sábado, dezembro 19, 2020

Amor: sempre nos reconstrói

      “O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece.I Coríntios 13.4

      Viver não é fácil, principalmente porque somos seres egoístas, que querem receber, não dar, todos nós, mas quem de fato quer andar no caminho estreito do evangelho é atraído por Deus para a graça e a misericórdia. Ainda que possamos nos magoar, e na maioria das vezes por motivos equivocados, quem ouve a voz do Espírito Santo sempre se levanta, acha consolo e forças para perdoar e ser luz. Quem é do bem sempre acaba fazendo o bem, pois ainda que erre, que dê espaço para a ira e a inveja, sentirá que isso é ruim, é trevas, e que é muito melhor sair dessa disposição. No coração do justificado por Cristo, Deus sempre será vitorioso e maior. 
      Você pisou na bola, foi impulsivo e machucou alguém? Assuma, peça perdão a Deus e se perdoe, não invente desculpas ou chame o pecado de outros nomes para permanecer nele, seja simples e rápido para se acertar em Deus. Se possível peça perdão a quem magoou, sem exigências e sem complicações, apenas peça perdão e cale-se, com humildade, mas se o perdão não for dado, permaneça calado e humilde e confie no perdão maior do Senhor. Você não pisou na boa, agiu certo, e foi injustiçado? Não ache nisso motivo para elencar a pessoa como inimigo e para manter na alma o rancor, perdoe-a, em seu coração, e espere, humildemente e calado. 
      Ninguém deve passar uma vida como vítima, isso é doentio, não há nenhuma virtude, vitimizar-se na verdade é só uma outra manifestação do orgulho, mas às vezes é preciso um tempo de luto, se dê a esse direito. O luto permite que morra em nossos sentimentos e pensamentos algo que já morreu na realidade e que precisava morrer, assim luto não é para ressuscitar morto, quem mantém morto vivo dentro de si “zumbiliza-se” e não experimenta libertação. Quem vivencia luto no Espírito Santo saberá o momento certo de se levantar e amar, não mais aquilo que se queria que alguém fosse, mas quem a pessoa de fato é, não uma ilusão que se tinha.
      Muitas vezes precisamos ser feridos para cair na realidade, aceitar algumas pessoas como elas realmente são, para aprender a amar em verdade, e o verdadeiro amor tem esse poder, de nos reconstruir. Nele achamos forças para fazer a coisa certa, que a força animal do ódio, a dissimulada da inveja, a doentia do ciúmes, e tantos outros subterfúgios que uma alma doente e que não ama de fato a Deus pode inventar, não dão. Por quê? Porque quem quer amar ama antes a Deus, nesse amor temos não as nossas forças, mas a do pai de amor, que nos abraça, nos protege, nos ilumina, nos faz mais fortes para honrarmos a sua vontade no universo para todos os homens. 

sexta-feira, dezembro 18, 2020

Amor: nos faz muito bem!

      “E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria.I Coríntios 13.3

      Pode parecer difícil antes, quando entendemos racionalmente que precisamos tomar uma atitude de amor e pela fé nos prontificamos a agir, mas a recompensa que vem depois é maravilhosa. A iniciativa para amar pode nos amedrontar tanto que podemos querer trocá-la por outras coisas, muitas vezes coisas que sob o ponto de vista material são grandes, caras, ou mesmo enormes sacrifícios, por quê? Porque é preciso ser humilde para amar, na humildade achamos forças e paciência, e amar nada mais é que dar ao outro mais prioridade que a nós, é preciso um coração que cala e sabe ouvir para amar. 
      Isso é justamente o oposto de fazer obras enormes e entregas extremas na carne, no corpo, no plano físico, expressões que são vistas e honradas pelos homens, mas que podem ser somente fugas de almas que não querem ser humildes para achar paciência para amar. O medo, entretanto, só dura um instante, o amor escancara uma porta no coração dos outros, e por ela entra a luz que nos faltava para sermos felizes, amar parece beneficiar o que recebe amor? E beneficia, alguém muitas vezes solitário que está silenciosa e desesperadamente esperando alguém que só tenha um tempo para ouvi-lo em amor. 
      Contudo, surpreendentemente, amar beneficia muito a quem ama, a quem dá mais que a quem recebe (Atos 20.35), já que alguém necessitado de amor já foi ao seu limite, e apesar de triste, tem a paz de quem já fez tudo o que podia. Mas quem precisa amar está em débito, precisa e pode fazer algo e não o fez ainda, assim quem ama se liberta e a libertação vem pelo que é amado. Depois que amamos, ouvindo alguém, dando um sorriso como retorno, escrevendo algumas palavras de agradecimento nas redes sociais, nem porque se recebeu algo, mas só para honrar alguém, nosso coração se alarga pelo amor. 
      Multidões de pecados, que espiritualmente são anulados pelo nome de Jesus, podem ser limpados da alma pelo amor, ainda que pela fé tenhamos recebido perdão, nosso emocional se sente bem depois que amamos, amar é óleo precioso de unção (Salmos 133). Dediquemos, contudo, amor especial aos mais velhos, principalmente a pais, sempre que você puder, e quando não puder ache um jeito, fale com teus pais, principalmente se um deles já partiu deixando o outro na viuvez. Não existe solidão maior que de alguém que não tem mais filhos por perto nem o companheiro que por anos foi seu melhor amigo. 
      Na conversa, fale coisas boas, não leve aos velhos qualquer mal, peso ou acusação, se houver problemas não resolvidos, não é mais tempo de falar para resolver, considere-os resolvidos e olhe para a frente, em paz e com alegria. Não existe nada mais importante no final da vida que liberar e receber perdão, para todos, quem se esquece disso pode depois se arrepender amargamente, quando alguém já tiver partido deste mundo e não houver mais jeito de verbalizar perdão. Assim, enquanto é tempo, ame, receba e ministre a cura mais eficiente para a alma, e a maior prova que somos de fato seguidores de Cristo.

