalize tua gratidão
20/05/19
A base de construção sustentável
19/05/19
Três justos
Se eu fizer passar pela terra as feras selvagens, e elas a desfilharem de modo que fique desolada, e ninguém possa passar por ela por causa das feras; E estes três homens estivessem no meio dela, vivo eu, diz o Senhor Deus, que nem a filhos nem a filhas livrariam; eles só ficariam livres, e a terra seria assolada. Ou, se eu trouxer a espada sobre aquela terra, e disser: Espada, passa pela terra; e eu cortar dela homens e animais; Ainda que aqueles três homens estivessem nela, vivo eu, diz o Senhor Deus, que nem filhos nem filhas livrariam, mas somente eles ficariam livres.
Ou, se eu enviar a peste sobre aquela terra, e derramar o meu furor sobre ela com sangue, para cortar dela homens e animais, Ainda que Noé, Daniel e Jó estivessem no meio dela, vivo eu, diz o Senhor Deus, que nem um filho nem uma filha eles livrariam, mas somente eles livrariam as suas próprias almas pela sua justiça. Porque assim diz o Senhor Deus: Quanto mais, se eu enviar os meus quatro maus juízos, a espada, a fome, as feras, e a peste, contra Jerusalém, para cortar dela homens e feras?”
Ezequiel 14.13-21
No post de ontem refletimos sobre os quatro juízos da passagem de Ezequiel, pensemos agora sobre os três nomes citados, Noé, Daniel e Jó, o que tem de especial esses três homens para aparecerem no texto? Sem fazermos os chamados estudos bíblicos tradicionais que não representam estilo deste espaço, o que nos vem rapidamente à cabeça quando pensamos nesses homens? Noé foi primeiramente símbolo de um homem fiel e obstinado, em seu tempo, sem a unção da nova aliança, sem o Espírito de amor do evangelho, não vejo Noé como um homen afável, misericordioso, um homem prático e focado não podia ser assim. Fiel porque se manteve obediente a Deus mesmo quando ninguém mais era, obstinado porque mesmo consciente do juízo de Deus que viria sobre a sua terra, não olhou ao redor, mas manteve-se fiel ao seu chamado, construir a arca. Mas para aquela missão Deus não precisava de um servo afável, misericordioso ou mesmo evangelizador, os homens já tinham tido oportunidade de arrependimento, agora seriam punidos, sem dó. Noé era o homem que Deus precisava em seu tempo, pronto para um propósito que Deus tinha que realizar naquele momento, duro, mas fiel, atento à voz de Deus, mas pragmático com relação aos homens, se não fosse assim não teria “estômago” para suportar dentro da arca o sofrimento que a humanidade estava passando do lado de fora. Será que Deus acha em nós os homens que ele precisa pra o momento em que vivemos? Ou estamos deslocados no tempo, vivendo de passado ou sonhando com futuros ilusórios? Deus também achou em Daniel o homem que precisava para o momento, numa condição diferente da de Noé.
Daniel era um escravo de luxo, digamos assim, e é preciso ressaltar um ponto, geralmente quando vemos sobre escravos na Bíblia temos a tendência de aliar a ideia da escravatura de africanos, que foi usada em larga escala para suprir mão de obra na lavoura do Brasil e do mundo. Esses conceitos de escravo não são iguais, no caso do Brasil, mais moderno, os escravos faziam, via de regra, o serviço mais braçal e duro na terra, ainda que alguns fossem usados dentro das casas dos senhores de engenho para trabalhos domésticos. Esses escravos não tinham nenhum direito, eram coisas, posses que podiam ser usadas em transações comerciais e outros usos sem nenhum escrúpulo. Importante dizer também que a sociedade da época e mesmo a religião, consideravam o negro “menos” humano, por isso havia legitimidade de tratá-lo como coisa. Já nas sociedades clássicas, grega, romana, e nos tempos bíblicos, os escravos eram espólio de guerra, isso é, os perdedores nas mãos dos vencedores num embate, ou aqueles que se endividavam e não podiam mais pagar suas dívidas. Assim, eles não tinham certos direitos sociais, de ir e vir, de participação política, mas podiam desempenhar atividades em várias áreas profissionais, incluindo algumas bem nobres.