quinta-feira, dezembro 17, 2020

Amar é vencer o mal com o bem

      “Portanto, se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber; porque, fazendo isto, amontoarás brasas de fogo sobre a sua cabeça. Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem.Romanos 12.20-21

      Persista em vencer o mal com o bem, o tempo todo, se o outro não reconhece tuas qualidades, não seja tímido para verbalizar e promover as qualidades do outro, se o outro não acha tempo para amá-lo, ache tempo e seja afetuoso com ele, em palavras e atitudes. Se o outro te prende a erros do passado, exerça esperança e fé com o outro, creia que seu futuro será melhor, não pior, com mais liberdade e propriedade, e não como um perdedor, dê ao outro o que de melhor você deseja pra você. 
      Isso abençoa o outro se ele com o tempo mudar de atitude, for humilde, mas também colabora para que a justiça divina seja realizada no final, e nesse caso, infelizmente, pode ser aferindo as brasas de fogo sobre a cabeça do outro, mas isso é não um problema teu, e nem deve ser um desejo teu. Teu trabalho deve ser de “alimentar” o que se coloca como teu inimigo, mesmo que esse não assuma isso, com o pão e a água da vida, que é a benignidade e a misericórdia do Espírito Santo em teu coração. 
      Isso é ser cristão, isso é ser espiritual, isso é praticar os ensinos bíblicos que tanto dizemos conhecer, isso é ser diferente do outro. Que vantagem temos em termos opositores se somos iguais a eles? Ser melhor não é ser mais agressivo, responder à altura, ou tentar desprezar, trevas não se anulam com trevas, só a luz anula as trevas. Ser melhor é ser de fato do bem, é obedecer o evangelho de Jesus, é devolver a inveja e o ódio muitas vezes sem motivo dos egoístas e rebeldes com o puro amor.
      Essa disposição pode parecer difícil no início, parecer requerer de nós força que não temos, mas esforce-se, comece fazendo pela fé, se Deus permite uma situação assim em tua vida é porque ele quer abençoar o outro, sim, mas também porque ele quer mudar você. O trabalho de devolver o bem para quem nos dá o mal nos transforma de dentro para fora, cura nosso egoísmo, nos liberta da infantilidade, nos posiciona como adultos, pois nos faz priorizar a bênção do outro antes da nossa.  

quarta-feira, dezembro 16, 2020

Amar é colocar-se no lugar do outro

      “Alegrai-vos com os que se alegram; e chorai com os que choramRomanos 12.15

      Se você não achar vontade para orar por alguém que está sofrendo num leito de hospital, coloque-se no lugar de quem ama essa pessoa, de sua mulher, de seu marido, de seus filhos, de seus pais. Se fosse um parente próximo a você, você não estaria clamando a Deus de todo o coração pelo restabelecimento dessa pessoa? Não estaria orando por livramento de sofrimento e de morte? Colocar-se no lugar do outro é uma maneira bem prática de no sensibilizarmos pela luta alheia, contudo, mais bem-aventurado é o que ama antes, sem precisar se colocar nessa posição. Ama o suficiente para não querer que alguém sofra, ama pelo ser humano que alguém é com direito à felicidade como todos, e se a morte vier, que venha na velhice avançada e em paz. 
      Cuidado, alguém que desprezamos hoje pode ser nossa única ajuda amanhã, alguém que nos distanciamos hoje pode estar na condição que estaremos amanhã, negarmos amor hoje pode ser um plantio cruel que nos fará colher amanhã um fruto amargo, o mesmo que demos a quem um dia precisou tanto do fruto doce do amor. Infelizmente, muitas vezes damos o que achamos que recebemos, quem se acha desprezado e mal amado, dá desprezo e nega amor, contudo, muitas vezes somos desprezados e mal amados porque não temos humildade de nos aproximar e amar antes. Mais bem-aventurado é o que toma a iniciativa para amar, sem receber nada antes, esse quebra um loop de maldade e planta uma árvore de amor para si e para os outros. 
      A vida só é dura com os duros, só é injusta com os injustos, só é ingrata com os ingratos, só é seca e solitária com os egoístas e avarentos, que só querem receber e não querem dar. Dê, não empreste, estenda a mão, não vire o rosto, e se o falso quiser abraçá-lo, abrace-o, não o repreenda, que volte pra ele sua falsidade e que fique contigo tua sinceridade. Ainda que alguém seja estúpido, abençoe-o, tenha paciência e não se vingue, coloque-se no lugar não do que ele é no momento, mas do que Deus deseja que ele seja no futuro. Se alguém se arrepender e mudar de vida, olhará par trás e pesará seus velhos caminhos, do que o tratou com amor, mesmo quando ele odiava, ele se lembrará com alegria e louvará o Senhor por tê-lo amado através de você. 

Amor - reflexões para o pré natal

      A partir de hoje, até o dia 23 de dezembro, oito reflexões sobre o tema amor. Festas de final de ano são momentos para reuniões familiares, neste 2020, contudo, um amor verdadeiro será demonstrado dando ouvidos à ciência e nos mantendo isolados, com grupos menores, limitados aos nosso núcleos familiares mais próximos, aquelas pessoas que moram normalmente conosco. Ainda assim, reflitamos sobre amor, ainda que demonstrando ele só em nossos corações e por telefones e redes sociais na internet, talvez só em raras vezes o amor do evangelho, que se preocupa com o outro antes de que consigo, tenha tido tanta relevância. 

terça-feira, dezembro 15, 2020

Muros ou pontes? (2/2)

      “Mas temo que, assim como a serpente enganou Eva com a sua astúcia, assim também sejam de alguma sorte corrompidos os vossos sentidos, e se apartem da simplicidade que há em Cristo.” II Coríntios 11.3

      Falsos deuses sempre possuem hierarquias complexas, pensam que o complicado traz legitimidade, quem já estudou um pouco esoterismo e ocultismo sabe disso, o evangelho, contudo, a palavra de Deus na Bíblia, é simples. Sim, existe sabedoria em outros textos sagrados, de outras regiões, mas eles, em grande parte, são muito complicados, há de se ter não só um coração crente para entender, mas também capacidade intelectual. Deus em seu amor e por causa dele é simples, revela o mais alto conhecimento com simplicidade para que os simples aprendam e não se envaideçam por isso. 
      Quando temos verdadeiramente uma experiência com Deus paramos de fazer guerras, de construir muros, porque simplesmente não precisamos disso, temos um “muro” muito mais alto, que na verdade nem é um muro, é um lugar espiritual elevadíssimo no qual podemos nos abrigar, acima de todo castelo, de todo muro. De fato, o que muda é a relevância de dimensão, deixa de ser horizontal para ser vertical. Isso é importante entender porque algumas pessoas têm “castelos” tão amplos, com muros tão distantes, que podem até nos dar a falsa impressão de serem pessoas livres e sem medos. 
      Assim, ainda que seja com delimitadores longínquos, uma pessoa pode ver as coisas de forma horizontal, não vertical, só os que olham as coisas de cima poderão discernir os muros e os tamanhos dos castelos, e eles mesmos não estarão presos em nenhum castelo assim como não necessitarão de qualquer muro, próximos ou distantes. Por isso só quem olha sob o ponto de vista de Deus pode construir pontes, não muros, pontes se elevam, além dos muros, os vencem sem destruí-los, sem fazerem guerras, elevam-se acima dos belígeros em paz e os vencem, uma vitória de Deus, não do homem.
      Infelizmente, as religiões, que deveriam em tese permitir aos homens óticas verticais, muitas vezes são só castelos, alguns luxuosos, antigos e imponentes como o Vaticano, que constroem muros, não pontes. Quem quer de fato conhecer a Deus deve estar acima das religiões, da ótica horizontal, ainda que faça parte delas e seja útil trabalhando dentro delas, é preciso olhar além da torre mais alta, mesmo do castelo mais tradicional e que se proclama oficial. A visão horizontal em algum momento perderá a acuidade, a vertical, não, quanto mais alta mais precisa fica, eis um mistério espiritual.
      Nos façamos a seguinte pergunta: o que eu mais tenho feito, o que de verdade eu consigo fazer, com sinceridade, muros ou pontes? Quero adoradores ou amigos, semelhantes ou plateia? Tenho uma necessidade muito grande de dizer o que penso, principalmente, nesse mundo moderno, em redes sociais, na internet? Ou tenho aprendido a me afastar mais e mais das guerras, sejam elas quais forem, tenho achado paz e a tenho preferido a qualquer coisa, mesmo à vaidade de querer dar a última palavra? Sempre há tempo para mudar enquanto estamos neste mundo, se formos humildes.

segunda-feira, dezembro 14, 2020

Muros ou pontes? (1/2)

      “Assim, cheguei a esta conclusão: Deus fez os homens justos, mas eles foram em busca de muitas intrigas.Eclesiastes 7.29

      Muros e pontes, uma metáfora conhecida, mas sempre eficiente, principalmente nesses dias de polarizações ideológicas em que vivemos. Os muros nos protegem, mas nos limitam e impedem outros de se aproximarem, de conhecerem melhor o que somos assim como de ameaçarem nossas crenças. Veja que só é ameaçado aquilo que é fraco, por isso necessita da proteção de muros, mesmo que sejam deixados de vez em quando para atacar e escravizar. O que é forte se expõe passivamente, nem ataca nem se defende, nada tem capacidade de prejudicá-lo, não luta porque não está em guerra.  
      Assim, a questão principal talvez não seja o muro, mas uma disposição constante de belicosidade, de mostrar aos outros o que se pensa e tentar convencer outros que o que se pensa é o mais certo. Obviamente, essa belicosidade, que pode começar em termos ideológicos, pode levar à violência, em algum nível. Ainda que não se manifeste em ações gera no coração do belígero um desconforto constante, uma insegurança, que vê a muitos como inimigos. Numa guerra não há paz e quem leva a guerra dentro de si não terá paz em nenhum lugar e com ninguém, nunca.
      Isso não significa que não possamos discordar das pessoas, podemos e devemos, mas o ponto é o que fazer com essa diferença. É preciso entender quando expor a diferença de ponto de vista, para quem expor, e quando parar de defender um ponto de vista diferente daquele de outra pessoa para poder conviver bem com essa pessoa. Isso, contudo, se de fato desejamos conviver bem com alguém e não só convencê-lo a ver as coisas como nós vemos. Se for o segundo caso não estamos procurando amigos, seres humanos para trocar experiências, mas só plateia de adoradores. 
      Se não tivermos amadurecido, alcançado alguma paz e equilíbrio, seremos crianças obcecadas por atenção, buscando quem nos aplauda e nos venere, não nos colocando como seres humanos nas relações, como semelhantes, mas como melhores. Falsos deuses buscando adoração são na verdade seres espirituais que em algum momento tiveram um conhecimento alto, mas que ao invés de crescerem com esse conhecimento, foram corrompidos pela vaidade de tê-lo e se tornaram algo horrível, conhecedores de alta espiritualidade mas moralmente infantis ainda que com aparência adulta.
      Ou confiamos em Deus, buscando-o com todo o coração e achando nessa relação satisfação maior, ou seremos soldados cercados de muros lançando dardos sobre os muros para destruir defesas alheias e fazer dos outros nossos adoradores. Quem não adora ao Deus Altíssimo de alguma maneira quer o lugar Deus e adoração, essa mentira, impossível de ser realizada, leva mesmo gente inteligente, repleta de conhecimento e cultura, a ser rebaixada moralmente. Além de serem escravos de vícios, adoram falsos deuses, sim, quem não adora a Deus acha semelhantes não entre homens de bem, mas entre outros falsos deuses.
      Facilmente encontramos, próximas a nós, pessoas inteligentes, graduadas, bem posicionadas socialmente, mas que por não terem se humilhando diante do Deus Altíssimo se acham sinceramente superiores a nós. São pessoas estranhas, cativas das trevas ainda que jurem ter uma lucidez elevada, gente que vê inimigos em tudo e crê em teorias de conspiração as mais malucas possíveis. Quem não aceita a verdade maior do Altíssimo se faz cativo facilmente de mentiras complicadas com aparência de verdades melhores, quem não adora a Deus adora o diabo, ainda que negue o diabo com todas as forças. 