Esse era o caso de Daniel, era escravo na corte do rei Nabucodonosor, rei da Babilônia, que havia vencido Judá em batalha e levado seu povo em cativeiro. Lemos em Daniel 1, versos 3 ao 6, “E disse o rei a Aspenaz, chefe dos seus eunucos, que trouxesse alguns dos filhos de Israel, e da linhagem real e dos príncipes, Jovens em quem não houvesse defeito algum, de boa aparência, e instruídos em toda a sabedoria, e doutos em ciência, e entendidos no conhecimento, e que tivessem habilidade para assistirem no palácio do rei, e que lhes ensinassem as letras e a língua dos caldeus. E o rei lhes determinou a porção diária, das iguarias do rei, e do vinho que ele bebia, e que assim fossem mantidos por três anos, para que no fim destes pudessem estar diante do rei. E entre eles se achavam, dos filhos de Judá, Daniel, Hananias, Misael e Azarias”, assim Daniel era um jovem especial que seria usado em tarefas especiais, que seria tratado de forma especial, mas que ainda assim era um escravo. Diferente de Noé, que recebeu um missão de Deus e só precisou manter-se fiel a Deus para cumprir a missão, sem ter que dar muita atenção aos homens, e não estou dizendo com isso que a missão de Noé foi menos difícil, Daniel estava numa situação ruim que não mudaria, seu cativeiro e de seu povo.
Ele seria provado várias vezes, seja com privilégios, seja com privações, seja com honras, seja com calúnias, para que não ficasse confortável com a situação de escravo de luxo e continuasse fiel a Deus. Daniel foi fiel, mas outro adjetivo que o define é sensível, diferente da obstinação dura de Noé. Sensível suficiente para desvendar mistérios espirituais, só João o evangelista recebeu de Deus mais revelações que Daniel, não só sobre seu povo, mas como sobre todo o mundo e para tempos futuros. Foi através de sua sensibilidade espiritual que Daniel foi ganhando a confiança da monarquia babilônica e conquistando posições políticas importantes. Com Daniel aprendemos que às vezes, o homem que Deus quer que sejamos, é alguém que mantenha-se fiel, vivo e sensível mesmo numa situação que temos certeza que não mudará para melhor a curto prazo, aliás, eis outra característica de Daniel, visão espiritual longa, por isso Deus revelou a ele tantos mistérios sobre o futuro. Enquanto Noé foi o homem do presente, Daniel foi o homem do futuro, e Jó, o terceiro nome do texto inicial, quem foi ele? Para fecharmos a simbologia com perfeição, Jó foi o homem do passado, e isso por vários motivos, e num bom sentido.
Estudiosos dizem que o personagem Jó é muito antigo, e que seu livro pode ter sido escrito por Moisés, antes mesmo de Gênesis, eis uma característica que faz de Jó um homem do passado. Contudo, o passado vitorioso e próspero com certeza foi o que mais foi revivido por Jó durante sua tentação, uma situação onde perdeu tudo, e que uma pergunta lhe era feita constantemente: o que ele fez de errado para estar naquela terrível situação? Ele buscava respostas no passado e lá ele não achava motivos para ter recebido da vida uma mão tão pesada. A mesma coisa ocorre com qualquer um de nós quando passamos um sofrimento ou temos uma surpresa ruim, seja num acidente, numa enfermidade, numa grande perda, nos perguntamos, o que fizemos de errado no passado para estarmos colhendo no presente mal tão terrível? Onde estava a resposta para Jó?