domingo, dezembro 13, 2020

Deus é quem tira e quem dá (3/3)

O homem, meio evolutivo

      “O Senhor é o que tira a vida e a dá; faz descer à sepultura e faz tornar a subir dela. O Senhor empobrece e enriquece; abaixa e também exalta. Levanta o pobre do pó, e desde o monturo exalta o necessitado, para o fazer assentar entre os príncipes, para o fazer herdar o trono de glória; porque do Senhor são os alicerces da terra, e assentou sobre eles o mundo. Os pés dos seus santos guardará, porém os ímpios ficarão mudos nas trevas; porque o homem não prevalecerá pela força.” I Samuel 2.6-9

      A última frase do texto inicial, parte da oração de Ana, mãe do profeta Samuel, chama a atenção, “o homem não prevalecerá pela força”.  Por que isso é dito após a potência de Deus ser exaltada? Porque Ana entendeu que pela sua força, o homem nada pode, ela experimentou isso na própria carne, em sua impossibilidade humana de gerar filhos. Contudo, como o homem acha que pode, como se mune de conhecimentos e trabalhos para seguir sozinho, negando Deus, tomando como fracos e ignorantes aqueles que se assumem como dependentes de Deus. Esses são os ímpios, que falam e falam, mas o tempo os deixará mudos, nas trevas, as obras feitas por homens, por mais elaboradas e reforçadas que sejam, não suportam a prova dos anos, a força daquele que se faz sem Deus sempre termina e seu trabalho, por um motivo ou outro, cai por terra.
      Quem destrói o que não se humilha diante de Deus? Ele mesmo, acaba tropeçando nas próprias pernas, se protege tanto, levanta tantos muros, guarda tanto dinheiro para se acautelar de um futuro incerto que acaba sucumbindo antes do tempo, por um mal que nenhuma de suas fortalezas poderá livra-lo. Mas quem destrói o arrogante que não se quebranta aos pés do Senhor pode ser também seus amigos, ou falsos amigos, aquele que anda sem Deus anda em trevas, e em trevas não se tem discernimento para fazer alianças, acaba-se confiando em alguém igual a si, tão egoísta e calculista quanto se é, que não está interessando em fidelidade, mas só em vantagens pessoais. O avarento sempre encontra alguém mais avarento que ele, assim como aquele que se acha esperto, mas fia-se na mentira, achará alguém mais astuto que lhe roubará todas as economias. 
      Pequeninos do Senhor, que não têm em quem confiar a não ser em Deus, que nunca se venderam por conveniências, que nunca se enganaram com vaidades, que muitas vezes são ridicularizados, como foi Ana por Penina, a outra mulher de Elcana, seu marido, que podia ter filhos quando ela não podia (leiam I Samuel 1 para mais informações). Não  temam, nem se exaltem, humilhem-se aos pés do Senhor, sem orgulho, sem preocuparem-se com que os outros pensam. Que achem que vocês são fracos e ignorantes por crerem em Deus, não importa, o tempo nesse mundo é curto, sua glória é vã, mas a honra do Senhor é eterna. No que deram os filhos e filhas de Penina? E Hofni e Fineias, filhos do sacerdote Eli, como terminaram eles? Mas todos nós sabemos quem foi Samuel filho de Ana, dos personagens mais importantes de Israel, juiz e profeta que ungiu dois reis. 
      O ímpio que confia só em si perderá os braços e as pernas de uma vez e lhe será retirado toda a força e todo o direito, visto que usou talentos e oportunidades que Deus lhe deu para benefício próprio, não com sabedoria, não para ajudar o necessitado, antes para humilha-lo e subjulga-lo, foi assim com a família do sacerdote Eli (leia I Samuel 4 para mais informações). Deus não tarda, sua promessa não é esquecida, sua justiça vem como o Sol ao amanhecer, certa e clara, os que confiam no Senhor acharão alegria e paz nesse dia, mas os que tentaram enganar os homens, dizendo-se ser o que não eram, ajuntando para sua perdição e não para a glória de Deus, serão envergonhados, ainda neste mundo, aos olhos de todos, os que tiverem olhos verão. Do bem procede o bem, de Ana, humilhada e crente, nasceu Samuel, com autoridade de Deus, nascido para desempenhar uma missão ímpar.

      “Os que contendem com o Senhor serão quebrantados, desde os céus trovejará sobre eles; o Senhor julgará as extremidades da terra; e dará força ao seu rei, e exaltará o poder do seu ungido.I Samuel 2.10

sábado, dezembro 12, 2020

Deus é quem tira e quem dá (2/3)

Jesus, o efeito final

      “O Senhor é o que tira a vida e a dá; faz descer à sepultura e faz tornar a subir dela. O Senhor empobrece e enriquece; abaixa e também exalta. Levanta o pobre do pó, e desde o monturo exalta o necessitado, para o fazer assentar entre os príncipes, para o fazer herdar o trono de glória; porque do Senhor são os alicerces da terra, e assentou sobre eles o mundo. Os pés dos seus santos guardará, porém os ímpios ficarão mudos nas trevas; porque o homem não prevalecerá pela força.” I Samuel 2.6-9

      Por que devemos persistir na oração como fez Ana? Porque fazendo isso damos oportunidade ao Espírito Santo para nos ensinar, muitos não entendem intelectualmente, ainda que sintam em suas emoções, o quanto Deus é vivo e fala, se na carne somos atraídos pelo prazer, no espírito somos atraídos pela paz, que conduz os sensíveis à voz de Deus e os desejosos de serem filhos obedientes a fazer a vontade do Senhor, isso os coloca numa posição espiritual onde existe vitória. Contudo, isso pode ser um processo demorado, muitos passam anos e anos orando para receber algo, não porque Deus demore a responder, mas porque eles demoram para entender como devem viver para receberem o que pedem. 
      Admitirmos que “o Senhor é o que tira a vida e a dá, faz descer à sepultura e faz tornar a subir dela, o Senhor empobrece e enriquece, abaixa e também exalta” é entronizar Deus no lugar mais alto dentro de nós, em nosso espírito, para assim nos posicionarmos na altíssima posição, mas é a intenção, mais que as palavras em si, que nos aproxima de Deus. Deus não mata ninguém, não empobrece ninguém, nem humilha ninguém, são os homens que se matam, empobrecem e são envergonhados quando se afastam do Senhor. Neste ponto precisamos entender um conceito importantíssimo no cristianismo baseado na tradição judaica e no evangelho: Deus é pessoal, mais que uma energia ou uma influência subjetiva.
      Esse conceito, que não é uma construção da psique humana carente de carinho paterno, mas é um mover do Santo Espírito, nos faz buscar o Senhor com uma proximidade afetiva, e isso, mesmo que saibamos mais sobre Deus, e nesta reflexão estou tentando mostrar mais sobre esse conhecimento espiritual. O cristão chama Deus de “aba”, pai, se aproxima do Senhor pedindo colo, para o filho de Deus por Jesus orar não é só “sintonizar-se” com a “frequência energética” mais alta, ainda que eu pessoalmente creia que isso aconteça e que pode bastar, principalmente em situações que nos encontramos mudos diante da gravidade de um problema e que a única coisa que conseguimos fazer e nos focar em Deus. 
     Essa foi a experiência de Ana quando orava, tanto que Eli achou que ela estivesse bêbada: E sucedeu que, perseverando ela em orar perante o Senhor, Eli observou a sua boca. Porquanto Ana no seu coração falava; só se moviam os seus lábios, porém não se ouvia a sua voz; pelo que Eli a teve por embriagada. E disse-lhe Eli: Até quando estarás tu embriagada? Aparta de ti o teu vinho. Porém Ana respondeu: Não, senhor meu, eu sou uma mulher atribulada de espírito; nem vinho nem bebida forte tenho bebido; porém tenho derramado a minha alma perante o Senhor.” (I Samuel 1.12-15). Ana estava numa comunhão espiritual tão profunda que sua comunicação ia além das palavras, eram gemidos inexprimíveis (Romanos 8.26).
      Todavia, em seu amor Deus não requer de nós ensinos profundos de teologia e espiritualismo para nos responder, nem exige que sejamos estudiosos de “física quântica” ou com capacidades de mentalização aprimorada para estabelecer contato conosco. Mas como um pai que atende mesmo aos filhos menores, que nem sabem falar direito, que trocam o “r” pelo “l” e que ainda assim confiam de todo o coração que seu paizinho os atende quando precisam de algo, Deus nos ouve. Deus é amor, e se existe uma comunhão através de “frequências energéticas” é pelo amor que as ondas mais altas são acessadas, amor que muitíssimo mais que expressão sexual humana é uma ligação intimamente espiritual. 
      Por isso tanta ênfase ao amor dada por Jesus em João 15.9, “como o Pai me amou, também eu vos amei a vós, permanecei no meu amor”, e por Paulo em I Coríntios 13.13, “agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três, mas o maior destes é o amor”. Amor, eis aí outro princípio espiritual que a maioria de nós não conhece com profundidade, mas ainda assim o recebe sem limites de Deus, o pai de amor. O “céu”, a melhor eternidade de Deus, para os salvos em Cristo, é puro amor de Deus, Jesus nos chama a permanecer nesse amor ainda estando nós vivos neste mundo, porque assim construímos o céu dentro de nós e nos libertamos de qualquer possibilidade de trevas e inferno. 

sexta-feira, dezembro 11, 2020

Deus é quem tira e quem dá (1/3)

Deus, a causa primal

      “O Senhor é o que tira a vida e a dá; faz descer à sepultura e faz tornar a subir dela. O Senhor empobrece e enriquece; abaixa e também exalta. Levanta o pobre do pó, e desde o monturo exalta o necessitado, para o fazer assentar entre os príncipes, para o fazer herdar o trono de glória; porque do Senhor são os alicerces da terra, e assentou sobre eles o mundo. Os pés dos seus santos guardará, porém os ímpios ficarão mudos nas trevas; porque o homem não prevalecerá pela força.” I Samuel 2.6-9