A resposta seria dada, mas não à pergunta feita inicialmente por Jó e por seus amigos, Deus muitas vezes não nos responde, não porque ele não tem resposta ou porque não estamos preparados para ela, mas porque estamos fazendo a pergunta errada. A pergunta que Deus queria responder não era, “por que sofremos?”, mas, “quem nós somos de verdade?”, com ou sem sofrimento. A resposta para essa questão também está no passado, o homem que Deus quer achar em nós é o homem que teme não as dificuldades e surpresas do futuro, ou que confia no que é e possui no presente, mas no Deus poderoso e mais que antigo que tudo, infinito na verdade, que a tudo criou e sustenta aqueles que confiam nele.
Alguns instantes antes da tribulação de Jó, talvez ele achasse que sua vida já estava completa, que já era momento de um descanso final, ele já era velho e tinha uma vida e uma família bem estabelecidas. Mas ainda não era o momento de usufruir de uma velhice em Deus, sua pior luta ainda seria experimentada, e ele sairia dela finalmente um homem não só envelhecido, mas amadurecido. Enquanto a luta de Noé era só com ele mesmo, visto que sabia o que Deus queria dele e como deveria agir com as pessoas, a luta de Daniel era com os homens, com seus deuses e maldades, mas a luta de Jó era diretamente com Deus, conhecer melhor o Deus que ele achava que conhecia, como consequência desse conhecimento ele se conheceria melhor também. Noé, fiel e obstinado, o homem do presente, Daniel, fiel e sensível, o homem do futuro, e Jó, fiel mas ainda uma criança na sabedoria, diante da antiguidade infinidade de Deus, Jó o homem que devia entender melhor o passado.
É importante que saibamos que homem Deus quer que sejamos no tempo em que estamos vivendo, se é o homem o do presente, o do futuro ou o do passado, todos são adequados, se estiverem vivendo no momento certo. O do presente obedece prontamente sem perder tempo. O do futuro sabe que muitos problemas não serão resolvidos aqui e agora, mas ainda assim permanece fiel e é sensível para saber e entender os mistérios do futuro. O do passado olha para Deus, conhece-o em profundidade e assim se conhece melhor também, não se fiando no tempo, em sua criancice, mas no altíssimo, o velho de muitos dias sobre o qual só conhecemos a face direita. A outra face permanece sempre misteriosa, para nos mostrar que sempre seremos menos que Deus e nunca saberemos tudo sobre ele, como dizem estudiosos de mistérios ocultos.
18/05/19
Quatro juízos
Se eu fizer passar pela terra as feras selvagens, e elas a desfilharem de modo que fique desolada, e ninguém possa passar por ela por causa das feras; E estes três homens estivessem no meio dela, vivo eu, diz o Senhor Deus, que nem a filhos nem a filhas livrariam; eles só ficariam livres, e a terra seria assolada. Ou, se eu trouxer a espada sobre aquela terra, e disser: Espada, passa pela terra; e eu cortar dela homens e animais; Ainda que aqueles três homens estivessem nela, vivo eu, diz o Senhor Deus, que nem filhos nem filhas livrariam, mas somente eles ficariam livres.
Ou, se eu enviar a peste sobre aquela terra, e derramar o meu furor sobre ela com sangue, para cortar dela homens e animais, Ainda que Noé, Daniel e Jó estivessem no meio dela, vivo eu, diz o Senhor Deus, que nem um filho nem uma filha eles livrariam, mas somente eles livrariam as suas próprias almas pela sua justiça. Porque assim diz o Senhor Deus: Quanto mais, se eu enviar os meus quatro maus juízos, a espada, a fome, as feras, e a peste, contra Jerusalém, para cortar dela homens e feras?”