      A oração de Ana, agradecendo a Deus por ter tido o filho Samuel, um daqueles textos singulares da Bíblia, como nos identificamos com ele. Ele inicia-se com uma constatação direta sobre a relação de Deus com o universo: “o Senhor é o que tira a vida e a dá”, e tudo mais incluído tanto no plano físico quanto no espiritual. É sempre importante dizer que Deus não é um poder egoísta e prepotente do qual parte a ação, se quisermos entender de fato como funciona o universo a única ação de Deus, que ele fez como causa primal, que não foi efeito de nada ou ninguém já que Deus não precisa e nem tem nada ou ninguém à altura com que possa reagir, foi a criação inicial de tudo descrita no início do livro de Gênesis.
      Depois que criou, Deus deu livre arbítrio, primeiro aos anjos (?) e depois aos seres humanos, e entrou num “ano sabático cósmico” (Gênesis 2.2), será que o descanso de Deus já acabou? Em João 5.17 Jesus diz, “meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também”, mas trabalha através de Cristo, chamando os homens ao arrependimento. Mas tudo o que segue à expulsão do homem do Éden são efeitos e novas causas dos erros e dos acertos dos seres, assim se Deus tira, empobrece ou entrega à morte, é porque as leis do universo, estabelecidas por Deus, cobram efeitos de causas. O pecado gera a morte, não Deus, a insensatez gera a pobreza, não Deus, erros são causas que geram efeitos, o criador não erra, quem erra é a criatura.
      Mas se Deus é a causa primal Jesus é o efeito final, ele pode anular o pecado, efeito dos erros de todos os homens, sem gerar nenhum nova causa, em Cristo o ser humano é perdoado e não precisa pagar nada por isso, é de graça. Dois eventos são as manifestações da mais pura graça de Deus, a criação e a salvação! Tudo que está no meio disso e que tem a autorização do homem, incluindo”ações” dos espíritos rebeldes (se é que de fato demônios e diabos façam algo que não seja na mente do homem, pelo menos no plano físico), tem um preço, causas que geram efeitos. Uma pergunta pode ser levantada, diante das afirmações feitas até aqui nesta reflexão: “se Deus não faz nada, então eu não devo orar pedindo que ele me abençoe”? 
      Não, devemos orar, e muito! Eis um mistério espiritual que a grande maioria não entende e que Deus não exige que se entenda, já que abençoa a todos de muitas maneiras, sem fazer exigências, e dos que “entendem” o evangelho só pede que orem em nome de Cristo. Quando oramos não são as nossas palavras que nos colocam na presença de Deus e solicitam coisas a ele, que ele poderá responder e dar, é a nossa posição espiritual. Recebemos em Deus (e “em” é um termo mais adequado que “de”, quando conseguimos entender como a oração funciona) porque nos colocamos nele, através de Cristo temos acesso às regiões espirituais mais elevadas, e nessa posição tudo já foi feito, todas as bençãos já foram conquistadas.
      Deus não cria algo quando pedimos a ele, se fosse assim Deus não seria onisciente e onipotente, não seria completo, mas teria que estar fazendo constantes “upgrades” para poder satisfazer as necessidades dos homens e do universo. Contudo, quando oramos, mesmo não sabendo como orar, mesmo conhecendo pouco a Deus, mesmo pedindo como se Deus não tivesse ainda para dar ou como se tivéssemos falta porque ele em outra ocasião nos tirou, somos levados pelo Espírito Santo a nos posicionar espiritualmente, e nessa posição entramos em comunhão com o Altíssimo e tomamos posse das bençãos. Muito mais que palavras que pedem há na oração de quem se humilha diante de Deus, mais do que muitos imaginam. 

quinta-feira, dezembro 10, 2020

Mundo líquido

      “Sabe, porém, isto: que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos. Porque haverá homens amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos, sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, sem amor para com os bons, traidores, obstinados, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de DeusII Timóteo 3.1-4

      Ouvi o filósofo pop star Leandro Karnal usando esse termo e achei interessante: “vivemos atualmente em um mundo líquido”. No que isso nos faz pensar? Água, como outros líquidos, não tem forma fixa e sólida, ela se adapta depressa ao meio, assim como não pode ser retida com facilidade, ela escorre e foge. Essas características dos líquidos, estão bem presentes na vida atual, naquela que muitos chamam de a era de Leviatã, o diabo das águas, as pessoas querem ser a água, não peixes em aquário. 
      A adaptabilidade é a característica básica dessa liquidez, ela leva todos a desejarem ser qualquer coisa e em qualquer tempo, nada é para sempre, assim como tudo pode ser repetido. Vemos isso no fato das pessoas não quererem envelhecer, nem se acomodarem a modos de vida que antes dizíamos ser dos mais velhos, todos querem (e devem) se adaptar para serem jovens para sempre, não aceitam o tempo nem seus efeitos, não aprendem a conviver com a dor, mas a negam e assim impedem a si mesmas de amadurecer. 
      O lado ruim da adaptabilidade é a inconstância, as alianças são sempre temporárias, sejam afetivas ou profissionais. Nas afetivas vemos isso nos casamentos que começam e terminam com facilidade, e consequentemente nas relações sexuais e na geração de filhos, que simplesmente não têm na prática importância, o que importa é o prazer imediato do indivíduo. O aborto é outra trágica consequência dessa inconstância, assassinato, pois o aborto é isso, é só uma ferramenta para viabilizar a irresponsabilidade.
     O modo líquido de viver leva as pessoas a fugirem de qualquer espécie de padronização, nada é sólido, tudo pode mudar e se mover à medida que ser feliz se torna uma obrigação. Não que felicidade não seja algo bom nem as pessoas a devam buscar, mas nessa obsessão levada pelo consumismo, as pessoas negam as limitações do plano físico que conduz o ser humano a amadurecer, quem quer tudo e sempre são as crianças, e se não tiverem choram e esperneiam para que os outros satisfaçam suas necessidades.
      Essa “liquidez“ no plano físico é só uma tentava de simular a liberdade espiritual que só terão os salvos em Cristo no outro plano, é só uma consequência da última estratégia das trevas para terem um domínio temporário neste mundo. Ao verdadeiro filho do pai das luzes cabe não tentar ser “líquido”, mas dar liberdade ao Santo Espírito para ser espiritual, ainda que no corpo físico, no quanto isso é possível. Que os espirituais sejam espirituais, que os carnais sejam o que são, ainda que com nomes mais filosóficos.

quarta-feira, dezembro 09, 2020

A mentira mais eficiente

      “É por este motivo, pois, que Deus lhes manda a operação do erro, para darem crédito à mentira, a fim de serem julgados todos quantos não deram crédito à verdade; antes, pelo contrário, deleitaram-se com a injustiça.II Tessalonicenses 2.11-12