Ezequiel 14.13-21
Esta reflexão se divide em duas partes, em primeiro lugar vamos pensar um pouco sobre os quatros juízos que Deus lançava sobre um povo que se rebelava contra ele: fome, feras, espada e peste. Em segundo lugar, no post de amanhã, refletiremos sobre os três homens citados, Noé, Daniel e Jó, os três justos. Na ordem do texto, os juízos começam pela fome, bem, ela acontece na falta de alimentos, alimentos faltam quando a natureza deixa de colaborar com a agricultura e com a pecuária, assim se falta chuva, se há seca, ou se chove demais ou há muito frio, a plantação e os animais sofrem, consequentemente o alimento para os seres humanos também ficará escasso. No contexto histórico do texto bíblico, naquela geografia, onde havia muitos animais selvagens livres, se faltasse alimento para os homens, faltaria também para eles, suas presas naturais poderiam ter sucumbido, assim, atacar os seres humanos, seria uma opção para encontrar alimentação, pelo menos para os animais carnívoros. Um povo fraco, sem alimentação e atacado por feras, seria presa fácil da espada de nações inimigas, que se aproveitariam da situação. Por último, mais enfraquecido ainda, depois de estarem mal alimentados e cercados e assolados por animais e inimigos, o povo poderia adoecer facilmente devido à sua debilidade e ser afligido por pestes.
Não sabemos se as coisas poderiam acontecer assim, mas existe uma probabilidade bem grande de que o colapso que um povo rebelde podia experimentar ser nada mais que uma reação em cadeia, que teve início no desequilíbrio das estações, da chuva e da temperatura. Contra animais, inimigos ou doenças, o povo até podia ter se livrado, pelo menos se acontecesse um de cada vez, mas quem pode lutar contra condições climáticas? Hoje sabemos que a natureza não se desequilibra por nada, isso acontece quando o homem desrespeita terras e águas, um povo que se rebela contra Deus, perde o respeito pelo Altíssimo, perde o respeito pelos seus semelhantes como também perde o respeito pela natureza, assim todos os juízos de Deus poderiam ter sido consequências de um desrespeito do homem pela natureza, que acabou desestruturando toda a sociedade, seja na área climática, humana, econômica ou política.
Acredito que o raciocínio acima seja bem pertinente para os tempos em que vivemos, e mesmo que alguns não creiam em Deus ou nos seus juízos, poderão ser convencidos pelo caos que pode se instalar quando simplesmente o homem desrespeita a natureza. Esta reflexão não um discurso ateu e materialista disfarçado, não estou querendo dizer que as coisas podem ter causas naturais sem que exista uma força espiritual superior do bem que aja e que conduza o universo a sua vontade. Também não defendo que Deus é uma força espiritual superior independente que faz isso ou aquilo, sempre de forma sobrenatural e milagrosa, desrespeitando a natureza. O sábio entenderá que é isso tudo junto, Deus é superior, criador e Senhor, ele manifestou o universo e estabeleceu suas leis, físicas e espirituais, mas ele não pode ir contra si mesmo, da mesma forma que os eventos universais não ocorrem do nada e em pouco tempo. Se o homem está vivendo uma fase ruim é porque desobedeceu um lei criada por Deus no início dos tempos mais antigos, lei imutável.
Tudo é efeito de uma causa, tanto o mal quanto o bem, se há harmonia com aquilo que Deus nos revela pelo seu Espírito Santo e pela sua palavra escrita, ou pelo menos aquilo que a tradição judaica-cristã considera palavra escrita legítima, tudo correrá bem, natureza, universo e seres espirituais colaborarão para que o homem que está sincronizado com Deus ande em liberdade e prosperidade. O texto revela isso, quem de fato quer entender os mistérios e ver mais que a superfície, mas a profundidade dos universos, verá um Deus incognoscível na essência mas percebido na beleza da criação material, ainda que um manifesto do divino só numa fina camada perecível e ilusória. Ah, se o cristão fosse além do catolicismo que o protestante evangélico insiste em dizer que não participa, mas que ainda lhe serve de amarras, não na forma da construção, mas no material que serve de fundamento. A cela católica é mais sofisticada, cheia de símbolos, de detalhes barrocos e clássicos, a cela protestante é mais moderna, minimalista, sem tantos enfeites ou memórias, mas ainda assim ambas são celas construídas basicamente dos mesmos materiais, tijolos e cimento, ou tradições e medo.