      A mentira mais eficiente, que os espíritos rebeldes usam, não é uma mentira escrachada, essa facilmente é desacreditada, mesmo pelos menos avisados. A mentira mais eficiente é em parte verdade, ainda que periférica, que os espíritos das trevas dizem ser a central, fazendo com que mesmo os mais informados, mas que querem ser enganados, não olhem para a verdade central e principal, que conduz ao melhor de Deus. Essa é a estratégia do diabo desde sempre, o marketing das trevas que pode enganar até cristãos. 
      A verdade central é Jesus, o único salvador, as outras podem ser qualquer coisa, conhecimentos espirituais importantes, mesmo presentes no cânone bíblico, mesmo orientações de sabedoria e até de salvação, ainda que anterior à nova aliança estabelecida pela obra redentora de Cristo. Conhecimentos por si só não salvam, contudo, por serem relevantes de alguma maneira e em algum tempo, desviam os olhos de Jesus, a verdade central, a única verdade que leva as pessoas a conhecerem e aceitarem suas verdades.
      Foi isso que o diabo fez através da serpente, ele disse algo que era verdade, o homem teria o conhecimento do bem e do mal, e isso de fato aconteceu, esse era o nome da árvore plantada por Deus, não pelo diabo. Contudo, como não era a vontade principal de Deus para o homem, ao menos naquele momento e daquele jeito, o fez pecar e perder direitos. Só Jesus pode restabelecer esses direitos, por isso o objetivo do diabo hoje é desviar a atenção de Cristo, ainda que seja com verdades espirituais periféricas. 
      A verdade na boca do mentiroso se torna mentira? Não, o mentiroso nunca diz a verdade, mas ele pode manipular meias verdades de maneira que só aparece a parte verdadeira, não a outra metade, a parte mentirosa. A verdade sempre é 100% verdadeira, já a mentira basta que seja 1% num todo para desmerecer os 99% restantes. Quem aceita 1% com o tempo aceitará os outros 99%, é só uma questão de tempo, e o mal conta com isso, com o tempo. O Deus de luz não, ele age agora e para sempre. 
     Preciso citar novamente Tiago 1.16-17, “não erreis, meus amados irmãos, toda a boa dádiva e todo o dom perfeito vem do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança nem sombra de variação”, esse texto nos ajuda bastante a entender esta reflexão. O que vem de Deus não deixa dúvidas, espaço para fantasias nem teorias de conspiração, o que vem de Deus tem “exatidão científica” ainda que se deva entender com os olhos espirituais, tão subjetivos para os que não creem. 
      Infelizmente esta reflexão nos faz pensar no momento político atual do Brasil, um governante que se elegeu tendo na boca textos bíblicos além de outras ideologias tão agradáveis a muitos, esse tem apoio de muitos cristãos. Mas será que isso basta? Esse tal líder de fato está com a verdade maior de Deus, o pai da luz totalmente branca e sem variação, que justifique apoio do chamado povo de Deus? Um povo que buscou quem dissesse aquilo que queria ouvir em púlpitos, achou alguém maior, em Brasília.
      Nem adianta dizermos nada agora, ainda que esse que vos escreve tenha uma opinião já deixada bem clara em outras postagens, mas certeza muitos poderão ter daqui a um tempo, quando os frutos forem colhidos. Mas eu disse poderão ter, porque infelizmente, quem sempre quis ser enganado, se deixar muito tempo passar nesse terrível desejo, achará alguém que os engane para sempre, mesmo que todas as evidências comprovem que estão diante de um grande enganador. 

terça-feira, dezembro 08, 2020

Achar e deixar

      “E não havia água para a congregação; então se reuniram contra Moisés e contra Arão. E o povo contendeu com Moisés, dizendo: Quem dera tivéssemos perecido quando pereceram nossos irmãos perante o Senhor! E por que trouxestes a congregação do Senhor a este deserto, para que morramos aqui, nós e os nossos animais? E por que nos fizestes subir do Egito, para nos trazer a este lugar mau? lugar onde não há semente, nem de figos, nem de vides, nem de romãs, nem tem água para beber.
      Então Moisés e Arão se foram de diante do povo à porta da tenda da congregação, e se lançaram sobre os seus rostos; e a glória do Senhor lhes apareceu. E o Senhor falou a Moisés dizendo: Toma a vara, e ajunta a congregação, tu e Arão, teu irmão, e falai à rocha, perante os seus olhos, e dará a sua água; assim lhes tirarás água da rocha, e darás a beber à congregação e aos seus animais. Então Moisés tomou a vara de diante do Senhor, como lhe tinha ordenado. E Moisés e Arão reuniram a congregação diante da rocha, e Moisés disse-lhes: Ouvi agora, rebeldes, porventura tiraremos água desta rocha para vós?
    Então Moisés levantou a sua mão, e feriu a rocha duas vezes com a sua vara, e saiu muita água; e bebeu a congregação e os seus animais. E o Senhor disse a Moisés e a Arão: Porquanto não crestes em mim, para me santificardes diante dos filhos de Israel, por isso não introduzireis esta congregação na terra que lhes tenho dado. Estas são as águas de Meribá, porque os filhos de Israel contenderam com o Senhor; e se santificou neles.” 
Números 20.2-13

      “Era nosso destino encontrar, mas não era nosso destino ficar”, frase que ouvi num filme e se referia a um ícone religioso importante, perdido por uma civilização há milênios, sobre o qual existia uma lenda que se alguém achasse teria poderes políticos e religiosos. Contudo, quando o objeto foi achado, uma espada, as pessoas que acharam, que a princípio só queriam encontrar para levar até suas autoridades, começaram a brigar, cada uma queria ficar com o objeto para usufruir de seus direitos. No final do filme eles entendem que se a espada estava provocando conflitos entre os dois que a acharam, imagina o que causaria numa sociedade inteira, assim resolveram que ainda não era o tempo de ficarem com o objeto.
      Deus me levou a pensar sobre algumas coisas em nossas vidas, que depois de as procurarmos bastante, nós até achamos, mas será que estamos prontos para ficar com elas? Talvez, algumas coisas mereçam só que lhes demos uma boa olhada para depois deixar, não tomarmos posse delas, antes entregá-las nas mãos de Deus e esperarmos um momento melhor, que até nunca poderá vir, para ficarmos com elas. Mas alguém poderá dizer, mas achei só para saber que existe, mais nada? Conhecer não é pouco, muitos não estão preparados nem para isso, podem até desejam, mas nunca encontram. Assim, é preciso saber até onde ir, e mesmo que cheguemos muito perto conhecendo algo, entender se devemos ou não ficar com ele. 
      Por que isso? Porque se insistirmos e ficarmos com certas coisas, poderemos nos perder, torná-las ídolos mais importantes que Deus. O Senhor, em sua graça, porque insistimos muito, até nos permite achar, nossa fé sempre é recompensada. Contudo, seremos humildes e obedientes a Deus, mostraremos que ele é mais importante que tudo para nós, que nenhuma coisa é maior que ele, abrindo mão mesmo de algo importante que ele mesmo nos deu, caso o Senhor peça isso de nós. Talvez a experiência não fosse o fim de uma jornada, mas apenas uma prova no processo para que deixássemos para lá algo relevante para nós e achássemos libertação, talvez de algo que procuramos obsessivamente por muito tempo.
      Se Deus pede que abramos mão é porque nunca foi seu plano termos, ele pode estar só aguardando que sejamos libertos de um desejo equivocado para nos dar algo melhor, que não queremos por estarmos cegos. Vou contar-lhes algo, na noite em que estava vendo o tal filme eu tinha uma luta no coração, justamente por causa de algo que tinha recebido, que tinha me alegrado muito, mas que de repente me foi tirado. Como acontece muitas vezes em nossas vidas, fazemos duas coisas ao mesmo tempo, sem ligar uma coisa a outra. Já era madrugada quando o filme acabou e foi só então que percebi a metáfora de minha vida que ele representava. Acredite se quiser, mas Deus me deu uma solução importante por um filme. 

segunda-feira, dezembro 07, 2020

Há quanto tempo você não muda de opinião?

      “Mas, quando vier aquele Espírito de verdade, ele vos guiará em toda a verdade; porque não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido, e vos anunciará o que há de vir.João 16.13

      As pessoas resistem a mudanças de opinião, e muitas consideram isso até fraqueza de caráter, já encontrei gente para um café e quando usei adoçante, ao invés de açúcar, me disse, “mas você gostava tanto de açúcar, por que mudou?”. Esse estranhamento ocorre principalmente com os mais velhos, às vezes estranhamento de pessoas mais jovens e já tão fechadas em convicções. Crescer é mudar de opinião, eu quero, até meus últimos dias de vida neste mundo, ter coragem para me avaliar, constatar erros e mudar a maneira como penso e vivo. Deus é vivo e nos chama para a vida, quem está vivo se transforma para melhor, não dogmatiza nada, reconhece que algumas coisas não são as melhores e escolhe fazer outras. 
      Se você pegar uma postagem de 2011, 2012, 2013, enfim, dos primeiros anos aqui do blog “Como o ar que respiro”, e comparar com uma reflexão de 2018, 2019, deste ano, notará diferenças, não nas bases do que eu creio, mas na aplicação dessas bases na vida prática, um aprofundamento gradativo deverá ser notado à medida que os anos passaram. Mas houve mudanças de opinião mais extremas em alguns pontos? Sim, houve, e principalmente coragem de expressar essas mudanças, notadamente em avaliações que se afastaram do pensamento protestante evangélico tradicional. Isso é ruim? É incredulidade ou desvio doutrinário? Não, pelo menos não em relação ao Deus verdadeiro, meu pai, meu querido amigo. 
      Minha fé em Deus assim como o endireitamento de meu caminho rumo ao altíssimo têm só sido aperfeiçoados, tenho crido com mais simplicidade e caminhado mais focado, com mais coerência, com mais paz, sem me ater às margens, pelo menos não por tempo demasiado a ponto de me prejudicar. Sou avesso a dogmas, isso faz parte de mim desde sempre, e apesar da tradição católica aliar ao cristianismo dogmas como virtudes, penso que quem conhece Deus de verdade liberta-se de dogmas, ainda que conheça mais e não abra mão da verdade. O que muitos chamam de dogmas nada tem a ver com Deus, na maior parte das vezes é só um jeito de fazer as pessoas aceitarem doutrinas de homens sem refletirem a respeito. 
      Jesus como único e suficiente salvador e o Espírito Santo como mestre do conhecimento que conduz ao Deus altíssimo, essa é a verdade que não abro mão, quanto ao resto, todo o resto, minha opinião a respeito têm mudado mais e mais a cada dia, de um jeito que se muito crente conhecido meu de igrejas soubesse, não me chamaria de irmão. Mas eis um título que dispenso, neste mundo quero amigos, não irmãos, sob nenhuma forma, na eternidade saberemos de fato quem são nossos irmãos, já que neste mundo tenho achado amigos que espiritualmente pensam bem diferentemente de mim, e que nem cristãos se consideram. Não tenha medo de mudar de opinião, mas caminhe conforme tua fé, a tua, não a dos outros. 
      Se algo balançar tuas bases, não mude enquanto não tiver paz em Deus, e nesses momentos é bom sermos racionais, resistir às paixões, fé não se vende nem se troca, mas se aprofunda, se amadurece, sempre comprovada com efeitos práticos. Minhas mudanças de opinião sobre a Bíblia, o cristianismo, a religião, ocorreram depois que acontecimentos reais e inquestionáveis ocorreram, sim, vida com Deus começa com fé, é a causa primordial, mas segue realizando-se no plano físico, é o nosso sincronismo com o Altíssimo se manifestando no universo, de maneira plena. Cuidado, não mudar de opinião pode não ser virtude, nem constância de fé, mas só covardia e coração endurecido para aprender o que Deus quer ensinar.